ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

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Deus é eterno


Anderson Fernandes Pereira

Há certos mistérios que envolvem os povos de todas as épocas da história da humanidade. Perguntas tais como: de onde vim? Para onde vou? Quem é Deus?, inquietam os homens de todos os tempos. Os povos da antiguidade, procurando atender em certa medida essas indagações, colocavam suas esperanças em deuses que nasciam e morriam conforme suas necessidades terrenas.

Entretanto, o povo eleito sempre confessou numa linguagem clara e direta a eternidade de seu Deus[1]: “Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus” (Sl 89, 2).

Inspirados pelo Espírito Santo, os escritores sagrados não se preocupam em demonstrar a eternidade de Deus; afirmam com simplicidade que Ele existe antes da criação do mundo e jamais deixará de existir: “Tudo se acaba pelo uso como um traje (…). Mas Vós permaneceis o mesmo e vossos anos não têm fim” (Sl 101, 27-28).

O que vêm a ser a eternidade de Deus? Em que consiste ela? Para termos noções precisas sobre essa propriedade do Criador, convém compreendermos primeiramente o que é o tempo.

O tempo

Talvez não haja coisa mais comum no cotidiano dos homens do que a noção de tempo, porém, certamente nos sentiríamos um tanto embaraçados se tentássemos resolver alguns problemas relativos a ele. De onde vem o tempo? Ele sempre existiu? Existirá para sempre? Se em algum momento ele não existiu, o que então acontecia antes do tempo? E se em algum momento ele deixar de existir, o que haverá depois dele? Quantos problemas complicados acerca de uma coisa aparentemente tão simples…

Ensina-nos o livro do Eclesiastes que para tudo há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer, tempo para plantar, e tempo para colher, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se, tempo para calar e tempo para falar… (cf. Eclesiastes 3,1-8). Quanta instabilidade em tudo que o homem realiza nesta terra. Em um curto espaço de tempo, desejamos algo que há pouco desprezávamos; certas coisas que queríamos ontem, já não mais nos interessam hoje.

Afirma Santo Agostinho: “Aquilo que cada homem é hoje, mal o sabe ele próprio. No entanto, é alguma coisa hoje. O que será amanhã, nem ele o sabe”[2]. Aristóteles define o tempo como sendo o número de movimento segundo o antes e o depois[3].

Eis que com o auxílio destes pensadores descobrimos os pontos característicos e próprios ao tempo: o movimento, a mudança e a corrupção de todas as coisas; em tudo há um começo e fim.

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O Evo

Consta que as distâncias cósmicas seriam limitadas para que pudéssemos ter noção do abismo que separa o tempo da eternidade. Sendo assim, os teólogos denominam com o nome de evo a medida das substâncias espirituais, que são os anjos e as almas racionais. Desta forma, concluímos que a eternidade não tem princípio nem fim, que o tempo tem princípio e fim, mas o evo, como um “meio caminho” entre tempo e eternidade, tem princípio, mas não tem fim.

O evo não se limita como nosso tempo, pelo ritmado movimento do ponteiro do relógio, ou ainda pela horário solar. O evo se mede pelo tempo necessário em que um Anjo exerce um ato. Seja esta ação um pensamento ou uma obra, o Anjo demora o espaço de um evo para realizá-lo.

Quanto tempo o Anjo necessita para cumprir uma ação intelectual ou material? Esta pergunta é demasiado complicada para a inteligência humana. A ação angélica pode ser tão rápida como o relâmpago, mas também tão lenta e duradoura como os milênios. Portanto, o evo está tão acima de nosso tempo terreno, que mal pode ser comparado com ele.

