ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

ITTA – IFAT - Instituto Teológico São Tomás de Aquino

Imagens que a História não conseguiu destruir…


Ítalo Santana / 2º ano de Teologia

todays post

Todo católico possui uma imagenzinha em casa, por singela que seja, e para ela acorre quando a vida aperta. Surgiu uma dificuldade, perdeu o emprego, ou apareceu mais uma doença, ele encosta a porta, acende a vela do criado mudo e começa a rezar. Este gesto é de tal modo corriqueiro que ninguém o questiona, e com razão, pois faz parte da lógica das coisas o não pensar muito em assuntos óbvios. Mas, sem dúvida nenhuma, qualquer pessoa por mais fria que fosse, ficaria profundamente escandalizada se, entrando numa igreja para refletir ou fugir um pouco do stress cotidiano, se deparasse com um grupo de homens quebrando com martelos a face de um crucificado, ou arrancando à força os delicados braços de uma imagem de Nossa Senhora. Pois bem, isto que hoje constitui uma verdadeira aberração, deu-se com certa frequência no seio da Igreja numa época histórica bastante convulsionada pelo surgimento de uma heresia assombrosa: o iconoclasmo.

Vândalos de uma perniciosa heresia

O termo “iconoclasmo” deriva da junção de duas palavras gregas: “eikón” (imagem) e “klao” (romper); por isto os hereges iconoclastas foram denominados os “quebradores de imagens”, ou aqueles que se opunham frontalmente ao seu culto. Porém, apesar de ter havido vários choques doutrinários antecedentes sobre a questão, esta palavra só viria a tomar toda a sua força com a perseguição do Imperador Leão III.

Desejoso de uma reforma na ordem civil e militar, decidiu aplicá-la ao campo espiritual, e julgando ser excessivo o culto prestado às imagens resolveu aboli-lo, sob o pretexto de que tal veneração era um empecilho para a conversão dos judeus e sarracenos ao catolicismo, um retrocesso à idolatria de falsos deuses, e o motivo principal da decadência do Império. Entretanto, parece que não foi só um mero anseio renovador que impeliu Leão a proibir os ícones, mas também certa vontade de agradar aos maniqueus e paulicianos, partido numeroso e potente da Ásia Menor, do qual era formado uma grande parcela das tropas imperiais.

São Germano, o Patriarca de Constantinopla, e até mesmo o Papa São Gregório II enviaram-lhe numerosas cartas de advertência, em vão, pois pouco tempo depois publicou um édito (726) que deu total liberdade à heresia.

Estoura a perseguição iconoclasta

Depois de estragos incontáveis como a apropriação dos bens da Igreja na Sicília e Calábria, Leão III morre em 741, deixando como herdeiro do trono e continuador seu filho Constantino V, chamado o Coprônimo. Apesar de manter certa tolerância nos primórdios de governo, o novo Imperador iniciou uma perseguição ainda mais cruel que a realizada por seu pai.

Ele abriu um conciliábulo em Constantinopla, intitulado como sétimo concílio ecumênico, com a presença de 338 Bispos, que se submeteram por covardia à vontade nefanda de Constantino. A heresia iconoclasta recebeu toda a liberdade. O pseudoconcílio proibiu, debaixo de castigos severos, a fabricação, exposição pública e veneração das imagens, e anatematizou São Germano, São João Damasceno e o cenobita Jorge de Chipre. Além disso, qualificou o Imperador e seu filho de luzeiros da ortodoxia, concedendo-lhes como prêmio o patriarcado constantinopolitano. Muitos católicos e religiosos sofreram o martírio por fogo ou mutilação. Os monges eram impedidos, sob pena de tormentos, de vestir o hábito monacal e de se manterem fiéis aos votos; e os leigos tinham que fazer juramento público de não prestar culto às imagens. No entanto, em 775 falece Constantino e sobe ao poder Leão IV. Este possuía certa amizade com os monges, abrandando um tanto a cruel persecução. Apesar de não ser iconoclasta continuou a favorecer a heresia, sendo capaz de exilar sua esposa Irene, quando soube que guardava consigo algumas imagens.  

