Coletiva de Imprensa da 24ª Assembleia da Federação Internacional das Universidades Católicas

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Fábio do PradoNo dia 19 de julho de 2012, realizou-se no Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Campus São Paulo, uma entrevista coletiva com o Pe. Theodore Paulo Severino Peters, S.J., Presidente da Fundação Educacional Inaciana “Pe. Sabóia de Medeiros”, mantenedora do Centro Universitário da FEI, desde 1997; Prof. Fábio do Prado, Reitor da FEI; Prof. Anthony Cernera, Presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC); Mons. Guy-Réal Thivierge, Secretário Geral da mesma Federação, que também é consultor da Congregação para a Educação Católica (Santa Sé) e membro do Conselho Científico da Agência Europeia de Avaliação e Promoção de Qualidade em Universidades e Faculdades Eclesiásticas.

Anthony CerneraPara o professor doutor Anthony Cernera, presidente da FIUC, o encontro será uma oportunidade para que os gestores da educação católica possam refletir sobre as mudanças sociais, econômicas e culturais nas últimas décadas.

Presidiu a seção o sacerdote jesuíta, Pe. Theodore Peters, o qual iniciou sua apresentação recordando que “o Brasil é visto no exterior com muita simpatia, um país de esperança. O Brasil vem atraindo um número enorme de universidades”, declarou, mostrando como a realização da Assembleia da FIUC em terras brasileiras é uma confirmação dessa realidade. Em seguida recordou que “a Igreja Católica tem a missão de anunciar o Evangelho em toda parte, inclusive no âmbito acadêmico das universidades católicas. Esse anúncio se dá sobretudo ao comunicar valores. Foi esse o papel histórico da Igreja ao fundar colégios e posteriormente universidades nos locais em que exercia sua atividade pastoral. As universidades nasceram do coração e da mente da Igreja. As Universidades Católicas do mundo e do Brasil resolveram  unir-se em comunidade. Por esta razão, existe também  a iniciativa de unir-se em federações nacionais e internacionais”. E concluiu a apresentação ao afirmar que “a Federação Internacional das universidades Católicas tem a missão de indicar os rumos para as universidades”. Pe. Peters

Em seguida, o Prof. Anthony Cernera, que é nova-iorquino, Doutor em Teologia e atualmente professor na Sacred Heart University de Connecticut (EUA), após apresentar as atividades da Federação Internacional das Universidades Católicas, evocou o tema da assembleia, que se sintetiza nos novos desafios da Educação Católica, em “coadunar o mundo cibernético e a seleção das abundantes informações que o estudante recebe dos novos meios de comunicação. Questionar o ensino e o aprendizado em nossas sociedades, nas quais abundam os ipads e iphones, a Internet e os micro-computadores, implica levar em consideração os novos contextos culturais, sociais, políticos e educacionais, que impõem muitos desafios ao mundo do conhecimento”.

“E de fato”, continuou o Prof. Anthony, “nossos professores estão diante de novas sensibilidades culturais, educacionais e de formação universitária, novas demandas por certificações, novos contextos de ensino e novos problemas de pesquisas. A geração de idade superior a 30 ou 35 anos é de imigrantes no novo mundo das tecnologias. A juventude é verdadeira cidadã, porque nasceu no mundo cibernético. Hoje a sociedade exige dos docentes novos métodos e informações”.

“Essas mudanças culturais nos levam a uma série de questionamentos, para os quais todos buscaremos respostas ao longo da semana da Assembleia, que esse ano acontecerá no Centro Universitário da FEI em São Paulo”, concluiu o docente norte-americano.

Guy-Réal ThiviergeEncerrando a seção, Mons. Guy-Réal Thivierge, Secretário Geral da FIUC e consultor da Congregação para a Educação Católica, tratou sobre a importância dos valores católicos para a formação: “Gostaria de salientar que essa Assembleia de estudos está intensamente orientada para o estudante. Por outro lado, é muito importante entender que a Federação oferece serviços junto a toda comunidade da Universidade, que significa atendimento não somente para os estudantes mas também para os professores. Exatamente porque os estudantes de hoje são extremamente diferentes dos de vinte, trinta ou quarenta anos atrás”.

“É muito importante observar que os estudantes mudaram. É preciso tomar cuidado para não subestimar as esperanças, os chamados e as necessidades dos estudantes. Mas por outro lado, é necessário dar uma formação para os líderes universitários, professores, reitores e administradores. Para isso”, continuou Mons. Thivierge, “é necessário que os professores e administradores estejam cientes da natureza e da finalidade da universidade. O que é uma universidade? O que é uma universidade católica? A soma dos fatores atuais com os princípios católicos faz com que tenhamos de atentar para os dois lados das atividades da universidade, os corpos discente e docente”.

1. Por que a FIUC escolheu esse tema para a 24ª Assembleia? Há mudanças em curso? Quais?

Prof. Cernera: Os temas que escolhemos tocam no ensino e no aprendizado em nossas instituições, que objetivam formar, promover mudanças pessoais e transformar a sociedade. Questionar ensino e aprendizado força-nos a considerar os novos contextos culturais, sociais, políticos e educacionais, que colocam muitos desafios para o mundo do conhecimento. Nossos professores são confrontados com novas sensibilidades culturais, educacionais e de treinamento, com a formação da nova universidade, com novas demandas para a certificação, novos contextos de ensino e assuntos para pesquisa. Quem são estes novos professores? Quem são estes novos alunos? Essa evolução que impacta as sociedades e as instituições está no centro da nossa discussão. Ela nos leva a uma série de perguntas para as quais vamos buscar respostas juntos.