A eternidade de Deus

Se a respeito do tempo em que vivemos já existe tanto mistério, o que dizer da eternidade? A palavra eternidade traz imediatamente consigo a ideia do Divino e a ausência de princípio e fim. Santo Agostinho escreve: “A eternidade é a mesma substância de Deus, na qual não há nada que seja mutável; ali não há nada passado, nada que já não exista; nada que seja futuro como se ainda não existisse. Ali não há nada que não seja presente.”[4]

Entretanto, o termo eternidade não se refere apenas a uma simples duração ilimitada, à ausência de começo e de fim, mas exprime principalmente a imutabilidade de Deus. No Altíssimo não existe as mudanças presentes no mundo: nascimento e morte; início e término; transformação de uma coisa em outra etc. Como vivemos no tempo, é-nos difícil compreender o que é a eternidade de Deus, e poderíamos ser levados a imaginar a Eternidade Divina apenas como uma “existência larguíssima que não tem começo nem fim, como algo interminável, mas a eternidade de Deus é muito mais do que isso. A ideia do que não acaba nunca, é precisamente uma consequência da plenitude de vida própria de Deus.”[5]

Os teólogos utilizam a definição clássica, cunhada por Boécio: “a eternidade é a possessão total, simultânea e completa de uma vida interminável.”[6] Portanto, como dissemos, da mesma maneira que o conceito de tempo deriva do movimento, o de eternidade procede da imutabilidade.[7]

Verdadeira e propriamente falando, somente em Deus há eternidade, pois apenas Ele é absolutamente Imutável. O Altíssimo não só é eterno, mas a sua própria eternidade.[8] Entretanto, em sua infinita misericórdia, Deus colocou na alma de cada homem uma “semente de eternidade”[9], que o leva a aspirar e desejar algo que ultrapassa aquilo que o mundo lhe pode oferecer. Desta forma, “o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo, nem seu princípio primeiro, nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim”.[10]

A eternidade participada

A fim de estimular no homem à consciência de sua grandeza, São Leão Magno nos deixou uma célebre recomendação: “Reconhece ó Cristão, a tua dignidade”.[11] Como isso se torna realidade quando consideramos que é desta Vida interminável e imutável de Deus, que todos os homens são chamados a participar, na medida em que Lhe sejam fiéis, pois, Deus prometera ser Ele mesmo sua recompensa demasiadamente grande (Cf. Gn 15, 1).

A consideração da eternidade divina, nos convida a não nos deixarmos iludir pelas coisas do mundo, pois “céus e terras passarão, porém minhas palavras não passarão” (cf. Lc 21,33). Ao contrário, com os olhos fixos na eternidade, somos chamados a “enquanto temos tempo, a fazer o bem” (Gal 6,10), pois é no tempo que se prepara a eternidade, nos sofrimentos bem aceitos desta vida passageira que receberemos a alegria de uma vida interminável, possuindo com todo o rigor da palavra, a vida eterna. Participaremos assim da própria eternidade de Deus.


[1] Cf. MENDEZ, Gonzalo Lobo. Dios Uno y Trino. 4ª edição. Edicione Rialp. Madrid. 2005. Tradução nossa. p.53.

[2] Santo Agostinho. Sermo 46, 24-25.27: CCL 41,551-553

[3] Cf. Aristóteles,Phys. 4, c. 11 n. 12 (BK 220a25).

[4] Santo Agostinho. Enarrationes in Psalmos 101 [102]. PL 37, 1311.

[5] MENDEZ, Gonzalo Lobo. Dios Uno y Trino. 4ª edição. Ediciones Rialp. Madrid. 2005. Tradução nossa. p. 54.

[6] Boécio. De consolatione. L. 5, prosa 6: ML 63,858; cf. 1.3, prosa 2: ML 63,724.

[7] Cf. AQUINO, Tomás de. S. T. q. 10, a. 1 e 2.

[8] AQUINO, Tomás de. S. T. q. 10, a. 2.

[9] Catecismo da Igreja Católica, n. 33.

[10] CIC 34.

[11] S. Leão Magno, Sermo XXI, 3: S. Ch. 22 bis, 72.