Uma enérgica Imperatriz na defesa da verdade

Com a morte de Leão IV, as brumas desfazem-se no horizonte. O sucessor ao trono era, nada mais, nada menos, seu filho de seis anos de idade. Irene aproveita-se da oportunidade, assume o governo como tutora do pequeno Constantino VI e envia ao Papa Adriano I uma embaixada pedindo a convocação de um Concílio. O Pontífice aceita e o Concílio é aberto na Igreja dos Santos Apóstolos de Constantinopla. Porém, mal se havia dado início às sessões, um grupo de soldados iconoclastas, inspirados por eclesiásticos do mesmo partido, invadiu a igreja, obrigando os Bispos a se dissolverem e os legados a retomarem o caminho de Roma.

Diante de tal acontecimento, a enérgica Imperatriz não se deu por vencida: desarmou as tropas invasoras e enviou emissários a todos os Bispos e ao Papa para a convocação de um novo Concílio, desta vez em Nicéia. Deste modo, em 24 de setembro de 787, na igreja de Santa Sofia, abria-se definitivamente o VII Concílio Ecumênico, com a presença dos legados pontifícios e de 300 Bispos. Dentre as oito sessões, as mais importantes do ponto de vista dogmático são a quarta, a sexta e a sétima. A quarta sessão tratou de demonstrar, através da Sagrada Escritura e dos escritos dos Padres da Igreja, que a veneração das imagens não só é lícita, como salutar. Na sexta sessão, leram-se as atas do conciliábulo de 754, constatando-se sua invalidez. Não poderia ser considerado ecumênico, uma vez que não estavam presentes nele nem os Patriarcas do Oriente nem mesmo o Pontífice Romano. Na sétima, após se fazer referência ao Símbolo e aos seis Concílios Ecumênicos anteriores, em caráter oficial, declarou-se: “Definimos com todo rigor e cuidado que, à semelhança da figura da cruz preciosa e vivificante, assim os venerandos e santos ícones, quer pintados, quer em mosaico ou em qualquer outro material adequado, devem ser expostos nas santas igrejas de Deus, sobre os sagrados utensílios e paramentos, sobre as paredes e painéis, nas casas e nas ruas; tanto o ícone do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo como da Senhora imaculada nossa, a santa Deípara, dos venerandos anjos e de todos os varões santos e justos.[i]

Bibliografia

ALBERICO, Giuseppe. História dos Concílios Ecumênicos. Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: Paulus, 1995. p. 147.

Enciclopédia Universal Ilustrada Europeo-Americana. Vol. XXVIII. Editores Espasa-Calpe. Madrid: 1925.


[i] Cf. Denzinguer, Heinrich. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, tradução de José Marino Luz e Johan Konings São Paulo: Paulinas; Loyola, 2007.

O que é a vida de Deus?

Thiago de Oliveira Geraldo

Comenta São Tomás de Aquino, baseando-se em Aristóteles: “É chamado de vivo tudo o que se move ou age por si mesmo. Os que, por natureza, não se movem nem agem por si mesmos só serão chamados vivos por semelhança”.[1]

STA

Dentre os seres vivos, encontram-se diferenças importantes. As plantas, por exemplo, exercem as funções próprias à sua natureza, como: nascer, nutrir-se, desenvolver-se e reproduzir-se. Um quadrúpede possuirá estas mesmas capacidades, mas acrescido de sensação, apetite e locomoção. Capacidades que seriam aberrações no gênero dos vegetais. Por fim, o ser humano contém em si a totalidade da vida criada, pois, além dos graus de vida concernentes às plantas e aos animais, possui uma inteligência racional, sendo capaz de conhecer, deliberar e escolher.

Mas a vida não significa simplesmente uma operação de funções. A vida do homem não é o que ele é capaz de fazer, mas o que ele é. Segundo Aristóteles, “para os seres vivos, viver é ser”[2]. O ato de ser é o ato de estar vivo, com todas as capacidades próprias à sua natureza. Quando, porém, uma criatura morre, já não está apta para praticar o que lhe é próprio.

Tanto o ato de viver, como a forma de se viver bem, são pálidos reflexos de uma vida divina. A vida que está presente na natureza não é uma geração espontânea, como pensam alguns. Tudo isto decorre de uma vida superior: “Meu coração e minha carne exultam no Deus vivo” (Sl 83,3). Deus proporciona a capacidade para que as plantas exerçam as funções de sua natureza, elas não fazem esforço algum para decidir o que fazer. Seu grau de vida é o menor, portanto. Os animais agem por um instinto de acordo com sua natureza. Os seres humanos atuam com vista a um fim, seguindo o concurso da razão. Deus é o próprio fim do homem e é o que dá a possibilidade para que os seres operem de acordo com sua natureza.

