ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

ITTA – IFAT - Instituto Teológico São Tomás de Aquino

Solene inauguração do ano letivo de 2012 no Seminário São Tomás de Aquino

Concelebraram a Missa em memória “do mais santo dos sábios e mais sábio dos santos” o Pe. Rivelino Nogueira, Cura da Catedral Nossa Senhora da Piedade (Lorena-SP), o Pe. Carlos Javier Werner Benjumea, EP, Prefeito de estudos dos Arautos do Evangelho, Pe. Caio Newton de Assis Fonseca, EP, Diretor do Instituto Teológico São Tomás de Aquino, Pe. Joshua Sequeira, EP, Diretor da Revista Acadêmica Lumen Veritatis, Pe. Leonardo Barraza Aranda, EP e o Pe. Winston Salazar Rojas, EP, professores do IFAT e do ITTA.

As vestes e as cores litúrgicas


Os paramentos utilizados pelo sacerdote durante a celebração da Santa Missa pretendem ilustrar o que significa “revestir-se de Cristo”, falar e agir “in persona Christi”.

Pe. Mauro Sérgio da Silva Isabel, EP

É natural que cada sociedade ou conjunto humano procure encontrar uma forma de vestir-se que de algum modo o defina e diferencie. Pensemos, por exemplo, nos trajes típicos das diversas regiões europeias, cuja variedade até hoje nos surpreende.

Lembremos também os vestuários de certas profissões, como a toga do magistrado, ou o gorro do cozinheiro, um “trambolho” pouco prático que, entretanto, caracteriza perfeitamente quem com ele se cobre.

As roupas têm, pois, uma dimensão simbólica que ultrapassa sua mera utilidade prática. Mais do que cobrir e proteger o corpo, elas revelam a situação, o estilo e a mentalidade de quem as veste.

Assim, o branco do vestido nupcial representa a virgindade da donzela, e a riqueza dos seus adereços visa realçar a importância do compromisso matrimonial, abençoado por Deus com um Sacramento. O saial e o tosco cordão do franciscano lembram seu casamento místico com a “Dama Pobreza”, enquanto o vermelho vivo da batina cardinalícia indica aalta dignidade do membro do Sacro Colégio e evoca seu propósito de, se for necessário, derramar seu próprio sangue pelo Sumo Pontífice.

Os paramentos sacerdotais: “Revestir-se de Cristo”

Este simbolismo que podemos apreciar na vida cotidiana, verifica- -se com muito maior intensidade nas vestes litúrgicas, especialmente nas da Celebração Eucarística.

Ao ser ordenado, o sacerdote reveste- se de Cristo, e esse fato é representado em cada Santa Missa. Conforme ressaltou Bento XVI na Missa Crismal de 5 de abril de 2007, vestir os paramentos litúrgicos é entrar sempre de novo “naquele ‘já não sou eu’ do Batismo que a Ordenação sacerdotal nos dá de modo novo e ao mesmo tempo nos pede. O fato de estarmos no altar, vestidos com os paramentos litúrgicos, deve tornar claramente visível aos presentes e a nós próprios que estamos ali ‘na pessoa do Outro’”.

Depois de afirmar que as vestes sacerdotais são uma profunda expressão simbólica do que significa o sacerdócio, o Papa acrescentou: “Portanto, queridos irmãos, gostaria de explicar nesta Quinta-Feira Santa a essência do ministério sacerdotal, interpretando os paramentos litúrgicos que, precisamente, pretendem ilustrar o que significa ‘revestir-se de Cristo’, falar e agir in persona Christi”.

Através das explicações do Papa, procuremos conhecer melhor cada um dos paramentos utilizados pelo sacerdote durante a Missa.

O olhar do coração deve dirigir-se ao Senhor

Após lavar as mãos, pedindo a Deus para “limpá-las de toda mancha”, o sacerdote coloca o amicto ao redor do pescoço e sobre os ombros, rezando: “Imponde, ó Senhor, sobre minha cabeça o elmo da salvação, para defender-me de todos os assaltos do demônio”.

O nome deste paramento provém do latim amictus (cobertura, véu) e sua origem remonta ao século VIII.

