Instituto filosófico e Teológico dos Arautos do Evangelho ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

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São Tomás de Aquino visto pelos seus contemporâneos

Diác. Inácio de Araújo Almeida

Vejamos como o Angélico era visto por seus contemporâneos.

De acordo com Guilherme de Tocco, Tomás era “grande de corpo, de estatura alta e ereta a corresponder à retidão de sua alma. Era louro como o trigo. […] Possuía uma grande cabeça — como exigem os órgãos perfeitos que requerem as faculdades sensíveis a serviço da razão — e o cabelo um pouco ralo”.[1] Sua face era assinalada por uma extraordinária força pacífica e pura. Os seus olhos eram tranquilos como os de uma criança. Frei Eufranon de Salerno afirmou que aqueles que tiveram a oportunidade de contemplar o seu rosto sentiam ao mesmo tempo uma renovação do fervor e um maior desejo de trabalhar pela própria santificação.[2]

É interessante também recordar o episódio narrado pela mãe de Frei Reginaldo, seu secretário: “Quando Tomás passava pelo campo, as pessoas que se achavam ocupadas abandonavam seus trabalhos e corriam ao seu encontro, admirando a estatura imponente de seu corpo e a beleza de seus traços humanos”.[3] E aqueles que o conheceram pessoalmente acreditavam que “o Espírito Santo estava realmente com ele, pois estava sempre com rosto alegre, doce e afável”.[4] Tocco testemunha sua capacidade de criar em torno de si um ambiente cheio de contentamento e benquerença, pois “ele inspirava alegria aos que o olhavam”.[5]

Os contemporâneos afirmavam que nunca lhe tinham ouvido palavra ociosa e suas conversas sempre se voltavam para as coisas do céu. Tocco também assegura que o Angélico era puríssimo de mente e de corpo, devoto na oração, abundante em conselhos, afável na conversa, de inteligência lúcida, alegre e benigno no comportamento, generoso com os outros, infinitamente paciente e prudente, radiante de caridade e maravilhosamente piedoso.[6]

Seu caráter afetuoso e cordial é comprovado por muitos dos que o conheceram pessoalmente. Digno de nota é o episódio ocorrido enquanto São Tomás passeava com um grupo de estudantes pela encantadora Paris do século XIII. Em determinado momento, um de seus alunos lhe dirigiu a palavra, indagando: “Mestre, veja como é bela a cidade de Paris! Não gostarias de ser o senhor desta cidade?”[7] Ao que São Tomás respondeu: “Preferiria muito mais ter a homilia de São João Crisóstomo sobre o Evangelho de São Mateus. Pois se, de fato, esta cidade fosse minha, o cuidado com o seu governo me impediria a contemplação das coisas divinas e tirar-me-ia a consolação do espírito”.  [8]


[1] Guilelmus de Tocco, Ystoria sancti Thome de Aquino. Ed. intr. e notas: Claire Le Brun-Gouanvic. Toronto: PIMS, 1996, cap. 38., p. 166-167.

[2] Cf. Ibid., cap. 36, p. 164.

[3] Torrell, Jean-Pierre. Iniciação a Santo Tomás de Aquino. Sua Pessoa e sua obra. Trad. Luiz Paulo Rouanet. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004, p. 52.

[4]  Ibid., p. 329.

[5] Guilelmus de Tocco. Op. cit., cap. 25, p. 164.

[6] Ibid., cap. 24, p.147.

[7] Ibid. cap. 42, p. 172: “Magister, videte quam pulchra est ciuitas Parisius: Velletis esse Dominus huius ciuitatis?”.

[8] Ibid.: “Libentius vellem habere Homilias Chrisostomi super Euangelium beati Mathei. Ciuitas enim hæc si esset mea, propter curam regiminis contemplationem michi diuinorum eriperet, et consolationem animi impediret”. No século XIII, nem todas as obras de São João Crisóstomo haviam ainda sido traduzidas do grego para o latim, o que atesta o desejo que São Tomás tinha de possuí-las.

Categoria: Teologia Tomista

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