No ser humano há órgãos que agem por si mesmos, sem que seja preciso o cérebro enviar-lhe nenhuma mensagem deliberada; por exemplo, o coração. Outros movimentos, como o das mãos, são comandados pelo cérebro e, inclusive, o próprio raciocínio abstrato tem sua fonte na parte intelectiva do homem. No entanto, todos estes movimentos têm uma única origem na unidade do ser humano, comandados pelo intelecto: “É sinal disso o fato de que em um único e mesmo homem, o intelecto move as faculdades sensitivas, que por sua vez movem e comandam os órgãos, que executam o movimento”.[3]

Cape_Good_Hope

De modo semelhante ao nosso corpo, Deus é o ser que move todas as coisas e não é movido por ninguém. Conhece-se a Si mesmo e por inteiro, e nisto consiste sua perfeição, em não permitir um algo a mais, pois completa-se a Si mesmo: “Portanto, aquilo que por sua natureza, é o seu próprio conhecer e que não é determinado por outro quanto ao que lhe é natural, isto é, o que detém o sumo grau de vida. E este é Deus. Em Deus, por conseguinte, encontra-se a vida em seu mais alto grau”.[4]

Todas as coisas foram criadas por Deus e são continuamente sustentadas por Ele. Neste sentido se pode dizer que tudo é vida em Deus. Vida porque já existiam em Seu intelecto, pois as conhecia desde toda a eternidade. Em Deus o seu viver é o seu conhecer.[5] Portanto, todos os seres criados são vida em Deus e alguns destes vivem por sua própria natureza: “tudo o que se encontra em Deus como conhecido é seu viver, sua vida. E como todas as coisas que Deus fez nele estão como conhecidas, segue-se que tudo, em Deus, é a própria vida divina”.[6]

Em suma, Deus é a suprema vida que criou todos os seres e os sustenta em seu ser. Para algumas de suas criaturas deu a capacidade de moverem-se por si mesmas, segundo a natureza que lhes cabe, isto é o que caracteriza a vida natural. A vida é um dom que Deus concedeu às criaturas, sobretudo, ao ser humano que tem a capacidade de perceber este sinal de amor que vem do Criador.


[1] S. Th. I, q. 18, a. 1.

[2] II de Anima. Apud S. Th. I, q. 18, a. 2.

[3] S. Th. I, q. 18, a. 3.

[4] Ibidem.

[5] S. Th. I, q. 18, a. 4.

[6] Ibidem.

Qual é a vontade de Deus a respeito do cristão?

(3ª parte)

O catecismo ensina que a vontade de Deus para com o cristão possui dois prismas. Um na terra e outro no Céu. Nesta vida esta vontade se realiza no mandato de Cristo de “que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou”[1]. Desta caridade mútua procede todo o bem da sociedade. Queremos o bem natural e material do próximo, mas sobretudo, queremos a sua salvação eterna, pois o bem sobrenatural do irmão vale mais do que todo o Universo. Em relação a Deus, a vontade do Pai na terra é “elevar os homens à participação da vida divina” [2], porque Deus quer conviver com o homem.

Esta vontade de Deus em relação ao cristão se realiza através da Igreja que reúne todos homens em torno do seu Filho, Jesus Cristo. Por esta razão a Igreja é na terra “o germe e o princípio do Reino de Deus”[3]. O Catecismo ensina que a vontade do nosso Pai é “que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 3-4), e “não quer que ninguém se perca” (2Pe 3, 9)[4].

Deus quer comunicar sua própria bondade, fazendo-nos filhos adotivos por Jesus Cristo. Por esta razão, afirma Santo Irineu de Lyon: “Se a revelação de Deus pela criação já proporcionou a vida a todos os seres que vivem na terra, quanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo proporciona a vida aos que veem a Deus!”[5]. Esta é a glória máxima da qual o homem é capaz na terra, conviver, amar e sentir-se amado por Deus.

Esta é a vontade de Deus que começa na terra e se consome no Paraíso: cumprir esta vontade de Deus é possuir a felicidade na terra, a qual se tornará plena no Céu. Desta forma o cristão faz a vontade de Deus, na terra assim como no Céu.


[1] Catecismo da Igreja Católica, n. 2822. Cf. Jo 13, 34; 1 Jo 3; 4; Lc 10, 25-37.

[2] II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.

[3] II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.

[4] Cf. Mt 18, 14.

