Mestrado em teologia dogmática

Alexandre José Rocha de Hollanda Cavalcanti defensa de tesisNo dia 06 de setembro de 2012, o arauto Alexandre José Rocha de Hollanda Cavalcanti defendeu a tese de mestrado a fim de obter a Licenciatura Canônica em Teologia Dogmática pela Facultad de Teología Pontificia y Civil de Lima. A temática de seu trabalho, orientado por Mons. Dr. Pedro Hidalgo Díaz, Reitor da Faculdade, foi mariológica: María en la Estructura Fundante de la Salvación y la presencia de esta doctrina en la Colección de Misas de la Virgen María (Em português, Maria na Estrutura Fundante da Salvação e a presença desta doutrina na Coleção de Missas da Virgem Maria). Alexandre, que é pernambucano, continuará as pesquisas a fim de obter o doutorado.

A Facultad de Teología Pontificia y Civil de Lima administra os cursos de Filosofia, Teologia e Pedagogia. Nela estudam os seminaristas diocesanos (Seminário Santo Toríbio de Mongrovejo) e muitos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos. É a instituição Pontificia de ensino superior mais antiga da América, fundada em 1548 por decreto de São Pio V. Dela derivou a Universidade São Marcos, uma das mais importantes universidades do Peru e da América Latina.

PUC-Rio: Simpósio internacional sobre o pensamento de Joseph Ratzinger se iniciará em novembro

Bento XVI Joseph Ratzinger Benedetto Bededict Bento 16A Fondazione Vaticana Joseph Ratzinger – Benedetto XVI, juntamente com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), através de seu Departamento de Teologia, promoverá nos dias 8 e 9 de novembro de 2012, no Campus da PUC-Rio, o II Simpósio sobre o pensamento de Joseph Ratzinger.

Uma das motivações para a realização do Simpósio n Cidade Maravilhosa é a visita do Papa Bento XVI ao Rio de Janeiro, em virtude da Jornada Mundial da Juventude, em julho de 2013.

A Fondazione Vaticana Joseph Ratzinger – Benedetto XVI, foi criada em 1 de março de 2010, com o escopo de promover o conhecimento e o estudo da teologia, e a premiação de pesquisadores e a organização e a realização de eventos de alto valor cultural e científico.

Tomando como base a indagação sobre “o que faz o ser humano, humano”, o título deste II Simpósio será: Humanização e sentido da vida. Divididos em eixos temáticos e de comunicações: filosófico-teológico; midiático; expressões culturais; sócio-econômico; técnico-científico.

Este Simpósio herda a experiência do primeiro realizado na cidade de Bydgoszcz, na Polônia, nos dias 27 e 28 de outubro de 2011. Um evento dessa natureza constituirá uma possibilidade ímpar para que instituições universitárias ou docentes e discentes em particular compartilharem os resultados de suas pesquisas. Os organizadores do evento estimam reunir reitores de prestigiosas universidades do Brasil e de outros dez países como membros do comitê científico, o qual é presidido pelo Pe. Josafá Carlos de Siqueira, S.J. Reitor da PUC-Rio.

Na programação abaixo transcrita, destaca-se a presença do Cardeal Dom Cláudio Hummes que fará a primeira conferência assim como do Comitê Honorário composto por Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de Rio de Janeiro e Mons Giuseppe A. Scotti, Presidente da Fondazione Joseph Ratzinger. Os Arautos do Evangelho estão involucrados na organização do evento.

Programação Geral

Dia 8 de novembro – quinta-feira

07h às 08h30m Acolhida, credenciamento e café de abertura

08h30m às 09h30m Cerimônia de abertura do Simpósio

09h30m às 10h30m Primeira Conferência: ministrada pelo Emmº Dom Cláudio Cardeal Hummes

10h30 às 11h Intervalo

11h às 12h30m Mesa Redonda: (Prof. Marcílio Marques Moreira, ex-ministro da Economia, Fazenda e Planejamento do Brasil, Acadêmico Luiz Paulo Horta da Academia Brasileira de Letras e Prof. Dr. Clemens Franken Kurzen da Pontificia Universidad Católica de Chile)

12h30m às 14h30m Almoço

14h30m às 17h Comunicações

17h30m às 18h Síntese dos Trabalhos

18:15 Concerto

Dia 09 de novembro – sexta-feira

08h às 09h Acolhida

09h às 10h30m Segunda Conferência: (ministrada pelo Prof. Peter Damian Francis Stilwell da Universidade Católica Portuguesa)

10h30 às 11h Intervalo

11h às 11h30m Relato dos Trabalhos: Excº Prof. Dr. Dom Paulo Cezar Costa, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

11h30m às 12h30m Cerimônia de encerramento

Pe. Mariusz Kucinski, Diretor do Centro de Estudos Joseph Ratzinger-Bento XVI, visita os Arautos

Pe. Mariusz Kucinski
Pe. Mariusz Kucinski

Pe. Mariusz Kucinski, Diretor do Centro de Estudos Joseph Ratzinger-Bento XVI na Polônia, celebrou no dia 18 de agosto de 2012 uma solene eucaristia na Basílica Nossa Senhora do Rosário e conheceu os professores, os alunos e as instalações do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA) e do Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista (IFAT).

Pe. Kucinski está no Brasil em razão dos preparativos do próximo Congresso da Fundação Vaticana Joseph Ratzinger-Benedicto XVI, que será realizado no Rio de Janeiro entre os dias 8 e 9 de novembro de 2012. O tema do congresso será essencialmente antropológico: “O que faz com que o homem seja homem”. O evento tem em vista a próxima Jornada Mundial da Juventude que se dará na capital carioca em 2013.

Pe. Mariusz Kucinski é sacerdote da Diocese de Bydgoszczy e Docente na Escola de Estudos Superiores de Kujavia-Pomerânia (Kujawsko-Pomroska Szkola Wyzszca – KPSW). Além de filósofo e teólogo, é pós-graduado em dziennikarzem.jornalismo pelapel Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, Doutor em comunicação social. É Fundador da Rádio Santo Adalberto na cidade de Gniezno e da filial local do semanário “Domingo”. Por um ano, trabalhou como porta-voz da Arquidiocese de Gniezno.

Salesianos completam a formação dos seminaristas dos Arautos do Evangelho

Enrico Dal Covolo Foto Picture
Dom Enrico Dal Covolo

Dom Enrico Dal Covolo, salesiano, Bispo titular de Eraclea e Reitor da Pontificia Università Lateranense de Roma, Pe. Cosimo Semeraro, sacerdote salesiano, Secretário do Pontificio Comitato di Scienze Storiche da Santa Sé, e Pe. Mauro Mantovani, sacerdote salesiano, Vice-reitor da Università Pontificia Salesiana de Roma, estiveram no Brasil por cerca de uma semana visitando o Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA) e o Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista (IFAT).

O convívio entre esses ilustres salesianos e o corpo docente e discente dos institutos de filosofia e teologia dos Arautos do Evangelho começou no dia 1º de agosto, quando Dom Enrico presidiu a solene Eucaristia concelebrada por Pe. Mantovani e Pe. Semeraro na Brasílica Nossa Senhora do Rosário, localizada em Caieiras, região metropolitana de São Paulo.

