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Instituto Teológico São Tomás de Aquino

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São Tomás de Aquino: a catedral do pensamento

Inácio de Araújo Almeida

saint-thomas-aquinas-10Corria o ano de 1248. A cidade de Colônia estava em festa. As autoridades religiosas e civis, bem como o piedoso povo, reuniram-se para pôr a pedra fundamental daquela que viria a ser a maior catedral gótica do mundo. E, no meio do numeroso clero, viam-se também dois frades de túnica branca e manto negro que há pouco haviam chegado da França. O mais velho se chamava Alberto, cognominado “Magno”. Era o mais sábio homem de seu tempo e a maior autoridade teológica do século. O simples fato de se enunciar nos meios acadêmicos a frase: “Albertus dixit[1], em muitos casos já era suficiente para encerrar uma discussão doutrinária.

Sobre o frade mais novo, pouco se sabia, a não ser que era discípulo de Alberto. Se não fosse sua elevada estatura e avantajado corpo que o destacavam dos demais, passaria quase despercebido no meio daquela multidão. Todavia, sob aquele hábito da mendicante ordem de São Domingos, ocultava-se um membro da mais alta nobreza italiana. Tinha ele por parentes próximos dois imperadores do Sacro Império Romano Alemão, Frederico II e Conrado VI. Contudo, o que lhe fez sair daquele aparente anonimato não foi o seu porte altaneiro e nem mesmo a sua elevada nobreza, mas sim a sua virtude e inteligência. Este jovem frade tornou-se um grande santo e um dos maiores gênios que o mundo viu nascer. Seu nome era Tomás de Aquino…

Com efeito, era do conhecimento de muitos o motivo que o trouxera a Colônia. Estava ali para auxiliar o seu mestre na fundação de um Studium Generale, que viria a ser o centro de estudos teológicos de sua ordem em terras alemãs. Porém, o que ninguém sabia, talvez nem ele mesmo, é que, nos vinte cinco anos seguintes, Tomás  construiria também um magnífico templo, tão sólido e duradouro como os alicerces da igreja de Colônia, que via nascer. Tomás edificaria um monumento de doutrina, fundamentado na fé e na razão. Tal monumento bem poderia ser chamado de “a catedral do pensamento cristão”…

O pequeno monge De Monte Cassino

O mundo o viu nascer no ano de 1225, no castelo de Roccasecca, próximo a Nápoles, na Itália. Dos sete filhos do conde Landolfo d’Aquino, Tomás era o mais novo. Aos cinco anos, foi enviado ao famoso Convento de Monte Cassino, para lá ser educado. Seu tio, Sunibaldo, era abade e encarregou-se de sua formação. Tudo indica que sua família também ansiava que ele viesse a ser o superior daquele prestigioso mosteiro.

Pouco se sabe deste período de sua vida, a não ser que o “pequeno monge”, ao percorrer o majestoso claustro daquela abadia, inquiria os religiosos sobre um tema que não saía da sua mente: “Que é Deus?”. Não passaram para a história as respostas proferidas. Contudo, parece certo dizer que ninguém lhe respondeu satisfatoriamente, pois, desde criança, ele fez dessa primeira indagação a força motriz que o impulsionaria a produzir a maior obra teológica de todos os tempos.

Ao ingressar na vida acadêmica, rapidamente destacou-se pela prodigiosa fecundidade de  pensamento. Esse doutor que mereceu ser chamado “Angélico”, foi um grande luzeiro posto por Deus no meio de sua Igreja, a fim de esclarecer, confortar e animar as almas pelos séculos futuros. Viveu apenas 49 anos, dedicando a metade de sua vida à nobre e árdua tarefa de ensinar nos mais importantes centros universitários da França, Itália e Alemanha.

Guilherme de Tocco, seu primeiro e principal biógrafo, afirmou que “nas aulas o seu gênio começou a brilhar de tal forma e a sua inteligência a revelar-se tão perspicaz, que repetia aos outros estudantes as lições dos mestres de maneira mais elevada, mais clara e mais profunda do que as tinha ouvido” [1].

São Tomás soube unir harmoniosamente a santidade com a genialidade, e a erudição com a virtude, a fim de produzir a maior obra teológica de todos os tempos. Durante os quase oito séculos que separam sua existência da nossa, foi ele sempre exaltado com eloquentes louvores pelos Papas, em termos não comuns em documentos pontifícios.

O Papa João XXII, em 1318, afirmou: “Ele sozinho iluminava a Igreja mais que os outros doutores. Lendo  seus livros um  homem aproveita mais em um ano do que durante toda a sua vida”[2]. São Pio V, em 1567, não foi menos categórico: “A Igreja fez dela a sua doutrina teológica, por ser a mais certa e a mais segura de todas”. E o Papa Leão XIII, em 1892, disse que “se se encontram doutores em desacordo com São Tomás, qualquer que seja o seu mérito, a hesitação não é permitida; sejam os primeiros sacrificados ao segundo”. Por sua vez, o Concílio Vaticano II aconselha que São Tomás seja seguido nos Seminários e nas Universidades católicas. O Papa Paulo VI, comentando esse fato, disse: “é a primeira vez que um Concílio Ecumênico recomenda um teólogo, e este é precisamente São Tomás de Aquino”.

