Concerto de cordas por ocasião da Epifania do Senhor

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 3º Ano Teologia

A festa da epifania celebra a “miraculosa manifestação de Deus”. Outrora, esta data comemorava três passos da vida de Jesus: o aparecimento da estrela aos reis magos e seu encontro com o Menino Jesus; a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, onde Jesus manifestava seu poder divino; e o batismo do senhor, quando Deus manifestava sua complacência pelo “filho bem amado”.
Hoje, o batismo de Jesus é habitualmente comemorado no domingo posterior a esta significativa data do calendário litúrgico. Por isso, a epifania é na atualidade a festa dos reis magos, cujo amor ao Deus menino, o príncipe recém-nascido, fá-los-ia atravessar os ásperos e longos caminhos do oriente em busca de Jesus, a manifestação de Deus.
Inspirados nesta evocativa festa, alguns membros do Seminário São Tomás de Aquino, estudantes no ITTA e no IFAT, reuniram um conjunto de instrumentos de cordas para celebrar a Epifania do Senhor com a comunidade da Paróquia Nossa Senhora das Graças na Serra da Cantareira, que preencheu a Capela Nossa Senhora do Monte Calvário para assistir ao concerto.blog today
Com músicas de Händel, Corelli, Mozart, entre outros autores de renome, executaram composições coerentes com o espírito natalino. Os músicos convidaram os assistentes a realizarem, à semelhança dos magos, uma “viagem espiritual”, desta vez pela Europa, através da música, em busca do verdadeiro espírito de Natal.
O percurso desta “peregrinação musical” abrangeria países como a Inglaterra, Áustria, Alemanha, França e Itália, cujas músicas natalinas populares foram executadas pelo conjunto de cordas. Desta forma, os músicos convidariam o público a distinguir a maneira peculiar de cada um desses povos demonstrar, com talento, seu afeto ao Menino Jesus.
Tal como a estrela de Belém convidou os Magos a uma viagem em busca de Deus, estes seminaristas-músicos estavam cientes de que, através do belo som dos violinos, poderiam ser instrumentos da Graça para conduzir os paroquianos ao Mistério de amor do Deus-Menino.

Como explicar que Jesus fosse Deus e homem?

Pe. Carlos Werner Benjumea, EP

É difícil imaginar, caro leitor, o gáudio e a felicidade interior experimentada por Maria Santíssima, ao aceitar a proposta do Arcanjo São Gabriel, feita na Anunciação. Com efeito, a Virgem puríssima de Nazaré tornara-se a Mãe do Redentor, do “Salvador”, como o nome Jesus significa. Realizava-se em seu casto seio o sonho de toda mulher hebréia: ser a escolhida por Deus para dar à luz o Messias de Israel. Com um acréscimo: a sua tão amada virgindade permaneceria intacta. Seria Ela a primeira e única Virgem e Mãe na história da humanidade.BlOG TODAY Por fim, o longo e penoso período de espera chegara ao seu termo: o povo eleito recebia, no silêncio da humilde casa de Maria, Aquele por quem os patriarcas suspiraram, e a quem os profetas anunciaram, prevendo inclusive, com luxo de detalhes, tantos aspectos e minúcias de sua vida, seus sofrimentos e sua glória. Ocorreria assim o acontecimento central da história da humanidade: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14), pela ação do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35) e pela plena aceitação amorosa e cheia de Fé de Maria. Entretanto, como explicar tão alto mistério? É possível que Deus se torne homem sem deixar de ser Deus?

Pode alguém ser Deus e homem ao mesmo tempo?

A primeira em receber a “boa notícia” do grandioso mistério da Encarnação do Verbo, foi Nossa Senhora. As palavras do Anjo foram explícitas e Ela, a “cheia de graça”, deve tê-las entendido com preclara inteligência. Por um lado, o mensageiro celeste lhe diz: “conceberás e darás à luz um filho” (Lc 1, 31), e, de outro lado, lhe anuncia: “será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1, 32). O que significa claramente, segundo nos explica São Beda , que o fruto das entranhas de Maria seria verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mesmo antes de receber a visita do Arcanjo, Nossa Senhora, agraciada com a plenitude dos dons do Espírito Santo, devia perscrutar as Escrituras com finíssima atenção, compreendendo amplamente seu significado. Antes de tudo, é conjecturável que procurasse Ela compor a fisionomia moral do Messias esperado. É essa a opinião de São Leão Magno: “Deus elege uma Virgem da descendência de Davi, e esta Virgem, destinada a levar no seio o fruto de uma sagrada fecundação, antes de conceber corporalmente a sua prole, divina e humana ao mesmo tempo, a concebeu em seu espírito” .

Lendo com Maria as profecias sobre a Encarnação

Certamente, da leitura dos pergaminhos contendo os trechos das Escrituras, terá Ela se impressionado vivamente diante dos anúncios gloriosos dos profetas a respeito do Messias esperado, como por exemplo, ao ler estas palavras de Miquéias: “Mas tu, Belém de Éfrata, pequenina entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim aquele que há de ser o governante de Israel. Sua origem é antiga, de épocas remotas. […] Ele se levantará para apascentar com a força do Senhor, com o esplendor do nome do Senhor seu Deus” (Mq 5, 1-3). Também em Isaías encontraria Nossa Senhora trechos empolgantes e grandiosos: “Nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. O poder de governar está nos seus ombros. Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da paz” (Is 9, 5). Porém, leitora atenta da Palavra de Deus, Maria Santíssima não deve ter deixado de considerar outros aspectos do anúncio profético do Messias. Aspectos esses quiçá não tão compreendidos no seu tempo, pois muitos esperavam sobretudo um Messias triunfador, um libertador político. Todavia, a Revelação era clara: “[O meu servo] era o mais abandonado e desprezado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento. Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado. Mas estava sendo traspassado por causa de nossas rebeldias, estava sendo esmagado por nossos pecados. O castigo que teríamos de pagar caiu sobre ele; com os seus ferimentos veio a cura para nós. Como ovelhas estávamos todos perdidos, cada qual ia em frente por seu caminho. Foi então que o Senhor fez cair sobre ele o peso dos pecados de todos nós” (Is 53, 1-6). Diante desse panorama tão complexo, como seria então o Messias, o esperado das nações? Por um lado, grande e potente, chamado de “Deus Forte”, com mando e governo, mas, de outro lado, homem de dores, vítima de expiação dos pecados dos homens. Como se realizariam esses extremos, aparentemente contraditórios, na mesma pessoa?

No convívio com o Homem Jesus

Para Nossa Senhora esse enigma deve ter-se tornado paulatinamente mais claro depois de conceber o Deus humanado e conviver com Jesus. O Menino que “crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria” (Lc 2, 40), dava provas irrefutáveis de ser homem verdadeiro, e, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro. Assim, a mesma criança que se alimentava e dormia como todas as outras, ao ser interrogada por seus pais, no episódio da perda e do encontro no Templo de Jerusalém, por que havia se separado deles, responde de forma surpreendente: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” (Lc 1, 49). Nossa Senhora guardou essas palavras no seu coração (cf. Lc 1, 51). E, durante os trinta anos de vida oculta, que conversas não terá havido, ao cair da tarde, entre São José, Nossa Senhora e Jesus, a respeito da Pessoa e da missão do Filho de Deus feito Homem? Todavia, as silenciosas paredes da Santa Casa de Narazé – agora venerada na Itália, na cidade de Loreto – são as únicas testemunhas mudas desse convívio íntimo da Sagrada Família! Na vida pública de Jesus – acompanhada com discrição por Nossa Senhora – Nosso Senhor revelou-se claramente diante dos apóstolos, dos discípulos e do povo enquanto Filho de Deus e Filho do Homem. Com efeito, os Evangelhos nos narram que Jesus teve fome (cf. Mt 4, 2) e dormira (cf. MT 8, 24), que, no meio do caminho, sentiu cansaço (cf. Jo 4, 6), e diante do túmulo de Lázaro chorou de pena pela perda do amigo muito amado (cf. Jo 11, 35). E, no auge destas provas de sua humanidade, conta-nos São Mateus, como diante da sombria perspectiva da paixão, sua alma sentiu uma tristeza de morte (cf. Mt 26, 37-38). Atitudes e sentimentos esses que caracterizam a sua verdadeira e completa natureza humana.

E sua Divindade?

São prolixos também os testemunhos das Escrituras. No evangelho de São João, Cristo declara diante do povo reunido que Ele e o Pai são um (cf. Jo 10, 30). Em São Mateus encontramos a feliz declaração de Fé de Pedro, ratificada por Jesus: “E vós, retomou Jesus, quem dizeis que sou eu? Simão Pedro respondeu: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Jesus então declarou: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu”. (Mt 16, 16-17). A essas afirmações claras deve-se juntar a consideração dos fatos de sua vida. Jesus demonstrou ser o Filho de Deus pelo poder e a autoridade própria com que realizou inúmeros milagres. Pôs em evidência ter um domínio absoluto sobre doenças, na época totalmente incuráveis, como a Lepra (cf. Lc 17, 11-19) e a paralisia (cf. Jo 5, 1-9), inclusive, sobre a mesma morte ressuscitando, por exemplo, o filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17). Obedeciam-lhe as forças da natureza. Baste lembrar nesse sentido a multiplicação dos pães e dos peixes (cf. Mt 14, 13-21) e a furiosa tempestade acalmada a uma ordem sua (cf. Mt 8, 23-27). Mas o evento no qual Ele mostra de forma mais patente sua divindade, foi na sua Ressurreição. Primeiro, profetizando-a (cf. Mt 20,19), e depois cumprindo à risca sua própria previsão: “Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade. Eu tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai” (Jo 10, 18) Depois da consideração atenta do testemunho infalível das Escrituras, ainda resta-nos a pergunta: Sim, cremos que Jesus é Deus e homem verdadeiro mas, como explicar essa realidade?

Como explicar o mistério da encarnação

Sabemos, segundo nos ensina São Leão Magno, que “o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, sobrepuja toda inteligência e transcende todos os exemplos que poder-se-iam utilizar” . Porém, graças à Divina Revelação e sob a direção do Espírito Santo, a Igreja, se não chega a compreender ou abarcar todo o mistério, tem-no formulado com precisão, longe de todo erro. No início do cristianismo, quando a doutrina dos apóstolos foi recebida no mundo grego, iniciou-se a tentativa de traduzir para as categorias próprias da filosofia o conteúdo da Revelação. Neste processo, alguns desviaram-se da verdade, defendendo doutrinas errôneas, mediante as quais procuravam fazer encaixar dentro dos estreitos limites da razão humana o mistério de Deus humanado. As dificuldades encontradas pelos estudiosos das Escrituras, a respeito da compreensão do mistério se cifravam, principalmente, em duas tendências opostas, descritas a seguir em grandes traços. Alguns, tendo dificuldade em compreender como em uma mesma pessoa pudessem coexistir duas realidades, tal como, Deus e o homem, quiseram propor, como resultado da Encarnação, uma única pessoa, na qual estariam misturadas qualidades divinas e humanas. Outros, distinguindo perfeitamente a humanidade de Cristo e sua Divindade, e não logrando explicar como essas duas naturezas poderiam coincidir na mesma pessoa, propuseram que Cristo era unido a Deus como todos os santos o são, mediante a graça e a inabitação. Concluindo erroneamente tratar-se de duas pessoas distintas, uma divina e outra humana, a qual seria adotada por Deus de forma especial.