Dom Cosimo Semeraro
Pe. Cosimo Semeraro

Durante a primeira semana de agosto, Pe. Mantovani, como professor convidado do IFAT veio ao Brasil para lecionar sobre as Cinco Vias de São Tomás de Aquino. No dia 7 de agosto, ministrou uma excelente conferência para os alunos do ITTA e do IFAT sobre “Il ‘realismo della fede’ e la nozione ‘allargata’ di scienza”.

Dom Enrico Dal Covolo também ministrou no dia 6 de agosto, uma conferência brilhante com o tema: “La testemonianza dei Padri della Chiesa e la trasmissione della fede nel mondo d’oggi”. Em seguida Pe. Cosimo Semeraro tratou sobre os preparativos dos congressos que se darão em Roma entre os anos de 2012 e 2015 em função do quinquagésimo aniversário do Concílio Vaticano II. No mesmo dia, Dom Dal Covolo celebrou uma solene eucaristia de despedida, concelebrada pelos dois mencionados sacerdotes salesianos assim como por outros sacerdotes dos Arautos do Evangelho, na Basílica Nossa Senhora do Rosário.

Dom Enrico Dal Covolo nasceu em Feltre em 1950, foi ordenado sacerdote em 1979 e é Doutor em Teologia e Ciências Patrísticas pelo Instituto Patristico Augustinianum de Roma. Além de sócio de algumas academias científicas européias e consultor de diversas Congregações da Santa Sé, pregou em 2010 um retiro quaresmal ao Papa Bento XVI e à Cúria Romana. Desde 2010 é Reitor da Pontificia Università Lateranense de Roma.       

Pe. Cosimo Semeraro nasceu em Taranto em 1942, foi ordenado sacerdote em 1971 e é Doutor em História da Igreja pela Pontificia Università Gregoriana de Roma e Docente em História da Igreja moderna e contemporânea.

Padre Mauro Mantovani SBD
Pe. Mauro Mantovani

Pe. Mauro Mantovani nasceu próximo a Turim em 1966. Em 1986 ingressou na Congregação Salesiana. Foi ordenado sacerdote em 1994 e obteve o Doutorado em Filosofia na Pontificia Universidad de Salamanca, Espanha. Além de Vice-reitor da Pontificia Università Salesiana de Roma é membro da Pontificia Accademia San Tommaso d’Aquino, conselheiro da Società Internazionale Tommaso d’Aquino e professor convidado no Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista.

Entrevista com Prof. Anthony J. Cernera, Presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC)

Anthony CerneraO Prof. Dr. Anthony J. Cernera é Presidente da FIUC, doutor em teologia e foi presidente da Universidade Sagrado Coração (Sacred Heart University), em Fairfield, Connecticut, EUA, de 1998 a 2010, sendo atualmente professor de Estudos Religiosos nesta instituição. Sob sua liderança, a universidade conseguiu dobrar o número de estudantes de graduação, criar mais de uma dezena de programas, incluindo doutorado em Fisioterapia, além de estabelecer novos campi em Luxemburgo e Irlanda.

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Durante três anos, Anthony J. Cernera foi eleito presidente da Conferência de Faculdades Independentes de Connecticut, sendo ainda diretor da Associação Nacional de Faculdades e Universidades Independentes e da Associação de Faculdades e Universidades Católicas.

Anthony J. Cernera é diretor fundador e membro do comitê executivo do Global Virus Network, rede internacional formada pelos 27 principais centros de pesquisa em vírus na internet. É diretor da Fundação Stem for Life, que financia pesquisas em desenvolvimento de terapias com células-tronco adultas. Participa ainda da diretoria de outras fundações e ministra palestras sobre identidade católica e diálogo inter-religioso. Leigo, nascido em 1950 é descendente de emigrantes italianos de Nápoles e da Calábria.

1- Que pontos de aprofundamento nas relações entre Fé e razão o Prof. Anthony Cernera, Presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas, recomenda para os pesquisadores nesse início do segundo decênio do século XXI?

Prof. Anthony Cernera: O maravilho caminho que nos pode guiar nesse ponto, é a missão de congregar os educadores em todo o mundo. Nós necessitamos aprender uns dos outros sobre as diferentes culturas que os estudantes vivem, e mais especialmente nas relações entre fé e cultura. O diálogo entre a fé e a cultura, da fé e da ciência, deve ser sustentado onde está a universidade católica. Assim os pesquisadores de mais de 200 universidades católicas dedicam-se a isto nessa semana esperando assim, em fraterna união, aprimorar o diálogo entre as culturas e a fé.

2. Qual o principal obstáculo para reunir todas as universidades católicas sob o ideal defendido pela FIUC, visto que ela congrega cerca de 20% das universidades católicas do mundo?

Prof. Cernera: Algumas universidades não apreciam o valor e a importância de estar conectadas com organizações globais. Algumas universidades não são capazes de compreender a dimensão internacional própria à nossa identidade católica. Há de se ajudar as pessoas a entender que ser católico, além de significar estar unidos entre si num país particular, significa sobretudo estar inserido no grandioso contexto da Igreja Universal. Alguns não apreciam isso. No entanto, embora haja algumas universidades que não sejam membros formais da federação, estamos em contato direto e indireto com todas as universidades católicas do mundo.

3- No mundo moderno há um dilema entre a ética pós-moderna e a ética cristã. O que a Federação orienta aos seus membros sobre essa perspectiva?

Prof. Cernera: A imagem que poderíamos usar para esse problema, é que as Universidades Católicas devem construir pontes. Não devemos procurar as diferenças, mas os lugares nos quais podemos começar um diálogo. Onde não há diálogo, não há possibilidade para as pessoas de nossos dias participarem na vida da Igreja. Assim, nossa responsabilidade de evangelizar consiste sobretudo na missão de construir pontes de diálogo, de comunicação, e mais especialmente nos pontos que temos em comum, e a eles devemos nos dedicar. Assim penso que as universidades católicas devem sempre encontrar pontos de diálogo a fim de dizer uns aos outros o que se pode ensinar e o que se pode aprender.

4- O que a Federação propõe de programas para os membros das instituições federadas na FIUC?

Prof. Cernera: A Federação Internacional de Universidades Católicas está mais especialmente voltada para os reitores das universidades, mas há também grupos setoriais que congregam professores de psicologia, educação, teologia e filosofia. Eles se reúnem para aprimorar as relações entre os professores e os alunos. Assim há um trabalho voltado aos professores, enquanto que com os estudantes o trabalho é bem reduzido. O foco principal da federação são de fato os reitores das universidades.

Junto aos diretores visamos aprimorar sua formação espiritual no seio da faculdade em vista dos estudantes. Procuramos desenvolver programas com os diretores para o aprimoramento de seus campus. Por exemplo, nos Estados Unidos, temos cerca de 220 universidades católicas, nas quais há a possibilidade de que os estudantes cursem teologia, mas em outras partes do mundo, os cursos de teologia não estão presentes na grade curricular. Nós tentamos encorajar as instituições filiadas a implantar os cursos de teologia ao lado de seus excelentes programas de Engenharia, Educação e Direito. Dessa forma pode-se engajar os estudantes nas tradições teológicas e espirituais para que as universidades católicas possam ser completamente católicas em vista de formar profissionais melhores, e sobretudo, pessoas melhores. Nossa missão também é encorajar os reitores a refletir sobre esse ponto.

