Anderson Fernandes Pereira
Há certos mistérios que envolvem os povos de todas as épocas da história da humanidade. Perguntas tais como: de onde vim? Para onde vou? Quem é Deus?, inquietam os homens de todos os tempos. Os povos da antiguidade, procurando atender em certa medida essas indagações, colocavam suas esperanças em deuses que nasciam e morriam conforme suas necessidades terrenas.
Entretanto, o povo eleito sempre confessou numa linguagem clara e direta a eternidade de seu Deus[1]: “Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus” (Sl 89, 2).
Inspirados pelo Espírito Santo, os escritores sagrados não se preocupam em demonstrar a eternidade de Deus; afirmam com simplicidade que Ele existe antes da criação do mundo e jamais deixará de existir: “Tudo se acaba pelo uso como um traje (…). Mas Vós permaneceis o mesmo e vossos anos não têm fim” (Sl 101, 27-28).
O que vêm a ser a eternidade de Deus? Em que consiste ela? Para termos noções precisas sobre essa propriedade do Criador, convém compreendermos primeiramente o que é o tempo.
O tempo
Talvez não haja coisa mais comum no cotidiano dos homens do que a noção de tempo, porém, certamente nos sentiríamos um tanto embaraçados se tentássemos resolver alguns problemas relativos a ele. De onde vem o tempo? Ele sempre existiu? Existirá para sempre? Se em algum momento ele não existiu, o que então acontecia antes do tempo? E se em algum momento ele deixar de existir, o que haverá depois dele? Quantos problemas complicados acerca de uma coisa aparentemente tão simples…
Ensina-nos o livro do Eclesiastes que para tudo há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer, tempo para plantar, e tempo para colher, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se, tempo para calar e tempo para falar… (cf. Eclesiastes 3,1-8). Quanta instabilidade em tudo que o homem realiza nesta terra. Em um curto espaço de tempo, desejamos algo que há pouco desprezávamos; certas coisas que queríamos ontem, já não mais nos interessam hoje.
Afirma Santo Agostinho: “Aquilo que cada homem é hoje, mal o sabe ele próprio. No entanto, é alguma coisa hoje. O que será amanhã, nem ele o sabe”[2]. Aristóteles define o tempo como sendo o número de movimento segundo o antes e o depois[3].
Eis que com o auxílio destes pensadores descobrimos os pontos característicos e próprios ao tempo: o movimento, a mudança e a corrupção de todas as coisas; em tudo há um começo e fim.
O Evo
Consta que as distâncias cósmicas seriam limitadas para que pudéssemos ter noção do abismo que separa o tempo da eternidade. Sendo assim, os teólogos denominam com o nome de evo a medida das substâncias espirituais, que são os anjos e as almas racionais. Desta forma, concluímos que a eternidade não tem princípio nem fim, que o tempo tem princípio e fim, mas o evo, como um “meio caminho” entre tempo e eternidade, tem princípio, mas não tem fim.
O evo não se limita como nosso tempo, pelo ritmado movimento do ponteiro do relógio, ou ainda pela horário solar. O evo se mede pelo tempo necessário em que um Anjo exerce um ato. Seja esta ação um pensamento ou uma obra, o Anjo demora o espaço de um evo para realizá-lo.
Quanto tempo o Anjo necessita para cumprir uma ação intelectual ou material? Esta pergunta é demasiado complicada para a inteligência humana. A ação angélica pode ser tão rápida como o relâmpago, mas também tão lenta e duradoura como os milênios. Portanto, o evo está tão acima de nosso tempo terreno, que mal pode ser comparado com ele.
A eternidade de Deus
Se a respeito do tempo em que vivemos já existe tanto mistério, o que dizer da eternidade? A palavra eternidade traz imediatamente consigo a ideia do Divino e a ausência de princípio e fim. Santo Agostinho escreve: “A eternidade é a mesma substância de Deus, na qual não há nada que seja mutável; ali não há nada passado, nada que já não exista; nada que seja futuro como se ainda não existisse. Ali não há nada que não seja presente.”[4]
Entretanto, o termo eternidade não se refere apenas a uma simples duração ilimitada, à ausência de começo e de fim, mas exprime principalmente a imutabilidade de Deus. No Altíssimo não existe as mudanças presentes no mundo: nascimento e morte; início e término; transformação de uma coisa em outra etc. Como vivemos no tempo, é-nos difícil compreender o que é a eternidade de Deus, e poderíamos ser levados a imaginar a Eternidade Divina apenas como uma “existência larguíssima que não tem começo nem fim, como algo interminável, mas a eternidade de Deus é muito mais do que isso. A ideia do que não acaba nunca, é precisamente uma consequência da plenitude de vida própria de Deus.”[5]
Os teólogos utilizam a definição clássica, cunhada por Boécio: “a eternidade é a possessão total, simultânea e completa de uma vida interminável.”[6] Portanto, como dissemos, da mesma maneira que o conceito de tempo deriva do movimento, o de eternidade procede da imutabilidade.[7]
Verdadeira e propriamente falando, somente em Deus há eternidade, pois apenas Ele é absolutamente Imutável. O Altíssimo não só é eterno, mas a sua própria eternidade.[8] Entretanto, em sua infinita misericórdia, Deus colocou na alma de cada homem uma “semente de eternidade”[9], que o leva a aspirar e desejar algo que ultrapassa aquilo que o mundo lhe pode oferecer. Desta forma, “o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo, nem seu princípio primeiro, nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim”.[10]
A eternidade participada
A fim de estimular no homem à consciência de sua grandeza, São Leão Magno nos deixou uma célebre recomendação: “Reconhece ó Cristão, a tua dignidade”.[11] Como isso se torna realidade quando consideramos que é desta Vida interminável e imutável de Deus, que todos os homens são chamados a participar, na medida em que Lhe sejam fiéis, pois, Deus prometera ser Ele mesmo sua recompensa demasiadamente grande (Cf. Gn 15, 1).
