ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

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Imagens que a História não conseguiu destruir…


Ítalo Santana / 2º ano de Teologia

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Todo católico possui uma imagenzinha em casa, por singela que seja, e para ela acorre quando a vida aperta. Surgiu uma dificuldade, perdeu o emprego, ou apareceu mais uma doença, ele encosta a porta, acende a vela do criado mudo e começa a rezar. Este gesto é de tal modo corriqueiro que ninguém o questiona, e com razão, pois faz parte da lógica das coisas o não pensar muito em assuntos óbvios. Mas, sem dúvida nenhuma, qualquer pessoa por mais fria que fosse, ficaria profundamente escandalizada se, entrando numa igreja para refletir ou fugir um pouco do stress cotidiano, se deparasse com um grupo de homens quebrando com martelos a face de um crucificado, ou arrancando à força os delicados braços de uma imagem de Nossa Senhora. Pois bem, isto que hoje constitui uma verdadeira aberração, deu-se com certa frequência no seio da Igreja numa época histórica bastante convulsionada pelo surgimento de uma heresia assombrosa: o iconoclasmo.

Vândalos de uma perniciosa heresia

O termo “iconoclasmo” deriva da junção de duas palavras gregas: “eikón” (imagem) e “klao” (romper); por isto os hereges iconoclastas foram denominados os “quebradores de imagens”, ou aqueles que se opunham frontalmente ao seu culto. Porém, apesar de ter havido vários choques doutrinários antecedentes sobre a questão, esta palavra só viria a tomar toda a sua força com a perseguição do Imperador Leão III.

Desejoso de uma reforma na ordem civil e militar, decidiu aplicá-la ao campo espiritual, e julgando ser excessivo o culto prestado às imagens resolveu aboli-lo, sob o pretexto de que tal veneração era um empecilho para a conversão dos judeus e sarracenos ao catolicismo, um retrocesso à idolatria de falsos deuses, e o motivo principal da decadência do Império. Entretanto, parece que não foi só um mero anseio renovador que impeliu Leão a proibir os ícones, mas também certa vontade de agradar aos maniqueus e paulicianos, partido numeroso e potente da Ásia Menor, do qual era formado uma grande parcela das tropas imperiais.

São Germano, o Patriarca de Constantinopla, e até mesmo o Papa São Gregório II enviaram-lhe numerosas cartas de advertência, em vão, pois pouco tempo depois publicou um édito (726) que deu total liberdade à heresia.

Estoura a perseguição iconoclasta

Depois de estragos incontáveis como a apropriação dos bens da Igreja na Sicília e Calábria, Leão III morre em 741, deixando como herdeiro do trono e continuador seu filho Constantino V, chamado o Coprônimo. Apesar de manter certa tolerância nos primórdios de governo, o novo Imperador iniciou uma perseguição ainda mais cruel que a realizada por seu pai.

Ele abriu um conciliábulo em Constantinopla, intitulado como sétimo concílio ecumênico, com a presença de 338 Bispos, que se submeteram por covardia à vontade nefanda de Constantino. A heresia iconoclasta recebeu toda a liberdade. O pseudoconcílio proibiu, debaixo de castigos severos, a fabricação, exposição pública e veneração das imagens, e anatematizou São Germano, São João Damasceno e o cenobita Jorge de Chipre. Além disso, qualificou o Imperador e seu filho de luzeiros da ortodoxia, concedendo-lhes como prêmio o patriarcado constantinopolitano. Muitos católicos e religiosos sofreram o martírio por fogo ou mutilação. Os monges eram impedidos, sob pena de tormentos, de vestir o hábito monacal e de se manterem fiéis aos votos; e os leigos tinham que fazer juramento público de não prestar culto às imagens. No entanto, em 775 falece Constantino e sobe ao poder Leão IV. Este possuía certa amizade com os monges, abrandando um tanto a cruel persecução. Apesar de não ser iconoclasta continuou a favorecer a heresia, sendo capaz de exilar sua esposa Irene, quando soube que guardava consigo algumas imagens.  