A voz da Igreja através dos Papas e dos concílios

A Santa Igreja de Deus, situando-se no centro de ambas posições, através do V Concílio ecumênico, confessa a união de Deus Verbo com a carne, segundo a união de composição, ou seja, segundo a hipóstasis . Hipóstasis é um termo grego que deriva do verbo sustentar, pois toda natureza racional não existe por si mesma senão sustentada por uma pessoa. Ora, a natureza humana de Cristo era sustentada pela segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja convocou os concílios ecumênicos, nos quais foi declarada e explicitada, em termos cada vez mais precisos, a verdade sobre a encarnação do Filho de Deus. O primeiro destes grandes Concílios realizou-se em Nicéia (ano 325). Lá os padres compuseram o Credo que, com alguns detalhes acrescidos no Concílio de Constantinopla (ano 381), recita-se nas nossas missas dominicais. Eis um trecho significativo do credo niceno: “… [Cremos] em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai, isto é, da substância do Pai, […] gerado não criado, consubstancial ao Pai, por Quem foram feitas todas as coisas […], que por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus e Se encarnou e Se fez homem, padeceu e ressuscitou …” . Anos mais adiante, no Concílio de Éfeso (ano de 431), ficará ainda mais clara a questão da Encarnação. Os padres conciliares esclarecem que em Cristo há duas naturezas – a divina e a humana – unidas, sem confusão, na Pessoa única e divina do Verbo. Na carta escrita por São Cirilo de Alexandria ao herege Nestório, lida e aprovada pelos padres conciliares, assim explicita o grande patriarca a doutrina cristã: “E embora sejam distintas as naturezas, unidas porém por uma verdadeira união, dessa unidade resulta um só Cristo e Filho; não que se suprima, pela união, a diferença de naturezas, mas porque a divindade e a humanidade, nesta misteriosa e inefável união, constituem para nós, um só Senhor, e Cristo, e Filho” . E o patriarca João de Antioquia, então pastor dessa cidade, assim formulou a mesma Fé em termos aceitos plenamente por São Cirilo e pela Igreja. Confessa ele que Cristo é, ao mesmo tempo, “perfeito Deus e perfeito homem”, gerado pelo Pai desde todos os séculos, isto é, desde a eternidade, antes do tempo, e “nos últimos tempos, por nós e por nossa salvação”, nascido da Virgem Maria segundo a humanidade. Desta confissão de Fé destaca-se uma afirmação belíssima: Jesus é “consubstancial ao Pai segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade” . Para o patriarca João, a união da divindade e da humanidade dá-se sem confusão, de forma que a divindade em nada fica diminuída pela humanidade, nem esta última absorvida pela divindade. Mas foi no Concílio de Calcedônia (451), com a assistência de 600 bispos, onde, graças ao gênio do Papa São Leão Magno, a doutrina da Igreja atinge um auge de explicitação a respeito desse mistério, distinguindo claramente na Pessoa do Verbo encarnado duas naturezas intimamente unidas, mas sem confusão: “Deve-se se reconhecer um só mesmo Cristo Senhor, Filho Unigênito, em duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, de nenhum modo suprimida a diferença das naturezas por causa de sua união, mas salvaguardada a propriedade de cada natureza e confluindo numa só Pessoa, não separado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus-Verbo …” Portanto, Cristo é Deus, com o Pai e o Espírito Santo, desde toda a eternidade, e, homem verdadeiro, pois uniu à sua pessoa a natureza humana completa, capaz de conhecer e amar como homem, capaz de sentir e sofrer até a morte .

Encarnação, o amor pede o amor

Diante de tão grande mistério, os cristãos devem dar infinitas graças a Deus pela sua bondade. O Filho de Deus, desceu à terra, no seio puríssimo da sempre Virgem Maria, para salvar e resgatar o homem, abrindo-lhe as portas do paraíso fechado e fazendo-nos partícipes da família de Deus. É uma verdade altamente comovente! Como diria São Tomás: “Cristo assumiu um corpo animado, e dignou-se nascer da Virgem, para nos entregar sua divindade; fez-se homem, para fazer o homem Deus” . Por isso, diante do mistério da Encarnação, devemos ter presente o grandíssimo amor de Deus para o gênero humano. Nesse sentido, nos exorta São Tomás: “… nenhum indício é mais evidente da caridade divina que o de Deus, criador de todas as coisas, fazer-se criatura; o do Senhor nosso, fazer-se nosso irmão; o do Filho de Deus, fazer-se filho de homem. Lê-se em São João (Jo 3, 16): tanto Deus amou o mundo, que lhe deu o Seu Filho. Pela consideração dessa verdade, deve ser reacendido, e de novo em nós afervorado o nosso amor para com Deus”.

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

Atividades dos professores e alunos do ITTA, junto às comunidades da Serra da Cantareira, neste Natal

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No último final de semana de 2010, de 24 a 26 de dezembro, realizou-se uma intensa atividade pastoral de professores e alunos do ITTA na Paróquia Nossa Senhora das Graças.IMG_7192

A programação natalina das Capelas Nossa Senhora do Monte Calvário e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teve seu preâmbulo em princípios de dezembro, quando o Revmo. Pe. Carlos Adriano Santos dos Reis, EP, ministrou três conferências sobre a “Encarnação do Verbo”.IMG_7058
Dia 16 dezembro, iniciou-se a novena de Natal que reuniu durante nove dias os paroquianos, maioritariamente crianças, mas também jovens e adultos, para junto do presépio cantar louvores ao Menino Deus.
Após meses de ensaios musicais, na véspera de Natal e no Domingo da Sagrada Família, as crianças, vestidas de pastores, cantaram músicas em honra do Menino Jesus na Gruta de Belém.

Para encerrar a programação, após um teatro de marionetes representando a verdadeira história de São Nicolau, conhecido como Papai Noel, procedeu-se à distribuição de presentes, ofertados caridosamente às crianças.Agradecemos mais uma vez a generosidade de todos os paroquianos que contribuíram para a alegria dos mais novos.

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“O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40) disse Nosso Senhor Jesus Cristo. Será Ele mesmo a vossa recompensa.

O porquê do natal ser comemorado no dia 25 de dezembro?

Sebastián Correa Velásquez – 1º ano de Teologia

Natalis solis invicti: com este nome, o Imperador de Roma, Aureliano (270-5) oficializava a tradicional comemoração do sol nascente e invencível. Todos os anos, no dia 25 de Dezembro, sucedia algo de muito curioso… Devido à inclinação natural do planeta, no hemisfério norte transcorria o dia mais curto e, consequentemente, a noite mais prolongada do ano. O paganismo dos romanos atribuía a esse fato o significado de ser uma ameaça dos deuses, pois notavam, ao longo das estações, a processiva diminuição das horas solares, até chegar no clímax que se dava nessa ocasião. Amedrontados, ofertavam-lhes desagravos e, por meio de prolongados rituais e celebrações, julgavam atrair o beneplácito dos deuses, evitando assim o desaparecimento da luz.

BLOG TODAY
Com o advento do Cristianismo, os romanos recém-convertidos guardavam saudades das festas realizadas por ocasião do Natalis Solis Invicti. Por esta razão, a Santa Igreja encontrou um sapiencial meio de direcionar para o bem essa arraigada tradição: comemorar, nesse mesmo dia, o nascimento do “Sol da Justiça que traz a salvação em seus raios” (Ml 3, 20). E apoiada em passagens da Sagrada Escritura, nas quais o Messias é apresentado como a “Luz para iluminar as nações” (Lc 2, 32) (cf. Jo 1, 9), empreendeu a cristianização desse velho costume pagão. Um antiquíssimo mosaico do século III, encontrado na cripta vaticana e conhecido como o Mausoléu dos Iulii, conjuga grandiosamente as imagens de Cristo e do Sol, sobre uma carruagem triunfante. Com base nisto, atribui-se ao Imperador Constantino, construtor da Basílica Vaticana, ser um dos primeiros a instituir, nessa data, a celebração do Natal. O primeiro calendário a constatar esse fato foi editado por um personagem conhecido como Filocalos (354). Contudo, a declaração oficial da Santa Igreja foi proferida pelo Papa Júlio I (337-352).
Como ensina a Doutrina Católica, as festas do ano litúrgico nos fazem participar das mesmas graças dispensadas por Deus no próprio episódio comemorado1. Tendo, pois, a Cátedra infalível de Pedro ligado essa determinação na terra, foi ligada também no Céu (cf. Mt 16, 19), atraindo desta maneira bênçãos copiosíssimas para o dia 25 de Dezembro, Natal do Senhor!


1 cf. Mediator Dei. II Ciclo dos Mistérios; Tertio Millenio. II. O Jubileu do ano 2000.

O mistério da Estrela de Belém

O que teria sido a misteriosa estrela que surgiu nos céus, guiando os Reis Magos até Belém?