Solene inauguração do ano letivo de 2011 no Seminário São Tomás de Aquino

ano letivo de 2011

Na tarde do dia 28 de janeiro, memória de São Tomás de Aquino, deu-se a solene inauguração do ano letivo de 2011, na Casa de Formação Sacerdotal São Tomás de Aquino. A fim de atrair as celestiais bênçãos para os trabalhos de mais um ano acadêmico, o programa se iniciou com a celebração de uma Eucaristia na igreja anexa ao Seminário, presidida por D. Benedito Beni dos Santos, Bispo Diocesano de Lorena e Supervisor Geral de Formação dos Arautos do Evangelho.

Concelebraram a Missa em memória “do mais santo dos sábios e mais sábio dos santos” – São Tomás de Aquino –, o Côn. Edson José Oriolo dos Santos, Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre e Vigário Geral da mesma Arquidiocese, o Pe. Rivelino Nogueira, Pároco da Catedral Nossa Senhora da Piedade (Lorena-SP) e o Pe. Antônio Guerra, EP.
Estiveram presentes na cerimônia o Diretor do ITTA, o Revmo. Pe. Caio Newton de Assis Fonseca, EP, e todo o corpo docente a tempo pleno, tanto do IFAT, quanto do ITTA. Somaram-se ao corpo discente de ambos os institutos, cerca de 900 Arautos do Evangelho, provenientes de diversas cidades do Brasil e do mundo, deixando repleta a igreja Nossa Senhora do Rosário.
A Liturgia foi animada pelo Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho, sob a regência do maestro Alejandro Javier de Saint’Amant, que executou obras de Georg Friedrich Händel (1685-1759) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), assim como cânticos gregorianos.
Em brilhante homilia, Dom Beni correlacionou as leituras do dia com a memória de São Tomás. Também discorreu sobre os três principais sentidos do termo “Reino de Deus”, presente nos santos Evangelhos:
“O primeiro sentido consiste em que Cristo, enquanto manifestação encarnada do plano salvífico do Pai, é o próprio Reino de Deus entre os homens; o segundo sentido é místico, trata-se do Reino de Deus que não está circunscrito a um espaço geográfico, mas que reside no interior de cada homem em estado de graça, de cada santo. O pecado é o anti-reino de Cristo, e quem vive no pecado está fora deste Reino; por fim, em seu terceiro sentido, o Reino de Deus é a Igreja Católica, sacramento ou sinal de salvação, para todos os homens”.
Em seguida, aplicou estas verdades teológicas, relacionando-as com alguns desafios dos tempos atuais para a difusão deste Reino:
“Assim como o inimigo semeava o joio a fim de perder o trabalho do Divino semeador, de modo análogo, também no mundo atual, a cizânia do ódio; da perseguição religiosa em certos países do mundo; da exclusão do crucificado nos lugares públicos; e da influência dos meios de comunicação ao afirmarem o bem como o mal e o mal como o bem, são verdadeiros inimigos do Reino De Deus”.
Afirmava Dom Beni que “a Fé é a arma pela qual o cristão pode hoje combater o ódio dos inimigos do Reino. A mesma Fé amada e explicitada pelo grande Doutor da Igreja, São Tomás de Aquino”.
Ao final, após considerar com clareza alguns pontos da Suma Teológica sobre a essência divina, ressaltava que “um teólogo só pode transmitir verdadeira teologia, quando vive a santidade. Sem a prática da virtude, um professor de teologia não consegue comunicar o conhecimento de Deus. São Tomás foi esta estrela de primeira grandeza nos céus da teologia, precisamente porque foi santo. Seu brilho não provém apenas da sabedoria, mas da santidade, e por isso, foi honrado pela Igreja como ‘Doutor da Vida Cristã’”.