Uma enérgica Imperatriz na defesa da verdade

Com a morte de Leão IV, as brumas desfazem-se no horizonte. O sucessor ao trono era, nada mais, nada menos, seu filho de seis anos de idade. Irene aproveita-se da oportunidade, assume o governo como tutora do pequeno Constantino VI e envia ao Papa Adriano I uma embaixada pedindo a convocação de um Concílio. O Pontífice aceita e o Concílio é aberto na Igreja dos Santos Apóstolos de Constantinopla. Porém, mal se havia dado início às sessões, um grupo de soldados iconoclastas, inspirados por eclesiásticos do mesmo partido, invadiu a igreja, obrigando os Bispos a se dissolverem e os legados a retomarem o caminho de Roma.

Diante de tal acontecimento, a enérgica Imperatriz não se deu por vencida: desarmou as tropas invasoras e enviou emissários a todos os Bispos e ao Papa para a convocação de um novo Concílio, desta vez em Nicéia. Deste modo, em 24 de setembro de 787, na igreja de Santa Sofia, abria-se definitivamente o VII Concílio Ecumênico, com a presença dos legados pontifícios e de 300 Bispos. Dentre as oito sessões, as mais importantes do ponto de vista dogmático são a quarta, a sexta e a sétima. A quarta sessão tratou de demonstrar, através da Sagrada Escritura e dos escritos dos Padres da Igreja, que a veneração das imagens não só é lícita, como salutar. Na sexta sessão, leram-se as atas do conciliábulo de 754, constatando-se sua invalidez. Não poderia ser considerado ecumênico, uma vez que não estavam presentes nele nem os Patriarcas do Oriente nem mesmo o Pontífice Romano. Na sétima, após se fazer referência ao Símbolo e aos seis Concílios Ecumênicos anteriores, em caráter oficial, declarou-se: “Definimos com todo rigor e cuidado que, à semelhança da figura da cruz preciosa e vivificante, assim os venerandos e santos ícones, quer pintados, quer em mosaico ou em qualquer outro material adequado, devem ser expostos nas santas igrejas de Deus, sobre os sagrados utensílios e paramentos, sobre as paredes e painéis, nas casas e nas ruas; tanto o ícone do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo como da Senhora imaculada nossa, a santa Deípara, dos venerandos anjos e de todos os varões santos e justos.[i]

Bibliografia

ALBERICO, Giuseppe. História dos Concílios Ecumênicos. Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: Paulus, 1995. p. 147.

Enciclopédia Universal Ilustrada Europeo-Americana. Vol. XXVIII. Editores Espasa-Calpe. Madrid: 1925.


[i] Cf. Denzinguer, Heinrich. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, tradução de José Marino Luz e Johan Konings São Paulo: Paulinas; Loyola, 2007.

Diácono Arauto junto ao Papa

De passagem por Roma, o diácono Felipe Paschoal Rocha, do Seminário São Tomás de Aquino, diaconou no último sábado, 5 de fevereiro, às 10 horas da manhã, uma Missa com o Papa Bento XVI.

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Participou, deste modo, do Rito de Ordenação Episcopal, durante a qual foram ordenados bispos os excelentíssimos Mons. Savio Hon Tai-Fai, Mons. Marcello Bartolucci, Mons. Celso Morga Iruzubieta, Mons. Antonio Guido Filipazzi e Mons. Edgar Peña Parra.

Brasileiro, natural do estado de Pernambuco e membro dos Arautos do Evangelho há 8 anos, permaneceu junto ao Papa em diversos momentos da celebração.

As fotos e o vídeo da celebração estão disponíveis do site do vaticano, pelo link:

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/photogallery/2011/20110205/index.html

Solene inauguração do ano letivo de 2011 no Seminário São Tomás de Aquino

ano letivo de 2011

Na tarde do dia 28 de janeiro, memória de São Tomás de Aquino, deu-se a solene inauguração do ano letivo de 2011, na Casa de Formação Sacerdotal São Tomás de Aquino. A fim de atrair as celestiais bênçãos para os trabalhos de mais um ano acadêmico, o programa se iniciou com a celebração de uma Eucaristia na igreja anexa ao Seminário, presidida por D. Benedito Beni dos Santos, Bispo Diocesano de Lorena e Supervisor Geral de Formação dos Arautos do Evangelho.