Emílio Portugal Coutinho – 3º Ano de Teologia, ITTA

Nas Sagradas Escrituras vemos Deus muitas vezes comunicar-se aos homens por meio de sinais na natureza: a brisa da tarde no Paraíso, o arco-íris após o dilúvio, a sarça ardente, a diáfana nuvem de Santo Elias etc. E em seu próprio nascimento, Ele quis usar de um sinal no céu: a Estrela de Belém. Esse fato nos é narrado apenas por um dos evangelistas: São Mateus. blog
Na verdade, naquela época acreditava-se que o nascimento de pessoas importantes estava relacionado com certos movimentos dos astros celestes. Assim, dizia-se que Alexandre o Grande, Júlio César, Augusto e até filósofos como Platão tiveram a sua estrela, aparecida no céu quando eles vieram ao mundo.
Muito se tem comentado a respeito da estrela surgida aos três Reis Magos , guiando-os até o local bendito em que o Salvador haveria de nascer. E não faltaram homens de ciência tentando encontrar uma explicação natural para esse evento sobrenatural, centro da história humana. Não temos a pretensão de fazer um compêndio científico a respeito, mas não deixa de ter certo interesse conhecer, ainda que de modo sumário, as principais tentativas de solucionar esse enigma.
Uma das primeiras teorias levantadas era que esse astro teria sido o planeta Vênus. Pois a cada 19 meses, pouco antes do nascer do Sol, ele aparece dez vezes mais claro que a mais brilhante das estrelas: a Sírius. Mas esse já era, então, um fenômeno assaz conhecido pelos povos do oriente e, portanto, para os Reis Magos nada teria de extraordinário.
Outra hipótese foi levantada por um astrônomo reconhecido nos meios científicos do século XVI: Johannes Kepler. Tentou ele demonstrar com seus longos estudos, que esse astro não era apenas um, mas a conjunção de dois planetas: Júpiter e Saturno. Quando eles se sobrepõem, somam-se os respectivos brilhos. Um fenômeno desses foi por ele observado em 1604 e podia produzir um efeito semelhante ao que nos conta a Bíblia. A partir daí, Kepler defendeu sua teoria.
Mas existem três problemas ao fazer essa afirmação: primeiro, essa conjunção dura apenas algumas horas, e a estrela que apareceu para os Reis Magos foi visível por eles durante semanas; segundo, Júpiter e Saturno nunca se fundem completamente numa única estrela. Mesmo a olho nu, seriam sempre visíveis dois corpos; terceiro, ao menos que a data do nascimento do Menino Jesus esteja muito mal calculada, tal conjunção só poderia ter lugar três anos depois.
Há quem diga que a estrela foi, na verdade, um meteoro especialmente brilhante. Mas um meteoro só pode durar alguns segundos e seria muito forçado crermos que esses poucos segundos de visibilidade bastariam para guiar os reis magos numa viagem através de quilômetros em um deserto inabitável, e que ao chegarem em Belém, apareceu um outro meteoro semelhante, indicando o local exato onde estava o Menino-Deus.
Orígenes, Padre da Igreja nascido em Alexandria, Egito, chegou a acreditar ser a Estrela de Belém um cometa. Pois alguns cometas chegam a ser centenas de vezes maiores que a Terra, e sua luz pode dominar o firmamento durante semanas.
Além disso, alguns sustentam que São Mateus teria ficado tão impressionado com o cometa Halley, visto nos céus em 66 d.C. ou pelo testemunho dos mais antigos cristãos que o tinham visto em 12 a.C., que o incluiu na história. Outros afirmam ter sido o próprio Halley, a Estrela de Belém. Mas devemos reconhecer que as duas datas citadas estão muito afastadas do nascimento de Jesus, para serem unidas a ele. E segundo os dados catalogados, não há menção de nenhum outro cometa que tenha sido visto a olho nu entre os anos 7 a.C e 1 d.C., período no qual se aceita ter nascido o Messias. Além disso, é corrente serem os cometas na Antigüidade anunciadores de desgraças e não de bênçãos.
Uma última hipótese dita científica é a que tenha sido uma “Nova”. Existem certas estrelas que explodem de tal forma que sua luz aumenta centenas de vezes em poucas horas. São as chamadas “Novas”, ou “Supernovas”, dependendo da intensidade da explosão. Calcula-se que a cada mil anos, aproximadamente, uma estrela se transforme em “Supernova”, sendo este fenômeno visível durante vários meses, até mesmo durante o dia.
Mas já não se crê nessa hipótese, pois tais explosões, devido à sua magnitude, mesmo depois de séculos deixam traços inconfundíveis no espaço, como manchas estelares etc. Entretanto, até hoje não se descobriu nenhum indício de tal fenômeno ocorrido nesse período histórico.
Embora várias tentativas de explicação científica não tenham dado respostas plenamente satisfatórias ao mistério da Estrela de Belém, isso em nada diminui o mérito dos esforçados estudiosos que com reta intenção buscam desvendar os enigmas da natureza.
Mas deixando essas hipóteses de lado por um momento, voltemos nossos olhos à outro aspecto da questão: o campo teológico, onde se considera que essa estrela era a realização da profecia do Antigo Testamento: “Uma estrela avança de Jacó, um cetro se levanta de Israel” (Num 24,17).
Alguns teólogos defendem que São Mateus fez uma interpretação das tradições da época, referindo-se ao astro não como uma estrela no sentido literal, mas como símbolo do nascimento de um personagem importante.
Mas São Tomás, o Doutor Angélico, já havia pensado nisso em sua época e resolveu a questão na Suma Teológica (III, q. 36, a.7), usando cinco argumentos tirados de São João Crisóstomo:
1º. Esta estrela seguiu um caminho de norte ao sul, o que não é comum ao geral das estrelas.
2º. Ela aparecia não só de noite, mas também durante o dia.
3º. Algumas vezes ela aparecia e outras vezes se ocultava.
4º. Não tinha um movimento contínuo: andava quando era preciso que os magos caminhassem, e se detinha quando eles deviam se deter, como a coluna de nuvens no deserto.
5º. A estrela mostrou o parto da Virgem não só permanecendo no alto, mas também descendo, pois não podia indicar claramente a casa se não estivesse próxima da terra.
Mas se esse astro não foi propriamente uma estrela do céu, o que era ela?
Segundo o próprio São Tomás, ainda citando o Crisóstomo, poderia ser:
1º. O Espírito Santo, assim como ele apareceu em forma de pomba sobre Nosso Senhor em Seu batismo, também apareceu aos magos em forma de estrela.
2º. Um anjo, o mesmo que apareceu aos pastores, apareceu aos reis magos em forma de estrela.
3º. Uma espécie de estrela criada à parte das outras, não no céu mas na atmosfera próxima à terra, e que se movia segundo a vontade de Deus.
Como solução ao mistério da Estrela de Belém, São Tomás acreditava ser mais provável e correta esta última alternativa.
De qualquer forma, temos a certeza de que essa estrela continua a brilhar não só no alto das árvores de Natal, mas principalmente na alma de cada cristão ao comemorar a Luz nascida em Belém para iluminar os caminhos da humanidade.

ARAUTOS DO EVANGELHO, n.72, dez. 2007.

Presentes ao Menino Deus

Thiago de Oliveira Geraldo – Professor de Introdução às Sagradas Escrituras no ITTA

Magos vindos do Oriente, aos quais apareceu a miraculosa estrela mostrando-lhes o caminho até Jerusalém, personagens míticos que não se sabe bem sua procedência, se vieram da Arábia, da Babilônia ou talvez da Pérsia. A piedade cristã os denominou reis, cujos nomes ficaram conhecidos como Gaspar, Melchior e Baltazar.
A estes magos astrônomos, acostumados pela observação do céu a interpretar os acontecimentos, Deus quis revelar-se primeiro pela natureza através de um astro, mas logo que chegaram a Jerusalém, sua inspiração foi confirmada pelas Sagradas Escrituras, na profecia de Miqueias, como indicaram os príncipes dos sacerdotes e os escribas, grandes conhecedores das Escrituras. A cidade em que deveria nascer o menino era a antiga cidade de David: Belém, na Judeia.Picture
Herodes, que governava toda aquela região, possuía grande poder e prestígio, mas acabou por amedrontar-se pelo nascimento daquela criança, que – segundo ele – poderia vir a fazê-lo perder seu trono. Enviou os magos a Belém na esperança de descobrir o paradeiro deste rei que acabava de nascer, a fim de matá-lo. Não conseguiu levar a cabo seu plano e, por isso, cometeu um grande assassinato de crianças inocentes, com o intuito de atingir também o Menino Deus, mas os desígnios da Providência não foram alterados e a Sagrada Família saiu ilesa deste atentado.
Os magos foram os primeiros representantes do mundo pagão a adorar o Menino Jesus. Por meio deles está simbolizado que o Filho de Deus veio à terra para atrair a Si todo o mundo. Quando entraram na casa onde se encontrava Maria Santíssima com seu Divino Filho, não viram um suntuoso rei ostentando riquezas e um poder inigualável, mas apenas uma criancinha protegida por sua Mãe; e eles o adoraram…

Que presente oferecer ao rei que acabava de nascer?
Os presentes que eles ofertaram eram as riquezas do Oriente naquela época: ouro, incenso e mirra. Há um simbolismo feito pelos Padres da Igreja, e entre eles Santo Agostinho, acerca destes dons regalados ao Menino Jesus. O ouro, símbolo da realeza, foi entregue a fim de lembrar que aquela criança é o Rei dos reis; o incenso, cuja fumaça sobe aos céus durante os sacrifícios, recorda que esta pequena e frágil criatura é o Senhor do Universo, Deus verdadeiro; e a mirra, unguento perfumado, geralmente usado para embalsamar os mortos, prediz que Jesus Cristo veio ao mundo a fim de salvá-lo através de seu oferecimento de morte na cruz.

Outros santos, como São Gregório Magno, interpretaram de outro modo o valor espiritual destes presentes. Viram no ouro o oferecimento da luz da sabedoria a Nosso Senhor; no incenso, é expressa a devoção a Deus por meio da oração; e na mirra, damos a mortificação da própria carne, com a abstinência.
Neste Natal rememoramos o nascimento do Menino Jesus, mas será que já pensamos em algum presente para lhe oferecer?
Talvez não tenhamos estas riquezas do Oriente. No entanto, há uma coisa que se pode regalar ao Divino Infante neste Natal, é a nossa fé. Mais importante que os presentes obsequiados pelos magos quando visitaram a casa onde se encontravam o Menino com sua Mãe, foi a adoração que fizeram, como afirma o Papa Bento XVI: “O ápice do seu itinerário de busca foi quando se encontraram diante ‘do menino com Maria sua mãe’ (Mt 2, 11). Diz o Evangelho que ‘se prostraram e o adoraram’. Teriam podido ficar desiludidos, aliás, escandalizados. Mas não! Como verdadeiros sábios, estão abertos ao mistério que se manifesta de modo surpreendente; e com os seus dons simbólicos demonstram reconhecer em Jesus o Rei e o Filho de Deus. Precisamente com aquele gesto cumprem-se os oráculos messiânicos que anunciam a homenagem das nações ao Deus de Israel”.1
Nós também podemos Lhe prestar esta adoração e reconhecê-lo como Deus que se Encarnou e morreu na cruz para nos salvar.

1-BENTO XVI. Solenidade da Epifania do Senhor. Angelus. Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010.

Uma obra de arte teológica

Três destacadas figuras do mundo acadêmico foram unânimes em atribuir a nota “summa cum laude” à tese de Doutorado de Monsenhor João sobre o tema: “O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira”.

