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Cardeal Zenon Grocholewski celebra Eucaristia de abertura da 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional de Universidades Católicas em São Bernardo do Campo

Cardeal Zenon Grocholewski

O Cardeal Zenon Grocholewski, Prefeito da Congregação para a Educação Católica (Santa Sé), celebrou a Missa de abertura da 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional de Universidades Católicas − FIUC (em Inglês International Federation of Catholic Universities – IFCU) no dia 23 de julho, na capela Santo Inácio de Loiola do Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.

A Solene Eucaristia foi concelebrada pelos cardeais Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida e Presidente da CNBB, e pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, dois bispos e uma vintena de clérigos. Cerca de 140 reitores e representantes de 113 universidades católicas de 44 países do mundo assistiram à celebração.

No início da Missa, o Cardeal Grocholewski leu o decreto da Santa Sé que oficializa o Bem-aventurado Cardeal John Henry Newman como patrono da Federação Internacional de Universidades Católicas.

Na homilia, o Cardeal Zenon tratou essencialmente da virtude da fé: “a fé que atua através do amor, e se converte num novo critério de pensamento que penetra em toda a vida do homem. No mundo universitário católico, a fé jamais pode ser considerada como mero acessório determinado por uma moda momentânea. A fé no Cristo morto e ressuscitado deve acompanhar cada reflexão e aprofundamento que se faça sobre a natureza, sobre o homem e sobre a sociedade. Querer-lhes subtrair a fé da investigação científica, significa construir uma ciência na qual reina o vazio”.

Em seguida, relembrou o papel da sabedoria na formação acadêmica: “O sinal da sabedoria de Salomão mencionado por Jesus Cristo no Evangelho nos leva a compreender que para aderir a Cristo, se requer ademais da fé n’Ele a asa da sabedoria ou da razão, a qual em perfeita harmonia com a fé pode alcançar os mistérios divinos”.

Sobre o papel da oração nas universidades católicas acrescentou o Cardeal: “É necessário recordar que a fonte da sabedoria de Salomão era seu permanente contato com Deus, ou seja, a oração e conversação com o Criador. Sem a oração seu raciocinar poderia ser considerado banal ou ausente de testemunho. A Rainha do Sul não haveria se proposto a escutar a sabedoria de Salomão se não houvesse encontrado em seu pensamento uma verdade nova e real, a verdade de Deus”.

Concluiu a brilhante homilia afirmando parafraseando um pensamento da encíclica Fides et Ratio do Beato Papa João Paulo II : “Nas universidades católicas, a razão não pode esquecer o mistério do amor que a cruz representa, enquanto que esta pode dar à razão a resposta última que busca. Não é a sabedoria das palavras senão a Palavra da sabedoria o critério de verdade. [...] Que nossas instituições universitárias católicas sigam dando testemunho da fé em Cristo e da Sabedoria que vem do alto. Que ambas as asas, a fé a razão, continuem atuando no mundo universitário católico”.

Autor: Marcos Melo

Revisão: Guy de Ridder

A universidade católica tem de ser católica

GrocholewskiEntrevista com Cardeal Zenon Grocholewski: Prefeito da Congregação para a Educação Católica

Cf.  www.acidigital.com/noticia.php?id=19805

Por ocasião do 20º aniversário da Exortação Apostólica Ex Corde Ecclesiae sobre as Universidades Católicas, o Prefeito da Congregação para a Educação Católica, cardeal Zenon Grocholewski, observou que apenas “a universidade Católica que manter a sua identidade terá um futuro e contribuirá para o bem da sociedade”. Ao perder sua união com a Igreja, se tornará uma casa de estudo como outra qualquer. Aplica-se também esta norma aos colégios religiosos.

Em entrevista, o cardeal recordou que um mestre que ensina em uma casa católica de estudos deve “acreditar na Escritura e na Tradição, assim como deve estar unido ao Magistério da Igreja. É arriscado para uma pessoa querer ser mais importante que o Magistério da Igreja”.
Comentando o fato de ter recebido várias reclamações de pessoas que frequentam as universidades católicas e recebem ensinamentos que não estão em conformidade com o Magistério da Igreja, denominou este tipo de centro de estudos como “hipócritas e mentirosos”.
O Cardeal acrescentou que “o que é necessário no contexto moderno de permissividade e de relativismo é que a universidade mantenha a verdade católica, a verdade objetiva”. De fato, o ensino da ciência não exclui a doutrina da Igreja. Todo o conhecimento humano foi criado por Deus e distribuído no universo. Deus é a verdade, e esta mesma verdade é o objeto de toda ciência. O cardeal advertiu que “se uma universidade católica perde a sua identidade, torna-se similar a outras universidades, então é na prática menos significativa”, por perder sua finalidade.
Questionado sobre a opinião de Bento XVI sobre a atualidade da Educação Católica, o Cardeal Grocholewski afirmou que o Papa é “um grande admirador da Universidade Católica. Realmente se alegra quando a Universidade Católica avança e mantém a sua identidade”.
Desde 1990 – ano em que João Paulo II promulgou a Ex Corde Ecclesiae – foram constituídas 250 universidades católicas no mundo. São 1358 Universidades ou institutos católicos de educação superior. No Brasil, quinze instituições de norte a sul do Brasil são reconhecidas pelo Vaticano como católicas, dentre as quais sete são de direito pontifício.