Sobre seu simbolismo, afirma Bento XVI na mencionada homilia: “No passado — e nas ordens monásticas ainda hoje — ele era colocado primeiro sobre a cabeça, como uma espécie de capuz, tornando-se assim um símbolo da disciplina dos sentidos e do pensamento, necessária para uma justa celebração da Santa Missa”.

Logo a seguir, o Papa dá exemplos concretos dessa “disciplina dos pensamentos e sentidos” que o sacerdote deve manter durante a celebração do Santo Sacrifício: “Os pensamentos não devem vaguear atrás das preocupações e das expectativas da vida cotidiana; os sentidos não devem ser atraídos pelo que ali, no interior da Igreja, casualmente os olhos e os ouvidos gostariam de captar. O meu coração deve abrir-se docilmente à palavra de Deus e estar recolhido na oração da Igreja, para que o meu pensamento receba a sua orientação das palavras do anúncio e da oração. E o olhar do meu coração deve estar dirigido para o Senhor que está no meio de nós”.

_SD_0917--Pe. Tim

A alva: lembrança da veste de luz recebida no Batismo

Durante os primeiros séculos do Cristianismo, o vestuário dos eclesiásticos era idêntico ao dos leigos.

Em plena perseguição religiosa, a prudência os aconselhava a evitar qualquer sinal que denunciasse aos agentes do governo seu “delito” de pertencer à Igreja e adorar o único Deus verdadeiro, infração punida com a morte naquela época.

No século VI, entretanto, deu-se no vestuário dos leigos uma transformação completa. Enquanto os romanos, influenciados pelos bárbaros que invadiram o Império, adotaram a veste curta dos germanos, a Igreja manteve o uso latino das longas vestimentas, as quais tornaram-se o traje distintivo dos clérigos e pouco a pouco ficaram reservadas para as ações sagradas.

Daí provém, entre outras, a alva, uma túnica talar branca. Ela é a veste litúrgica própria do sacerdote e do diácono, mas podem trajá-la também os ministros inferiores, quando devidamente autorizados pela autoridade eclesiástica. Ao revestir-se dela, o sacerdote reza: “Purificai-me, ó Senhor, e limpai meu coração para que, purificado pelo sangue do Cordeiro, possa eu gozar da felicidade eterna”.

Essa oração alude à passagem do Apocalipse: os 144 mil eleitos “lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14). Evoca também o vestido festivo que o pai deu ao filho pródigo, quando este voltou sujo e andrajoso à casa paterna, bem como a veste de luz recebida no Batismo e renovada na Ordenação sacerdotal.

Na mencionada homilia, o Papa explica a necessidade de pedir a Deus essa purificação: “Quando nos aproximamos da Liturgia para agir na pessoa de Cristo, todos nos apercebemos de quanto estamos longe dEle, de quanta sujeira existe em nossa vida”.

O cíngulo da pureza e a estola da autoridade espiritual

Revestido da alva, o sacerdote cinge- se com o cíngulo, um cordão branco ou da cor dos paramentos, símbolo da castidade e da luta contra as paixões desregradas. Enquanto o prende à cintura, o ministro de Deus eleva a Ele esta prece: “Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza e extingui meus desejos carnais, para que permaneçam em mim a continência e a castidade”.

Em seguida, reveste-se da estola, uma faixa do mesmo tecido e da mesma cor da casula, adornada de três cruzes: uma no meio e as outras duas nas extremidades. Ela simboliza a autoridade espiritual do sacerdote e, de outro lado, o jugo do Senhor, que ele deve levar com coragem, e pelo qual há de recuperar a imortalidade.

O padre a coloca em torno do pescoço, depois a cruza sobre o peito e passa por baixo do cíngulo, enquanto reza: “Restaurai em mim, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi pela desobediência de meus primeiros pais, e, indigno como sou de aproximar-me de vossos sagrados mistérios, possa eu alcançar o gozo eterno”.

O jugo do Senhor, simbolizado pela casula

Por último, coloca a casula, que completa a indumentária própria à celebração da Santa Missa. A oração para vesti-la também faz referência ao jugo do Senhor, mas lembrando o quanto este é leve e suave para quem o carrega com dignidade: “Ó Senhor, Vós que dissestes: ‘Meu jugo é suave e Meu peso é leve’, fazei que eu seja capaz de levar esta vestimenta dignamente, para alcançar a Vossa graça”.