Autor: Marcos Melo

Revisão: Guy de Ridder

Cardeal Zenon Grocholewski celebra Eucaristia de abertura da 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional de Universidades Católicas em São Bernardo do Campo

Cardeal Zenon Grocholewski

O Cardeal Zenon Grocholewski, Prefeito da Congregação para a Educação Católica (Santa Sé), celebrou a Missa de abertura da 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional de Universidades Católicas − FIUC (em Inglês International Federation of Catholic Universities – IFCU) no dia 23 de julho, na capela Santo Inácio de Loiola do Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.

A Solene Eucaristia foi concelebrada pelos cardeais Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida e Presidente da CNBB, e pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, dois bispos e uma vintena de clérigos. Cerca de 140 reitores e representantes de 113 universidades católicas de 44 países do mundo assistiram à celebração.

No início da Missa, o Cardeal Grocholewski leu o decreto da Santa Sé que oficializa o Bem-aventurado Cardeal John Henry Newman como patrono da Federação Internacional de Universidades Católicas.

Na homilia, o Cardeal Zenon tratou essencialmente da virtude da fé: “a fé que atua através do amor, e se converte num novo critério de pensamento que penetra em toda a vida do homem. No mundo universitário católico, a fé jamais pode ser considerada como mero acessório determinado por uma moda momentânea. A fé no Cristo morto e ressuscitado deve acompanhar cada reflexão e aprofundamento que se faça sobre a natureza, sobre o homem e sobre a sociedade. Querer-lhes subtrair a fé da investigação científica, significa construir uma ciência na qual reina o vazio”.

Em seguida, relembrou o papel da sabedoria na formação acadêmica: “O sinal da sabedoria de Salomão mencionado por Jesus Cristo no Evangelho nos leva a compreender que para aderir a Cristo, se requer ademais da fé n’Ele a asa da sabedoria ou da razão, a qual em perfeita harmonia com a fé pode alcançar os mistérios divinos”.

Sobre o papel da oração nas universidades católicas acrescentou o Cardeal: “É necessário recordar que a fonte da sabedoria de Salomão era seu permanente contato com Deus, ou seja, a oração e conversação com o Criador. Sem a oração seu raciocinar poderia ser considerado banal ou ausente de testemunho. A Rainha do Sul não haveria se proposto a escutar a sabedoria de Salomão se não houvesse encontrado em seu pensamento uma verdade nova e real, a verdade de Deus”.

Concluiu a brilhante homilia afirmando parafraseando um pensamento da encíclica Fides et Ratio do Beato Papa João Paulo II : “Nas universidades católicas, a razão não pode esquecer o mistério do amor que a cruz representa, enquanto que esta pode dar à razão a resposta última que busca. Não é a sabedoria das palavras senão a Palavra da sabedoria o critério de verdade. […] Que nossas instituições universitárias católicas sigam dando testemunho da fé em Cristo e da Sabedoria que vem do alto. Que ambas as asas, a fé a razão, continuem atuando no mundo universitário católico”.

Autor: Marcos Melo

Revisão: Guy de Ridder

Entrevista com Cardeal Odilo Pedro Scherer e líderes da FEI por ocasião da 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC)

Cardeal Odilo Pedro SchererCardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e membro de várias Congregações Romanas, após concelebrar a Solene Eucaristia de abertura da 24ª Assembleia Geral da FIUC, no dia 23 de julho, fala sobre a missão das Universidades Católicas na arquidiocese de São Paulo.

1. Qual a missão das universidades católicas, mas especialmente no Brasil e na arquidiocese de São Paulo?

Cardeal Odilo Pedro Scherer: Nós estamos acompanhando a 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional das Universidades Católicas. Grande número de universidades católicas do mundo e do Brasil se fizeram presentes. Em São Paulo, além da PUC temos várias faculdades e centros universitários católicos. A Universidade Católica participa a seu modo da missão da Igreja como autêntica universidade. Além de ser um centro de estudos, uma comunidade acadêmica, é de fato, uma comunidade com experiência de fé. Uma comunidade onde as pessoas são levadas a se questionar a respeito dos valores humanos e religiosos. Sobretudo, cabe às universidades católicas, institutos e faculdades católicas, que sejam espaços acadêmicos onde se processe o espaço entre fé e cultura, fé e razão, e onde se passa uma visão cristã do mundo, de pessoa humana, de sociedade, de economia, de convívio social. Afinal, oferecerem uma antropologia cristã, o estudo da doutrina social da Igreja com os valores próprios propostos a fim de incrementar o convívio social. Se as nossas universidades católicas fizerem isso, estarão dando uma grande contribuição para a própria sociedade.

Pe. Theodoro Peters, jesuíta, paulista, doutor em Física, Presidente da Fundação Educacional Inaciana Pe. Saboia de Medeiros (FEI), entidade que organizou a 24ª Assembleia Geral da FIUC fala sobre as perspectivas da FEI com a realização do evento.

Pe. Peters 2- O que o Pe. Theodore Peters, Presidente da Fundação Educacional Inaciana, espera dos trabalhos e pesquisas realizados durante a 24ª assembleia geral da FIUC nas dependências da FEI?

Pe. Theodore Peters, SJ: A grande esperança já se concretizou. As pessoas estão aqui. Estamos com cerca de 120 universidades presentes, oriundas dos cinco continentes. Mais ou menos 250 pessoas oficialmente inscritas. É uma oportunidade para a Igreja se expressar como força e como missão no mundo da educação universitária. Este seria o primeiro ponto.

Por outro lado, tivemos uma celebração com três cardeais. O Cardeal Grocholewski representando ex officio a Santa Sé. Temos também a Igreja do Brasil. Dom Damasceno, que é o presidente da CNBB, e Dom Odilo Pedro Scherer, que é o arcebispo de São Paulo, Dom Edgar, bispo maronita e Dom Nelson, nosso bispo diocesano. Isso mostra o carinho da Igreja pela universidade católica.

O Papa João Paulo disse que a Universidade Católica nasceu “do coração da Igreja”. Aqui vemos não somente como ela nasceu, mas como ela palpita no coração da Igreja. A presença desses personagens na FEI é um prestígio para todas as universidades católicas. É incomparável a alegria que temos em recebê-las. Nessa assembléia iremos refletir como ensinar no século XXI, numa universidade que tem uma missão de ser uma universidade de verdade, como disse o Papa João Paulo II na Ex Corde Ecclesiae, e ao mesmo tempo, oferecer além de um ensino de qualidade, a plataforma adequada para a evangelização da Igreja.

3. Como a FEI procura concretizar esse ideal da Universidade Católica?

Pe. Theodore Peters, SJ: Aqui na Faculdade de Engenharia Industrial procura-se ensinar para os futuros engenheiros o que é a Igreja, o que é a fraternidade e o que é o Evangelho através de valores que são comunicados. Queremos que esses novos engenheiros os assumam e possam contribuir efetivamente para a nossa sociedade.