Concelebraram a Missa em memória “do mais santo dos sábios e mais sábio dos santos” – São Tomás de Aquino –, o Côn. Edson José Oriolo dos Santos, Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre e Vigário Geral da mesma Arquidiocese, o Pe. Rivelino Nogueira, Pároco da Catedral Nossa Senhora da Piedade (Lorena-SP) e o Pe. Antônio Guerra, EP.
Estiveram presentes na cerimônia o Diretor do ITTA, o Revmo. Pe. Caio Newton de Assis Fonseca, EP, e todo o corpo docente a tempo pleno, tanto do IFAT, quanto do ITTA. Somaram-se ao corpo discente de ambos os institutos, cerca de 900 Arautos do Evangelho, provenientes de diversas cidades do Brasil e do mundo, deixando repleta a igreja Nossa Senhora do Rosário.
A Liturgia foi animada pelo Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho, sob a regência do maestro Alejandro Javier de Saint’Amant, que executou obras de Georg Friedrich Händel (1685-1759) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), assim como cânticos gregorianos.
Em brilhante homilia, Dom Beni correlacionou as leituras do dia com a memória de São Tomás. Também discorreu sobre os três principais sentidos do termo “Reino de Deus”, presente nos santos Evangelhos:
“O primeiro sentido consiste em que Cristo, enquanto manifestação encarnada do plano salvífico do Pai, é o próprio Reino de Deus entre os homens; o segundo sentido é místico, trata-se do Reino de Deus que não está circunscrito a um espaço geográfico, mas que reside no interior de cada homem em estado de graça, de cada santo. O pecado é o anti-reino de Cristo, e quem vive no pecado está fora deste Reino; por fim, em seu terceiro sentido, o Reino de Deus é a Igreja Católica, sacramento ou sinal de salvação, para todos os homens”.
Em seguida, aplicou estas verdades teológicas, relacionando-as com alguns desafios dos tempos atuais para a difusão deste Reino:
“Assim como o inimigo semeava o joio a fim de perder o trabalho do Divino semeador, de modo análogo, também no mundo atual, a cizânia do ódio; da perseguição religiosa em certos países do mundo; da exclusão do crucificado nos lugares públicos; e da influência dos meios de comunicação ao afirmarem o bem como o mal e o mal como o bem, são verdadeiros inimigos do Reino De Deus”.
Afirmava Dom Beni que “a Fé é a arma pela qual o cristão pode hoje combater o ódio dos inimigos do Reino. A mesma Fé amada e explicitada pelo grande Doutor da Igreja, São Tomás de Aquino”.
Ao final, após considerar com clareza alguns pontos da Suma Teológica sobre a essência divina, ressaltava que “um teólogo só pode transmitir verdadeira teologia, quando vive a santidade. Sem a prática da virtude, um professor de teologia não consegue comunicar o conhecimento de Deus. São Tomás foi esta estrela de primeira grandeza nos céus da teologia, precisamente porque foi santo. Seu brilho não provém apenas da sabedoria, mas da santidade, e por isso, foi honrado pela Igreja como ‘Doutor da Vida Cristã’”.

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Após a homilia, o Pe. Alex Brito, EP, introduziu o significado da cerimônia de Profissão de Fé e Juramento de Fidelidade que fariam ou renovariam os professores dos Institutos de Teologia e Filosofia (IFAT e ITTA). Explicava que sempre foi uma recomendação de diversos Papas da História da Igreja, reafirmada pelo Vaticano II, especialmente através do código de Direito Canônico de 1983, que cada encargo importante na Igreja fosse recebido após o solene juramento (c. 833 § 6). Como o ensino da Fé Cristã ocupa um lugar preeminente na vida eclesial, os professores do IFAT e do ITTA prestaram sobre as Sagradas Escrituras o solene juramento.
Recitado o Credo Niceno-Constantinopolitano, os professores proclamaram a crença “em tudo o que está contido na palavra de Deus, escrita ou transmitida pela tradição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo Magistério ordinário e universal, para ser acreditado como divinamente revelado”. A fórmula termina com a aceitação do “religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico”.