[5] Santo Irineu de Lião, Adversus haereses 4, 20, 7: SC 100, 648 (PG 7, 1037).

Ajudando as vítimas das chuvas no Brasil

As chuvas que assolam o sudeste do Brasil, especialmente o Estado do Rio de Janeiro, já são consideradas a maior catástrofe natural da História do Brasil. Cerca de 800 mortos e milhares de pessoas ficaram desalojadas. Todavia, esta calamidade atingiu também o estado de São Paulo, e de modo especial, as cidades que se localizam na Serra da Cantareira, ao norte da Capital.Entrega de cesta básica_7
Casas destruídas, ruas obstruídas, falta de energia e inundações atingiriam a população da Serra, e de forma especial, algumas famílias do bairro do Apolinário.
Como o riacho transbordou, suas águas penetraram em diversas casas, fazendo com que seis famílias ficassem desabrigadas e as respectivas casas condenadas, devido à erosão provocada pelas águas junto aos fundamentos das residências.
Face à dor destes nossos irmãos, os membros do IFAT-ITTA, com a ajuda de alguns famílias generosas e compadecidas, distribuíram alimentos e apoio espiritual às cerca de 30 pessoas desalojadas que, com o apoio da comunidade local, conseguiram hospedar-se num salão de festas.

Concerto de cordas por ocasião da Epifania do Senhor

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 3º Ano Teologia

A festa da epifania celebra a “miraculosa manifestação de Deus”. Outrora, esta data comemorava três passos da vida de Jesus: o aparecimento da estrela aos reis magos e seu encontro com o Menino Jesus; a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, onde Jesus manifestava seu poder divino; e o batismo do senhor, quando Deus manifestava sua complacência pelo “filho bem amado”.
Hoje, o batismo de Jesus é habitualmente comemorado no domingo posterior a esta significativa data do calendário litúrgico. Por isso, a epifania é na atualidade a festa dos reis magos, cujo amor ao Deus menino, o príncipe recém-nascido, fá-los-ia atravessar os ásperos e longos caminhos do oriente em busca de Jesus, a manifestação de Deus.
Inspirados nesta evocativa festa, alguns membros do Seminário São Tomás de Aquino, estudantes no ITTA e no IFAT, reuniram um conjunto de instrumentos de cordas para celebrar a Epifania do Senhor com a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças na Serra da Cantareira, que preencheu a Capela Nossa Senhora do Monte Calvário para assistir ao concerto.blog today
Com músicas de Händel, Corelli, Mozart, entre outros autores de renome, executaram composições coerentes com o espírito natalino. Os músicos convidaram os assistentes a realizarem, à semelhança dos magos, uma “viagem espiritual”, desta vez pela Europa, através da música, em busca do verdadeiro espírito de Natal.
O percurso desta “peregrinação musical” abrangeria países como a Inglaterra, Áustria, Alemanha, França e Itália, cujas músicas natalinas populares foram executadas pelo conjunto de cordas. Desta forma, os músicos convidariam o público a distinguir a maneira peculiar de cada um desses povos demonstrar, com talento, seu afeto ao Menino Jesus.
Tal como a estrela de Belém convidou os Magos a uma viagem em busca de Deus, estes seminaristas-músicos estavam cientes de que, através do belo som dos violinos, poderiam ser instrumentos da Graça para conduzir os paroquianos ao Mistério de amor do Deus-Menino.

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

IMG_7166

No último final de semana de 2010, de 24 a 26 de dezembro, realizou-se uma intensa atividade pastoral de professores e alunos do ITTA na Paróquia Nossa Senhora das Graças.IMG_7192

A programação natalina das Capelas Nossa Senhora do Monte Calvário e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teve seu preâmbulo em princípios de dezembro, quando o Revmo. Pe. Carlos Adriano Santos dos Reis, EP, ministrou três conferências sobre a “Encarnação do Verbo”.IMG_7058
Dia 16 dezembro, iniciou-se a novena de Natal que reuniu durante nove dias os paroquianos, maioritariamente crianças, mas também jovens e adultos, para junto do presépio cantar louvores ao Menino Deus.
Após meses de ensaios musicais, na véspera de Natal e no Domingo da Sagrada Família, as crianças, vestidas de pastores, cantaram músicas em honra do Menino Jesus na Gruta de Belém.

