Memórias de um missionário na Serra da Cantareira

Marcos Eduardo Melo dos Santos

Acabada a missa dominical, uma senhora aproximou-se de mim. Ela tinha cerca de quarenta anos e não frequentava habitualmente a capela. Talvez a tivesse visto em alguma solenidade, ou mesmo na rua. No total, sua fisionomia parecia-me familiar. Parece-me que trabalhava como empregada doméstica em alguma casa da região, ou mesmo em algum estabelecimento comercial da cidade. Estava grávida e sua fisionomia revelava traços de sofrimento, mas uma serena alegria.800px-Santuario_nacional

Cumprimentei-a amavelmente, demonstrando contentamento por vê-la na missa dominical e convidei-a a voltar mais vezes. Ela reconheceu que, de fato, não costumava frequentar a capela, estando ali para agradecer uma graça alcançada.

Ao demonstrar interesse pelo ocorrido, ela, com um sorriso constante nos lábios, narrou-me um fato surpreendente, que tento reproduzir com suas palavras:

“Ao participar de uma peregrinação oficial da paróquia à Aparecida, um arauto ofereceu-me uma medalha milagrosa. Agradeci o presente e ele perguntou-me o que iria pedir à Padroeira do Brasil. Respondi que queria um bebê, pois após 14 anos de matrimônio, não tinha podido ainda gerar um filho. O arauto apenas me respondeu: ‘Confiança! Nossa Senhora vai dar-lhe um bebê, e será uma menina’”.

Ao observar novamente que a senhora dava sinais evidentes de gravidez, foi-me impossível conter uma exclamação de admiração. Perguntei se ela se recordava deste arauto, mas confesso que sua descrição não era suficiente para reconhecer este irmão de hábito.NS_Aparecida

Ela contou-me que já estava com cinco meses de gestação. Pelo ultra-som sabia-se que era uma menina. Com inegável contentamento disse-me que a bebê seria batizada com o nome de Vitória Aparecida.

Nos registros civis, mais uma menina terá em sua certidão a agradecida recordação de uma graça alcançada pela Padroeira do Brasil…

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