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Após a homilia, o Pe. Alex Brito, EP, introduziu o significado da cerimônia de Profissão de Fé e Juramento de Fidelidade que fariam ou renovariam os professores dos Institutos de Teologia e Filosofia (IFAT e ITTA). Explicava que sempre foi uma recomendação de diversos Papas da História da Igreja, reafirmada pelo Vaticano II, especialmente através do código de Direito Canônico de 1983, que cada encargo importante na Igreja fosse recebido após o solene juramento (c. 833 § 6). Como o ensino da Fé Cristã ocupa um lugar preeminente na vida eclesial, os professores do IFAT e do ITTA prestaram sobre as Sagradas Escrituras o solene juramento.
Recitado o Credo Niceno-Constantinopolitano, os professores proclamaram a crença “em tudo o que está contido na palavra de Deus, escrita ou transmitida pela tradição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo Magistério ordinário e universal, para ser acreditado como divinamente revelado”. A fórmula termina com a aceitação do “religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico”.

Ajudando as vítimas das chuvas no Brasil

As chuvas que assolam o sudeste do Brasil, especialmente o Estado do Rio de Janeiro, já são consideradas a maior catástrofe natural da História do Brasil. Cerca de 800 mortos e milhares de pessoas ficaram desalojadas. Todavia, esta calamidade atingiu também o estado de São Paulo, e de modo especial, as cidades que se localizam na Serra da Cantareira, ao norte da Capital.Entrega de cesta básica_7
Casas destruídas, ruas obstruídas, falta de energia e inundações atingiriam a população da Serra, e de forma especial, algumas famílias do bairro do Apolinário.
Como o riacho transbordou, suas águas penetraram em diversas casas, fazendo com que seis famílias ficassem desabrigadas e as respectivas casas condenadas, devido à erosão provocada pelas águas junto aos fundamentos das residências.
Face à dor destes nossos irmãos, os membros do IFAT-ITTA, com a ajuda de alguns famílias generosas e compadecidas, distribuíram alimentos e apoio espiritual às cerca de 30 pessoas desalojadas que, com o apoio da comunidade local, conseguiram hospedar-se num salão de festas.

Concerto de cordas por ocasião da Epifania do Senhor

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 3º Ano Teologia

A festa da epifania celebra a “miraculosa manifestação de Deus”. Outrora, esta data comemorava três passos da vida de Jesus: o aparecimento da estrela aos reis magos e seu encontro com o Menino Jesus; a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, onde Jesus manifestava seu poder divino; e o batismo do senhor, quando Deus manifestava sua complacência pelo “filho bem amado”.
Hoje, o batismo de Jesus é habitualmente comemorado no domingo posterior a esta significativa data do calendário litúrgico. Por isso, a epifania é na atualidade a festa dos reis magos, cujo amor ao Deus menino, o príncipe recém-nascido, fá-los-ia atravessar os ásperos e longos caminhos do oriente em busca de Jesus, a manifestação de Deus.
Inspirados nesta evocativa festa, alguns membros do Seminário São Tomás de Aquino, estudantes no ITTA e no IFAT, reuniram um conjunto de instrumentos de cordas para celebrar a Epifania do Senhor com a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças na Serra da Cantareira, que preencheu a Capela Nossa Senhora do Monte Calvário para assistir ao concerto.blog today
Com músicas de Händel, Corelli, Mozart, entre outros autores de renome, executaram composições coerentes com o espírito natalino. Os músicos convidaram os assistentes a realizarem, à semelhança dos magos, uma “viagem espiritual”, desta vez pela Europa, através da música, em busca do verdadeiro espírito de Natal.
O percurso desta “peregrinação musical” abrangeria países como a Inglaterra, Áustria, Alemanha, França e Itália, cujas músicas natalinas populares foram executadas pelo conjunto de cordas. Desta forma, os músicos convidariam o público a distinguir a maneira peculiar de cada um desses povos demonstrar, com talento, seu afeto ao Menino Jesus.
Tal como a estrela de Belém convidou os Magos a uma viagem em busca de Deus, estes seminaristas-músicos estavam cientes de que, através do belo som dos violinos, poderiam ser instrumentos da Graça para conduzir os paroquianos ao Mistério de amor do Deus-Menino.