A consideração da eternidade divina, nos convida a não nos deixarmos iludir pelas coisas do mundo, pois “céus e terras passarão, porém minhas palavras não passarão” (cf. Lc 21,33). Ao contrário, com os olhos fixos na eternidade, somos chamados a “enquanto temos tempo, a fazer o bem” (Gal 6,10), pois é no tempo que se prepara a eternidade, nos sofrimentos bem aceitos desta vida passageira que receberemos a alegria de uma vida interminável, possuindo com todo o rigor da palavra, a vida eterna. Participaremos assim da própria eternidade de Deus.
[1] Cf. MENDEZ, Gonzalo Lobo. Dios Uno y Trino. 4ª edição. Edicione Rialp. Madrid. 2005. Tradução nossa. p.53.
[2] Santo Agostinho. Sermo 46, 24-25.27: CCL 41,551-553
[3] Cf. Aristóteles,Phys. 4, c. 11 n. 12 (BK 220a25).
[4] Santo Agostinho. Enarrationes in Psalmos 101 [102]. PL 37, 1311.
[5] MENDEZ, Gonzalo Lobo. Dios Uno y Trino. 4ª edição. Ediciones Rialp. Madrid. 2005. Tradução nossa. p. 54.
[6] Boécio. De consolatione. L. 5, prosa 6: ML 63,858; cf. 1.3, prosa 2: ML 63,724.
[7] Cf. AQUINO, Tomás de. S. T. q. 10, a. 1 e 2.
[8] AQUINO, Tomás de. S. T. q. 10, a. 2.
[9] Catecismo da Igreja Católica, n. 33.
[10] CIC 34.
[11] S. Leão Magno, Sermo XXI, 3: S. Ch. 22 bis, 72.









Alessandro Schurig – 3º Ano de Teologia
Desta forma, todos os que participaram da cerimônia sentiram no fundo da alma que, assim como o Espírito Santo não abandonou os apóstolos em oração com Maria Santíssima no cenáculo, pelo contrário, veio sobre eles como em línguas de fogo para dali saírem à conquista de toda a terra, não com armas e poderosos exércitos, mas com a força irresistível da palavra, que é “viva, eficaz e mais penetrante que a espada de dois gumes” (Hb 4, 12), e assim deslumbrarem povos e terras com a doutrina da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Anderson Fernandes Pereira – 2º Ano de Teologia
A confraternização começou, como habitualmente, com a Santa Missa, celebrada pelo Pe. Daniel Mirasierras EP, sacerdote espanhol e Supeiror da Casa de Formação dos Arautos do Evangelho em Colômbia. No sermão, estimulou os fiéis à confiança na Providência, seguindo as inspirações da graça e de tudo aquilo “que eleva e faz bem às almas”, e que evitassem tudo que conduz “para baixo, para o pecado”. Demonstrou que a felicidade não está no pecado, mas sim, na virtude e no convívio alegre e ameno com Deus e com os irmãos.
Não foram somente os corpos aquecidos nesta fria noite de Sábado, mas sobretudo, as almas. Uma surpresa especial: Ao final da confraternização, os professores e alunos do Seminário encenaram a Peça “o Rei e o Terço”, que estimulou os fiéis da comunidade à oração do Rosário.
A Serra da Cantareira é a maior floresta urbana do mundo. Um paraíso ecológico próximo à grande São Paulo. Um paraíso, pois esta natureza estuante de vida é um verdadeiro patrimônio do Brasil. Todavia, é possível fazer desta maravilha que nos lembra os jardins celestiais mais semelhante ao paraíso celeste?
Sim. Porém, não contratando jardineiros, mas atraindo os Anjos do Céu, que atuam sobre as criaturas tornando-as mais ordenadas e belas. Com efeito, o melhor modo de atrair os espíritos bem-aventurados é a adoração e o louvor de Jesus Eucarístico. A presença real do Redentor no Santíssimo Sacramento atrai Anjos do Céu, e estes aperfeiçoam a natureza criada.
Nas fotos, vê-se o Pároco, o Revmo. Pe. Caio Newton, EP portando o Santíssimo, assim como a atuação dos Seminaristas do ITTA junto às comunidades das 10 capelas da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na cidade de Mairiporã, diocese de Bragança Paulista-SP, em plena Serra da Cantareira. Eles auxiliam na formação catequética de adultos e crianças, na animação das celebrações litúrgicas, assim como em atividades sócio-educacionais. Nesta procissão vemos as estradas da Serra pavimentadas, não de negro asfalto, mas de colorida serragem, gesto de amor a Jesus Eucarístico. Não vemos carros, mas anjinhos e jovens testemunhando sua Fé.
Evangelho (Cf. Mt 6,6), mas existem certos sentimentos e convicções no coração do homem que só chegam à sua realização máxima quando manifestados exteriormente. É o valor da Cerimônia. A procissão em honra do Santíssimo Sacramento é um ato onde se demonstra a Fé na presença real de Cristo na Hóstia, sem medo sem jaça, de modo público, ardente de caridade e senso do maravilhoso. Isto pode trazer o céu à terra, ou elevar a terra ao Céu.

Entretanto, nem todos são jovens. Uma professora e uma vizinha, sem filhos matriculados, também querem assistir às aulas de catecismo, apesar de já terem recebido os Sacramentos de Iniciação Cristã. “Queremos aprender mais” – dizem elas.