Pe. Rodrigo Alonso Solera Lacayo, EP – Professor de Moral Especial no ITTA

No dia 22 de outubro, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, defendeu sua tese de Doutorado Canônico em Teologia sobre O dom de sabedoria na vida, mente e obra de Plinio Corrêa de Oliveira, perante a banca examinadora da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades da Universidade Pontifícia Bolivariana de Medellín, Colômbia. Discorreu ele sobre esse dom do Espírito Santo, mantendo-se rigorosamente fiel ao ensino teológico, mas apresentando-o enquanto vivido por um personagem que se sobressaiu na História da Igreja Católica no século XX.fundador_02
A banca examinadora, formada por destacadas figuras do mundo acadêmico latino-americano , atribuiu à tese de Mons. João a nota máxima: summa cum laude.
Objetividade no procedimento seguido
No texto em que avalia a tese e justifica sua nota, frei Marcelo Santos das Neves, OP, expressou-se com o rigor e a clareza do carisma dominicano, voltado para a pesquisa da verdade:
“Nosso julgamento não atinge o âmbito subjetivo, mas permanece no plano objetivo. Assim sendo, constatamos duas coisas em particular: primeiro que, apesar da amizade e da devoção do ‘Autor’ por Plinio Corrêa de Oliveira (elemento e razão subjetiva do ‘Autor’), o seu pensamento e raciocínio não foram em nada prejudicados, visto ter ele apresentado textos que reforçavam suas intuições. Dito de outra forma, não se tratou somente de um testemunho pessoal, mas de um testemunho documentado. Em segundo lugar, dons e carismas são aplicados à pessoa e obra de Plinio Corrêa de Oliveira sempre de forma rigorosa e coerente”.
“Em suma, o ‘Autor’, sistematicamente, oferece ao seu leitor as razões de sua intuição: apresenta a doutrina (1ª premissa); ‘a mente, vida e obra’ de Plinio Corrêa de Oliveira, confrontando-as com a doutrina (2ª premissa); para, enfim concluir positivamente: em Plinio Corrêa de Oliveira estavam presentes o dom de sabedoria, assim como os carismas de profecia e discernimento dos espíritos (3ª premissa ou conclusão). Esta objetividade no procedimento seguido merece ser mencionada e louvada. Trata-se, no nosso modo de entender, de uma teologia da ‘mente, vida e obra’ de Plinio Corrêa de Oliveira”.
Equilíbrio no modo de expor
Pouco adiante, frei Marcelo Neves ressalta outra faceta dessa imparcialidade de julgamento de Mons. João: “O ‘Autor’ não só não perde de vista seus objetivos, mas, ainda, mantém aquele equilíbrio no expor e escrever que preserva todos os que de alguma forma não comungavam com o pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira. Em suma, não se trata de um escrito contra alguém ou coisa (à exceção do vício e do pecado ao qual se opunha e se opõe sempre uma ‘contra-revolução’), mas a favor de alguém considerado virtuoso. O tato e a delicadeza que transpiram do texto são raros. Nenhum caráter polêmico. Acreditamos dever aplicar ao ‘Autor’ em vista desse seu procedimento o quanto ele diz no início do seu texto a respeito do dom de sabedoria; ou seja, ‘julgará e procurará ordenar tudo à luz das perfeições divinas’: e Deus não ofende! O que o ‘Autor’ fez foi seguir, ele mesmo, este impulso; dito de outra forma, submete e faz passar pelo crivo das perfeições divinas a ‘mente, vida e obra’ de alguém que estima e que marcou toda a sua vida. Faz obra de teólogo e não de simples cronista. A sua tese, também sob este aspecto é, e pode denominar-se, teológica. Preciosa”.
Teologia narrativa e teologia argumentativa
De seu lado, o padre Carlos Arboleda Mora destacou principalmente a importância da teologia narrativa na tese apresentada:
“Este trabalho situa-se no que hoje poderíamos denominar teologia narrativa, ao apresentar a vida de uma pessoa como testemunho de uma experiência, unida a uma teologia argumentativa, na medida em que essa experiência está expressa teoricamente em grandes teólogos da Igreja. Geralmente a teologia narrativa critica o modelo neoescolástico pelo caráter demasiadamente argumentativo, uma vez que deduziria das teses dogmáticas certas conclusões já implícitas, esquecendo-se alguns críticos que os mistérios da vida de Cristo ocupam em São Tomás um lugar importante.
[…]
“Este trabalho situa a narração da vida de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira acompanhada da correspondente argumentação baseada em muito bons teólogos. Tem o intuito de mostrar que a história da salvação não se dá separada da história humana, que a experiência da Fé não se dá fora de uma existência que a interpreta e atua, porque ‘os crentes admitem, pois, que Deus trouxe a libertação nos seres humanos e através deles; os homens são relatos de Deus’” .
Importância do exemplo vivo
Afirma ainda o padre Arboleda que na tese de Mons. João “o enfoque biográfico chega a ser um instrumento de investigação qualitativo, porque se fundamenta na subjetividade como unicidade e especificidade. O método biográfico chega a ser experiência heurística e hermenêutica, pois permite entender e permite interpretar em outro contexto histórico a mesma experiência. Aqui pode ser então também um método de formação, como pretende o autor da tese.
[…]
“É, ademais, uma obra que permite uma dupla leitura. Sem as citações é uma obra para leitores mesmo não peritos nas complexidades da filosofia. Com as citações é uma obra para autores que queiram aprofundar-se neste tema cumprindo assim o objetivo de refletir teologicamente, mas também de formar para a vida de experiência e testemunho”.
Horizonte teológico do qual se deve considerar a obra de Dr. Plinio
Em suas considerações, outro membro da banca examinadora, o padre Alberto Ramírez Zuluaga, quis evidenciar de modo particular a originalidade do trabalho teológico de Mons. João, que apresentou aspectos inéditos da obra de Plinio Corrêa de Oliveira. Afirmou ele em seu parecer:
“Ter tido a oportunidade de conhecer o processo da elaboração da tese em sua última etapa foi, para nós, una verdadeira graça do Senhor, que me permitiu descobrir a transcendência teológica do objeto dessa investigação. Mons. João soube estabelecer magistralmente o horizonte teológico a partir do qual se deve considerar a obra de Dr. Plinio: a doutrina teológica e espiritual dos dons do Espírito Santo e, em geral, a pneumatologia com tudo quanto ela implica para a fundamentação do dom da sabedoria. Mas Monsenhor não realizou seu trabalho simplesmente como investigador de uma rica literatura, como é certamente aquela que Dr. Plinio nos deixou, mas também, e sobretudo, como testemunha fidedigna da vida desse grande homem, do qual me atreveria dizer, pela impressão que o testemunho de Monsenhor produziu em mim, que foi um dos maiores homens da História da Igreja nos últimos tempos, pelo que o Espírito de Deus tornou possível através de sua pessoa, de sua vida e de sua obra.
“É belíssima a tese teológica elaborada por Mons. João, que se pode resumir em poucas palavras: demonstrar, pela consideração da pessoa de Dr. Plinio, a relação indissolúvel que existe entre a inocência e a sabedoria. Também, naturalmente, assinalar a significação dos passos que se deve dar na vida para que se torne possível esta relação na existência de um homem: o caminho da dor e da entrega. Monsenhor nos mostrou, com efeito, que a sabedoria, como característica que define a existência de Dr. Plinio, só pode ser explicada em relação à inocência que o acompanhou por toda a sua vida. Só pode chegar a ser plenamente sábio quem é plenamente inocente. A explicação teológica utilizada por Monsenhor para definir Dr. Plinio poderia ser considerada como um belo comentário de uma das sentenças do Manifesto do Reino dos Céus, o Sermão da Montanha, de Jesus: quem tem mais capacidade para contemplar a Deus e olhar tudo a partir d’Ele é quem tem o coração transparente” (cf. Mt 5, 8).
“Tudo me é luta” – Tudo lhe foi sabedoria
O padre Alberto Ramírez prossegue, destacando o seguinte comentário de Dr. Plinio a propósito do livro da Condessa de Paris, intitulado Tout m’est bonheur (Tudo me é felicidade): “‘Se me fosse dado escrever minhas memórias, poderia intitulá-las ‘Tudo me é luta!’. Interna ou externamente, tudo me é luta; mas, morrendo, tudo me é glória […]. Se um homem redigisse com base na verdade o livro Tudo me é luta!, se a sua luta foi travada em favor do bem, ele mereceria o epitáfio tudo lhe foi glória!’. E Mons. João comenta: ‘Ora, conforme cada item, cada capítulo é, sobretudo, o que o conjunto desta tese patenteia, tudo foi luta e glória em Plinio Corrêa de Oliveira. Portanto, tudo lhe foi sabedoria’.
“Esta admirável conclusão é uma formidável tese teológica, uma afirmação fundamentada no testemunho da vida de um grande homem. Monsenhor desenvolveu passo a passo esta tese com uma lógica profunda e conseguiu realizar um belo tecido de ideias e palavras, de símbolos e sentimentos, num discurso teológico que é uma maravilhosa lição sobre a sabedoria e uma obra de arte teológica. A sabedoria é o dom que foi concedido a Dr. Plinio como ‘luz primordial’, não só para contemplar a Deus, mas para adquirir a capacidade de olhar tudo com o olhar de Deus, com os próprios olhos d’Ele. Ninguém, como Mons. João, seu filho, seu discípulo, podia explicar com tanto acerto esse segredo da vida e da obra de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira”.


[1] Compunham a banca examinadora: o Pe. Carlos Arboleda Mora, orientador, Doutor em Filosofia pela Universidade Pontifícia Bolivariana, Mestre em História pela Universidade Nacional da Colômbia e em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Gregoriana, especialista em ecumenismo do CESNUR, de Roma, e professor de pós-graduação da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades da Universidade Pontifícia Bolivariana; o Frei Marcelo Neves, OP, teólogo do Studium Teologicum Bolognese, de Bolonha, Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade São Tomás (Angelicum), de Roma, e professor da Faculdade de Direito Canônico da mesma Universidade; e o Pe. Alberto Ramírez Zuluaga, Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Louvain, professor de graduação e de pós-graduação na Faculdade de Teologia da Universidade Pontifícia Bolivariana, e no programa de Estudos Bíblicos da Universidade de Antioquia, de Medellín. Presidiu o ato o Pe. Diego Marulanda Díaz, Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, e Decano da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades da Universidade Pontifícia Bolivariana.

[1] SCHILLEBEECKX E. Los hombres relato de Dios. Salamanca: Sígueme, 1995, p.62.

Pe. Jorge Villa, Oficial da Congregação para a Evangelização dos Povos, ministra uma Conferência no Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA)

Com seu característico ardor e comunicatividade, o sacerdote colombiano, Pe. Jorge Ignacio Villa, Oficial da Congregação para a Evangelização dos Povos, dirigiu, no dia 1º de dezembro, uma ardorosa exposição, no auditório do Instituto Teológico São Tomás de Aquino.Villa_SD_4830
A conferência foi direcionada aos cerca de 100 seminaristas maiores, estudantes de filosofia no Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista (IFAT), e de teologia no Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA).
Após tratar da função e do funcionamento interno da Congregação para a Evangelização dos Povos, traçou um preciso, sintético e edificante quadro da situação missionária da Igreja no início deste terceiro milênio.

Villa_SD_4836Tratou especialmente dos desafios da Igreja na América Latina e dos cerca de 2000 Vicariatos Apostólicos espalhados pelo mundo. Sobre a América do Norte e Europa ressaltou que a cultura local destes povos exige evangelizadores autóctones.
Ao final, com seu característico ardor fez uma verdadeira conclamação à missão a fim de conduzir Cristo a países , sobretudo, de minoria católica, como Índia e China, manifestando também profunda esperança no futuro da Igreja em países como Filipinas, Coréia e o continente africano.