Ensina-nos, a este propósito, o Santo Padre: “Carregar o jugo do Senhor significa, antes de tudo, aprender dEle. Estar sempre dispostos a ir à Sua escola. DEle devemos aprender a mansidão e a humildade, a humildade de Deus que se mostra no Seu ser homem.

[...] O Seu jugo é o de amar com Ele.

Quanto mais amarmos, e com Ele nos tornarmos pessoas que amam, tanto mais leve se tornará para nós o Seu jugo aparentemente pesado”.

As cores litúrgicas

Tudo na Liturgia da Igreja é rico em simbolismos. Isto se nota também nas cores dos paramentos sagrados, as quais variam de acordo com o tempo litúrgico e as comemorações de Nosso Senhor, da Virgem Maria ou dos Santos. Basicamente, são quatro as cores litúrgicas: branco, vermelho, verde e roxo. Além destas, há quatro outras que são opcionais, isto é, podem ser usadas em circunstâncias especiais: dourado, rosa, azul e preto.

O branco simboliza a pureza e é usado nos tempos do Natal e da Páscoa, bem como nas comemorações de Nosso Senhor Jesus Cristo (exceto as da Paixão), da Virgem Maria, dos Anjos e dos Santos não-mártires.

O vermelho, símbolo do fogo da caridade, usa-se nas celebrações da Paixão do Senhor, no domingo de Pentecostes, nas festas dos Apóstolos e Evangelistas, e nas celebrações dos Santos Mártires.

O verde, sinal de esperança, é usado na maior parte do ano, no período denominado Tempo Comum.

Para os tempos do Advento e da Quaresma, a Igreja reservou o roxo, a cor da penitência. E estabeleceu duas exceções, que correspondem a dois interstícios de alegria em épocas de contrição: no 3º domingo do Advento e no 4º domingo da Quaresma, o celebrante pode trajar paramentos rosa.

Em circunstâncias solenes, podese optar pelo dourado em lugar do branco, do vermelho ou do verde.

Em alguns países é permitido utilizar o azul, nas celebrações em honra de Nossa Senhora. E nas Missas pelos fiéis defuntos o celebrante pode escolher entre o roxo e o preto.

* * * Revestido assim, de acordo com as sábias determinações da Santa Igreja, o sacerdote sobe ao altar para o Sagrado Banquete, tornando claro a todos, e a si mesmo, que está atuando na pessoa de Outro, ou seja, de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(Revista Arautos do Evangelho, Abril/2009, n. 88, p. 48 à 51)

Deus existe?


Pe. Mauro Sérgio da Silva Isabel, EP

Há cerca de dois séculos, a Igreja Católica foi vítima de uma das maiores perseguições de sua história. A assim chamada humanista, gloriosa e libertadora Revolução Francesa custou para a Esposa de Cristo mais de dois mil sacerdotes assassinados, religiosas profanadas e torturadas até a morte, igrejas saqueadas, povoados inteiros destruídos por fidelidade ao cristianismo[1].

A França passou assim a viver num ambiente todo feito de aversão à Religião e, portanto, a Deus. Meninos e meninas começaram a ser educados na total independência do Criador. E num pequeno povoado desse país, cujo nome a história esqueceu, deu-se um impressionante episódio.French Revolution

Um menino contempla o pôr do sol

Uma família inteiramente entregue aos novos costumes pagãos dispôs que seu único filho fosse cobaia para uma comprovação diabólica: as pessoas, diziam, se tornavam crentes devido à educação que recebiam; mas se um menino fosse criado na total ignorância de Deus e de tudo o que Lhe dissesse respeito, jamais possuiria a fé.

Assim, os três membros da família isolaram-se do mundo em uma ilha deserta, com a severa proibição de jamais falarem ao menino sobre Deus.

Os anos se passaram calmamente naquele lugar improvisado sem que jamais ninguém rompesse a regra imposta para a educação do menino. Este, por sua vez, vivia na “alegria” de sua infância, sem se dar conta da malévola intenção de tantos incrédulos.

