O primeiro contato de São Tomás com os dominicanos

O Mosteiro de Monte Cassino estava localizado próximo à fronteira dos territórios pontifícios, sendo disputado nas guerras suscitadas por Frederico II. Em 1236, a hostilidade atingiu um nível crítico e o próprio abade aconselhou aos pais do jovem Tomás que o retirassem da abadia. Mais tarde, em 1239, sua família enviou-o a Nápoles, a fim de continuar os estudos e esperar tempos mais calmos.

Aos quinze anos, São Tomás dá início à sua vida acadêmica, através do estudo de Artes na Universidade de Nápoles. Nesse período, conheceu algumas das obras de Aristóteles. No entanto, não foi o velho Estagirita quem deu novo rumo à sua vida, mas, sim, a figura de dois humildes dominicanos.

Naquela ilustre cidade, seus olhos contemplaram por primeira vez os filhos de São Domingos. Esses frades ainda sentiam ressoar em seus ouvidos o eco da voz de seu fundador, que há pouco partira para a eternidade. Tal contato acendeu na alma do jovem Tomás a chama da vocação, que jamais se extinguiria.

Devido à influência da família, fácil seria para São Tomás tornar-se abade de Monte Cassino ou mesmo bispo de Nápoles. Mas a sua vocação era ser dominicano, e a ela entregou-se inteiramente — apesar das inúmeras dificuldades — desde a juventude. Naquele tempo, as ordens mendicantes, por sua vez, representavam o novo sopro do Espírito Santo.

Devido a seu ideal de pobreza e renúncia ao mundo, essas novas congregações vinham ao encontro dos bons anseios de fé dos homens do século XIII.

Entretanto, para a família de São Tomás era inconcebível que um membro de nobre estirpe se tornasse frade pregador. Procuraram eles, por esta razão, dissuadi-lo a todo custo de seu intento pouco promissor aos olhos do mundo, mas Tomás enfrentou a oposição de seus parentes, recebeu decididamente o hábito dominicano por volta do ano de 1244 e pôs-se logo a caminho de Roma.

Sua mãe, Teodora, partiu inconformada à sua procura naquela cidade, mas seu esforço foi vão, pois Tomás já havia fugido para Bolonha, juntamente com o séquito do Mestre da ordem, para o Capítulo Geral. Agora, são os irmãos militares do santo que, acompanhados de uma pequena tropa, partem ao seu encalço, conseguindo por fim alcançá-lo. Em seguida, tentam em vão arrancar-lhe o hábito, decidindo, depois disso, aprisioná-lo na torre do castelo familiar.

Diác. Inácio de A. Almeida

(Continua no próximo post)

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