Para encerrar a programação, após um teatro de marionetes representando a verdadeira história de São Nicolau, conhecido como Papai Noel, procedeu-se à distribuição de presentes, ofertados caridosamente às crianças.Agradecemos mais uma vez a generosidade de todos os paroquianos que contribuíram para a alegria dos mais novos.

IMG_7117

“O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40) disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Será Ele mesmo a vossa recompensa.

Não sabeis que sois espetáculo para os anjos e para os homens? (Cf. 1 Cor 4, 9)

Lucas Antonio Pinatti – 2º Ano de Teologia

Alardo1O som do sino ecoa pelos vales da serra anunciando o começo do desfile. No Seminário São Tomás de Aquino, da sociedade clerical Virgo Flos Carmeli, os jovens do ITTA e do IFAT, junto com os alunos do ensino médio que frequentam as aulas Colégio Arautos do Evangelho – Thabor, entoam o Credo renovando sua plena adesão à Igreja e pedindo a Deus sabedoria neste novo dia de estudos que se inicia.

Após a bênção do Superior Geral, quando presente, os trompetes tocam anunciando o início do cortejo para as aulas. O estandarte de Maria Santíssima vai à frente abrindo o caminho para seus filhos que desfilam ao som e cadência da banda. Com o olhar no horizonte e passo enérgico, avançam todos unidos pelo mesmo ideal, refletindo com vontade firme os desafios do aprendizado e da vida.

Todavia, uma pergunta poderia surgir no espírito dito ‘moderno’:

“Mas, para quê tanto cerimonial? Afinal, o homem não deve viver em meio à pompa… A organização é benéfica por ter uma finalidade prática. Os únicos meios que devem ser utilizados na educação é a própria inteligência. O amor e o esforço ajudarão se for preciso, mas o livro técnico resolve todos os problemas da aprendizagem. Afinal, não se deve perder tempo com cerimoniais”.

Infelizmente, no mundo de hoje, diversas pessoas raciocinam desta maneira, pensando que viver é considerar apenas o aspecto natural da vida, esquecendo-se que o homem, além de corpo, possui algo superior à sua natureza animal que é a alma. Além de que, sem propriamente negar a existência da vida sobrenatural, muitos vivem como se ela não existisse, tendo o dia de amanhã, ou mesmo o momento presente, como único cerne de suas apreensões. Preocupadas apenas com os afazeres, voltam-se para esta terra. Seguem os “prazeres” lícitos do mundo, mas muitas vezes deixam-se conduzir pelos gozos ilícitos os quais, como se sabe e muitas vezes se esquece, só resultam em frustrações, desastres, discussões, e tantas outras coisas que enchem as páginas de nossos jornais, todos os dias…

Isso será viver? A vida resumir-se-á ao prazer e ao terreno? A resposta, obviamente, tende pela negativa. Quando apreciamos apenas as criaturas, esquecendo-nos que são vestígios do Criador, anda-se por um rumo que, à primeira vista, parecer ser inundado de delícias e alegrias, entretanto, saturado de tristezas e dissabores. Caminho fácil à primeira vista, mas muitas vezes oposto àquele recomendado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Estando sob a guarda do redentor, nós poderemos dizer como o salmista: “mesmo que eu caminhe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei” (Sl 22,4).

O caos do mundo moderno só ocorre na vida dos homens porque se esquecem que, nesta vida, aquilo que o homem não vê, vale mais do que aquilo que ele vê. Muito mais valioso que o corpo que possuímos, é a nossa alma. Quem mantém seu espírito inocente, puro e virtuoso como recomenda os mandamentos de Deus, terá seu corpo luzidio, sagaz e robusto, pronto para superar as dificuldades da vida, pois o corpo é o reflexo da alma, pois, a alma confere a forma do corpo (S.th. I, a.3, q.2).

As disposições internas do homem se refletem no corpo. A alegria da face é um espelho do coração. Suas açõesAlardo3 refletem as disposições do espírito. Desta forma, existem sentimentos no coração humano que só chegam à sua plenitude quando exteriorizados. Assim é, por exemplo, a amizade que se demonstra num abraço. Também o gesto de presentear um amigo por ocasião de seu aniversário, com o intuito de agradá-lo, reflete esta procura de exteriorização, atitudes típicas aos sentimentos humanos. Da mesma forma devemos manifestar por atos externos nossa amizade para com o Criador, através de atitudes que sejam agradáveis a Deus, “pois o homem não é puro espírito, mas possui um corpo, que faz parte essencial de sua natureza e que deve, portanto, associá-lo ao culto da divindade. Faltaria algo para oferecer a Deus se Ele fosse homenageado somente em espírito”.[1] Assim como um amigo se satisfaz com uma demonstração concreta de afeto, Deus também se agrada com “presentes”, a bem dizer, estas atitudes exteriores para com Ele, pois, aliás, como ensina São Tiago “a Fé sem obras é morta” (Tg 2, 26). Mostramos nossa Fé por nossas ações. E a cerimônia é um excelente meio de demonstrar nosso afeto a Deus.