Quando atingiu a idade de 12 anos acostumou aventurar-se pelas perigosas e selvagens montanhas daquela ilha. Em sua inocência contemplava das alturas as vastidões do mar que iluminava com seus generosos raios o oceano, a ilha e o menino.

Certo dia, ele causou preocupação especial a seus pais por haver desaparecido por longo tempo, sem deixar qualquer rastro de seu paradeiro. Ao cair da tarde, a aflita mãe, chorando de desespero, rogou ao esposo que fosse à procura do filho antes que a escuridão viesse a cobrir toda a ilha, e o menino não encontrasse mais o caminho de volta.

Repetidas vezes o pai retornava ao lar à busca de algum sinal, mas nenhuma notícia havia chegado. Resolveu, por fim, fazer a última tentativa do dia. Dirigiu-se então apressadamente ao pico mais alto da ilha, onde nunca havia ido por causa do afastamento do lugar.

Após laboriosa procura, o pai exausto depara-se com uma cena verdadeiramente comovedora: o menino estava sentado sobre uma alta pedra e contemplava o pôr do sol. Aproximando-se lentamente, nota que o filho estava chorando. E de seus lábios inocentes ouve brotar esta oração: “Ó sol, mande um beijo Àquele que criou a ti e a mim!”.

Comovido, o pai abraçou seu filho e o levou de volta, não mais ao obscuro esconderijo da ilha, mas à verdadeira casa paterna.  Deus de fato existe; e Ele se revelou ao menino!

Como se passou isso: que um jovem abandonado, sem nenhuma instrução religiosa, chegasse a conhecer a Deus?

O coração humano e o esplendor do universo

Certamente em momentos de solidão o menino indagara, como qualquer outro ser humano o faz, em determinado momento de sua existência, sobre o sentido da vida: Por que e para que fui criado? Onde se encontra a verdadeira felicidade? Por que há sofrimentos nesta Terra? O que acontece após a morte? Quem fez o sol, a lua e as estrelas?

Estas questões revelam como a alma aspira chegar à Causa primeira de tudo, a partir das causas segundas. O menino chagara ao conhecimento da existência de Deus através do livro da criação (Cf. Rm 1,19). Como aquele adolescente da ilha deserta, levamos dentro de nós um instinto que nos impele a algo de superior. O desejo de felicidade e de eternidade que carregamos não é senão o instinto que busca a Deus, da mesma maneira que um vegetal vive à procura do sol. Esse é um dom implantado no coração humano[2].

“O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar”.[3]

Entretanto, não é somente dentro do coração humano que podemos encontrar a Deus. Também no esplendor da criação Ele se revela: “Os céus narram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos”.[4]

Quem nunca parou para contemplar a magnificência de um pôr do sol, a grandeza dos mares, o esplendor das estrelas? Quem não reconhece nisto a mão de um ser infinitamente superior a nós?

É poética e muito conhecida a expressão bíblica, pela qual Deus compara a descendência de Abraão com as estrelas do céu e com as areias do mar. Sempre se acreditou que o número de grãos de areia superasse de longe o das estrelas; entretanto, com o avanço científico da astronomia, atualmente afirma-se o contrário.

A magnitude quase infinita do espaço sideral, com estrelas de um tamanho descomunal movendo-se em velocidades espantosas e com uma precisão matemática, tem levado os cientistas, mesmo ateus, a reconhecerem a mão de uma sabedoria que tudo governa. O fato de comprovarmos que, em meio a tanta grandeza, não se acha sinal de vida a não ser no planeta em que vivemos, é de deixar-nos ainda mais admirados na busca de uma causa suprema.

Nesse sentido nos ensina São Tomás de Aquino: “permanece no homem, ao conhecer o efeito, o desejo de saber que este efeito tem uma causa e de saber o que é a causa”.[5]

Todo efeito provém de uma causa anterior. De fato, se uma pessoa, caminhando por uma praia deserta, encontrasse um belo castelo de areia, jamais julgaria ter sido ele formado pelo vento aliado ao impulso das águas. E logo concluiria não estar aquela praia tão deserta como pensava e que algum ser humano, com dons artísticos, também passou por ali.