Fábio do PradoProf. Dr. Fábio do Prado, reitor do Centro Universitário da FEI em São Bernardo do Campo fala sobre o benefício proporcionado aos alunos da FEI com a realização da 24ª Assembleia Geral da FIUC:

Prof. Fábio do Prado: Primeiramente gostaria de dizer que é uma grande satisfação poder ceder o espaço de nossa instituição para as Universidades Católicas do mundo inteiro que se reúnem em nosso Campus. O grande objetivo não pode deixar de ser de dar uma visibilidade internacional; mas também a partir deste encontro, passei a conhecer os dirigentes mais proximamente. Isto abre portas, não só pessoal, mas no âmbito institucional. Nossa instituição continuará o contato com essas pessoas. Vai poder criar novas formar de cooperação.  Seja no ensino, seja na pesquisa, seja na extensão, mas principalmente pensando em colocar em contato os alunos dessas universidades de fora com os nossos alunos. Entendo que para se falar de Deus, para se educar alunos com inspiração baseada na palavra de Jesus, temos que ter também consciência de que temos de prezar e desenvolver aqui um espaço de muita qualidade para que o conhecimento possa ser gerado e aprofundado. Só é possível fazer isso com o conhecimento de um universo muito mais amplo do que se vive localmente. Senão se acaba desenvolvendo uma pesquisa ou um conhecimento limitado a sua própria experiência. Acho fantástico de que nossos alunos tenham experiência internacional para que se possa trazê-los para cá e estender um pouco a mentalidade de nossos alunos. Quando se fala de universidade, fala-se de universalidade. É importante que se conheça todos os aspectos, os problemas que ocorrem em todas as universidades do mundo.

Autor: Marcos Melo

Revisão: Guy de Ridder

Por decreto da Santa Sé, Pontifícia Universidade Católica do Peru perde os títulos de “Pontifícia” e de “Católica”

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A Santa Sé, com Decreto do Emmo. Secretário de Estado, com base no específico mandato Pontifício, decidiu retirar à Pontifícia Universidade Católica do Peru o direito de uso na própria denominação dos títulos de “Pontifícia” e de “Católica”, em conformidade à legislação canônica. O anúncio foi dado no sábado de manhã pela Sala de Imprensa da Santa Sé. Em um comunicado sobre o decreto publicado em italiano e espanhol foi dada a decisão tomada depois da recusa da citada Universidade em adequar os próprios estatutos à constituição apostólica “Ex corde Ecclesiae” de 15 de agosto de 1990.

A Universidade foi fundada em 1917 e em 1942 foi erigida canonicamente com Decreto da Santa Sé. O comunicado do Vaticano afirma que o ateneu “a partir de 1967 modificou mais de uma vez unilateralmente os Estatutos com grave prejuízo dos interesses da Igreja”. Por isso, “a partir de 1990 em diante a Universidade, mais de uma vez solicitada pela Santa Sé a adequar os seus Estatutos à Constituição Apostólica “Ex Corde Ecclesiae” (15 de agosto de 1990), não correspondeu a tal dever legal”.

A decisão de retirar os títulos foi do Cardeal Secretário de Estado do Vaticano, depois de um longo diálogo iniciado com a Universidade em seguida a uma visita canônica em dezembro de 2011 e depois do encontro pessoal entre o Cardeal Tarcisio Bertone e o reitor em fevereiro passado. Mas “ultimamente o Reitor com duas cartas endereçadas ao Emmo. Secretário de Estado, manifestou a impossibilidade de atuar o que foi requisitado, condicionando a modificação dos Estatutos à renúncia por parte da Arquidiocese de Lima ao controle da gestão dos bens da Universidade”, informou o comunicado.

“A Santa Sé continuará a seguir a evolução da situação da Universidade, fazendo votos que em um futuro próximo as autoridades acadêmicas competentes reconsiderem a sua posição, com a finalidade de poder rever a presente medida. A renovação pedida pela Santa Sé tornará a Universidade mais capacitada para responder à tarefa de levar a mensagem de Cristo ao homem, à sociedade e às culturas, segundo a missão da Igreja no mundo”, conclui o comunicado. (AA)

Coletiva de Imprensa da 24ª Assembleia da Federação Internacional das Universidades Católicas

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Fábio do PradoNo dia 19 de julho de 2012, realizou-se no Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Campus São Paulo, uma entrevista coletiva com o Pe. Theodore Paulo Severino Peters, S.J., Presidente da Fundação Educacional Inaciana “Pe. Sabóia de Medeiros”, mantenedora do Centro Universitário da FEI, desde 1997; Prof. Fábio do Prado, Reitor da FEI; Prof. Anthony Cernera, Presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC); Mons. Guy-Réal Thivierge, Secretário Geral da mesma Federação, que também é consultor da Congregação para a Educação Católica (Santa Sé) e membro do Conselho Científico da Agência Europeia de Avaliação e Promoção de Qualidade em Universidades e Faculdades Eclesiásticas.

Anthony CerneraPara o professor doutor Anthony Cernera, presidente da FIUC, o encontro será uma oportunidade para que os gestores da educação católica possam refletir sobre as mudanças sociais, econômicas e culturais nas últimas décadas.

Presidiu a seção o sacerdote jesuíta, Pe. Theodore Peters, o qual iniciou sua apresentação recordando que “o Brasil é visto no exterior com muita simpatia, um país de esperança. O Brasil vem atraindo um número enorme de universidades”, declarou, mostrando como a realização da Assembleia da FIUC em terras brasileiras é uma confirmação dessa realidade. Em seguida recordou que “a Igreja Católica tem a missão de anunciar o Evangelho em toda parte, inclusive no âmbito acadêmico das universidades católicas. Esse anúncio se dá sobretudo ao comunicar valores. Foi esse o papel histórico da Igreja ao fundar colégios e posteriormente universidades nos locais em que exercia sua atividade pastoral. As universidades nasceram do coração e da mente da Igreja. As Universidades Católicas do mundo e do Brasil resolveram  unir-se em comunidade. Por esta razão, existe também  a iniciativa de unir-se em federações nacionais e internacionais”. E concluiu a apresentação ao afirmar que “a Federação Internacional das universidades Católicas tem a missão de indicar os rumos para as universidades”. Pe. Peters

Em seguida, o Prof. Anthony Cernera, que é nova-iorquino, Doutor em Teologia e atualmente professor na Sacred Heart University de Connecticut (EUA), após apresentar as atividades da Federação Internacional das Universidades Católicas, evocou o tema da assembleia, que se sintetiza nos novos desafios da Educação Católica, em “coadunar o mundo cibernético e a seleção das abundantes informações que o estudante recebe dos novos meios de comunicação. Questionar o ensino e o aprendizado em nossas sociedades, nas quais abundam os ipads e iphones, a Internet e os micro-computadores, implica levar em consideração os novos contextos culturais, sociais, políticos e educacionais, que impõem muitos desafios ao mundo do conhecimento”.

“E de fato”, continuou o Prof. Anthony, “nossos professores estão diante de novas sensibilidades culturais, educacionais e de formação universitária, novas demandas por certificações, novos contextos de ensino e novos problemas de pesquisas. A geração de idade superior a 30 ou 35 anos é de imigrantes no novo mundo das tecnologias. A juventude é verdadeira cidadã, porque nasceu no mundo cibernético. Hoje a sociedade exige dos docentes novos métodos e informações”.

“Essas mudanças culturais nos levam a uma série de questionamentos, para os quais todos buscaremos respostas ao longo da semana da Assembleia, que esse ano acontecerá no Centro Universitário da FEI em São Paulo”, concluiu o docente norte-americano.

Guy-Réal ThiviergeEncerrando a seção, Mons. Guy-Réal Thivierge, Secretário Geral da FIUC e consultor da Congregação para a Educação Católica, tratou sobre a importância dos valores católicos para a formação: “Gostaria de salientar que essa Assembleia de estudos está intensamente orientada para o estudante. Por outro lado, é muito importante entender que a Federação oferece serviços junto a toda comunidade da Universidade, que significa atendimento não somente para os estudantes mas também para os professores. Exatamente porque os estudantes de hoje são extremamente diferentes dos de vinte, trinta ou quarenta anos atrás”.