Pe. Carlos Arboleda Mora, 36 anos de ministério sacerdotal

Hernán Luis Cosp Bareiro – 3º ano teologia

O Revmo. Pe. Carlos Arboleda Mora, sacerdote da Arquidiocese de Medellín, Colômbia, e Doutor em Filosofia pela Universidade Pontifícia Bolivariana (UPB), celebrou a 30 de novembro uma solene eucaristia, na igreja anexa ao Seminário São Tomás de Aquino, por ocasião do 36º aniversário de sua ordenação sacerdotal.Pe Arboleda
Na missa estiveram presentes alunos e ex-alunos do Pe. Carlos, que através da sua presença manifestavam profunda gratidão a tão dedicado professor e orientador. A cerimônia também contou com a presença de inúmeros estudantes do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA). O Pe. Carlos Arboleda foi, inclusive, orientador da tese de doutorado de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, fundador do ITTA, intitulada O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira.
Na homilia, recordou que o aniversário de alguém é sempre uma ocasião propícia para alegrar-se com as lembranças da juventude, especialmente das graças do Seminário e do início da vida sacerdotal. Simultaneamente a esses dons divinos, o Pe. Arboleda recordava que naquela época ouviam-se rumores e teologias contrárias à mensagem evangélica, e afirmou que “face às correntes teológicas opostas à doutrina católica, a Igreja deve responder com a ‘Teologia da Experiência de Deus’, não apenas com um compromisso sociopolítico”.
Após elaborar um breve e preciso elenco dos grandes desafios para a evangelização na atualidade, como “a violência urbana, o pluralismo religioso, o indiferentismo religioso, o relativismo moral e a coexistência medíocre dos que cedem à secularização”, recordou que “João Paulo II defendia a resposta da identidade. A Igreja não é uma ONG. Frente ao secularismo, além das obras sociais, a Igreja deve, sobretudo, refletir o amor de Deus. Não devemos distribuir somente vestimentas e alimentação, mas sim Jesus Cristo”.
E continuou: “A Igreja necessita de vocês. Necessita de teólogos que como outrora, no tempo da escolástica, faziam teologia ‘de joelhos’ através da experiência de Deus e da graça mística”.
Ao final da cerimônia, o Revmo. Pe. Carlos Werner Benjumea, EP, agradeceu “em nome de Mons. João Clá, a preciosa orientação para a tese de Teologia, assim como todo o sentimento de amizade”. A fim de tornar sensível este sentimento, foi oferecido ao Pe. Arboleda um pássaro de pedras coloridas, artesanato típico brasileiro.
Como agradecimento, o sacerdote aniversariante recordou que “em meados do Séc. XII, por ocasião da construção das primeiras catedrais góticas, seus idealizadores afirmavam que cada pedra colorida posta no templo recordaria a glória de Deus. Ao contemplar as pedras do Brasil, incrustadas nesta ave, recordarei com alegria a glória do Criador”.

Árvores de Natal, por quê?

Sebástián Correa Veláques – 1º Ano de Teologia

Sapin, tannenbaum, árbol de Navidad, Evergreen…Chamem-na como for, a árvore de natal nunca deixou de ser uma das decorações mais atraentes nas comemorações natalinas. Verdejante, apinhada de simpáticas luzinhas, sua vitalidade e variedade constituem o encanto e alegria dos pequenos, não só de idade, mas também de coração, e onde ela está, impregna o ambiente com o seu característico odor de pequenos ramos queimados pelas velinhas acesas. Em nossos dias, é muito difundida a ideia de que este belo e tradicional costume surgiu no norte da América, devido à sua forte difusão nesse local. Contudo, ao remontarmos a um passado cheio de histórias, deparamo-nos com a sua verdadeira origem, pouco conhecida e mais antiga do que parece…
Os bárbaros invadiram a Europa central no longínquo século sétimo. Mais especificamente, no sul da Saxônia habitavam os frisões (entre a atual Bélgica e Weser, em frente à Inglaterra). Suas crenças, todas pagãs, eram muito arraigadas e, às vezes, anteriores à própria Revelação Cristã. Certo dia, um monge beneditino de origem anglo-saxônica, tocado pela graça, sentiu o desejo de evangelizar essas inóspitas regiões. Seu nome era Wilfrido de York (634-709). No início da sua missão (678-685), instalou-se num lugar onde os habitantes, curiosamente, cultuavam o carvalho, muito frequente por aquelas florestas.
Segundo diziam, este era possuído por espíritos, os quais o conservavam verde durante o inverno. E estas mesmas divindades promoviam o retorno da primavera e do verão. Temerosos, os frisões realizavam diversos rituais durante o mês de Dezembro, em torno das gigantescas árvores, a fi m de que não deixassem de exercer a sua indispensável função. São Wilfrido deparou-se com um difícil obstáculo, ao querer desmentir essa arraigada convicção pagã, mesmo assim, dispôs-se a demonstrar-lhes a falsidade de tal imaginação.
Certo dia, em meio àquelas práticas religiosas, congregou os bárbaros no intuito de cortar um daqueles velhos carvalhos. Golpe vai, golpe vem, irrompeu uma terrível tempestade, deixando-os a todos muito apavorados. O Santo apressou o serviço dos lenhadores e, em meio a cambaleadas, a gigantesca árvore precipitou-se por terra! Um silêncio cortante tomou conta dos presentes e, de súbito, um raio fulminante partiu em pedaços o carvalho, coincidindo com a sua batida no chão. Ao verem o seu mito cair por terra, a desilusão contribuiu para efetuar a conversão daquelas almas. Porém, passou-se algo de muito curioso… Havia, a poucos centímetros da carbonizada árvore, um pinheirinho, o qual de modo inacreditável for a conservado intacto no meio de tamanha destruição. Seria isto um sinal?

Árvore Natal Vaticano II
Era o dia 25 de Dezembro. São Wilfrido percebeu nesse fato um simbolismo muito belo: Deus protege a fragilidade e a inocência! Em seu sermão à noite, relacionou poeticamente a imagem da pequenina árvore com a Natividade do Senhor e, desta maneira, o pinheirinho passou a ser, a partir daquele dia, o símbolo do Menino Jesus, mais utilizado. Um discípulo deste Santo missionário teve de enfrentar, também, dificuldades semelhantes ao evangelizar a futura Alemanha: tratava-se de São Bonifácio (673- 754).
Em Geismar de Hessen, centro muito concorrido de rituais pagãos, cultuava-se um grande carvalho consagrado ao deus Donar. Realizavam-se ao seu redor práticas supersticiosas, principalmente na época hibernal, porque atribuíam a esse deus ser responsável pelos terríveis vendavais e tempestades, muito frequentes durante o solstício. Uma vez convertidos, os germanos foram desassociando o caráter pagão da crença e relacionando a figura da árvore com passagens da Sagrada Escritura, como esta do Profeta Isaías: “A glória do Líbano virá a ti, a faia e o buxo, e juntamente o pinheiro servirão para adornar o lugar do meu santuário” (60, 13). Destarte, começou a se divulgar nas imediações da Germânia, o uso do pinheiro nas comemorações do nascimento do Senhor.
Outras longínquas referências fazem alusão a este costume: No ano de 1539, na igreja e nas moradias de Estrasburgo, França, pela primeira vez, utilizaram-se pinheiros decorados ao celebrar as festividades natalinas; em 1671, a princesa Charlote Elizabeth da Baviera, esposa do duque de Orleans, introduz oficialmente esta tradição em todo o país.
E, finalmente, durante o reinado de Jorge III (1760-1820), o costume chega na Inglaterra, transmitindo-se para a América do Norte e dali, para o mundo inteiro. Contudo, qual é o significado das inúmeras esferas, bastões, cones, etc. que preenchem as suas ramagens? No decorrer dos séculos, foram se acrescentando bonitos enfeites ao pinheiro. Sua simbologia refere-se à imagem do segundo Adão, Cristo nosso Salvador (cf. 1Cor 15, 21-22; 45), o qual nos trouxe de volta os frutos perdidos pelo nosso primeiro pai, ao ter comido da árvore proibida (cf. Gn 2, 9; 3, 6). Por esta razão, esses belos atavios representam os preciosos e superabundantes frutos nascidos da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeira Árvore da Vida.

Missão no Vicariato apostólico de São Miguel de Sucumbíos confiada a Jesus Sacramentado

Mais um relato de Alessandro Schurig, aluno do ITTA, em missão no Vicariato Apostólico de São Miguel Sucumbíos na Amazônia equatoriana.

sucumbiosNo dia 03 de Dezembro foi realizada a primeira hora santa na Catedral provisória do Vicariato Apostólico de São Miguel de Sucumbíos. Acorreram à exposição do Santíssimo Sacramento mais de 150 pessoas, que puderam rezar um terço meditado com o pároco, o Revmo. Pe. Marlon Jiménez, EP. Durante o terço, o coro dos Arautos do Evangelho, que está auxiliando nesta missão, cantou músicas populares em honra do Santíssimo Sacramento e, no final, à Virgem Santíssima.
Neste ato, o pároco consagrou todos os trabalhos apostólicos da Catedral, bem como todos os seus fiéis, a Jesus Sacramentado, para grande alegria de todos os presentes.

Nossa Senhora do “Grand Retour”

No auge das aflições e angústias provocadas pela Segunda Guerra Mundial, a Virgem Maria transmite à França uma mensagem de amor e confiança que se estende a toda a humanidade.

Felipe Garcia López Ria – 1º Ano de Teologia

Em 1943, padecia o mundo as horríveis consequências da guerra mundial. Na França invadida e humilhada, milhares de famílias sofriam a angústia de ter um parente morto, prisioneiro ou desaparecido. Cabisbaixos, os franceses viam as tropas estrangeiras marcharem ufanas por suas cidades semidestruídas pelos bombardeios inimigos. Aflição e amargura imperavam nos espíritos.

Porém, em meio a tanta desolação, surge inesperadamente no horizonte um rastro luminoso de esperança. Uma após outra, várias cidades começam a engalanar-se como para uma grande festa: nas casas, pendem das janelas tapeçarias e arranjos florais de variadas cores. Graciosas guirlandas sustentadas por postes são erguidas nas ruas, sem falar nas inumeráveis bandeiras de cores branca e azul que tremulam, parecendo obedecer ao ritmo da música executada pela fanfarra local. As costureiras aprontam apressadamente os últimos detalhes das roupas de cerimônia das crianças. Nesses preparativos gerais, nem mesmo os homens ficam à margem: combinam entre si de trazer do bosque pitorescos arbustos para adornar os cantos das ruas.

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Regozijo e expectativa reinam em muitas cidades francesas, pressagiando algo de grandioso… Mas, não nos esqueçamos, isto se passa durante as tragédias da Segunda Guerra Mundial. O que terá feito as pessoas esquecerem por um momento suas dores? Quem será objeto de tanta homenagem?