E como teríamos coragem de afirmar que o esplendor e a ordenação de todo esse universo que contemplamos, não foi criado e não é governado por uma inteligência superior?

Por isso São Paulo censura aos romanos não terem, através das coisas visíveis, conhecido o Criador que se deixa revelar em suas obras[6].

Deus dirige os passos do homem

Deus sempre se deixou revelar aos que buscaram com retidão qualquer forma de bem. A humanidade registra em sua história, até os dias de hoje, as expressões mais variadas de sua crença em algo divino que criou e governa todas as coisas. De fato, sempre houve em todos os povos de todas as épocas manifestações de um comportamento religioso (orações, sacrifícios, cultos, meditações etc.) que comprovam o quanto o homem pode ser chamado um ser religioso[7].

Entretanto, muitas coisas concorrem para que as pessoas percam a fé em Deus. A primeira delas é a revolta contra os males existentes no mundo[8]. Vemos em nossos dias uma proliferação cada vez mais intensa de crimes, violências, injustiças, corrupções etc., aliados muitas vezes ao mau exemplo dos crentes. Se Deus existe, por que permite isso? Já que é Ele o criador de todas as coisas, então é também o autor de todo mal que se estadeia aos nossos olhos.

A resposta é simples. Assim como a escuridão é a ausência de luz, e o frio, a falta de calor, o mal é a ausência do amor de Deus nos corações humanos. Ademais, Deus, sendo a própria Bondade, jamais permitiria algo de mal em suas obras, sem que pudesse deste mal tirar o bem[9].

É tão óbvia a existência de Deus que somente os “insensatos” a impugnam[10]. Entretanto, há outro tipo de ateísmo reinante em nossos dias, que afirma a existência de Deus, mas vive como se Ele não existisse. É o chamado ateísmo prático: Deus criou o mundo e o homem, mas depois abandonou o ser humano para que se governe a si mesmo, conforme seu livre arbítrio.

Ora, isso não pode ser verdade. Deus é Rei e Senhor da história e participa ativamente da luta de cada homem, está presente nos acontecimentos e orienta-nos constantemente: “O Senhor é quem dirige os passos do homem”.[11]

Até os cabelos de nossa cabeça estão todos contados. Se o homem se afasta de Deus é porque, devido às preocupações com as coisas do mundo e as riquezas[12], quer fugir do chamado divino e das obrigações inerentes à sua crença.

Se Deus não tiver parte em nossa vida, passaremos nossa existência sem saber o que procuramos, decepcionados com o que encontramos e frustrados com o que realizamos. Só Deus pode preencher o vazio que sentimos e dar-nos uma vida eterna e feliz: “Criaste-nos, Senhor, para Ti, e nosso coração está inquieto até que descanse em Ti”[13].


[1] Cf. TEULÓN, Jorge Lopez. El santo cura de Ars. Madrid: EBIDESA. 2009.

[2] Cf.  Rm 1,19

[3] CIC, 27

[4] Sl 18,2

[5] Suma Teológica, I-II, q.3, a.8.

[6] Rm 1,20

[7] Cf. CIC, 28

[8] Cf. Gaudium et spes, 19-21

[9] Cf. Suma Teológica, I-I, q.2, a.3.

[10] “Diz o insensato: Deus não existe! (Sl 14,1).

[11] Prov 20,24

[12] Cf. Mt 13,22

[13]AGOSTINHO, Santo. Confissões, livro I, cap. 1

Solene inauguração do ano letivo de 2011 no Seminário São Tomás de Aquino

ano letivo de 2011

Na tarde do dia 28 de janeiro, memória de São Tomás de Aquino, deu-se a solene inauguração do ano letivo de 2011, na Casa de Formação Sacerdotal São Tomás de Aquino. A fim de atrair as celestiais bênçãos para os trabalhos de mais um ano acadêmico, o programa se iniciou com a celebração de uma Eucaristia na igreja anexa ao Seminário, presidida por D. Benedito Beni dos Santos, Bispo Diocesano de Lorena e Supervisor Geral de Formação dos Arautos do Evangelho.