“É muito importante observar que os estudantes mudaram. É preciso tomar cuidado para não subestimar as esperanças, os chamados e as necessidades dos estudantes. Mas por outro lado, é necessário dar uma formação para os líderes universitários, professores, reitores e administradores. Para isso”, continuou Mons. Thivierge, “é necessário que os professores e administradores estejam cientes da natureza e da finalidade da universidade. O que é uma universidade? O que é uma universidade católica? A soma dos fatores atuais com os princípios católicos faz com que tenhamos de atentar para os dois lados das atividades da universidade, os corpos discente e docente”.

1. Por que a FIUC escolheu esse tema para a 24ª Assembleia? Há mudanças em curso? Quais?

Prof. Cernera: Os temas que escolhemos tocam no ensino e no aprendizado em nossas instituições, que objetivam formar, promover mudanças pessoais e transformar a sociedade. Questionar ensino e aprendizado força-nos a considerar os novos contextos culturais, sociais, políticos e educacionais, que colocam muitos desafios para o mundo do conhecimento. Nossos professores são confrontados com novas sensibilidades culturais, educacionais e de treinamento, com a formação da nova universidade, com novas demandas para a certificação, novos contextos de ensino e assuntos para pesquisa. Quem são estes novos professores? Quem são estes novos alunos? Essa evolução que impacta as sociedades e as instituições está no centro da nossa discussão. Ela nos leva a uma série de perguntas para as quais vamos buscar respostas juntos.

2. Quais assuntos serão destacados na 24ª Assembleia Geral? Podemos esperar resultados práticos?

Prof. Cernera: São variadas questões, por exemplo: como a universidade católica reage às mudanças? Quais são os pontos de vista sobre a educação das ordens religiosas que ainda estão presentes no ensino superior? Como pode a universidade católica ser suficientemente inovadora para reagir às evoluções do conhecimento de nossa sociedade no futuro próximo? Qual pode ser a contribuição original da universidade católica a este mundo em evolução? Com base nessas questões, vamos tentar definir o perfil do professor hoje. Vamos abordar a sua relação com os alunos. Teremos ainda alguns casos concretos que podem ser considerados boas práticas e experiências em diversas partes do mundo, na estrutura do ensino católico superior.

3. Qual é a principal diferença entre o ensino da universidade católica e o das demais?

Prof. Cernera: É a identidade. A formação de adultos jovens representa um grande desafio para a educação superior baseada em valores humanos e evangélicos, tradições humanistas e universais. Devido à especificidade da universidade católica, as nossas instituições de ensino superior têm papel importante a desempenhar na elaboração de respostas adequadas às necessidades de formação, na ótica da construção de uma cidadania competente e responsável. O processo de ensino em nossas universidades tem de conciliar a educação integral da pessoa e a formação para a profissão numa sociedade de mercado.

4. Qual é a visão da FIUC sobre o processo do ensino nas universidades católicas? E sobre as diferenças regionais?

Prof. Cernera: Informação, instrução e cultura, bem como a circulação e construção de conhecimentos e competências são fatores determinantes para o destino do indivíduo e para o seu desenvolvimento em termos sociais, econômicos e políticos. Todos têm direito ao conhecimento, mas é importante que cada um esteja ciente desse direito e da sua responsabilidade. A Igreja Católica também estimula a ideia de responsabilidade individual e tem desempenhado papel fundamental na mediação do diálogo entre as religiões e culturas. Cada universidade católica é única, com raízes no país e cultura diferentes. Cada uma tem sua história, patrimônio, problemas e objetivos, além do modo específico de encontrar um nicho no campo da educação, investigação e serviços e também de honrar seus compromissos.

5. Como as universidades católicas orientam a formação de pessoas?

Prof. Cernera: A formação integral parece uma resposta adequada para o mundo católico acadêmico, uma vez que oferece aos estudantes qualificação cultural e profissional que permite situar a sua formação num universo de significados e, assim, moldar sua personalidade integralmente. Esse modelo é baseado na ideia de que a educação deve levar em conta os aspectos espirituais, cognitivos e sociais do projeto acadêmico. Assim, a vontade de integrar a universidade ao seu contexto e fazê-la desempenhar plenamente um papel social dá-lhe o status de instituição civil responsável.

6. Qual é a maneira de transformar o ensino superior de forma a ser mais acessível? Quais as mudanças no processo de ensino e aprendizado?

Prof. Cernera: Como atores de ensino superior, temos de levar em conta os novos contextos culturais, sociais, políticos e educacionais que apresentam muitos desafios para o mundo do conhecimento. A integração das tecnologias à educação pode quebrar barreiras de tempo e distância para facilitar a colaboração e compartilhamento de conhecimento em locais geograficamente distintos. A tecnologia da informação aumenta a flexibilidade da oferta de educação e pode influenciar a forma como os alunos são ensinados e como aprendem. Maior disponibilidade de melhores práticas e melhor material didático na educação, que possam ser compartilhados através das tecnologias da informação, podem fomentar a melhoria do ensino e alcançar os grupos mais desfavorecidos e novos mercados internacionais de ensino.

7. Qual tem sido o papel das universidades católicas na inclusão de estudantes carentes na universidade? Esta é uma das metas da FIUC?

Prof. Cernera: A inclusão depende de políticas de recrutamento das instituições de ensino e, claro, dos Estados. Temos de destacar que muitas instituições católicas de ensino superior, por exemplo, na América Latina, concedem bolsas de estudo para aumentar a inclusão de pessoas carentes (20% dos estudantes são beneficiados em muitas instituições).

8. Quais são as expectativas da FIUC ao reunir autoridades de ensino superior de todo o mundo para discutir o mesmo tema?

Prof. Cernera: A Assembleia Geral é um lugar onde as pessoas podem trocar e compartilhar experiências. Com o tema deste ano, esperamos que os acadêmicos católicos reflitam sobre as mudanças que enfrentam nossas instituições e que possam apresentar respostas inovadoras como uma contribuição específica das universidades católicas.

Saiba mais:

A 24ª Assembleia da Federação Internacional de Universidades Católicas (em inglês, International Federetion of Catholics Universitys) se realizará em São Bernardo do Campo-SP, dos dias 23 a 27 de julho de 2012, no Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial. O evento congrega 205 instituições de ensino superior no mundo, reunirá no campus da FEI em São Bernardo do Campo reitores e educadores para refletir sobre o tema Ensinar e Aprender na Universidade Católica – Educar e Formar.

Inscrições:

Campus SBC – Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 3972 – B. Assunção – São Bernardo do Campo-SP –  CEP 09850-901 – Tel.: (11) 4353-2900 – Fax: (11) 4109-5994.

Campus SP – Rua Tamandaré, 688 – São Paulo-SP – CEP 01525-000 – Tel./Fax: (11) 3207-6800

Website: www.fei.edu.br

E-mail: [email protected]

Autor: Marcos Eduardo Melo dos Santos

Revisão: Guy de Ridder

Chile: Congresso Internacional de Filosofia Tomista realizado pela Universidade São Tomás

Convocados em torno do tema “A Pessoa: divina, angélica, humana”, mais de 300 especialistas e estudiosos da filosofia de São Tomás de Aquino se reuniram no 1º Congresso Internacional de Filosofia Tomista, realizado entre 4 e 5 de julho na Universidade de São Tomás, em Santiago, no Chile.