Uma celestial visitante
“Ela está chegando!”… “Ali está ela!” — são os brados que anunciam o grande acontecimento. Um aparatoso cortejo entra pelas portas da cidade. Fiéis entoam cânticos religiosos a plenos pulmões. Todos os olhares se voltam para um andor que chega… Por seu formato, mais parece um barco. Sim, um pequenino barco sobre uma charrete puxada por cavalos enfeitados com fitas multicolores.
Sobre esta singular embarcação, que parece singrar os pavimentos das ruas, avista-se uma simples, porém tocante imagem da Santíssima Virgem. Após ter percorrido o povoado vizinho, Ela é recebida com grandes comemorações na igreja matriz, onde passará a noite em vigília com os fiéis.
Que Virgem é esta? Qual sua história? Por que tanto atrai as multidões em torno de si?

Presente da Providência

Sua origem remonta ao século VII. Certo dia, os habitantes de Boulogne-sur-Mer, extremo norte da França, avistaram na orla marítima uma embarcação sem velas, sem remos e sem marujos que a pudessem ter trazido. Nela encontraram uma piedosa imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus, da qual se irradiava uma luz extraordinária, transmitindo uma impressão de paz, calma e felicidade.
A devoção surgida em torno dessa imagem transformou aos poucos o local em centro de peregrinações. A ele acorreram personagens como São Luís IX, rei de França, e São Bernardo de Claraval. Por volta de 1100, Santa Ilda, Condessa de Boulogne, deu início à construção de um santuário que foi concluído cerca de 200 anos depois.
Séculos mais tarde, quando os furores antirreligiosos da Revolução de 1789 assolaram a França, não pouparam sequer a venerável imagem, que foi lançada às chamas, dela não restando mais que a mão direita. Parecia terminada, assim, a atuação de Nossa Senhora sob a invocação de Virgem de Boulogne-sur-Mer.

Cinco anos de missão popular

Entretanto, a Providência tinha outros desígnios. Em 1938 celebrou-se nessa cidade um congresso mariano durante o qual a França foi consagrada solenemente ao Coração Imaculado de Maria. E em 1942, o Papa Pio XII consagrou a Ela a humanidade inteira. A seguir, as autoridades eclesiásticas francesas renovaram a consagração da França, anteriormente realizada.
No rastro dessas graças, quatro cópias da imagem de Boulogne-sur-Mer partiram em peregrinação pelo país, em 1943, percorrendo em todas as direções durante cinco anos a terra de São Luís IX e despertando um movimento de orações, de penitência e de reafervoramento que só pode ter sido inspirado pelo Espírito Santo.
Esse movimento foi denominado de Grand Retour, devido aos seus objetivos imediatos: obter da Medianeira de todas as Graças o retorno dos cerca de um milhão de soldados franceses que continuavam como prisioneiros de guerra, o retorno da paz, o retorno da liberdade e, o que mais importava, o retorno da Fé. O sofrimento fazia as almas voltarem-se para Deus, à procura de auxílio e consolo.
O que se fez, na realidade, foi uma fervorosa e comovedora missão popular de cinco anos. As quatro imagens fizeram, no total, um percurso de 120 mil quilômetros, visitando 16 mil paróquias de 88 dioceses francesas. Foram anos de extraordinárias manifestações de entusiasmo e de piedade marial. Em qualquer lugar onde chegava uma imagem, ela era acolhida por uma multidão vibrante de Fé e devoção. E, ao partir, deixava como fruto de sua passagem conversões, milagres e uma alegria desbordante e generalizada.

Curas físicas e espirituais

Inúmeros fatos tocantes marcaram esses cinco anos de peregrinações.
Conta-se, por exemplo, que, ajoelhada e com os braços abertos em cruz, uma menina rezava certo dia durante largo tempo diante da maternal imagem. O que tanto suplicava ela? Desejava com ardor rever seu querido pai, o qual há vários anos havia partido para a guerra e nunca dera notícias. E foi atendida: chegando em casa, lá estava ele a recebê-la carinhosamente.
Narra-se também o caso de um ferreiro que batia vigorosamente sua bigorna durante a procissão com o objetivo de boicotar essa “idiotice”. Bastou o andor da Virgem parar alguns instantes diante da sua casa para ele, arrependido, unir-se à romaria…
Notou-se também uma pessoa que de má vontade acompanhava o cortejo. Emburrado, com os punhos cerrados, parecendo estar sob o efeito de misteriosa ação, dizia para si mesmo: “Esta Virgem é irresistível! Ela é irresistível!”. E quando a procissão chegou à Igreja, dirigiu-se de imediato ao confessionário.
Houve também curas físicas, mas eram sobrepujadas pelas espirituais. Por onde passava uma imagem, as igrejas ficavam lotadas; muitos acorriam ao Sacramento da Penitência e retornavam à prática da Religião, abandonada durante anos. Um pároco relatou que, antes dessa graça, não via um só homem rezando em sua igreja; depois da peregrinação, afluíam eles em grande número.

Nossa Senhora do “Grand Retour”

Em razão dessas graças, Notre-Dame de Boulogne passou a ser conhecida como Nossa Senhora do Grand Retour. E a renovação espiritual que a França experimentou naqueles cinco anos, bem mostrou quanto Maria jamais se esquece de alguém, velando por cada um como se fosse seu filho único. Com o seu Sapiencial e Imaculado Coração palpitando de ansiedade e santa pressa, Ela aguarda o nosso retorno à casa paterna para nos acolher, purificar e cumular de dons.Bottom of page
À Virgem Santíssima bem podem ser aplicadas estas palavras do Livro da Sabedoria: “Resplandecente é a Sabedoria, e sua beleza é inalterável: os que a amam, descobrem-na facilmente. Os que a procuram, encontram-na. Ela antecipa-se aos que a desejam. Quem, para possuí-la, levanta-se de madrugada, não terá trabalho, porque a encontrará sentada à sua porta” (Sb 6, 12-14).

ARAUTOS DO EVANGELHO, n. 91, jul 2009.

Ubatuba: Terra que evoca a santidade e o mar, o heroísmo e as montanhas…

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 2º Ano Teologia

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No único lugar da costa brasileira onde a Floresta Atlântica se une ao Oceano, exatamente onde o Trópico de Capricórnio cruza a parte mais oriental do Brasil, está Ubatuba, cidade de cerca de 80.000 habitantes a apenas 250Km da grande São Paulo. O doce movimento das montanhas da serra, somado ao harmonioso desenho do litoral, formam 80 praias de alva areia com portos naturais encrustados por aconchegantes ilhas. Cenário mais próprio a legenda, mas que possui uma História verdadeira que se remonta aos primórdios do Brasil.

A História do litoral norte de São Paulo se inicia com a pitoresca e trágica aventura de Hans Staden. Um alemão aventureiro, mestre em artilharia, que tendo naufragado no Brasil foi capturado pelos tupinambás. Em perigo de ser devorado pelos canibais, através de muita astúcia, o pitoresco personagem conseguiu enternecer a rude índole aborígene, estabelecendo inclusive boa amizade com o cacique. Após nove meses de incertezas, em 1557, Staden pode publicar já na Alemanha a primeira narrativa de viagens à América[1]. Nesta obra, ele não faz menção a qualquer vila na região que compreenda o litoral norte de São Paulo e sul do Rio de Janeiro; somente a partir da segunda metade do século XVI, aquela bela região passou a chamar-se Iperoig que, significa “águas que têm tubarões”. Estabeleceu-se lá uma pequena aldeia, não possuindo mais que algumas cabanas indígenas e canoas estacionadas em suas doces baías. Esta é a origem do nome atual de Ubatuba, que em tupi significa “muitas canoas”.[2]

Entretanto, Ubatuba foi o cenário para o lance talvez mais dramático da História do Beato José de Anchieta e do Padre Nóbrega no Brasil. Naquele tempo, o Brasil não era possuído na íntegra por Portugal. Os franceses ocupavam a atual região do Rio de Janeiro, chamada de França Antártica. Os mairs, como os índios denominavam os franceses, incentivaram os aborígenes a constituir a Confederação dos Tamoios chefiadas por Cunhambebe Pai, contra os portugueses.

Apesar de nunca ter acontecido um conflito direto, em 1563, após frustradas tentativas de conciliação entre lusos e indígenas, as autoridades pediram a intervenção da Igreja, que por causa de seu labor assistencial e evangelizador, era simpática às populações nativas. Para mediar as tratativas, foram escolhidos dois jesuítas de escol, Padre Manuel Nóbrega e Bem-aventurado José de Anchieta. Contudo, o objetivo não foi alcançado sem grandes sacrifícios.

Imagine, leitor, dois doutos europeus que estudaram nas mais famosas universidades ibéricas do século XVI, tendo-se destacado nos meios intelectuais por erudição e nos meios religiosos por virtude, adentrar-se no Brasil daquele tempo, selvagem, inóspito, cheio de feras e índios antropófagos… Somente a obediência religiosa explica que dois religiosos se entregassem como reféns alegres e abnegados nas mãos de canibais. Conseguindo as graças do tamoio Coaquira (ou Pindobuçu[3]), Anchieta pode celebrar em uma rústica e pequena Igreja, onde atualmente se encontra um cruzeiro, a primeira missa em Ubatuba, na presença de índios curiosos e reverentes. O jesuíta ministrava aos nativos rudimentares conhecimentos de higiene e recato, assim como de catequese. Todavia, ainda não podia batizá-los por causa da fragilidade de sua perseverança na Fé.

Anchieta e Nóbrega estiveram sujeitos a alimentar-se da comida dos silvícolas, a rasgar seus pés nos caminhos, sofrer frio, vigílias ao relento. Por seis vezes viram-se prestes a ser tragado pelas índias tupis nos bacanais antropófagos. Cunhabembe, chefe da confederação dos Tamoios, tentou matá-los várias vezes, e só não realizou seu intento, pela proteção que seu próprio filho, afeiçoado à santidade dos dois jesuítas. Além disso, por ajudar os índios nas dores físicas e espirituais, os religiosos conseguiram obter grande influência sobre os aborígines. Certa vez, na ausência de seus protetores, o chefe dos tamoios viajou a Caraguatatuba a fim de eliminar os dois jesuítas e, consequentemente, qualquer tratativa de paz. Avisados pelos índios que já se inclinavam ao cristianismo, Anchieta pôs-se em fuga pelas íngremes colinas de Ubatuba carregando às costas o doente Pe. Nóbrega. Quem diria que o destino do primeiro superior da missão jesuítica na América, celebre personagem das Universidades de Coimbra e Salamanca, estava nas mãos de um jovem religioso alquebrado… Após terem atravessado inclusive um rio, encontraram uma cabana indígena depauperada pelo tempo[4], na qual os dois jesuítas, ainda ofegantes e molhados, se abrigavam sob a proteção de Coaquira (Pindobuçu) e do filho de Cunhabembe[5].