As três catequeses de Bento XVI sobre São Tomás de Aquino

Seguindo os passos de seus predecessores, o Papa Bento XVI voltou a ressaltar a importância do pensamento de São Tomás de Aquino para o mundo contemporâneo. O Sumo Pontífice dedicou três de suas audiências semanais para abordar a vida, a obra e o pensamento do Doutor Angélico[3]. Em sua Catequese de 02 de junho de 2010, o Papa recordou as palavras de João Paulo II na Encíclica Fides et Ratio, onde ele afirma que o Angélico: “foi sempre proposto pela Igreja como mestre de pensamento e modelo quanto ao reto modo de fazer teologia”[4]. O atual Pontífice argumenta que não devemos nos surpreender que, depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, São Tomás seja citado mais do que todos os outros. Em seguida, ele apresenta alguns traços da vida do Aquinate, ressaltando o providencial encontro do Angélico com o pensamento de Aristóteles.

Com efeito, no século XIII foram traduzidas para o latim diversas obras do Estagirita que até então eram completamente desconhecidas no ocidente cristão. Isto despertou nos meios acadêmicos não só admiração, mas também temor. A razão disto é que muitos dos ensinamentos de Aristóteles pareciam estar em desacordo com a doutrina revelada. São Tomás, então, se dedicou a comentar as principais obras de Aristóteles, procurando distinguir em seus escritos aquilo que era válido, daquilo que era duvidoso. Havia uma pergunta que intrigava muitos teólogos do seu tempo: poderia o pensamento cristão receber algum contributo da filosofia pagã? São Tomás respondeu: “Toda verdade, dita por quem quer que seja, vem do Espírito Santo” [5]·. Para São Tomás, o encontro com uma filosofia que era anterior ao próprio cristianismo não era propriamente um obstáculo à revelação, mas sim, abria uma nova perspectiva ao horizonte da fé. Vejamos as palavras do Pontífice: “A filosofia aristotélica era, obviamente, uma filosofia elaborada sem conhecimento do Antigo e do Novo Testamento, uma explicação do mundo sem revelação, unicamente pela razão. E esta racionalidade consequente era convincente (…). Existia uma ‘filosofia’ completa e convincente em si mesma, uma racionalidade precedente à fé, e depois a ‘teologia’, um pensar com a fé e na fé. A questão urgente era esta: o mundo da racionalidade, a filosofia pensada sem Cristo e o mundo da fé são compatíveis? Ou então se excluem? Não faltavam elementos que afirmavam a incompatibilidade entre os dois mundos, mas São Tomás estava firmemente convencido da sua compatibilidade; aliás, a filosofia elaborada sem o conhecimento de Cristo praticamente esperava a luz de Jesus para ser completada. Esta foi a grande ‘surpresa’ de São Tomás, que determinou o seu caminho de pensador. Mostrar esta independência de filosofia e teologia, e, ao mesmo tempo, a sua relacionalidade recíproca, foi a missão histórica do grande mestre”[6].

Em síntese, o Papa explica que naquele momento de desencontro entre duas culturas, parecia que “a fé devia render-se perante a razão”. Entretanto, São Tomás demonstrou que fé e razão caminham lado a lado, e que não existe contradição entre os dados da revelação com aqueles adquiridos pelo conhecimento racional. Desta forma, fé e razão: “constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” [7]·. Foi assim que, segundo o Pontífice, o Aquinate acabou por criar “uma nova síntese, que veio a formar a cultura dos séculos seguintes”.[8]

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O poder de atração de São Tomás

Outro ponto ressaltado por Bento XVI foi a grande capacidade de atração que São Tomás exercia sobre aqueles que o conheciam: “Um dos seus ex-alunos declarou que uma enorme multidão de estudantes seguia os cursos de Tomás, a tal ponto que as salas tinham dificuldades em contê-los e, com um apontamento pessoal, acrescentava que ‘ouvi-lo era para ele uma profunda felicidade’”.

São Tomás “viveu a vida de um mestre e com toda a entrega de que era capaz”[9]. Na Suma Contra os Gentios se encontra uma discreta indicação do que ele considerava como a principal tarefa de sua vida, fazendo suas as palavras de Santo Hilário: “Sou consciente de que o principal dever de minha vida para com Deus é esforçar-me para que minhas palavras e todos os meus sentidos falem dele”[10]. Aquela perfeita união que havia no Angélico entre a vida de oração e a vida do estudo era o segredo de sua santidade.