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

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No último final de semana de 2010, de 24 a 26 de dezembro, realizou-se uma intensa atividade pastoral de professores e alunos do ITTA na Paróquia Nossa Senhora das Graças.IMG_7192

A programação natalina das Capelas Nossa Senhora do Monte Calvário e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teve seu preâmbulo em princípios de dezembro, quando o Revmo. Pe. Carlos Adriano Santos dos Reis, EP, ministrou três conferências sobre a “Encarnação do Verbo”.IMG_7058
Dia 16 dezembro, iniciou-se a novena de Natal que reuniu durante nove dias os paroquianos, maioritariamente crianças, mas também jovens e adultos, para junto do presépio cantar louvores ao Menino Deus.
Após meses de ensaios musicais, na véspera de Natal e no Domingo da Sagrada Família, as crianças, vestidas de pastores, cantaram músicas em honra do Menino Jesus na Gruta de Belém.

Para encerrar a programação, após um teatro de marionetes representando a verdadeira história de São Nicolau, conhecido como Papai Noel, procedeu-se à distribuição de presentes, ofertados caridosamente às crianças.Agradecemos mais uma vez a generosidade de todos os paroquianos que contribuíram para a alegria dos mais novos.

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“O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40) disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Será Ele mesmo a vossa recompensa.

E renovareis a face da terra…

Confirmaçao3Alessandro Schurig – 3º Ano de Teologia

Há quantas centenas de anos reza a Santa Igreja esta jaculatória dirigida ao Espírito Santo, para rogar que Ele, com sua irresistível e suave força, desça sobre a humanidade, trazendo uma nova ordem de coisas: “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra”. E, dessa forma, realizar a súplica ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “venha a nós o vosso reino e seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu…”

No domingo, dia 05 de setembro, o seminário da Sociedade clerical de vida apostólica Virgo Flos Carmeli pôde ter uma sensível experiência de que esse pedido não será, nem poderá ser desprezado pela Divina Providência; Sua Excia. Rvma., Dom Sérgio Aparecido Colombo, bispo diocesano de Bragança Paulista, deu aos seminaristas uma magnífica alegria: em uma missa celebrada na igreja de Nossa Senhora do Rosário, matriz provisória da mais recente paróquia da Diocese, a de Nossa Senhora das Graças, nosso querido pastor conferiu a mais de 200 paroquianos o sacramento da crisma.

Esta celebração foi cercada de todo o cerimonial e esplendor próprios a tão magnífico sacramento, destinado a formar novos “soldados de Cristo”, e de um esplendoroso sermão, em que nosso bispo frisava que “o Santo Crisma é uma continuação do batismo, onde o fiel desenvolve a fé que recebeu ao se tornar filho de Deus”, e com grande zelo pastoral afirmava ser o Bispo um “guardião desta fé”, conclamando a que “se formassem novos catequistas, e que estes desempenhassem com zelo sua função”.

Confirmaçao2Desta forma, todos os que participaram da cerimônia sentiram no fundo da alma que, assim como o Espírito Santo não abandonou os apóstolos em oração com Maria Santíssima no cenáculo, pelo contrário, veio sobre eles como em línguas de fogo para dali saírem à conquista de toda a terra, não com armas e poderosos exércitos, mas com a força irresistível da palavra, que é “viva, eficaz e mais penetrante que a espada de dois gumes” (Hb 4, 12), e assim deslumbrarem povos e terras com a doutrina da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sobretudo estes novos soldados de Cristo, agora com os sete dons do Espírito Santo, experimentaram, “com uma imensa felicidade”, nas palavras de um neo- crismado, que a partir de então estão chamados a atrair para Jesus Cristo todos os que, em meio a nosso mundo tão marcado pelo esquecimento de Deus, afastaram-se ou não se aproximaram ainda dos maternos braços da Esposa mística de Cristo, a Santa Igreja de Deus.