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O Centro de Estudos Tomistas e a Sociedade Internacional Tomás de Aquino convidaram renomados filósofos da Itálias, Espanha, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Brasil, Peru e Chile para compartilhar sesus ensinamentos à luz da metafísica e teologia do Aquinate, assim como sua vig?ncia e atual projeção.

Eleonore Stump, John Knasas, Tomás Melendo, Enrique Alarcón, Félix Adolfo Lamas, Antonio Amado, Juan Antonio Widow, Fernando Moreno e Vicenzo Benetollo, protagonizaram conferências magistrais.

Cerca de 60 conferências de alto nível foram apresentadas em quatro sessões simultâneas durante os três dias do Congresso, e em três mesas redondas refeltiu-se em conjunto a respeito da centalidade da pessoa desde a teologia, a metafísica, o direito e a educação.

Os ogranizadores do evento manifestaram a meios de comunicação católicos sua enorme satisfação com a grande procura e com a qualidade das reflexões que teve o Congresso, e esperam que ele volte a se repetir em um futuro próximo.

Com informações do Centro de Estudos Tomistas da Universidade São Tomás.

Fonte: (Gaudium Press13-07-2012)

Qual é o livro mais lido nos últimos 50 anos?

O romancista e editor norte-americano James Chapman realizou um longo trabalho de pesquisas a fim de “estabelecer com exatidão” a lista dos dez livros mais lidos no mundo nos últimos cinquenta anos e publicou seus resultados em http://www.squidoo.com/mostreadbooks.

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De acordo com suas conclusões, o livro mais lido é, de longe, a Bíblia, com 3,9 bilhões de exemplares impressos no último meio século. Ele é seguido por considerável distância pelo “livro vermelho” de Mao Tsé-Tung, do qual teriam sido impressas 820 milhões de cópias.

Mons. Bruguès é nomeado Arquivista do Arquivo Secreto Vaticano e Bibliotecário da Biblioteca Vaticana

Em carta datada dodia 26 de junho de 2012, Mons. Cesare Pasini, Prefeito da Biblioteca Vaticana, tem a alegria de saudar o Cardeal Raffaele Farina, que teve sua renúncia por limite de idade aceita pelo Santo Padre. prefetto

Cardeal Farina nasceu na cidade italiana de Buonalbergo, fez-se salesiano e estudou em prestigiosas instituições de ciências eclesiásticas italianas e alemãs. Exerceu por diversos períodos cargos de importância na Universidade Salesiana de Roma.

Em 1992 foi nomeado por João Paulo II como Prefeito da Biblioteca Vaticana e executou valioso trabalho de catalogação, estudo e exegese em pergaminhos e textos raros do arquivo vaticano. Em 2006 havia se tornado Arquivista do Arquivo Secreto Vaticano e Bibliotecário da Biblioteca Vaticana, quando recebeu o título de arcebispo e cardeal da Igreja Romana.

Através de elegante missiva, Mons. Pasini agradece publicamente ao Cardeal Farina os anos de serviço precioso e profícuo na administração da Biblioteca Vaticana, mas sobretudo “pela ajuda e experiência, pela benevolência e delicadeza, pela clareza e o suporte, pela partilha e – se posso acrescentar – também pela amizade”.

Mons. Jean-Louis Bruguès, até então Secretário da Congregação para a Educação Católica, assume os cargos de Arquivista do Arquivo Secreto Vaticano e de Bibliotecário da Biblioteca Vaticana.Convém lembrar que esse cargo é tradicionalmente acompanhado da nomeação como Cardeal e o Papa Pio XI assumiu esta mesma função antes de ser elevado ao sumo pontificado.

Mons. Bruguès nasceu em Bagnères de Bigorre, França, tornou-se dominicano e após 25 anos de presbiterado (1975-2000), foi ordenado bispo em 30 de Abril de 2000 para a diocese de Angers, onde permaneceu até 2007 quando foi nomeado Secretário da Congregação para a Educação Católica com o título pessoal de Arcebispo.

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A Biblioteca Vaticana parece ter sido fundada com o nome de Scrinium que se remonta ao século VI, mas somente foi fundada oficialmente em 1891. Além do mais antigo manuscrito completo da Bíblia, o célebre Codex Vaticanus, a instituição possui a coleção com mais de 1 milhão e 600 mil impressos antigos e modernos, 8.300 incunábulos (obras impressas que datam da origem da imprensa), 150.000 manuscritos ou cartas de arquivo, 300.000 moedas e medalhas e cerca de 20.000 objetos de arte. Desenvolve-se um audacioso projeto de digitalização de parte desse material que visa torná-lo acessível à comunidade acadêmica.

Os membros do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA) e do Instituto Filosófico Aristotélico Tomista (IFAT) se rejubilam com essa nomeação e fazem votos de que a ação de Mons. Bruguès na Biblioteca Vaticana seja ainda mais brilhante e frutuosa que na Congregação para a Educação Católica.

Autor: M. Melo

Revisão: F. Ramos

Biblioteca Vaticana digitalizará mais um milhão de páginas

Ao longo dos próximos cinco anos serão digitalizados e postos à disposição na internet um milhão e meio de páginas de manuscritos e de incunábulos (obras impressas nos primeiros tempos da imprensa, até o ano de 1.500) da Biblioteca Apostólica Vaticana e das Bodleian Libraries, de Oxford — informa o Serviço de imprensa do Vaticano. Sistinehall

Segundo, o Prefeito da Biblioteca, Mons. Cesare Pasini, digitalizar esses documentos significa conservar melhor os bens culturais, “garantindo uma reprodução de alta qualidade antes de uma possível deterioração dos originais”, além da vantagem de ficarem acessíveis, na internet, “reproduções de alta qualidade”.

Dois terços dos volumes a digitalizar, um milhão de páginas, equivalentes a 2.500 livros, serão escolhidos entre os mais de 80.000 manuscritos e os 8.900 incunábulos da Biblioteca Apostólica Vaticana.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho. Ano 11. Nº. 126.  Junho de 2012. p. 41-42.

Pesquisa: Pensar na morte pode fazer bem para a saúde

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Quando a morte é boa para a vida: as trajetórias positivas da gestão do terror, é o título da análise publicada na edição de maio da reputada Personality and Social Psychology Review, na qual se chega à conclusão de que, ao invés de produzir um efeito destrutivo e perigoso, a perspectiva da morte pode ser um elemento positivo para melhorar a saúde e ajudar a pessoa a priorizar seus valores e objetivos.

Para o coordenador do estudo, Kenneth E. Vail III, da Universidade de Missouri, EUA, a consciência sobre a morte, sutil e diária, pode ser capaz de despertar atitudes e comportamentos que promovem o bem–estar. Por exemplo, o simples fato de encontrar-se perto de um cemitério é um fator que afeta uma pessoa e a motiva a ajudar os outros. A perspectiva da morte ajuda também a cuidar melhor da própria saúde: fazer exames laboratoriais preventivos do câncer, reduzir o consumo de cigarro, praticar mais atividades físicas, etc.