Concelebraram a Missa em memória “do mais santo dos sábios e mais sábio dos santos” – São Tomás de Aquino –, o Côn. Edson José Oriolo dos Santos, Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre e Vigário Geral da mesma Arquidiocese, o Pe. Rivelino Nogueira, Pároco da Catedral Nossa Senhora da Piedade (Lorena-SP) e o Pe. Antônio Guerra, EP.
Estiveram presentes na cerimônia o Diretor do ITTA, o Revmo. Pe. Caio Newton de Assis Fonseca, EP, e todo o corpo docente a tempo pleno, tanto do IFAT, quanto do ITTA. Somaram-se ao corpo discente de ambos os institutos, cerca de 900 Arautos do Evangelho, provenientes de diversas cidades do Brasil e do mundo, deixando repleta a igreja Nossa Senhora do Rosário.
A Liturgia foi animada pelo Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho, sob a regência do maestro Alejandro Javier de Saint’Amant, que executou obras de Georg Friedrich Händel (1685-1759) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), assim como cânticos gregorianos.
Em brilhante homilia, Dom Beni correlacionou as leituras do dia com a memória de São Tomás. Também discorreu sobre os três principais sentidos do termo “Reino de Deus”, presente nos santos Evangelhos:
“O primeiro sentido consiste em que Cristo, enquanto manifestação encarnada do plano salvífico do Pai, é o próprio Reino de Deus entre os homens; o segundo sentido é místico, trata-se do Reino de Deus que não está circunscrito a um espaço geográfico, mas que reside no interior de cada homem em estado de graça, de cada santo. O pecado é o anti-reino de Cristo, e quem vive no pecado está fora deste Reino; por fim, em seu terceiro sentido, o Reino de Deus é a Igreja Católica, sacramento ou sinal de salvação, para todos os homens”.
Em seguida, aplicou estas verdades teológicas, relacionando-as com alguns desafios dos tempos atuais para a difusão deste Reino:
“Assim como o inimigo semeava o joio a fim de perder o trabalho do Divino semeador, de modo análogo, também no mundo atual, a cizânia do ódio; da perseguição religiosa em certos países do mundo; da exclusão do crucificado nos lugares públicos; e da influência dos meios de comunicação ao afirmarem o bem como o mal e o mal como o bem, são verdadeiros inimigos do Reino De Deus”.
Afirmava Dom Beni que “a Fé é a arma pela qual o cristão pode hoje combater o ódio dos inimigos do Reino. A mesma Fé amada e explicitada pelo grande Doutor da Igreja, São Tomás de Aquino”.
Ao final, após considerar com clareza alguns pontos da Suma Teológica sobre a essência divina, ressaltava que “um teólogo só pode transmitir verdadeira teologia, quando vive a santidade. Sem a prática da virtude, um professor de teologia não consegue comunicar o conhecimento de Deus. São Tomás foi esta estrela de primeira grandeza nos céus da teologia, precisamente porque foi santo. Seu brilho não provém apenas da sabedoria, mas da santidade, e por isso, foi honrado pela Igreja como ‘Doutor da Vida Cristã’”.

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Após a homilia, o Pe. Alex Brito, EP, introduziu o significado da cerimônia de Profissão de Fé e Juramento de Fidelidade que fariam ou renovariam os professores dos Institutos de Teologia e Filosofia (IFAT e ITTA). Explicava que sempre foi uma recomendação de diversos Papas da História da Igreja, reafirmada pelo Vaticano II, especialmente através do código de Direito Canônico de 1983, que cada encargo importante na Igreja fosse recebido após o solene juramento (c. 833 § 6). Como o ensino da Fé Cristã ocupa um lugar preeminente na vida eclesial, os professores do IFAT e do ITTA prestaram sobre as Sagradas Escrituras o solene juramento.
Recitado o Credo Niceno-Constantinopolitano, os professores proclamaram a crença “em tudo o que está contido na palavra de Deus, escrita ou transmitida pela tradição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo Magistério ordinário e universal, para ser acreditado como divinamente revelado”. A fórmula termina com a aceitação do “religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico”.