Festa Julina nas Paróquias da Cantareira

Festa Julina Calvário0Anderson Fernandes Pereira – 2º Ano de Teologia

 

Canjica, quentão, fogueira, bingo e teatro aqueceram os corpos e corações neste último sábado dia 17 de julho, em uma das Capelas de Paróquia Nossa Senhora das Graças.

Estes eram uma das atrações da festa julina organizada por professores e seminaristas do ITTA em benefício da comunidade da Capela Nossa Senhora do Monte Calvário, no interior de Mairiporã.

Festa Julina Calvário2A confraternização começou, como habitualmente, com a Santa Missa, celebrada pelo Pe. Daniel Mirasierras EP, sacerdote espanhol e Supeiror da Casa de Formação dos Arautos do Evangelho em Colômbia. No sermão, estimulou os fiéis à confiança na Providência, seguindo as inspirações da graça e de tudo aquilo “que eleva e faz bem às almas”, e que evitassem tudo que conduz “para baixo, para o pecado”. Demonstrou que a felicidade não está no pecado, mas sim, na virtude e no convívio alegre e ameno com Deus e com os irmãos.

O tema da homilia não poderia ser mais propício para o ato seguinte à Missa: uma festa popular com todas as manifestações caseiras da cultura e gastronomia popular brasileira.

Após o bingo de prendas oferecidas pelos próprios membros da comunidade em benefício das reformas e manutenção da Capela, foram servidos quentão, pastel, pipoca, canjica e saborosos espetinhos, junto à bela e ardente fogueira.

Festa Julina Calvário1Não foram somente os corpos aquecidos nesta fria noite de Sábado, mas sobretudo, as almas. Uma surpresa especial: Ao final da confraternização, os professores e alunos do Seminário encenaram a Peça “o Rei e o Terço”, que estimulou os fiéis da comunidade à oração do Rosário.

 Com um ambiente familiar e aconchegante, a festa na Capela Nossa Senhora do Monte Calvário reuniu cerca de 400 pessoas.

As festas juninas ou “julinas” no Brasil têm sua origem na tradição católica. Além da Fé e do amor a Jesus Cristo e da entranhada devoção à Nossa Senhora, os brasileiros herdaram dos colonizadores lusos uma forte devoção a três santos comemorados no mês de junho: Santo António, São Pedro e São João. Tal como no Brasil, até hoje em Portugal celebram-se as festas litúrgicas dos três santos mais populares com missas, procissões, danças e manjares típicos do país.

Em nosso Brasil, há séculos que existe o costume, difundido de norte a sul, de comemorar o dia festivo do santo padroeiro com quermeces e festas populares com jogos, fogueiras e bastante comida, beneficiando as necessitadas reformas da igreja paroquial assim como as atividades sociais.

Contudo, o mês de junho não parece não ser suficiente para comemorar os três santos mais populares do Brasil… Foi assim que nasceram as festas julinas.

Corpus Christi na Serra da Cantareira

CC Cantareira 1A Serra da Cantareira é a maior floresta urbana do mundo. Um paraíso ecológico próximo à grande São Paulo. Um paraíso, pois esta natureza estuante de vida é um verdadeiro patrimônio do Brasil. Todavia, é possível fazer desta maravilha que nos lembra os jardins celestiais mais semelhante ao paraíso celeste?

CC Cantareira 2Sim. Porém, não contratando jardineiros, mas atraindo os Anjos do Céu, que atuam sobre as criaturas tornando-as mais ordenadas e belas. Com efeito, o melhor modo de atrair os espíritos bem-aventurados é a adoração e o louvor de Jesus Eucarístico. A presença real do Redentor no Santíssimo Sacramento atrai Anjos do Céu, e estes aperfeiçoam a natureza criada.

Foi o que a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças, situada no coração da Cantareira, colocou em prática nesta Quinta-feira, 3 de junho, por ocasião da solenidade de Corpus Christi. Procissões com um povo atuante e cheio de Fé, com incenso e som de bandas sinfônicas emolduradas pelo verde dos belos panoramas da Serra, foram a realização concreta de tornar este paraíso ecológico mais parecido com o Céu.