Comenta o escritor alemão Fabian Fischer, que “as cerimônias não são somente exterioridades, não são apenas símbolos, elas formam o homem, semelhante à etiqueta, do exterior ao interior, constituindo tradições”.[2] A cerimônia forma o interior do homem, eleva seu espírito, aperfeiçoando-o em seus hábitos de fora para dentro, em sua totalidade. Quando a cerimônia é religiosa, além do progresso natural a ele inerente, a pessoa exerce o ato da virtude da religião. O culto é um verdadeiro ato de amor ao Criador, onde se rende homenagem a Deus ao reconhecer Sua grandeza.

Alardo2Churchil dizia que um dos fatores que contribuíram para a formação de seu caráter foi o cântico do Credo e do Hino Nacional em sua escola. Aliás, pesquisas norte-americanas chegaram à conclusão que jovens e adolescentes, participando comunitariamente de cerimônias estudantis, adquirem um espírito mais elevado, e preparação intelectual mais adequada para o desempenho de sua missão estudantil, melhorando consideravelmente suas vidas e incidindo menos em sérios problemas que pululam estas gerações um pouco por todo o orbe.

Tal é a excelência das cerimônias que, quanto mais a vida cotidiana é penetrada por ela, mais se parece com o Céu. Na terra o culto exterior não é apenas um reflexo, mas sim, uma continuidade cerimoniosa do céu. Transformar a terra no Céu é a intenção destes seminaristas, que unidos em espírito e devoção a Maria Santíssima, aos Anjos e Santos fazem deste desfile na terra, um preâmbulo das cerimônias que aguardam os justos na eternidade Viver em cerimônia é viver um pouquinho do Céu.


[1] Parce que l’homme n’est pas un pur esprit, mais, comme il à un corps qui fait partie essentielle de sa nature, aussi doit-il le faire collaborer au culte de la divinité. Ce ne serait pas tout rendre a Dieu, que de ne lui rien rendre qu’en esprit. (A.VV. Eucharistia – Encyclopédie populaire sur l’Eucharistie. Paris: Librairie Bloud et Gay, 1947, p. 153-158).

[2] Zeremonien sind nichts Äusserliches, sind nicht nur blosse Form, sie wirken, genauso wie die Etikette, von aussen nach innen, sie schaffen Traditionem”.. (S. FISCHER-FABIAN. Die Deutschen Cäsaren. Triumph um Tragödie der Kaiser des Mittelalters. Wien: Droemer, 1977. p. 30-31)

Corpus Christi na Serra da Cantareira

CC Cantareira 1A Serra da Cantareira é a maior floresta urbana do mundo. Um paraíso ecológico próximo à grande São Paulo. Um paraíso, pois esta natureza estuante de vida é um verdadeiro patrimônio do Brasil. Todavia, é possível fazer desta maravilha que nos lembra os jardins celestiais mais semelhante ao paraíso celeste?

CC Cantareira 2Sim. Porém, não contratando jardineiros, mas atraindo os Anjos do Céu, que atuam sobre as criaturas tornando-as mais ordenadas e belas. Com efeito, o melhor modo de atrair os espíritos bem-aventurados é a adoração e o louvor de Jesus Eucarístico. A presença real do Redentor no Santíssimo Sacramento atrai Anjos do Céu, e estes aperfeiçoam a natureza criada.

Foi o que a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças, situada no coração da Cantareira, colocou em prática nesta Quinta-feira, 3 de junho, por ocasião da solenidade de Corpus Christi. Procissões com um povo atuante e cheio de Fé, com incenso e som de bandas sinfônicas emolduradas pelo verde dos belos panoramas da Serra, foram a realização concreta de tornar este paraíso ecológico mais parecido com o Céu.