Além de ter sido um grande professor e escritor, São Tomás também se dedicou à pregação pública. Algumas destas homilias passaram para a história e chegaram até nós. Em suas pregações, ele soube explicar os mais intricados problemas teológicos, numa linguagem acessível às pessoas de pouca erudição. O Papa considera verdadeiramente ser uma grande graça: “quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. Por outro lado, o ministério da pregação ajuda os próprios estudiosos de teologia a ter um sadio realismo pastoral, e enriquece a sua investigação com estímulos intensos”.[11]

A sua devoção eucarística

Porém, como foi possível em apenas 25 anos de ensino, numa época em que não havia imprensa, em que as bibliotecas eram pequenas e de difícil acesso, uma tão grandiosa produção bibliográfica? Quem nos dá a resposta é o próprio São Tomás. Ele mesmo confidenciou a Frei Reginaldo, seu confessor, que aprendeu mais em suas meditações na Igreja diante do Santíssimo Sacramento, ou na cela aos pés do Crucifixo, do que em todos os livros que havia lido. Guilherme de Tocco insiste em dizer que

‘todas as vezes que ele queria estudar, iniciar uma disputa, ensinar, escrever ou ditar, retirava-se primeiramente no segredo da oração e rezava vertendo lágrimas, a fim de obter a compreensão dos mistérios divinos’. São Tomás: ‘entregou-se totalmente às coisas do alto, e foi contemplativo de um modo inteiramente admirável’[12].

Durante a noite, Tomás, após um breve sono, ia prosternar-se diante do Santíssimo Sacramento, onde permanecia longo tempo em oração. Quando tocavam as Matinas, antes que os religiosos formassem fila para ir ao coro, ele retornava sigilosamente à sua cela para que ninguém o notasse. Desta forma, era na vida de piedade que São Tomás adquiria os mais altos conhecimentos, compreendia os textos sagrados e encontrava a solução para os mais complicados problemas teológicos. O Pontífice também argumenta que na vida de São Tomás encontramos aquela que é uma das principais características das almas eleitas, ou seja, a devoção a Nossa Senhora

Ele definiu-a com um apelativo maravilhoso: Triclinium totius Trinitatis, triclínio, ou seja, lugar onde a Trindade encontra o seu descanso porque, em virtude da Encarnação, em nenhuma criatura, como nela, as três Pessoas divinas habitam e sentem a delícia e a alegria por viver na sua alma cheia de Graça. Pela sua intercessão, nós podemos obter todo o auxílio[13].

A celebração da Santa Eucaristia era a devoção preferida de São Tomás. Celebrava todos os dias, à primeira hora da manhã e, antes mesmo de tirar os paramentos sacerdotais, assistia a uma ou duas missas. Quanto aos deveres religiosos, seguia escrupulosamente as orações da comunidade, sem usar das legítimas dispensas a que tinha direito por exercer a função de Mestre. Ao avançar em idade, aumentou ainda o número de suas orações e meditações. Desta forma é que se entende melhor toda a eficácia do ensino de São Tomás, pois, de acordo com Grabmann: “a figura científica de São Tomás não se pode separar da grandeza ético-religiosa de sua alma; em Tomás, não se pode compreender o investigador da verdade sem o santo” [14].

“Mestre Tomás, que lição nos pode dar?”.

Bento XVI também recorda que, certa manhã, enquanto São Tomás rezava na capela de São Nicolau, em Nápoles, um sacristão chamado Domingos de Caserta, ouviu um diálogo. O Angélico perguntava, preocupado, se aquilo que tinha escrito sobre os mistérios da fé era correto. É então que ouve uma voz que provém do crucifixo:

“-Falaste bem de mim, Tomás, qual será tua recompensa?

“- Nada mais do que Tu, Senhor”.

E quando se aproximava o término de sua peregrinação nesta terra, o Angélico pediu os Sacramentos e os recebeu com grande fervor. Neste momento, afirmou ainda a sua fé absoluta na presença de Deus na Eucaristia

Recebo-te, preço da redenção de minha alma, recebo-te, viático de minha peregrinação, por cujo amor estudei, realizei vigílias, sofri; preguei-te, ensinei; jamais disse algo contra ti, e se o fiz foi por ignorância, e não insisto em meu erro; se ensinei mal a respeito deste sacramento ou de outros, submeto-o ao julgamento da santa Igreja Romana, em obediência à qual deixo agora esta vida[15].

Três dias depois, a 07 de março de 1274, de madrugada, é ungido. Responde a cada uma das santas unções. Instantes depois expira: “A sua alma vai tão pura como veio. Tomás não parte, regressa. Espera-o Aquele de quem nunca, afinal, se separou…” [16].

Por ocasião do sétimo centenário da morte de Angélico, o Papa PauloVI dirige-se a Fossanova e ali afirma que, mesmo no atual tempo em que vivemos, temos ainda muito a aprender com São Tomás. Este Pontífice interrogava: “Mestre Tomás, que lição nos pode dar?”. Em seguida, respondia com estas palavras: “A confiança na verdade do pensamento religioso católico, como foi por ele defendido, exposto e aberto à capacidade cognoscitiva da mente humana”[17]. E neste mesmo dia,  na cidade de Aquino, referindo-se ainda a São Tomás, concluía dizendo: “Todos nós que somos filhos da Igreja, podemos e devemos, pelo menos em certa medida, ser seus discípulos!”[18].


[1]Guillelmus de Tocco: Storia Sancti Thome de Aquino, ed. C. Le Brun Gouanvic, Pontifical Institute of Medieval Studies, Toronto, 1996.