CC Cantareira 3Nas fotos, vê-se o Pároco, o Revmo. Pe. Caio Newton, EP portando o Santíssimo, assim como a atuação dos Seminaristas do ITTA junto às comunidades das 10 capelas da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na cidade de Mairiporã, diocese de Bragança Paulista-SP, em plena Serra da Cantareira. Eles auxiliam na formação catequética de adultos e crianças, na animação das celebrações litúrgicas, assim como em atividades sócio-educacionais. Nesta procissão vemos as estradas da Serra pavimentadas, não de negro asfalto, mas de colorida serragem, gesto de amor a Jesus Eucarístico. Não vemos carros, mas anjinhos e jovens testemunhando sua Fé.

 * * *CC Cantareira 4

 Manifestar a Fé em Cristo na Hóstia Sagrada, rezando em nosso quarto, ou ajoelhados ante o sacrário, é excelente. Entretanto, é mais agradável a Deus e edificante aos homens tornar patente ao próximo a Fé que professamos. É este o anseio dos paroquianos da serra. Não existe dúvida que a oração no quarto possui um valor extraordinário, aliás, o Divino Mestre no-la recomenda no CC Cantareira 5Evangelho (Cf. Mt 6,6), mas existem certos sentimentos e convicções no coração do homem que só chegam à sua realização máxima quando manifestados exteriormente. É o valor da Cerimônia. A procissão em honra do Santíssimo Sacramento é um ato onde se demonstra a Fé na presença real de Cristo na Hóstia, sem medo sem jaça, de modo público, ardente de caridade e senso do maravilhoso. Isto pode trazer o céu à terra, ou elevar a terra ao Céu.

Monsenhor João Clá, “Cidadão Caieirense”

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Anderson Oliveira – 3º Ano Teologia

“Com a alegria de estar na Casa de Deus e na presença da Virgem Maria”, assim iniciou suas palavras Dr. Pedro Siqueira, Presidente da Câmara Municipal de Caieiras, ao conferir a Monsenhor João Clá, o título de “cidadão caieirense”, justificando a honraria concedida “por seu apostolado, por seu trabalho de educação da juventude, por sua contribuição à cultura e por todo o honroso serviço social e dedicação na nossa cidade de Caieiras”.

O evento se deu após a Missa de Domingo, na Igreja do Seminário, que se situa no território de Caieiras. Estiveram presentes autoridades civis e militares do Município, tais como Roberto Hamamoto, Prefeito, e Dr.ª Sara Beltrame Hamamoto, primeria dama, Pedro Siqueira Júnior, Prefeito da Câmara, Dr. Ideir Hamamoto, Vereador, com sua esposa Sula Hamamoto, Pedro Siqueira, ex-vereador de Caieiras, e Capitão Carlos Jorge de Miranda, comandante da 5° Cia. do 26º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana (26° BPM/M). Esteve presente com sua esposa, Dr. Antônio José Pereira, Delegado de Mairiporã.

Caieiras é um município limítrofe à capital paulista, Região Metropolitana de São Paulo. Possui cerca de 90.000 habitantes. O território do município abrange parte da Serra da Cantareira, onde está localizado o Seminário de Virgo Flos Carmeli com os respectivos institutos de Filosofia e Teologia (IFAT e ITTA), assim como diversas casas da Associação Arautos do Evangelho. Na Serra, estas instituições colaboram com a comunidade local dos municípios de Caieiras, Mairiporã e Franco da Rocha, em diversas atividades ambientais e sociais. Existe também a atividade pastoral da paróquia Nossa Senhora das Graças que possui uma população de 20.000 almas. Também os paroquianos de Mairiporã, Caieiras e Franco da Rocha se beneficiam da ação evangelizadora dos Arautos. Estas três cidades somam, juntas, cerca de 300.000 habitantes.