2. Quais assuntos serão destacados na 24ª Assembleia Geral? Podemos esperar resultados práticos?

Prof. Cernera: São variadas questões, por exemplo: como a universidade católica reage às mudanças? Quais são os pontos de vista sobre a educação das ordens religiosas que ainda estão presentes no ensino superior? Como pode a universidade católica ser suficientemente inovadora para reagir às evoluções do conhecimento de nossa sociedade no futuro próximo? Qual pode ser a contribuição original da universidade católica a este mundo em evolução? Com base nessas questões, vamos tentar definir o perfil do professor hoje. Vamos abordar a sua relação com os alunos. Teremos ainda alguns casos concretos que podem ser considerados boas práticas e experiências em diversas partes do mundo, na estrutura do ensino católico superior.

3. Qual é a principal diferença entre o ensino da universidade católica e o das demais?

Prof. Cernera: É a identidade. A formação de adultos jovens representa um grande desafio para a educação superior baseada em valores humanos e evangélicos, tradições humanistas e universais. Devido à especificidade da universidade católica, as nossas instituições de ensino superior têm papel importante a desempenhar na elaboração de respostas adequadas às necessidades de formação, na ótica da construção de uma cidadania competente e responsável. O processo de ensino em nossas universidades tem de conciliar a educação integral da pessoa e a formação para a profissão numa sociedade de mercado.

4. Qual é a visão da FIUC sobre o processo do ensino nas universidades católicas? E sobre as diferenças regionais?

Prof. Cernera: Informação, instrução e cultura, bem como a circulação e construção de conhecimentos e competências são fatores determinantes para o destino do indivíduo e para o seu desenvolvimento em termos sociais, econômicos e políticos. Todos têm direito ao conhecimento, mas é importante que cada um esteja ciente desse direito e da sua responsabilidade. A Igreja Católica também estimula a ideia de responsabilidade individual e tem desempenhado papel fundamental na mediação do diálogo entre as religiões e culturas. Cada universidade católica é única, com raízes no país e cultura diferentes. Cada uma tem sua história, patrimônio, problemas e objetivos, além do modo específico de encontrar um nicho no campo da educação, investigação e serviços e também de honrar seus compromissos.

5. Como as universidades católicas orientam a formação de pessoas?

Prof. Cernera: A formação integral parece uma resposta adequada para o mundo católico acadêmico, uma vez que oferece aos estudantes qualificação cultural e profissional que permite situar a sua formação num universo de significados e, assim, moldar sua personalidade integralmente. Esse modelo é baseado na ideia de que a educação deve levar em conta os aspectos espirituais, cognitivos e sociais do projeto acadêmico. Assim, a vontade de integrar a universidade ao seu contexto e fazê-la desempenhar plenamente um papel social dá-lhe o status de instituição civil responsável.

6. Qual é a maneira de transformar o ensino superior de forma a ser mais acessível? Quais as mudanças no processo de ensino e aprendizado?

Prof. Cernera: Como atores de ensino superior, temos de levar em conta os novos contextos culturais, sociais, políticos e educacionais que apresentam muitos desafios para o mundo do conhecimento. A integração das tecnologias à educação pode quebrar barreiras de tempo e distância para facilitar a colaboração e compartilhamento de conhecimento em locais geograficamente distintos. A tecnologia da informação aumenta a flexibilidade da oferta de educação e pode influenciar a forma como os alunos são ensinados e como aprendem. Maior disponibilidade de melhores práticas e melhor material didático na educação, que possam ser compartilhados através das tecnologias da informação, podem fomentar a melhoria do ensino e alcançar os grupos mais desfavorecidos e novos mercados internacionais de ensino.

7. Qual tem sido o papel das universidades católicas na inclusão de estudantes carentes na universidade? Esta é uma das metas da FIUC?

Prof. Cernera: A inclusão depende de políticas de recrutamento das instituições de ensino e, claro, dos Estados. Temos de destacar que muitas instituições católicas de ensino superior, por exemplo, na América Latina, concedem bolsas de estudo para aumentar a inclusão de pessoas carentes (20% dos estudantes são beneficiados em muitas instituições).

8. Quais são as expectativas da FIUC ao reunir autoridades de ensino superior de todo o mundo para discutir o mesmo tema?

Prof. Cernera: A Assembleia Geral é um lugar onde as pessoas podem trocar e compartilhar experiências. Com o tema deste ano, esperamos que os acadêmicos católicos reflitam sobre as mudanças que enfrentam nossas instituições e que possam apresentar respostas inovadoras como uma contribuição específica das universidades católicas.

Saiba mais:

A 24ª Assembleia da Federação Internacional de Universidades Católicas (em inglês, International Federetion of Catholics Universitys) se realizará em São Bernardo do Campo-SP, dos dias 23 a 27 de julho de 2012, no Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial. O evento congrega 205 instituições de ensino superior no mundo, reunirá no campus da FEI em São Bernardo do Campo reitores e educadores para refletir sobre o tema Ensinar e Aprender na Universidade Católica – Educar e Formar.

Inscrições:

Campus SBC – Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 3972 – B. Assunção – São Bernardo do Campo-SP –  CEP 09850-901 – Tel.: (11) 4353-2900 – Fax: (11) 4109-5994.

Campus SP – Rua Tamandaré, 688 – São Paulo-SP – CEP 01525-000 – Tel./Fax: (11) 3207-6800

Website: www.fei.edu.br

E-mail: [email protected]

Autor: Marcos Eduardo Melo dos Santos

Revisão: Guy de Ridder

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