[2] As citações mencionadas neste parágrafo encontram-se na obra: Odilão, Moura. Prefácio a Exposição Sobre o Credo. In: Tomás De Aquino. Exposição Sobre o Credo. 4ª ed. São Paulo: Loyola, 1981. pp. 11-16.

[3] As três catequeses de Bento XVI sobre São Tomás foram proferidas na Praça de São Pedro nos dias 02, 16 e 23 de Junho de 2010.

[4]João Paulo II. Carta encíclica Fides et Ratio: sobre as relações entre fé e razão, Paulus, São Paulo, 1998, n. 43.

[5]Aquino, São Tomás de. Summa Theologica: I-II, q. 109, a. 1, ad 1.: “Omne verum, a quocumque dicatur, a Spiritu Santo est”.

[6] Bento XVI, Audiência Geral, Praça de São Pedro. Quarta-feira, 16 Jun. 2010.

[7] João Paulo II. Carta encíclica Fides et Ratio: sobre as relações entre fé e razão, Paulus, São Paulo, 1998.

[8] Bento XVI, Audiência Geral, Praça de São Pedro. Quarta-feira, 02 Jun. 2010.

[9] Pieper, Josef. Introducción a Tomás de Aquino. Doce Lecciones. Rialp, Madrid, 2005.

[10] Aquino, São Tomás de. Suma contra los Gentiles, BAC, Madrid, 2007. p. 40.

[11] Bento XVI, Audiência Geral, Praça de São Pedro. Quarta-feira, 02 Jun. 2010.

[12]G uillelmus de Tocco: Storia Sancti Thome de Aquino, ed. C. Le Brun Gouanvic, Pontifical Institute of Medieval Studies, Toronto, 1996.

[13] Bento XVI, Audiência Geral, Praça de São Pedro. Quarta-feira, 23 Jun. 2010.

[14]In Ameal, João. São Tomás de Aquino. Iniciação ao estudo da sua figura e da sua obra. 3a ed. Tavares Martins: Porto, 1947, p. 130.

[15] Idem, p. 154.

[16] Ibidem.

[17] Insegnamenti di Paolo VI, XII [1974], pp. 833-834.

[18] Ibidem, p. 836.

O que é a vida de Deus?

Thiago de Oliveira Geraldo

Comenta São Tomás de Aquino, baseando-se em Aristóteles: “É chamado de vivo tudo o que se move ou age por si mesmo. Os que, por natureza, não se movem nem agem por si mesmos só serão chamados vivos por semelhança”.[1]

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Dentre os seres vivos, encontram-se diferenças importantes. As plantas, por exemplo, exercem as funções próprias à sua natureza, como: nascer, nutrir-se, desenvolver-se e reproduzir-se. Um quadrúpede possuirá estas mesmas capacidades, mas acrescido de sensação, apetite e locomoção. Capacidades que seriam aberrações no gênero dos vegetais. Por fim, o ser humano contém em si a totalidade da vida criada, pois, além dos graus de vida concernentes às plantas e aos animais, possui uma inteligência racional, sendo capaz de conhecer, deliberar e escolher.

Mas a vida não significa simplesmente uma operação de funções. A vida do homem não é o que ele é capaz de fazer, mas o que ele é. Segundo Aristóteles, “para os seres vivos, viver é ser”[2]. O ato de ser é o ato de estar vivo, com todas as capacidades próprias à sua natureza. Quando, porém, uma criatura morre, já não está apta para praticar o que lhe é próprio.

Tanto o ato de viver, como a forma de se viver bem, são pálidos reflexos de uma vida divina. A vida que está presente na natureza não é uma geração espontânea, como pensam alguns. Tudo isto decorre de uma vida superior: “Meu coração e minha carne exultam no Deus vivo” (Sl 83,3). Deus proporciona a capacidade para que as plantas exerçam as funções de sua natureza, elas não fazem esforço algum para decidir o que fazer. Seu grau de vida é o menor, portanto. Os animais agem por um instinto de acordo com sua natureza. Os seres humanos atuam com vista a um fim, seguindo o concurso da razão. Deus é o próprio fim do homem e é o que dá a possibilidade para que os seres operem de acordo com sua natureza.

No ser humano há órgãos que agem por si mesmos, sem que seja preciso o cérebro enviar-lhe nenhuma mensagem deliberada; por exemplo, o coração. Outros movimentos, como o das mãos, são comandados pelo cérebro e, inclusive, o próprio raciocínio abstrato tem sua fonte na parte intelectiva do homem. No entanto, todos estes movimentos têm uma única origem na unidade do ser humano, comandados pelo intelecto: “É sinal disso o fato de que em um único e mesmo homem, o intelecto move as faculdades sensitivas, que por sua vez movem e comandam os órgãos, que executam o movimento”.[3]

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De modo semelhante ao nosso corpo, Deus é o ser que move todas as coisas e não é movido por ninguém. Conhece-se a Si mesmo e por inteiro, e nisto consiste sua perfeição, em não permitir um algo a mais, pois completa-se a Si mesmo: “Portanto, aquilo que por sua natureza, é o seu próprio conhecer e que não é determinado por outro quanto ao que lhe é natural, isto é, o que detém o sumo grau de vida. E este é Deus. Em Deus, por conseguinte, encontra-se a vida em seu mais alto grau”.[4]