Ajudando as vítimas das chuvas no Brasil

As chuvas que assolam o sudeste do Brasil, especialmente o Estado do Rio de Janeiro, já são consideradas a maior catástrofe natural da História do Brasil. Cerca de 800 mortos e milhares de pessoas ficaram desalojadas. Todavia, esta calamidade atingiu também o estado de São Paulo, e de modo especial, as cidades que se localizam na Serra da Cantareira, ao norte da Capital.Entrega de cesta básica_7
Casas destruídas, ruas obstruídas, falta de energia e inundações atingiriam a população da Serra, e de forma especial, algumas famílias do bairro do Apolinário.
Como o riacho transbordou, suas águas penetraram em diversas casas, fazendo com que seis famílias ficassem desabrigadas e as respectivas casas condenadas, devido à erosão provocada pelas águas junto aos fundamentos das residências.
Face à dor destes nossos irmãos, os membros do IFAT-ITTA, com a ajuda de alguns famílias generosas e compadecidas, distribuíram alimentos e apoio espiritual às cerca de 30 pessoas desalojadas que, com o apoio da comunidade local, conseguiram hospedar-se num salão de festas.

O método preventivo de Dom Bosco


Educar não é só uma arte. Passou a ser um desafio, pois é cada vez mais difícil orientar a juventude num sentido contrário à mentalidade dominante. São João Bosco encontrou a chave que abre a alma do jovem à influência do bem.

Thiago de Oliveira Geraldo

Manter a disciplina numa sala de aulas constituída de adolescentes é uma dificuldade que, com algumas variantes, mostra-se quase tão antiga como a civilização. Os mestres de Santo Agostinho poderiam dar um testemunho valioso a esse respeito. Em outros tempos, os métodos usados eram muito mais diretos que os atuais e davam resultados imediatos, proporcionais à energia e à força de personalidade do professor. Mas o problema de fundo não deixa de ser o mesmo, hoje como ontem.

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A educação não se restringe a conseguir manter, dentro do recinto de uma sala de aulas, todos os alunos em ordem e silêncio, para que o professor possa transmitir com eficácia seus ensinamentos. O bom educador deve saber moldar a personalidade de seus discípulos, corrigindo os defeitos, estimulando as qualidades, fazendo-os amar os princípios que orientarão a vida. Numa boa educação, a formação religiosa ocupa lugar principal, pois sem amor de Deus e auxílio da graça ninguém consegue vencer as más inclinações e praticar estavelmente a virtude.

Da teoria à prática…

Na teoria, tudo isso é muito fácil… Mas, como pô-la em prática no mundo de hoje, no qual são tão numerosas e atraentes as solicitações para o mal e os educadores sentem crescente dificuldade de exercer influência sobre os jovens?
O problema já era candente na época de São João Bosco. A sociedade de então passava por grandes transformações, sobretudo de mentalidade. E a juventude, sempre ávida de novidades, afastava-se da religião e perdia o rumo.
Dom Bosco fazia o “milagre” — muito maior do que todos os outros por ele realizados — de atrair e formar jovens que já não se deixavam moldar pelos antigos métodos educacionais e se subtraíam à ação da Igreja.
Tentativas de penetrar o segredo do método preventivo
Eram tão surpreendentes os resultados obtidos pelo fundador dos salesianos que muitos de seus coetâneos procuravam insistentemente arrancar dele o “segredo” de seu êxito.
Essa mesma intenção teve o reitor do seminário maior de Montpellier, quando enviou uma carta a Dom Bosco, perguntando qual o segredo da pedagogia utilizada por ele. Imagine-se sua surpresa ao receber a seguinte resposta: “Consigo de meus meninos tudo o que desejo, graças ao temor de Deus infundido em seus corações”.
Não satisfeito, o reitor enviou uma segunda carta, mas a esta o Santo não soube responder, pois nunca havia feito um estudo sobre a matéria. O livro do qual ele tirava seus ensinamentos era sua própria vida.