CC Cantareira 3Nas fotos, vê-se o Pároco, o Revmo. Pe. Caio Newton, EP portando o Santíssimo, assim como a atuação dos Seminaristas do ITTA junto às comunidades das 10 capelas da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na cidade de Mairiporã, diocese de Bragança Paulista-SP, em plena Serra da Cantareira. Eles auxiliam na formação catequética de adultos e crianças, na animação das celebrações litúrgicas, assim como em atividades sócio-educacionais. Nesta procissão vemos as estradas da Serra pavimentadas, não de negro asfalto, mas de colorida serragem, gesto de amor a Jesus Eucarístico. Não vemos carros, mas anjinhos e jovens testemunhando sua Fé.

 * * *CC Cantareira 4

 Manifestar a Fé em Cristo na Hóstia Sagrada, rezando em nosso quarto, ou ajoelhados ante o sacrário, é excelente. Entretanto, é mais agradável a Deus e edificante aos homens tornar patente ao próximo a Fé que professamos. É este o anseio dos paroquianos da serra. Não existe dúvida que a oração no quarto possui um valor extraordinário, aliás, o Divino Mestre no-la recomenda no CC Cantareira 5Evangelho (Cf. Mt 6,6), mas existem certos sentimentos e convicções no coração do homem que só chegam à sua realização máxima quando manifestados exteriormente. É o valor da Cerimônia. A procissão em honra do Santíssimo Sacramento é um ato onde se demonstra a Fé na presença real de Cristo na Hóstia, sem medo sem jaça, de modo público, ardente de caridade e senso do maravilhoso. Isto pode trazer o céu à terra, ou elevar a terra ao Céu.

Ide e batizai todos os povos!

Alessandro Schurig – 3º ano de Teologia

Há na Igreja Católica um mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitido no fim do evangelho de São Mateus, que é o de batizar a todos os povos, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

Batismo Sta InêsE podemos admirar na bimilenar história da Igreja o fato de, apesar das perseguições e adversidades, sucederem conversões como a de Clóvis, rei dos poderosos e ainda pouco civilizados Francos, que pede para ser batizado, crendo firmemente ser este o sinal infalível de sua salvação, e convertendo assim todo o seu reino.

Ainda hoje, vemos essa moção posta pelo Espírito Santo fulgurar nas almas dos que carecem do Santo Batismo. Nos dias 23 e 30 de Maio, a Capela Santa Inês teve a alegria de acolher no seio da Santa Madre Igreja dez novos membros, filhos de Deus e templos da Santíssima Trindade.

Assim, Gabriel Tacitano e Gabriel Amandio no dia 23, e as irmãs Alessandra, Ariane e Camila, os irmãos Leonardo, Letícia e Gabriele, Mikaio Mateus e Lidiane no dia 30, tendo sido batizados pelo Pe. Mário Sérgio Sperche, EP, iniciaram uma nova vida, a de católicos apostólicos romanos, e destes, oito continuarão seu curso preparatório para receber o augusto sacramento da Sagrada Eucaristia.

Batismo Sta Inês2Aos olhos humanos, essa notícia pode parecer um fato corriqueiro, entre tantos outros, mas para as almas que têm fé, isso prenuncia a realização daquele divino anseio de Nosso Senhor: todos os povos “ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).

Unamos nossas orações às divinas Dele, rogando a Maria Santíssima que mantenha suas almas alvíssimas, à semelhança da roupa que revestiram neste dia tão especial…

Quem disse que as crianças não gostam de catecismo?

Alessandro Schurig – 3º Ano de Teologia

Santa Inês Catec“Éramos apenas 8 no começo”, conta um dos alunos, “e agora já somos mais de 20, porque uns comentam com outros e todos querem vir ao catecismo”. Foi a alegre exclamação do jovem que frequenta a catequese, na Capela de Santa Inês, pertencente à paróquia Nossa Senhora das graças, e confiada recentemente pela diocese de Bragança Paulista a esta sociedade clerical, sob os cuidados dos seminaristas do ITTA e dos sacerdotes de Virgo Flos Carmeli. Esta exclamação, demonstra quanto a Igreja Católica tem poder de atração, até mesmo entre os mais jovens, contra a opinião de alguns que crêem estar a juventude perdida e presa nos grilhões de aventuras malsãs, ou de literaturas fátuas que nada têm a ver com a religião.

Vemos na foto o Professor da catequese, o seminarista Diego Barbosa do 3º ano de filosofia, com seus alunos, irradiando a mais esplendorosa alegria. Quem foi que disse que as crianças não gostam de catecismo?