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Mais grave que os perigos físicos eram os riscos espirituais a que os dois jesuítas estiveram sujeitos. Após o Pe. Nóbrega ser devolvido aos portugueses, o Pe. Anchieta, chamado carinhosamente pelos indígenas de Pajé-guaçu – grande Pai – permaneceu seis meses sozinho entre os índios. Os costumes morais, como a completa nudez e luxúria dos nativos, assim como atitudes provocantes de impudicícia de certas índias, constituíam situações comprometedoras ao celibato prometido pelo jovem clérigo. Nestas ocasiões, Anchieta despedia as índias com suavidade para não lhes causar ressentimentos e para distrair-se das tentações contra a virtude angélica, retirava-se às magníficas praias locais, prometendo a Nossa Senhora que caso conservasse a santa virtude, comporia em versos a vida da Santíssima Virgem.

Narra a História, que enquanto escrevia o poema nas areias de Ubatuba, uma avezinha de lindas cores pairava a seu redor, não hesitando inclusive em pousar-lhe sobre os ombros ou nas mãos[6]. Após três meses de solitário cativeiro, Anchieta compôs de memória, o “Poema à Virgem”, uma das primeiras peças literárias da cultura luso-brasileira com 5.800 versos em latim[7].

Anchieta foi um dos maiores homens da História do Brasil, não apenas por fazer a primeira Gramática em língua Tupi, o primeiro poema épico da América, “De gestis Mendi de Saa”, a fundação da cidade de São Paulo (1554), hoje uma das maiores e mais ricas metrópoles do mundo.

Graças ao trabalho do jesuíta, no dia 14 de setembro de 1563, dia da Exaltação da Santa Cruz, obteve-se a unidade entre portugueses e indígenas. Após tormentos sem conta realizou-se a cerimônia de paz diante do grande cruzeiro erguido em Ubatuba, podendo assim Anchieta voltar para São Vicente na canoa de Cunhabembe. Chegando à Ilha que hoje tem seu nome, Anchieta foi interceptado por índios que através de calúnias procuravam dissuadir o chefe tamoio de estabelecer a paz com os portugueses. Entretanto, o cacique preferiu aderir aos anseios pacíficos do Apóstolo do Brasil. Nesta bela ilha, sem papel nem tinta, se estabeleceu o primeiro tratado de paz da Américas[8]. Beato Anchieta nunca mais voltaria àquele panorama, mas recordava com saudade os sofrimentos e as consolações que a providência o glorificou nas terras e mares de Ubatuba.

É verdade que se compararmos cada pormenor de Ubatuba com acidentes geográficos de outras partes do mundo hesitaríamos em responder o que seria mais atraente. Contudo, existe em Ubatuba, algo de peculiar e que, talvez, não exista em outra parte do Brasil e do mundo. Naquele lugar que evoca a presença do Apóstolo do Brasil, Deus reuniu as belezas do mar, a grandeza das montanhas, o verdejante das florestas, o cristalino das cachoeiras, a exuberância da fauna e o pitoresco das ilhas. Com encanto especial, aquela paisagem sintetiza em sua simplicidade o esplendor da natureza brasileira. Rico panorama na qual Aquele que morreu por nós na Santa Cruz, quis que pairasse a benção de heróis que compraram a unidade e a grandeza do Brasil.


[1] STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1974. 218 p.

[2] OLIVEIRA, Washington de. Ubatuba. Documentário. São Paulo: Escritor, 1977. p. 32-40.

[3] Os nomes variam conforme o Livro. Na obra publicada pela Artpress, o autor se abstem de identificar os personagens indígenas.

[4] Na Praia Rio grande ou da Barra, em direção ao Morro do Padre ou do Matarazzo.

[5] Os nomes variam conforme o Livro. Na obra publicada pela Artpress, o autor se abstem de identificar os personagens indígenas.

[6] Cf. SAINTE-FOY, Charles. Vie du vénérable Joseph Anchieta de la Compagnie de Jésus. Paris : Casterman, 1858.

[7] Nota do Editor apud ROPS, Daniel. A Igreja Da Renascença e da Reforma 2. T. VII. São Paulo: Quadrante,1999. p. 302.

[8] Cf. ROCHA POMBO. História do Brasil. t. 1, 13 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1966.

As Universidades Eclesiásticas e o Processo de Bologna

Um dos professores do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA), Pe. Louis Joseph Goyard, EP, atual Secretário da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli, foi convidado pela Congregação para Educação Católica a participar do Congresso Le Facoltà ecclesiastiche e il “Processo di Bologna”: bilancio e prospettive, promovido pela mesma Congregação entre os dias 21 e 23 de outubro na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Sorbonne
O processo de Bologna nasceu com o objetivo de estabelecer um espaço comum no mundo do saber europeu. Estruturado na Universidade de Bologna em 1999, foi inspirado na Magna Charta Universitatum de 1988 que procurava unificar os parâmetros da instrução superior europeia.
Com este processo visa-se, não somente a uniformidade dos títulos superiores no âmbito europeu, mas o reconhecimento deles, a validação do sistema de créditos, a homogeneidade do critério de avaliação na atividade de pesquisa e ensino, assim como a mobilidade dos estudantes que proporcione a passagem por diferentes universidades, ainda que em países diferentes. O Processo de Bologna tem ainda como objetivo abranger outros países não europeus.
No mundo acadêmico do velho continente, a Igreja não possui apenas o mérito histórico de ter fundado múltiplas universidades, como ainda hoje possui uma presença de importância incontestável. Com cerca de 200 faculdades eclesiásticas e 190 institutos acadêmicos filiados, a Igreja cumpre satisfatoriamente no continente europeu seu múnus de ensinar. Por esta razão, em 2003, durante as reuniões em Berlim, a Santa Sé aderiu ao processo de Bologna.
A fim de vigiar e qualificar suas Instituições de ensino, a Santa Sé constituiu a AVEPRO que tem por finalidade averiguar a qualidade de ensino nas universidades eclesiásticas, tornando possível inclusive o crescimento no diálogo com representantes de outros países.

Relato de um aluno do ITTA, missionário na Amazônia Equatoriana

Alessandro Schurig
Aluno egresso do ITTA

A Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli recebeu uma grande dádiva dos céus! Sua Santidade o Papa Bento XVI confiou aos seus cuidados um vicariato apostólico situado no oriente equatoriano, na província de Sucumbíos.
Para atender este chamado do Santo Padre, alguns seminaristas que concluíam o curso do ITTA foram convocados a contribuir na assistência pastoral do Vicariato Apostólico São Miguel de Sucumbíos enquanto finalizam o trabalho de conclusão de Curso (TCC). Eis o relato de Alessandro Schurig:

Sucumbius

“Em menos de um mês de trabalho, já podemos contar nas celebrações com diversos coroinhas ávidos de servir ao altar.
“A frequência aos sacramentos tem sido muito grande, pois em poucas semanas de trabalho já se pôde instaurar a missa diária na Catedral provisória, com imensa alegria para o povo, que aplaudiu ao novo Administrador Apostólico, Mons. Rafael Ibarguren, EP, ao serem questionados se realmente queriam que houvesse estas missas todos os dias.
“As confissões têm se multiplicado, pois em todas as missas dominicais celebradas nas diversas comunidades do vicariato, há um zelo especial para que haja um padre confessando os fiéis.
“Na catedral provisória de Nossa Senhora del Cisne, que atende às funções do vicariato até o término da construção da catedral, o Pe. Marlon Jiménez, pároco, recebe os fiéis duas vezes por dia, atende os mais diversos pedidos de conselhos, confissões, unções dos enfermos para contentamento de todos no vicariato cuja avidez sacramental é notória.
“Mérito da administração dos Carmelitas e de Dom Gonzalo López Marañón, este vicariato conta com diversas e bem estruturadas organizações de pastorais, catequese e comunidades que têm contribuído muito para que a evangelização frutifique. Assim, com a ação da graça de Deus, esperamos a transformação da cidade em vista do bem comum, porque quando os habitantes estão com a alma aberta para receber a benéfica e santa influência da Igreja Católica, maravilhas se operam e muitas coisas se ordenam.
Partindo do que nos ensina o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, cabe “tornar acessíveis às pessoas os bens necessários materiais, culturais, morais, espirituais” (n. 168). Sim, todos são necessários, pois o homem é corpo e alma. Ora, continua o mesmo documento:
“O bem comum da sociedade não é um fim isolado em si mesmo; ele tem valor somente em referência à obtenção dos fins últimos da pessoa e ao bem comum universal de toda a criação. Deus é o fim último de suas criaturas e por motivo algum se pode privar o bem comum da sua dimensão transcendente (n. 170).
“Para quem está em missão, este ensinamento transmite uma nova vida, e enriquece a exortação do Papa João Paulo II na Novo Millennio Ineunte quanto ao que deve estar na atenção principal de todos os que exercem um trabalho pastoral: “O primado de Cristo, da vida interior e da santidade” (n. 38).
“Este povo parece estar destinado por Deus a um grande futuro, pois Ele e sua Mãe Santíssima não deixarão de recompensar este desejo profundo – dir-se-ia, insaciável, do divino –, além de uma predisposição em deixar-se modelar por tudo o que a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana quer para seus filhos.

Deus vem

Thiago de Oliveira Geraldo – Professor de Introdução à Sagrada Escritura (ITTA)
In: Gaudium Press

Quais são as características da verdadeira amizade? São várias, uma delas se comprova quando se tem a confiança de revelar ao amigo os próprios pensamentos. É o que há de mais íntimo no ser humano, lugar impenetrável aos outros, não para um verdadeiro amigo. Pode-se revelar um segredo ou mesmo um desejo. “O termo ‘revelação’ significa literalmente ‘tirar o véu que oculta alguma coisa’.” [1]

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Outra prova de uma amizade levada até as últimas consequências é dar a própria vida, se necessário, por quem se ama. Imaginemos, por exemplo, um inocente condenado à morte cuja execução se dará em breve, seria difícil oferecer-se para morrer em seu lugar, mesmo sabendo que nele não há crime algum. Mais difícil seria dar a vida por um criminoso manifesto. Talvez um grande amigo pudesse se apresentar a fim receber a sentença que coubesse ao outro, mas vejam que não é fácil.

Pois bem, Deus tanto amou aos homens que não só entregou Sua vida pelos réus de morte (pecadores) a fim de lhes abrir as portas do céu, mas também quis vir ao encontro do ser humano por meio da Revelação Divina.

De alguma forma o Criador está acessível a todos. Para alguns, é possível encontrá-Lo através da luz natural da razão pelas obras criadas, como ensina São Paulo: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras” (Rm 1,20). Para outros, foi-lhes dada a Revelação Divina, inacessível à pura razão: “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas” (Hb 1,1). Isto sempre se realizou dentro dos desígnios benevolentes de Deus.

O importante é saber que a revelação d’Ele nos chegou por meio de palavras e obras, desta forma entramos em contato com o mistério de Deus, que conduz a história da nossa salvação. Mas Deus quis nos dar absolutamente tudo, e isso se realizou quando enviou seu próprio Filho ao mundo: “Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra” (Hb 1,2-3).