Todas as coisas foram criadas por Deus e são continuamente sustentadas por Ele. Neste sentido se pode dizer que tudo é vida em Deus. Vida porque já existiam em Seu intelecto, pois as conhecia desde toda a eternidade. Em Deus o seu viver é o seu conhecer.[5] Portanto, todos os seres criados são vida em Deus e alguns destes vivem por sua própria natureza: “tudo o que se encontra em Deus como conhecido é seu viver, sua vida. E como todas as coisas que Deus fez nele estão como conhecidas, segue-se que tudo, em Deus, é a própria vida divina”.[6]

Em suma, Deus é a suprema vida que criou todos os seres e os sustenta em seu ser. Para algumas de suas criaturas deu a capacidade de moverem-se por si mesmas, segundo a natureza que lhes cabe, isto é o que caracteriza a vida natural. A vida é um dom que Deus concedeu às criaturas, sobretudo, ao ser humano que tem a capacidade de perceber este sinal de amor que vem do Criador.


[1] S. Th. I, q. 18, a. 1.

[2] II de Anima. Apud S. Th. I, q. 18, a. 2.

[3] S. Th. I, q. 18, a. 3.

[4] Ibidem.

[5] S. Th. I, q. 18, a. 4.

[6] Ibidem.

Qual é a vontade de Deus a respeito do cristão?

(3ª parte)

O catecismo ensina que a vontade de Deus para com o cristão possui dois prismas. Um na terra e outro no Céu. Nesta vida esta vontade se realiza no mandato de Cristo de “que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou”[1]. Desta caridade mútua procede todo o bem da sociedade. Queremos o bem natural e material do próximo, mas sobretudo, queremos a sua salvação eterna, pois o bem sobrenatural do irmão vale mais do que todo o Universo. Em relação a Deus, a vontade do Pai na terra é “elevar os homens à participação da vida divina” [2], porque Deus quer conviver com o homem.

Esta vontade de Deus em relação ao cristão se realiza através da Igreja que reúne todos homens em torno do seu Filho, Jesus Cristo. Por esta razão a Igreja é na terra “o germe e o princípio do Reino de Deus”[3]. O Catecismo ensina que a vontade do nosso Pai é “que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 3-4), e “não quer que ninguém se perca” (2Pe 3, 9)[4].

Deus quer comunicar sua própria bondade, fazendo-nos filhos adotivos por Jesus Cristo. Por esta razão, afirma Santo Irineu de Lyon: “Se a revelação de Deus pela criação já proporcionou a vida a todos os seres que vivem na terra, quanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo proporciona a vida aos que veem a Deus!”[5]. Esta é a glória máxima da qual o homem é capaz na terra, conviver, amar e sentir-se amado por Deus.

Esta é a vontade de Deus que começa na terra e se consome no Paraíso: cumprir esta vontade de Deus é possuir a felicidade na terra, a qual se tornará plena no Céu. Desta forma o cristão faz a vontade de Deus, na terra assim como no Céu.


[1] Catecismo da Igreja Católica, n. 2822. Cf. Jo 13, 34; 1 Jo 3; 4; Lc 10, 25-37.

[2] II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.

[3] II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 5: AAS 57 (1965) 8.

[4] Cf. Mt 18, 14.

[5] Santo Irineu de Lião, Adversus haereses 4, 20, 7: SC 100, 648 (PG 7, 1037).

Deus é eterno


Anderson Fernandes Pereira

Há certos mistérios que envolvem os povos de todas as épocas da história da humanidade. Perguntas tais como: de onde vim? Para onde vou? Quem é Deus?, inquietam os homens de todos os tempos. Os povos da antiguidade, procurando atender em certa medida essas indagações, colocavam suas esperanças em deuses que nasciam e morriam conforme suas necessidades terrenas.

Entretanto, o povo eleito sempre confessou numa linguagem clara e direta a eternidade de seu Deus[1]: “Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus” (Sl 89, 2).

Inspirados pelo Espírito Santo, os escritores sagrados não se preocupam em demonstrar a eternidade de Deus; afirmam com simplicidade que Ele existe antes da criação do mundo e jamais deixará de existir: “Tudo se acaba pelo uso como um traje (…). Mas Vós permaneceis o mesmo e vossos anos não têm fim” (Sl 101, 27-28).

O que vêm a ser a eternidade de Deus? Em que consiste ela? Para termos noções precisas sobre essa propriedade do Criador, convém compreendermos primeiramente o que é o tempo.

O tempo

Talvez não haja coisa mais comum no cotidiano dos homens do que a noção de tempo, porém, certamente nos sentiríamos um tanto embaraçados se tentássemos resolver alguns problemas relativos a ele. De onde vem o tempo? Ele sempre existiu? Existirá para sempre? Se em algum momento ele não existiu, o que então acontecia antes do tempo? E se em algum momento ele deixar de existir, o que haverá depois dele? Quantos problemas complicados acerca de uma coisa aparentemente tão simples…

Ensina-nos o livro do Eclesiastes que para tudo há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer, tempo para plantar, e tempo para colher, tempo para chorar e tempo para rir, tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se, tempo para calar e tempo para falar… (cf. Eclesiastes 3,1-8). Quanta instabilidade em tudo que o homem realiza nesta terra. Em um curto espaço de tempo, desejamos algo que há pouco desprezávamos; certas coisas que queríamos ontem, já não mais nos interessam hoje.