Encontro mundial de universidades católicas

Centro Universitário Inaciano FEIReitores de mais de 200 universidades dos cinco continentes participarão da 24ª Assembleia Geral da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC), a realizar-se de 23 a 27 de julho no campus do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI) em São Bernardo do Campo (SP), sob o título: O Ensino e o Aprendizado nas Universidades Católicas do Século XXI.

A FIUC, a mais antiga associação mundial de universidades católicas, está formada por cerca de 200 universidades e instituições católicas de ensino superior. Foi aprovada pelo Papa Pio XII em 1949 e reconhecida pela UNESCO em 1967 como organização não governamental associada, com estatuto consultivo.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Junho de 2012.

Cardeal Gianfranco Ravasi e Maestro Riccardo Mutti falaram sobre a fé

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O Cardeal Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, e o maestro Riccardo Muti, da Orquestra Sinfônica de Chicago, dialogam sobre a fé e a música no próximo 4 de junho às 19:30hs. O colóquio se dará na basílica de Santa Maria in Ara Coeli no Campidoglio e é promovido pelo Vicariato de Roma sob o título de “Em diálogo: fé e música”. O evento será moderado pelo diretor do Il Messaggero, Mario Orfeo.PD*26579158

Apresentado em Roma novo livro do Prof. Carriquiry

Prof_Guzman Carriquiry Lecour_Pont_Cons_America_LatinaO livro O bicentenário da independência dos países latino-americanos, de autoria do Prof. Guzmán Carriquiry Lecour, Secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, foi apresentado em Roma no dia 7 de março, no Instituto Latino-Americano.
Nessa obra o Prof. Carriquiry se afasta da “recopilação de crônicas e das versões oficiais”, e faz uma profunda análise dos processos de independência desses países.
De algum modo, declarou o autor à agência Rome Reports, a obra vai “além dos limites das historiografias oficiais e destaca como a América Latina se defronta hoje com muitas questões e desafios que a independência deixou sem solução. Por outro lado, é sublinhado nela o papel fundamental que teve a Igreja desde a gestação de nossos povos até hoje”.
O Prof. Guzmán Carriquiry foi nomeado Secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina em maio do ano passado, tornando-se o primeiro leigo a ocupar um posto desta importância na Cúria Romana. Anteriormente tinha exercido por 25 anos o cargo de Subsecretário do Pontifício Conselho para os Leigos.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho, maio de 2012.

Arautos Doutores pelo Salesianum

Entre os meses de janeiro e fevereiro, três membros dos Arautos do Evangelho defenderam suas teses em Filosofia na Universidade Pontifícia Salesiana de Roma (Salesianum), alcançando o Doutorado Canônico nessa disciplina.No dia da Festa da Conversão de São Paulo, 25 de janeiro, o brasileiro Dartagnan Alves de Oliveira Souza (foto 2) apresentou a tese intintulada “O  pulchrum e a quarta via de Tomás de Aquino”, cujo orientador foi o decano da Faculdade de Filosofia desta universidade, Padre Mauro Mantovani, SDB. Em 2 de fevereiro, foi a vez do Pe. Roberto José Merizalde Escallón, EP, colombiano, que discorreu sobre “O ‘amor de holocausto’ no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira” (fotos 1 e 3). E em 21 de fevereiro, o arauto argentino Carlos Insaurralde (foto 4) expôs seu trabalho sobre “Confrontação entre São Boaventura e São Tomás de Aquino na sua visão sobre o pulchrum no do Livro das Sentenças de Pedro Lombardo”. A banca examinadora foi presidida pelo reitor da universidade, Padre Carlo Nanni, SDB.

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Revitalizando o Cântico Gregoriano

O gregoriano nasceu na aurora da Idade Média com a compilação de alguns hinos usados pela cristandade primitiva por ordem do Papa São Gregório Magno (590-604). Essa coletânea de cânticos eclesiásticos passou para a História com o nome de canto “gregoriano” em homenagem ao virtuoso Pontífice. Liber_Cantualis

Passados tantos séculos do seu surgimento, o Concílio Vaticano II definiu o gregoriano “como o canto próprio da liturgia romana”, destinado na ação litúrgica ao “primeiro lugar” (Sacrosanctum Concilium, 116). Em razão disso os padres conciliares procuraram estimular os fieis a “cultivar com sumo cuidado o tesouro da música sacra” recomendando de maneira ingente a formação de schola cantorum “nos Seminários, noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como em outros institutos e escolas católicas” (Idem, 114-115).

Anos mais tarde, o Papa João Paulo II reafirmou essa primazia do gregoriano: “no tocante às composições musicais litúrgicas, faço minha a ‘regra geral’ formulada por São Pio X nestes termos: ‘Uma composição religiosa é tanto mais sagrada e litúrgica quanto mais se aproxima — no andamento, na inspiração e no sabor — da melodia gregoriana; e é tanto menos digna do templo quanto mais se distancia desse modelo supremo” (Quirógrafo de João Paulo II sobre a Música Litúrgica, 12).

Testemunha do relevante papel que a música sacra tem na vida espiritual dos católicos desde os primeiros tempos do cristianismo, Santo Agostinho em uma de suas mais célebres obras, as Confissões, afirmou que o contato com as piedosas melodias litúrgicas das cerimônias presididas por Santo Ambrósio, o ajudaram a encontrar o caminho da Verdade: “Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causavam! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu coração. Um grande impulso de piedade me elevava, as lágrimas corriam-me pela face, e me sentia plenamente feliz” (Confessionum, 9, 6: PL 769,14.).

Movidos pela admiração para com o cântico oficial da liturgia católica os Arautos do Evangelho procuram divulgar em nosso imenso Brasil este inestimável tesouro litúrgico, publicando esta obra que reúne Os mais belos cânticos gregorianos. Que essas melodias ressoem nos templos sagrados do nosso país para o bem espiritual dos fieis e a glorificação de Jesus Eucarístico, conforme as recentes orientações litúrgicas dadas pelo Papa Bento XVI: “Na arte da celebração, ocupa lugar de destaque o canto litúrgico. […] Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; consequentemente, tudo – no texto, na melodia, na execução – deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo – como foi pedido pelos padres sinodais – que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana” (Sacramentum Caritatis, 42).

O livro contem 282 páginas e é publicado em São Paulo pela Editora Lumen Sapientiae.

Para visualizar partes do livro, clique aqui.

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Rua Dom Domingos de Sillos, n° 238
CEP: 02526-030 – São Paulo -SP
(11) 4419-2311
Endereço eletrônico: [email protected]

Os hábitos de leitura dos brasileiros: à busca de uma solução

bookEm recente pesquisa promovida pelo Instituto Pró-Livro, coordenada pelo Observatório do Livro e da Leitura e executada pelo Ibope, concluiu-se que 55% da população brasileira leu um livro nos últimos três meses e 35% dos brasileiros afirmam gostar de ler nos tempos livres. Esse seria o honroso conjunto de brasileiros que é considerado pelos pesquisadores como “leitores”. Nessa augusta e nobre categoria , a pesquisa constatou que:

1)     79% tem formação superior

2)     55% são mulheres

3)     52% afirmam estar lendo revistas

4)     20% lêem textos na internet

5)     63% lêem por prazer, gosto ou necessidade espontânea e afirmam que o tema é o fato que mais influencia a escolha de um livro.

6)     84% dos leitores preferem fazê-lo em lugares silenciosos; 86% prefere ler em casa.