Confiança: o instrumento do bom educador

Discorrendo sobre o mesmo assunto com o cardeal Tosti, em Roma, numa manhã de 1858, disse-lhe São João Bosco: “Veja, Eminência, é impossível educar bem a juventude se não se lhe conquista a confiança”. Em seguida, para dar-lhe um exemplo concreto, ele o convidou a acompanhá-lo à Praça del Popolo, onde facilmente encontrariam grupos de jovens brincando, e poderia demonstrar a eficácia de seu método. Mas quando desceu da carruagem, a turma de meninos que brincava na praça fugiu correndo. Certamente julgaram que esse padre lhes ia fazer um pequeno sermão ou repreendê-los por alguma falta. O cardeal ficara dentro do veículo, assistindo à cena, e se divertia, julgando que aquele primeiro fracasso levaria Dom Bosco a desistir da experiência. Mas este não se deixou abater e, em poucos minutos, com sua vivacidade e irresistível bondade, tinha uma pequena multidão de jovenzinhos à sua volta se divertindo com seus jogos e entusiasmados com sua bondade. Chegado o momento de se retirar, eles formaram duas fileiras diante do coche, para aclamar o sorridente sacerdote enquanto este passava. O cardeal tinha dificuldade em acreditar no que estava vendo…

Evitar o pecado: a essência do método preventivo

Afinal, como fazia São João Bosco para cativar a juventude?
Como primeiro objetivo, pretendia ele evitar todo e qualquer tipo de pecado, usando de grande vigilância, acompanhada de amorosa solicitude. Não de um modo esmagador e glacial, mas paternal e afetuoso. A essa tática de conduzir os jovens o santo educador deu o nome de “método preventivo”, em confronto com o outro então em voga, denominado “repressivo”, o qual tinha por base os castigos.
Esse modelar formador da juventude não perdia ocasião de coarctar o avanço do mal. Mesmo nos recreios, seu olhar atento logo conseguia descobrir onde estava a rixa ou de onde provinham palavras reprováveis e, sem demora, desfazia a confusão com hábil jovialidade, pois ele era a alma dos divertimentos, como seus alunos testemunhavam. Não raras vezes, ele desafiava todos os meninos, de uma só vez, para uma corrida. Então erguia a batina, contava até três e deixava aquela turba de jovens para trás: Dom Bosco sempre chegava em primeiro lugar. Quando já tinha 53 anos, ele ainda deixava os espectadores estupefatos com sua agilidade, pois nunca perdia uma corrida com os alunos do Oratório.

Suavidade na repreensão

São João Bosco jamais dava castigos corporais, na convicção de que isso só incitaria os corações à revolta e fecharia a alma do jovem para os conselhos salutares. A maneira pela qual ele repreendia era através de uma palavra fria, um olhar triste, uma mão retraída, ou qualquer outro sinal discreto de desagrado com alguma falta. Mas os resultados demonstravam ser extremamente eficaz essa forma de correção.
Certa noite, logo após as orações, Dom Bosco queria dirigir aos meninos algumas palavras benfazejas, antes de irem dormir, mas tal era a algazarra que ele não conseguiu obter silêncio. Após alguns minutos de espera, comunicou-lhes: “Não estou contente com vocês! Vão dormir. Esta noite não lhes digo nada”. A partir desse dia nunca mais foi necessário usar uma sineta para que os rapazes fizessem silêncio.
Poderia, porém, surgir uma dúvida a respeito de tal método. Essa vigilância para evitar o pecado não acabaria por tirar a liberdade ao jovem?
A natureza humana é feita para o equilíbrio: não sufocar a liberdade nem, muito menos, permitir uma indisciplina desenfreada. Essa conjunção, São João Bosco soube fazê-la admiravelmente. Apesar de toda a vivacidade e afeto no trato com os jovens, estes sempre mantinham uma atitude de respeito e admiração para com seu mestre.
Alegria, tempero indispensável
O ambiente no refeitório do Oratório era uma comprovação desse relacionamento harmonioso, quando Dom Bosco demorava algum tempo mais para terminar sua refeição, à qual tinha chegado atrasado. Assim que os outros superiores saíam, uma multidão de jovens entrava correndo e ocupava todo o recinto, não deixando espaço vazio. Alguns se aproximavam tanto que quase encostavam suas cabeças nos ombros dele, outros se apoiavam no espaldar de sua cadeira e os mais pequeninos se enfiavam debaixo da mesa. Qual não era a surpresa comovida do Santo ao ver aquelas pequenas cabecinhas dali saírem, com o único fim de estarem mais perto de seu pai. A liberdade com que aqueles jovenzinhos dele se aproximavam e a veneração que lhe devotavam constituíam realmente um quadro comovedor.
Uma ocasião como essa era uma excelente oportunidade de fazer o bem. O zeloso sacerdote aproveitava então para contar uma história, dar um bom conselho, fazer perguntas, até que o sino indicasse a hora da oração da noite, ou seja, o fim desse convívio enternecido.
Como se vê, a alegria ocupava um grande papel no método educativo de Dom Bosco. Com ela, pretendia o Santo tornar a vida leve e criar disposições para os meninos abrirem a alma à influência dele e ao sobrenatural. Um dos meios que utilizava eram os jogos e diversões, dos quais o próprio educador participava.
Num desses divertimentos, ele alinhava todos os meninos em uma única fila e lhes recomendava: “Atenção! Façam tudo como eu fizer. Quem não fizer como eu faço, sai da brincadeira”. Isso dito, começava seu percurso, ora correndo com os braços para o ar, ora fazendo gestos espetaculares, batia palmas, pulava com uma só perna, ameaçava parar numa árvore, mas logo depois saía correndo de novo. Desse modo, entretinha e criava um ambiente de alegria para aqueles jovens.
Com tais recursos e, sobretudo, com a graça divina, São João Bosco conseguia levá-los a amar a Deus com alegria. Para esse efeito, a música era um instrumento valioso, a ponto de ele dizer que uma casa sem música é como um corpo sem alma.
Freqüência aos sacramentos e
devoção a Nossa Senhora

