Administrar o tempo para uma boa homilia


Côn. Edson José Oriolo dos Santos,

Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre,

Vigário Episcopal para administração da crisma

Professor no ITTA

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A forma de pensar do ser humano na cultura e mentalidade contemporâneas, de certa forma, tomou a Igreja de surpresa. Vários exemplos poderiam ser dados para ilustrar a inaptidão eclesial diante da urbanização. Uma preocupação particular é propiciar boa participação nas celebrações eucarísticas a fim de que cristãos e cristãs se alimentem do pão da palavra e do pão da eucaristia.

Para atender necessidades e desejos de quem quer vivenciar o mistério pascal no sacramento da eucaristia, vem à tona o problema das homilias, particularmente do  “tempo” dedicado a elas.

A recente exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, n. 59, lembra que “A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida”.  Para que a homilia seja eficaz adverte: “Devem-se evitar tanto homilias genéricas e abstratas, que ocultam a simplicidade da Palavra de Deus, como inúteis divagações que ameaçam atrair a atenção mais para o pregador do que para o coração da mensagem evangélica”. E continua recomendando que, ao preparar uma homilia, o celebrante responda algumas perguntas: “O que dizem as leituras proclamadas?”; “O que dizem a mim pessoalmente?” e “O que devo dizer à comunidade, tendo em conta a sua situação concreta?”. Fica o desafio: como colocar em prática tudo isso?

Porém, há um aspecto que não pode passar despercebido: saber administrar bem o tempo para que a liturgia da palavra e a liturgia eucarística tenham uma relação de reciprocidade. Quem celebra deve administrar e saber gerenciar o tempo à disposição para que todos os elementos da celebração estejam bem situados e se respeite a importância de cada um deles.

Percorrendo um pouco a história da Igreja, percebemos que muitos pregadores deixaram suas marcas em relação ao tempo da pregação. As pregações de Máximo de Turim (primeiro bispo de Turim, escritor de teologia) não superavam onze minutos. Cesário de Arles viveu num período de transição da Antiguidade para a Idade Média e, como bispo, usava uma linguagem simples, compreensiva e suas homilias duravam nove minutos e as longas, quinze minutos.  Crisólogo, pregador impar, com magnífico dom da palavra, recebeu este nome que significa palavra de ouro. Suas pregações eram em torno de vinte minutos (cf. Dicionário de Homilética, pp. 1630 a 1637). Santo Agostinho costumava improvisar e suas pregações as quais duravam de nove a vinte e cinco minutos. Poucas vezes, passou de uma hora e meia ou chegou até duas horas. São João Crisóstomo, teólogo e escritor que possuía uma inflamada retórica, mesmo não tendo boa saúde, costumava improvisar e pregava em torno de cinco a dez minutos. Santo Ambrósio falava em torno de trinta ou quarenta minutos.

Em épocas posteriores vê-se que as homilias tornaram-se mais longas. Santo Antônio de Pádua geralmente falava quarenta e cinco minutos, chegando a duas horas. São Carlos Borromeu era prolixo em seus discursos e, se lidos, duravam geralmente mais de uma hora. Santo Antônio Maria Claret costumava falar uma hora ou uma hora e meia. Quando ultrapassava este tempo, chegava até a mais de duas horas e, às vezes, três horas.

Podemos perceber que, em média, o tempo de uma homilia nos primeiros tempso do cristianismo se aproximava de um quarto de hora (cf. Dicionário de Homilética, pp. 1630 a 1637). Com o exemplo destes grandes pregadores, acredito que hoje não devemos passar de quinze minutos nas homilias.

O tempo da homilia é limitado e precisa ser muito bem moderado. Administrar o tempo da homilia não significa ficar focado no relógio. De nada adianta falar pouco tempo se não se consegue passar as informações que falem ao coração dos ouvintes.

Hoje, precisamos falar com objetividade, isto é, falar pouco e ter capacidade de síntese. Falar o que interessa, mas sem pressa.

Nos momentos iniciais da pregação devemos apresentar o tema, identificando e delimitando o assunto de forma clara (três minutos). Os outros sete minutos serão usados para aprofundar o assunto com início e conclusão, e os três ou quatro minutos restantes, concluir.

Ajuda muito sempre lembrar o que disse Shakespeare: “Os homens de poucas palavras são os melhores. A brevidade é a alma da sabedoria”.

ENOCH

Depoimento textual do pároco de então, Padre Carlos Guillena
“Faltavam quinze minutos para às 19h de sexta-feira, 26 de janeiro de 1968. Era o segundo dia do tríduo a Jesus Crucificado pelas vocações sacerdotais e pela santificação do clero. Estavam presentes umas quarenta pessoas. Como não havia chegado quem devia prepara o altar, subi até o pedestal da imagem a fim de colocar velas nos castiçais. Fiquei surpreendido ao deparar uma mancha vermelha. Voltei e comentei que teríamos a imagem por pouco tempo, pois, esta-va soltando tinta e pensei que iria desmontar-se em breve. Enxuguei o líquido do pedestal até ficar limpo por completo. Celebrei a missa e no final houve bênção do Santíssimo.

Foi então que outras pessoas perceberam que dos joelhos e das chagas do Crucificado goteja-va sangue. Procurei olhar aquilo com naturalidade e dizer a todos que era a tinta que se des-prendia da imagem. Após a insistência do Sr. Jonas, sacristão, decidi subir novamente e cons-tatei juntamente com outras pessoas que, de todas as chagas, inclusive da boca, estava saindo um líquido vermelho que escorria gota a gota até o pedestal. Depois de analisado, comprovou-se que esse líquido era sangue humano.

Eu, Padre Carlos Guillena Rodrigues, Vigário, posso atestar isso.”

O Dr. Enéas Heringer, Farmacêutico e Bioquímico, examinou o líquido vermelho que manou da imagem de Jesus Crucificado, INRI, atestando “tratar-se, realmente, de sangue” cujo atestado vai aqui reproduzido.

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