7)     17% afirma ler em outros idiomas (9% em inglês, 5%, Espanhol, 1%, francês e 1%, italiano); 40% dos que tem curso superior afirmam ler em outros idiomas (23% inglês, 13% espanhol e 4% em francês)

8)     57% dos compradores de livros completaram o ensino médio ou o ensino superior

9)     47% dos compradores de livros são da classe C (ganham entre R$1.750 e R$7.500 reais por mês)

10)  45% dos leitores assíduos lêem a Bíblia, que é segundo a pesquisa, o livro mais importante para o brasileiro.

Metodologia da pesquisa

A Pesquisa quantitativa de opinião foi realizada com a aplicação de um questionário (com 60 itens) estruturado por meio de entrevistas presenciais (com duração média de 60 minutos), realizadas nos domicílios. A amostra definida representa todo o universo da população brasileira com cinco anos de idade ou mais. Assim, todo o território nacional foi coberto com 5.012 entrevistas domiciliares em todas as Unidades da Federação (25% delas foram fiscalizadas). Foi definido, inicialmente, um número de entrevistas proporcional ao tamanho de cada unidade federativa, tendo como parâmetro uma unidade municipal/setorial de 14 entrevistas por ponto. O período de campo da pesquisa foi entre 29/11 a 14/12/2007. A margem de erro máxima estimada é de 1,4%, com um intervalo de confiança de 95% (ou seja, se a mesma pesquisa for realizada 100 vezes, em 95 delas terá resultados semelhantes). Projeta-se que a população estudada foi de 172.731.959 de brasileiros.

À busca de uma solução…

O perfil do leitor brasileiro exige um comentário. O que dizer que não seja banal ou lugar comum entre os autores? Que se deve insistir na importância do hábito da leitura desde os primeiros anos da vida escolar? É óbvio. Que incentivos fiscais à indústria e ao comércio editorial no Brasil reduziriam os custos da impressão e facilitariam o acesso ao livro por parte da população? É opinião comum dos comentaristas. Que os pais deveriam educar seus filhos no gosto da leitura? Nada de mais inequívoco para os progenitores que desejam ver seus filhos desenvolverem-se humanamente. Então, o que dizer?

Órgãos governamentais e não governamentais vêm trabalhando com mérito e afinco para sanar o gargalo educacional no país. Religiosos do Brasil inteiro têm agido no âmbito social enquanto evangelizam as comunidades carentes dos subúrbios e dos sertões brasileiros.

Entretanto, de modo geral, parece-me que algumas características essenciais do povo brasileiro são totalmente esquecidas quando se procura elevá-lo do analfabetismo ou do semi-analfabetismo a um nível educacional condizente com sua privilegiada inteligência.

Que características são essas? É inegável sermos um dos povos mais inteligentes da terra. Tanto na ordem intelectual, pelo modo de ser intuitivo, quanto na ordem prática (que costumamos chamar de jeitinho), a agilidade brasileira já é proverbial aquém e além de nossos extensos limites territoriais. Ora, por causa dessa intuição, um assunto – e também um livro – só atrai a atenção do brasileiro, quando ele percebe que o tema tem correlações ou reversibilidades com suas curiosidades pessoais, assim como com sua vida prática. O objeto visado tem de estar relacionado com assuntos de que ele “goste” de pensar. Assim, parece-me ser evidente que não adianta aplicar moldes estrangeiros na indústria editorial brasileira. Seria mais ou menos como se tentassem vestir nossos compatriotas de esquimó ou de beduíno do deserto…

Por outro lado convém lembrar que por causa de uma sede comum a todos os povos, mas por mistérios da História e desígnios de Deus é mais acentuada em nossos patrícios, o homem não procura “conhecer pelo simples conhecimento”; ele procura admirar, e após ter-se embebido de admiração, ele procura conhecer o que ele admirou. Assim, o gargalo educacional do país só será efetivamente resolvido com a apresentação de “modelos de cultura”. Para se ter uma ideia dessa necessidade acentuada, sobretudo na infância e na juventude, um grupo de esportistas escoceses, durante o intervalo dos jogos foi televisionado lendo livros didáticos para crianças, a fim de estimular o público pueril e correlacionar o prestígio do esporte com a assiduidade na leitura. Através desse modo, os meninos e jovens escoceses passavam a ler com mais frequência. Ainda não se viu uma iniciativa desse gênero entre os esportistas brasileiros…

Por outro lado, no Brasil, louva-se, e com razão, a habilidade dos pés, a beleza passageira das faces e o desenvolvimento eletrônico, mas o pensamento, algo eminentemente superior, é relegado para o segundo plano da admiração. Os dramas de nossos filmes e novelas falam de crimes, paixões desenfreadas, ciúmes sem fim, mas não proporcionam arquétipos para estimular na juventude homens e mulheres de pensamento e virtude; portanto, não se usa o poder da mídia para estimular a leitura.

O leitor já viu algum enredo das nossas telenovelas que estimulasse as atividades intelectuais? Ou a história cativante de alguém que, apesar de ter nascido em ambientes paupérrimos, com todas as condições adversas para progredir na vida intelectual, vencesse tais dificuldades, por causa da força de vontade e do amor à cultura? A vida real está cheia dessas biografias, mas o silêncio a respeito é patente. Até hoje não vi um enredo assim; se alguém viu, peço que me informe, porque ficaria encantado que  houvesse.

Há ainda outro ponto para reflexão: alguns dos livros indicados à leitura no período do Ensino Médio parecem ser tão tediosos, que embora sendo assinados por grandes nomes, não atraem a atenção do brasileiro. Por que não indicar histórias de aventuras para atrair os meninos e não somente romances que fazem as delícias das meninas? Por que não se estimula os neo-leitores a que se deliciem com as aventuras escritas por Júlio Verne e outros autores do mesmo gênero?

Ainda sobre o despertar do desejo da leitura: se nosso povo demonstra tanto interesse pela literatura religiosa, por que não se procura através dessa aptidão genuína, sadia e invencível, estimular os leitores a progredir também em sua cultura? Por que não apelar para o interesse majoritário da população brasileira pelos temas religiosos?

Bem sei que alguém pode mencionar a laicidade de nossa sociedade como argumento contrário ao estimulo da literatura religiosa. Mas, se há um inegável benefício e uma admirável literatura em certos textos como, por exemplo, de um Santo Agostinho ou de um São Bernardo, dos Padres Anchieta, Vieira e Bernardes, ou ainda de outro autor religioso clássico, por que não utilizar tais textos para estimular os leitores brasileiros? O uso de tais clássicos – sobretudo se diagramados de modo atraente – não atrairia o olhar religioso de nossos patrícios mais do que romances cujo enredo por vezes mais parecem um plágio no qual se toma o cuidado de trocar o cenário e o nome dos personagens?

E como nosso povo é sumamente religioso, o cristianismo, e especialmente a Igreja Católica no Brasil, que ocupa ainda hoje no panorama religioso nacional uma preeminente influência, não poderia estimular a pastoral da leitura (religiosa de preferência) como já se fez meritoriamente com tantos outros assuntos? A  longo prazo, os frutos dessa “pastoral da leitura religiosa” não seriam mais eficientes do que certas formas imediatistas de auxílio social?

São perguntas que surgem a um espírito em busca de soluções factíveis e eficientes. Que acha leitor?

Autor: Marcos Eduardo Melo dos Santos

Revisão: G. de Ridder/ J. Andrade