A perseverança só é possível pela freqüência aos sacramentos e uma ardente devoção a Nossa Senhora.

Na confissão, Dom Bosco pacificava as consciências, infundia confiança nas almas, conduzia seus juvenis penitentes a Deus. Bela descrição dessas confissões nos faz Huysmans, escritor católico do séc. XIX:
“Nosso Santo, trazendo no semblante a bonomia de um velho vigário do interior, puxava para perto de si o menino que tinha terminado o exame de consciência e, tomando-o pelo pescoço, envolvia-o com o braço esquerdo e fazia o pequeno penitente apoiar a cabeça no seu coração. Não era mais o juiz. Era o pai que ajudava os filhos, na confissão tantas vezes penosa das faltas mais pequeninas.”
Por meio da comunhão freqüente queria São João Bosco fortificar a alma dos jovens contra as investidas infernais. Para ele, a Primeira Comunhão deveria ser feita o mais cedo possível: “Quando um menino sabe distinguir entre o pão comum e o Pão Eucarístico, quando se acha suficientemente instruído, não é preciso olhar para a idade. Venha logo o Rei do Céu reinar nessa alma”.
Seguindo os sábios conselhos maternos, Dom Bosco fez da devoção a Maria Santíssima, sob a bela invocação de Maria Auxiliadora, uma coluna da espiritualidade dos salesianos. “Se chegares a ser padre — repetia-lhe afetuosamente ‘mamma Margherita’ — propaga sem cessar a devoção a Nossa Senhora”.

Método preventivo e graça divina

maria-auxiliadora-1Na realidade, o método preventivo de Dom Bosco é uma forma adaptada às novas gerações — e plenamente atual — de predispor os jovens para serem flexíveis à ação da graça divina. É ela a verdadeira causa do êxito surpreendente desse grande educador que marcou sua época, até nossos dias, com seu inovador método transmitido a seus seguidores, os sacerdotes salesianos e as filhas de Maria Auxiliadora.