Uma crônica pelas capelas da Cantareira

Marcos Inácio Melo (2º ano Teologia)Serra

Sob uma inesperada chuva torrencial, que já se tornou quase habitual nestes últimos meses, dois seminaristas dirigem-se a uma das capelas da Paróquia Nossa Senhora das Graças. O temporal aumenta e além do para brisas, mal podem enxergar a estrada. Atravessam a represa de Mairiporã e adentram na Estrada da Cacéia. Termina o asfalto. Mais à frente, um ônibus que derrapou na pista molhada está preso em um barranco. Vazio, somente o motorista com o celular articula alguma palavras. Nada grave. Após 4 km de barro molhado, os dois seminaristas chegam a uma das Capelas da Paróquia Nossa Senhora das Graças, confiada pelo bispo diocesano aos cuidados da Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli.

O edifício, com o seu campanário, tem cerca de cem anos. Os dois saem do carro e dão graças a Deus por usarem botas,[1] pois assim que abandonam o carro logo ficam marcadas pelo barro vermelho: não existe calçamento e a grama que reveste o ‘jardim’ não cobre inteiramente o terreno. Com os hábitos encharcados no curto percurso, abrem a porta.  Entram. A escuridão do templo, agravada pela tarde anoitecida precocemente pela densa tempestade, era compensada pela suave luz emanada da lamparina do Santíssimo. Além do Sacrário, a imagem de uma santa ajoelhada diante da Virgem Maria evoca a cena da gruta de Masabiele. Afinal, a padroeira da Capela é Nossa Senhora de Lourdes.

A chuva diminui, embora continue renitente. Um dos seminaristas exclama:

- Será que alguém virá hoje para o catecismo?

A pergunta fica sem resposta. O outro está ocupado em tocar o sino.  Seu som é belo e ecoa pelo vale. Minutos depois, alguns paroquianos apetrechados de guarda-chuvas coloridos sobem a ladeira que dá acesso à capela. No horário determinado, a capela está abarrotada de adolescentes que vieram participar das aulas de catecismo. Aguardam o dia em que vão receber os sacramentos da Eucaristia e do Crisma.

CapeladeLourdesEntretanto, nem todos são jovens. Uma professora e uma vizinha, sem filhos matriculados, também querem assistir às aulas de catecismo, apesar de já terem recebido os Sacramentos de Iniciação Cristã. “Queremos aprender mais” – dizem elas.

Após as aulas, tocam o sino novamente, desta vez para a missa. Alguns catequizandos conversam, enquanto comendo um lanche modesto. Entretanto, alguns Arautos, que vieram reforçar o contingente de seminaristas, afinam os instrumentos, e, os acólitos arranjam o altar e treinam o cerimonial da Missa. O sacerdote chega, e uma fila para confissão se forma.

 Cessa a chuva, e alguns que estão do lado de fora da Capela, por falta de lugares no seu interior, podem assistir à Missa e cumprir o preceito dominical. Celebrada em nosso vernáculo, decorre com simplicidade, mas, ao mesmo tempo, solenidade e decoro. O povo começou recentemente a acompanhar as músicas gregorianas. Nos domingos anteriores um arauto explicou a letra grega do Kyrie e ensinou a pronuncia latina do Sanctus e do Agnus. No começo, a afinação deixava um pouco a desejar, porém, a cada domingo há um progresso considerável. Após um mês, o povo já cantava as partes fixas da missa em gregoriano além dos cânticos populares em português. A Salve Regina, no final da Missa, é a música cantada com segurança a plenos pulmões.

Assim se passa mais um final de semana cheio de atividades, que os Seminaristas da Sociedade Apostólica Virgo Flos Carmeli levam a cabo, nesta sua peregrinação terrena, preparando-se também para as aulas e os exames que se aproximam com uma doutrina prática e formativa.


[1] As botas fazem parte das características próprias ao hábito de um Arauto do Evangelho, e caracterizam o desejo de levar a mensagem do evangelho aos quatro rincões do planeta, seja qual for a terra, ou as condições adversas que se apresentem.