Afirma Santo Agostinho: “Aquilo que cada homem é hoje, mal o sabe ele próprio. No entanto, é alguma coisa hoje. O que será amanhã, nem ele o sabe”[2]. Aristóteles define o tempo como sendo o número de movimento segundo o antes e o depois[3].

Eis que com o auxílio destes pensadores descobrimos os pontos característicos e próprios ao tempo: o movimento, a mudança e a corrupção de todas as coisas; em tudo há um começo e fim.

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O Evo

Consta que as distâncias cósmicas seriam limitadas para que pudéssemos ter noção do abismo que separa o tempo da eternidade. Sendo assim, os teólogos denominam com o nome de evo a medida das substâncias espirituais, que são os anjos e as almas racionais. Desta forma, concluímos que a eternidade não tem princípio nem fim, que o tempo tem princípio e fim, mas o evo, como um “meio caminho” entre tempo e eternidade, tem princípio, mas não tem fim.

O evo não se limita como nosso tempo, pelo ritmado movimento do ponteiro do relógio, ou ainda pela horário solar. O evo se mede pelo tempo necessário em que um Anjo exerce um ato. Seja esta ação um pensamento ou uma obra, o Anjo demora o espaço de um evo para realizá-lo.

Quanto tempo o Anjo necessita para cumprir uma ação intelectual ou material? Esta pergunta é demasiado complicada para a inteligência humana. A ação angélica pode ser tão rápida como o relâmpago, mas também tão lenta e duradoura como os milênios. Portanto, o evo está tão acima de nosso tempo terreno, que mal pode ser comparado com ele.

A eternidade de Deus

Se a respeito do tempo em que vivemos já existe tanto mistério, o que dizer da eternidade? A palavra eternidade traz imediatamente consigo a ideia do Divino e a ausência de princípio e fim. Santo Agostinho escreve: “A eternidade é a mesma substância de Deus, na qual não há nada que seja mutável; ali não há nada passado, nada que já não exista; nada que seja futuro como se ainda não existisse. Ali não há nada que não seja presente.”[4]

Entretanto, o termo eternidade não se refere apenas a uma simples duração ilimitada, à ausência de começo e de fim, mas exprime principalmente a imutabilidade de Deus. No Altíssimo não existe as mudanças presentes no mundo: nascimento e morte; início e término; transformação de uma coisa em outra etc. Como vivemos no tempo, é-nos difícil compreender o que é a eternidade de Deus, e poderíamos ser levados a imaginar a Eternidade Divina apenas como uma “existência larguíssima que não tem começo nem fim, como algo interminável, mas a eternidade de Deus é muito mais do que isso. A ideia do que não acaba nunca, é precisamente uma consequência da plenitude de vida própria de Deus.”[5]

Os teólogos utilizam a definição clássica, cunhada por Boécio: “a eternidade é a possessão total, simultânea e completa de uma vida interminável.”[6] Portanto, como dissemos, da mesma maneira que o conceito de tempo deriva do movimento, o de eternidade procede da imutabilidade.[7]

Verdadeira e propriamente falando, somente em Deus há eternidade, pois apenas Ele é absolutamente Imutável. O Altíssimo não só é eterno, mas a sua própria eternidade.[8] Entretanto, em sua infinita misericórdia, Deus colocou na alma de cada homem uma “semente de eternidade”[9], que o leva a aspirar e desejar algo que ultrapassa aquilo que o mundo lhe pode oferecer. Desta forma, “o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo, nem seu princípio primeiro, nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim”.[10]

A eternidade participada

A fim de estimular no homem à consciência de sua grandeza, São Leão Magno nos deixou uma célebre recomendação: “Reconhece ó Cristão, a tua dignidade”.[11] Como isso se torna realidade quando consideramos que é desta Vida interminável e imutável de Deus, que todos os homens são chamados a participar, na medida em que Lhe sejam fiéis, pois, Deus prometera ser Ele mesmo sua recompensa demasiadamente grande (Cf. Gn 15, 1).

A consideração da eternidade divina, nos convida a não nos deixarmos iludir pelas coisas do mundo, pois “céus e terras passarão, porém minhas palavras não passarão” (cf. Lc 21,33). Ao contrário, com os olhos fixos na eternidade, somos chamados a “enquanto temos tempo, a fazer o bem” (Gal 6,10), pois é no tempo que se prepara a eternidade, nos sofrimentos bem aceitos desta vida passageira que receberemos a alegria de uma vida interminável, possuindo com todo o rigor da palavra, a vida eterna. Participaremos assim da própria eternidade de Deus.


[1] Cf. MENDEZ, Gonzalo Lobo. Dios Uno y Trino. 4ª edição. Edicione Rialp. Madrid. 2005. Tradução nossa. p.53.