Concerto de cordas por ocasião da Epifania do Senhor

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 3º Ano Teologia

A festa da epifania celebra a “miraculosa manifestação de Deus”. Outrora, esta data comemorava três passos da vida de Jesus: o aparecimento da estrela aos reis magos e seu encontro com o Menino Jesus; a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, onde Jesus manifestava seu poder divino; e o batismo do senhor, quando Deus manifestava sua complacência pelo “filho bem amado”.
Hoje, o batismo de Jesus é habitualmente comemorado no domingo posterior a esta significativa data do calendário litúrgico. Por isso, a epifania é na atualidade a festa dos reis magos, cujo amor ao Deus menino, o príncipe recém-nascido, fá-los-ia atravessar os ásperos e longos caminhos do oriente em busca de Jesus, a manifestação de Deus.
Inspirados nesta evocativa festa, alguns membros do Seminário São Tomás de Aquino, estudantes no ITTA e no IFAT, reuniram um conjunto de instrumentos de cordas para celebrar a Epifania do Senhor com a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças na Serra da Cantareira, que preencheu a Capela Nossa Senhora do Monte Calvário para assistir ao concerto.blog today
Com músicas de Händel, Corelli, Mozart, entre outros autores de renome, executaram composições coerentes com o espírito natalino. Os músicos convidaram os assistentes a realizarem, à semelhança dos magos, uma “viagem espiritual”, desta vez pela Europa, através da música, em busca do verdadeiro espírito de Natal.
O percurso desta “peregrinação musical” abrangeria países como a Inglaterra, Áustria, Alemanha, França e Itália, cujas músicas natalinas populares foram executadas pelo conjunto de cordas. Desta forma, os músicos convidariam o público a distinguir a maneira peculiar de cada um desses povos demonstrar, com talento, seu afeto ao Menino Jesus.
Tal como a estrela de Belém convidou os Magos a uma viagem em busca de Deus, estes seminaristas-músicos estavam cientes de que, através do belo som dos violinos, poderiam ser instrumentos da Graça para conduzir os paroquianos ao Mistério de amor do Deus-Menino.

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

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No último final de semana de 2010, de 24 a 26 de dezembro, realizou-se uma intensa atividade pastoral de professores e alunos do ITTA na Paróquia Nossa Senhora das Graças.IMG_7192

A programação natalina das Capelas Nossa Senhora do Monte Calvário e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teve seu preâmbulo em princípios de dezembro, quando o Revmo. Pe. Carlos Adriano Santos dos Reis, EP, ministrou três conferências sobre a “Encarnação do Verbo”.IMG_7058
Dia 16 dezembro, iniciou-se a novena de Natal que reuniu durante nove dias os paroquianos, maioritariamente crianças, mas também jovens e adultos, para junto do presépio cantar louvores ao Menino Deus.
Após meses de ensaios musicais, na véspera de Natal e no Domingo da Sagrada Família, as crianças, vestidas de pastores, cantaram músicas em honra do Menino Jesus na Gruta de Belém.

Para encerrar a programação, após um teatro de marionetes representando a verdadeira história de São Nicolau, conhecido como Papai Noel, procedeu-se à distribuição de presentes, ofertados caridosamente às crianças.Agradecemos mais uma vez a generosidade de todos os paroquianos que contribuíram para a alegria dos mais novos.

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“O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40) disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Será Ele mesmo a vossa recompensa.

As moedas que compram o Céu

Lucas Antonio Pinatti – 2º ano Teologia

“Maria conservava todas essas coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2, 19). Eis o exemplo que nos dá NossaTeatro Sta Inês2 Senhora, quanto a todos os ensinamentos e fatos da vida, paixão e morte de Jesus. Com esse intuito, os seminaristas do Seminário São Tomás de Aquino, encenaram a peça teatral “O rei e o terço”, desta vez na Capela Santa Inês.

O terço é para nós, Católicos, um dos meios mais eficazes de meditar nas cenas evangélicas, pedir a intercessão de Maria, suportar os sofrimentos de nossa peregrinação terrena e alcançar a misericórdia divina. Conta-nos São Luís Maria Grignion de Montfort que Nosso Senhor apareceu um dia a Santa Gertrudes contando moedas de ouro; ela teve a curiosidade de perguntar-lhe o que fazia: Conto – respondeu Jesus – tuas Ave-Marias: é a moeda com que se compra meu paraíso.

Digno de nota é também o que nos narra o Beato Alain de la Roche: Certa vez, uma religiosa muito devota do Rosário apareceu depois da morte a uma de suas irmãs e lhe disse: “Se eu pudesse voltar a meu corpo para dizer somente uma Ave-Maria, ainda que fosse sem muito fervor, para obter o mérito desta oração, sofreria com gosto todas as dores que padeci antes de morrer”. É preciso advertir que havia sofrido durante vários anos sofrimentos atrozes.