Jesus Cristo é o ápice da Revelação Divina, Deus disse tudo através de seu Verbo Encarnado: “Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não se há-de esperar nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. 1 Tim 6,14; Tit 2,13)”.[2] Não se espera outra revelação antes da manifestação gloriosa do Senhor, mas os cristãos revivem os acontecimentos de Sua vida.

Através da liturgia se celebra os acontecimentos que trouxeram a nossa salvação. Deus Pai enviou seu Filho que morreu por nós e é o Espírito Santo que atualiza esta memória na liturgia: “A liturgia cristã não somente recorda os acontecimentos que nos salvaram, como também os atualiza, torna-os presentes. O mistério pascal de Cristo é celebrado, não é repetido; o que se repete são as celebrações; em cada uma delas sobrevém a efusão do Espírito Santo que atualiza o único mistério”.[3]

Entre os acontecimentos que a liturgia comemora está o advento, próximo a iniciar-se.

O ano litúrgico dos cristãos está separado por períodos, aos quais cabe contemplar misticamente a vida do Divino Redentor. Entre eles está o período do Natal, onde se espera a chegada do Salvador em meio aos homens, comemorado no dia 25 de dezembro. Como preparação para esta chegada, a Igreja instituiu a celebração de quatro domingos, conhecidos como “advento” (do latim significa “chegada”, “vinda”). Espera-se a vinda de Jesus, seu nascimento. Também se refere à segunda vinda de Jesus Cristo.

Desde o século XI o advento abre o ano litúrgico (eclesial), que se encerrou com a solenidade de “Cristo Rei”.

São quatro semanas de preparação para o Natal, nas quais a liturgia vai progressivamente pedindo a vinda do Salvador. Nem sempre e em todos os lugares foram quatro semanas de advento, ocorriam variações entre três a seis semanas; no entanto, em Roma, as quatro semanas são celebradas desde o século V.

Como símbolos desse tempo, podem-se encontrar manifestações de penitência e alegria, ambas com moderação. A penitência se verifica, por exemplo, na ausência do cântico do Glória, bem como nos paramentos roxos, e etc. A alegria se manifesta com cântico do Aleluia e com o domingo Gaudete (“Alegrai-vos”), cujos paramentos são róseos; mas, sobretudo, entre os símbolos de alegria no advento se encontram duas festas votadas à Mãe de Deus. Em oito de dezembro se celebra a solenidade da Imaculada Conceição, em honra da Virgem Maria concebida sem pecado original; dogma proclamado por Pio IX, em 1854. E a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, Padroeira da América Latina, em 12 de dezembro.

Neste sentido, “o Advento é por excelência o tempo da esperança, no qual os crentes em Cristo são convidados a permanecer em expectativa vigilante e laboriosa, alimentada pela oração e pelo compromisso efetivo do amor”.[4] Na liturgia espera-se este Deus que vem, porque “Deus vem para nos salvar”.[5]

Deus é o nosso verdadeiro Amigo. Além de enviar seu Filho para morrer por nós na cruz e de se ter revelado definitivamente, ainda confia à Igreja a missão de transmitir estes acontecimentos todos os anos, sob os auspícios do Espírito Santo. É a nossa vez de provar que também somos fiéis a esta amizade, nos preparando para este tempo que se inicia.

Thiago de Oliveira Geraldo

[1] MONFORTE, Josemaría. Conhecer a Bíblia. Trad. de Luis Margarido Correia. Lisboa: DIEL-L, 1998, p. 18.
[2] Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, n. 4.
[3] Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 1999, n. 1104.
[4] BENTO XVI. Angelus, 3 de Dezembro de 2006.
[5] BENTO XVI. Homilia, 2 de Dezembro de 2006.

Um reto caminho em busca da verdade

Marcos Inácio Melo – 2º Ano TeologiaMons diploma_13

Em nome e por autoridade de Bento XVI e pela potestade apostólica concedida à Universidade Pontifícia Bolivariana (UPB), Mons. João Scognamiglio Clá Dias recebeu o título de Doutor canônico em Teologia com a nota Summa cum laude, na Igreja do Seminário São Tomás de Aquino (Brasil), no dia 3 de novembro de 2010.

O Reitor da Universidade Pontifícia Bolivariana, Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez, presidiu a cerimônia na qual estava presente o Decano da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades da UPB, Pe. Diego Alonso Marulanda Díaz.

Após a entonação dos hinos nacionais da Colômbia e do Brasil, e a imposição do escudo da UPB no escapulário do ilustre graduando, foi-lhe concedido o título de Doutor em Teologia pela defesa da tese: “O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira”.

Ao receber este título, Mons. João Clá prestou o solene juramento institucional que exige as virtudes morais do espírito bolivariano, assim como a plena fidelidade à moral cristã.

Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez dirigiu as seguintes palavras ao novo doutor canônico em teologia, em presença do público que deixou repleta a igreja de Nossa Senhora do Rosário.

“Mons. João Clá, Doutor em Teologia pela Universidade Pontifícia Bolivariana, queridíssimos membros dos Arautos do Evangelho, amigos todos; é para mim motivo de grande alegria vir ao Brasil, São Paulo, para entregar pessoalmente a Mons. João Clá o título de Doutor em Teologia.

“Todos somos testemunhas de como Monsenhor cumpriu ao longo de sua existência um reto caminho em busca da verdade, dando espaço à ação do Espírito em sua vida, reservando um lugar em seu coração ao amor de Deus. Isto faz com que ele possua esta capacidade de convocatória que atrai a ação do Espírito, a fim de que o amor de Deus suscite uma comunidade como os Arautos do Evangelho. Para isso, o Senhor se aproveita como instrumento valiosíssimo da pessoa, do ser e da vida de Mons. João Clá.

“Neste exercício em busca da verdade Mons. Clá se esforçou em esquadrinhar os princípios do Evangelho, da Sagrada Escritura, do Magistério da Igreja, e ao que nossos teólogos e filósofos produziram ao longo de 2000 anos. Ele entendeu muito bem que primeiro é necessário conhecer o Senhor para poder amá-lo e anunciá-lo. Esta foi a vida de Mons. Clá: conhecer a doutrina, através do estudo e da disciplina, amar com coração ardente e converter-se em peregrino e testemunha de Jesus.

“Seu título de teólogo não é mais que uma ratificação do que foi a sua vida. Por esta razão, quando na UPB – criada em 1936 e reconhecida como pontifícia em 1945 – tomamos conhecimento do desejo, do anelo e do sonho de Monsenhor João Clá de obter o título de doutor, imediatamente a diretoria da faculdade, Pe. Jorge Iván e Pe. Diego Marulanda, confrontaram toda a experiência acadêmica de Monsenhor somadas à sua experiência de vida.

“Como determinam nossos estatutos bem se poderia homologar suas experiências acadêmicas, pastorais e laborais, porque sem dúvida, quando se trata de doutorado o que se busca é experiência de vida, e no caso de Monsenhor poderíamos ainda acrescentar experiência de espiritualidade. Assim, pôde perfeitamente concluir seu trabalho de tese. Obra, aliás, feita com amor, fé, esperança e qualidade. Assim, pois, deve ser sempre nosso exercício acadêmico: qualidade, fé, esperança e amor.

“Seu trabalho foi extensíssimo. Centenas de páginas foi o resultado final de uma obra que sem dúvida alguma irá marcar a História dos Arautos do Evangelho. Com a publicação da tese todos poderão gozar e deleitar-se com esta obra, que repito, foi feita com muito amor, e espero não me equivocar, preparada em vista de cada um de vós.

“Felicito de todo coração a Mons. Clá. Agradeço seu testemunho valente de entrega ao realizar a tese doutoral em meio às múltiplas ocupações próprias à sua função. Gostaria publicamente de agradecer a Monsenhor a confiança que ele depositou em nossa Universidade Pontifícia Bolivariana, pois bem conheço as referências que tem dado de nossa instituição. Nosso compromisso não é defraudá-los, mas seguir acompanhando esta formação íntegra e integral.

“Agradeço por acreditar na UPB, pela possibilidade de convidar-nos ao Brasil dando-nos oportunidade de conhecer esta obra. Sem dúvida alguma, quando retornarmos a Medellín, possuiremos gratas recordações.

“Que seu trabalho – não me refiro apenas ao acadêmico, mas também ao pastoral relacionado com todos os seus filhos – produza frutos em abundância para maior glória de Deus. Muito obrigado”.

Após a leitura e assinatura da ata, foi entoado em ação de graças o cântico do Magnificat.

As moedas que compram o Céu

Lucas Antonio Pinatti – 2º ano Teologia

“Maria conservava todas essas coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2, 19). Eis o exemplo que nos dá NossaTeatro Sta Inês2 Senhora, quanto a todos os ensinamentos e fatos da vida, paixão e morte de Jesus. Com esse intuito, os seminaristas do Seminário São Tomás de Aquino, encenaram a peça teatral “O rei e o terço”, desta vez na Capela Santa Inês.

O terço é para nós, Católicos, um dos meios mais eficazes de meditar nas cenas evangélicas, pedir a intercessão de Maria, suportar os sofrimentos de nossa peregrinação terrena e alcançar a misericórdia divina. Conta-nos São Luís Maria Grignion de Montfort que Nosso Senhor apareceu um dia a Santa Gertrudes contando moedas de ouro; ela teve a curiosidade de perguntar-lhe o que fazia: Conto – respondeu Jesus – tuas Ave-Marias: é a moeda com que se compra meu paraíso.

Digno de nota é também o que nos narra o Beato Alain de la Roche: Certa vez, uma religiosa muito devota do Rosário apareceu depois da morte a uma de suas irmãs e lhe disse: “Se eu pudesse voltar a meu corpo para dizer somente uma Ave-Maria, ainda que fosse sem muito fervor, para obter o mérito desta oração, sofreria com gosto todas as dores que padeci antes de morrer”. É preciso advertir que havia sofrido durante vários anos sofrimentos atrozes.

Lembremo-nos, ainda, que o rosário consta de duas categorias de orações: mentais e vocais. Estas últimas fazemo-las através da recitação da Ave-Maria, do Pai-Nosso, etc. As mentais, nós a fazemos ao longo do terço meditando nos mistérios da vida de Jesus.

A Santíssima Virgem é para nós um grande modelo de meditação; disse Ela um dia a Santa Brígida: “Quando contemplava a beleza, a modéstia, a sabedoria de meu Filho, sentia minha alma transportada de alegria, e quando considerava que suas mãos e seus pés haveriam de ser atravessados com cravos, vertia uma torrente de lágrimas, partindo-se-me o coração de dor”.

Foi para incentivar esta devoção que o seminaristas maiores e menores da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli encenaram a peça teatral o “O rei e o terço”, baseado em uma história narrada por São Luís Grignion de Montfort. O enredo da peça trata de um soberano a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário. Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e a fim de animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse. E isto bastou para incentivar todos a rezá-lo devotamente, trazendo inúmeras graças para o reino, e para a conversão do próprio monarca.

Teatro Sta Inês