[2] Santo Agostinho. Sermo 46, 24-25.27: CCL 41,551-553

[3] Cf. Aristóteles,Phys. 4, c. 11 n. 12 (BK 220a25).

[4] Santo Agostinho. Enarrationes in Psalmos 101 [102]. PL 37, 1311.

[5] MENDEZ, Gonzalo Lobo. Dios Uno y Trino. 4ª edição. Ediciones Rialp. Madrid. 2005. Tradução nossa. p. 54.

[6] Boécio. De consolatione. L. 5, prosa 6: ML 63,858; cf. 1.3, prosa 2: ML 63,724.

[7] Cf. AQUINO, Tomás de. S. T. q. 10, a. 1 e 2.

[8] AQUINO, Tomás de. S. T. q. 10, a. 2.

[9] Catecismo da Igreja Católica, n. 33.

[10] CIC 34.

[11] S. Leão Magno, Sermo XXI, 3: S. Ch. 22 bis, 72.

Solene inauguração do ano letivo de 2011 no Seminário São Tomás de Aquino

ano letivo de 2011

Na tarde do dia 28 de janeiro, memória de São Tomás de Aquino, deu-se a solene inauguração do ano letivo de 2011, na Casa de Formação Sacerdotal São Tomás de Aquino. A fim de atrair as celestiais bênçãos para os trabalhos de mais um ano acadêmico, o programa se iniciou com a celebração de uma Eucaristia na igreja anexa ao Seminário, presidida por D. Benedito Beni dos Santos, Bispo Diocesano de Lorena e Supervisor Geral de Formação dos Arautos do Evangelho.

Concelebraram a Missa em memória “do mais santo dos sábios e mais sábio dos santos” – São Tomás de Aquino –, o Côn. Edson José Oriolo dos Santos, Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre e Vigário Geral da mesma Arquidiocese, o Pe. Rivelino Nogueira, Pároco da Catedral Nossa Senhora da Piedade (Lorena-SP) e o Pe. Antônio Guerra, EP.
Estiveram presentes na cerimônia o Diretor do ITTA, o Revmo. Pe. Caio Newton de Assis Fonseca, EP, e todo o corpo docente a tempo pleno, tanto do IFAT, quanto do ITTA. Somaram-se ao corpo discente de ambos os institutos, cerca de 900 Arautos do Evangelho, provenientes de diversas cidades do Brasil e do mundo, deixando repleta a igreja Nossa Senhora do Rosário.
A Liturgia foi animada pelo Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho, sob a regência do maestro Alejandro Javier de Saint’Amant, que executou obras de Georg Friedrich Händel (1685-1759) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), assim como cânticos gregorianos.
Em brilhante homilia, Dom Beni correlacionou as leituras do dia com a memória de São Tomás. Também discorreu sobre os três principais sentidos do termo “Reino de Deus”, presente nos santos Evangelhos:
“O primeiro sentido consiste em que Cristo, enquanto manifestação encarnada do plano salvífico do Pai, é o próprio Reino de Deus entre os homens; o segundo sentido é místico, trata-se do Reino de Deus que não está circunscrito a um espaço geográfico, mas que reside no interior de cada homem em estado de graça, de cada santo. O pecado é o anti-reino de Cristo, e quem vive no pecado está fora deste Reino; por fim, em seu terceiro sentido, o Reino de Deus é a Igreja Católica, sacramento ou sinal de salvação, para todos os homens”.
Em seguida, aplicou estas verdades teológicas, relacionando-as com alguns desafios dos tempos atuais para a difusão deste Reino:
“Assim como o inimigo semeava o joio a fim de perder o trabalho do Divino semeador, de modo análogo, também no mundo atual, a cizânia do ódio; da perseguição religiosa em certos países do mundo; da exclusão do crucificado nos lugares públicos; e da influência dos meios de comunicação ao afirmarem o bem como o mal e o mal como o bem, são verdadeiros inimigos do Reino De Deus”.
Afirmava Dom Beni que “a Fé é a arma pela qual o cristão pode hoje combater o ódio dos inimigos do Reino. A mesma Fé amada e explicitada pelo grande Doutor da Igreja, São Tomás de Aquino”.
Ao final, após considerar com clareza alguns pontos da Suma Teológica sobre a essência divina, ressaltava que “um teólogo só pode transmitir verdadeira teologia, quando vive a santidade. Sem a prática da virtude, um professor de teologia não consegue comunicar o conhecimento de Deus. São Tomás foi esta estrela de primeira grandeza nos céus da teologia, precisamente porque foi santo. Seu brilho não provém apenas da sabedoria, mas da santidade, e por isso, foi honrado pela Igreja como ‘Doutor da Vida Cristã’”.