Lembremo-nos, ainda, que o rosário consta de duas categorias de orações: mentais e vocais. Estas últimas fazemo-las através da recitação da Ave-Maria, do Pai-Nosso, etc. As mentais, nós a fazemos ao longo do terço meditando nos mistérios da vida de Jesus.

A Santíssima Virgem é para nós um grande modelo de meditação; disse Ela um dia a Santa Brígida: “Quando contemplava a beleza, a modéstia, a sabedoria de meu Filho, sentia minha alma transportada de alegria, e quando considerava que suas mãos e seus pés haveriam de ser atravessados com cravos, vertia uma torrente de lágrimas, partindo-se-me o coração de dor”.

Foi para incentivar esta devoção que o seminaristas maiores e menores da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli encenaram a peça teatral o “O rei e o terço”, baseado em uma história narrada por São Luís Grignion de Montfort. O enredo da peça trata de um soberano a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário. Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e a fim de animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse. E isto bastou para incentivar todos a rezá-lo devotamente, trazendo inúmeras graças para o reino, e para a conversão do próprio monarca.

Teatro Sta Inês

Ide e batizai todos os povos!

Alessandro Schurig – 3º ano de Teologia

Há na Igreja Católica um mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitido no fim do evangelho de São Mateus, que é o de batizar a todos os povos, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

Batismo Sta InêsE podemos admirar na bimilenar história da Igreja o fato de, apesar das perseguições e adversidades, sucederem conversões como a de Clóvis, rei dos poderosos e ainda pouco civilizados Francos, que pede para ser batizado, crendo firmemente ser este o sinal infalível de sua salvação, e convertendo assim todo o seu reino.

Ainda hoje, vemos essa moção posta pelo Espírito Santo fulgurar nas almas dos que carecem do Santo Batismo. Nos dias 23 e 30 de Maio, a Capela Santa Inês teve a alegria de acolher no seio da Santa Madre Igreja dez novos membros, filhos de Deus e templos da Santíssima Trindade.

Assim, Gabriel Tacitano e Gabriel Amandio no dia 23, e as irmãs Alessandra, Ariane e Camila, os irmãos Leonardo, Letícia e Gabriele, Mikaio Mateus e Lidiane no dia 30, tendo sido batizados pelo Pe. Mário Sérgio Sperche, EP, iniciaram uma nova vida, a de católicos apostólicos romanos, e destes, oito continuarão seu curso preparatório para receber o augusto sacramento da Sagrada Eucaristia.

Batismo Sta Inês2Aos olhos humanos, essa notícia pode parecer um fato corriqueiro, entre tantos outros, mas para as almas que têm fé, isso prenuncia a realização daquele divino anseio de Nosso Senhor: todos os povos “ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).

Unamos nossas orações às divinas Dele, rogando a Maria Santíssima que mantenha suas almas alvíssimas, à semelhança da roupa que revestiram neste dia tão especial…

Quem disse que as crianças não gostam de catecismo?

Alessandro Schurig – 3º Ano de Teologia

Santa Inês Catec“Éramos apenas 8 no começo”, conta um dos alunos, “e agora já somos mais de 20, porque uns comentam com outros e todos querem vir ao catecismo”. Foi a alegre exclamação do jovem que frequenta a catequese, na Capela de Santa Inês, pertencente à paróquia Nossa Senhora das graças, e confiada recentemente pela diocese de Bragança Paulista a esta sociedade clerical, sob os cuidados dos seminaristas do ITTA e dos sacerdotes de Virgo Flos Carmeli. Esta exclamação, demonstra quanto a Igreja Católica tem poder de atração, até mesmo entre os mais jovens, contra a opinião de alguns que crêem estar a juventude perdida e presa nos grilhões de aventuras malsãs, ou de literaturas fátuas que nada têm a ver com a religião.

Vemos na foto o Professor da catequese, o seminarista Diego Barbosa do 3º ano de filosofia, com seus alunos, irradiando a mais esplendorosa alegria. Quem foi que disse que as crianças não gostam de catecismo?