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Após a homilia, o Pe. Alex Brito, EP, introduziu o significado da cerimônia de Profissão de Fé e Juramento de Fidelidade que fariam ou renovariam os professores dos Institutos de Teologia e Filosofia (IFAT e ITTA). Explicava que sempre foi uma recomendação de diversos Papas da História da Igreja, reafirmada pelo Vaticano II, especialmente através do código de Direito Canônico de 1983, que cada encargo importante na Igreja fosse recebido após o solene juramento (c. 833 § 6). Como o ensino da Fé Cristã ocupa um lugar preeminente na vida eclesial, os professores do IFAT e do ITTA prestaram sobre as Sagradas Escrituras o solene juramento.
Recitado o Credo Niceno-Constantinopolitano, os professores proclamaram a crença “em tudo o que está contido na palavra de Deus, escrita ou transmitida pela tradição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo Magistério ordinário e universal, para ser acreditado como divinamente revelado”. A fórmula termina com a aceitação do “religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico”.

Ajudando as vítimas das chuvas no Brasil

As chuvas que assolam o sudeste do Brasil, especialmente o Estado do Rio de Janeiro, já são consideradas a maior catástrofe natural da História do Brasil. Cerca de 800 mortos e milhares de pessoas ficaram desalojadas. Todavia, esta calamidade atingiu também o estado de São Paulo, e de modo especial, as cidades que se localizam na Serra da Cantareira, ao norte da Capital.Entrega de cesta básica_7
Casas destruídas, ruas obstruídas, falta de energia e inundações atingiriam a população da Serra, e de forma especial, algumas famílias do bairro do Apolinário.
Como o riacho transbordou, suas águas penetraram em diversas casas, fazendo com que seis famílias ficassem desabrigadas e as respectivas casas condenadas, devido à erosão provocada pelas águas junto aos fundamentos das residências.
Face à dor destes nossos irmãos, os membros do IFAT-ITTA, com a ajuda de alguns famílias generosas e compadecidas, distribuíram alimentos e apoio espiritual às cerca de 30 pessoas desalojadas que, com o apoio da comunidade local, conseguiram hospedar-se num salão de festas.

Concerto de cordas por ocasião da Epifania do Senhor

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 3º Ano Teologia

A festa da epifania celebra a “miraculosa manifestação de Deus”. Outrora, esta data comemorava três passos da vida de Jesus: o aparecimento da estrela aos reis magos e seu encontro com o Menino Jesus; a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, onde Jesus manifestava seu poder divino; e o batismo do senhor, quando Deus manifestava sua complacência pelo “filho bem amado”.
Hoje, o batismo de Jesus é habitualmente comemorado no domingo posterior a esta significativa data do calendário litúrgico. Por isso, a epifania é na atualidade a festa dos reis magos, cujo amor ao Deus menino, o príncipe recém-nascido, fá-los-ia atravessar os ásperos e longos caminhos do oriente em busca de Jesus, a manifestação de Deus.
Inspirados nesta evocativa festa, alguns membros do Seminário São Tomás de Aquino, estudantes no ITTA e no IFAT, reuniram um conjunto de instrumentos de cordas para celebrar a Epifania do Senhor com a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças na Serra da Cantareira, que preencheu a Capela Nossa Senhora do Monte Calvário para assistir ao concerto.blog today
Com músicas de Händel, Corelli, Mozart, entre outros autores de renome, executaram composições coerentes com o espírito natalino. Os músicos convidaram os assistentes a realizarem, à semelhança dos magos, uma “viagem espiritual”, desta vez pela Europa, através da música, em busca do verdadeiro espírito de Natal.
O percurso desta “peregrinação musical” abrangeria países como a Inglaterra, Áustria, Alemanha, França e Itália, cujas músicas natalinas populares foram executadas pelo conjunto de cordas. Desta forma, os músicos convidariam o público a distinguir a maneira peculiar de cada um desses povos demonstrar, com talento, seu afeto ao Menino Jesus.
Tal como a estrela de Belém convidou os Magos a uma viagem em busca de Deus, estes seminaristas-músicos estavam cientes de que, através do belo som dos violinos, poderiam ser instrumentos da Graça para conduzir os paroquianos ao Mistério de amor do Deus-Menino.

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

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No último final de semana de 2010, de 24 a 26 de dezembro, realizou-se uma intensa atividade pastoral de professores e alunos do ITTA na Paróquia Nossa Senhora das Graças.IMG_7192

A programação natalina das Capelas Nossa Senhora do Monte Calvário e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teve seu preâmbulo em princípios de dezembro, quando o Revmo. Pe. Carlos Adriano Santos dos Reis, EP, ministrou três conferências sobre a “Encarnação do Verbo”.IMG_7058
Dia 16 dezembro, iniciou-se a novena de Natal que reuniu durante nove dias os paroquianos, maioritariamente crianças, mas também jovens e adultos, para junto do presépio cantar louvores ao Menino Deus.
Após meses de ensaios musicais, na véspera de Natal e no Domingo da Sagrada Família, as crianças, vestidas de pastores, cantaram músicas em honra do Menino Jesus na Gruta de Belém.

Para encerrar a programação, após um teatro de marionetes representando a verdadeira história de São Nicolau, conhecido como Papai Noel, procedeu-se à distribuição de presentes, ofertados caridosamente às crianças.Agradecemos mais uma vez a generosidade de todos os paroquianos que contribuíram para a alegria dos mais novos.

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“O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40) disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Será Ele mesmo a vossa recompensa.