ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

ITTA – IFAT - Instituto Teológico São Tomás de Aquino

Deus vem

Thiago de Oliveira Geraldo – Professor de Introdução à Sagrada Escritura (ITTA)
In: Gaudium Press

Quais são as características da verdadeira amizade? São várias, uma delas se comprova quando se tem a confiança de revelar ao amigo os próprios pensamentos. É o que há de mais íntimo no ser humano, lugar impenetrável aos outros, não para um verdadeiro amigo. Pode-se revelar um segredo ou mesmo um desejo. “O termo ‘revelação’ significa literalmente ‘tirar o véu que oculta alguma coisa’.” [1]

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Outra prova de uma amizade levada até as últimas consequências é dar a própria vida, se necessário, por quem se ama. Imaginemos, por exemplo, um inocente condenado à morte cuja execução se dará em breve, seria difícil oferecer-se para morrer em seu lugar, mesmo sabendo que nele não há crime algum. Mais difícil seria dar a vida por um criminoso manifesto. Talvez um grande amigo pudesse se apresentar a fim receber a sentença que coubesse ao outro, mas vejam que não é fácil.

Pois bem, Deus tanto amou aos homens que não só entregou Sua vida pelos réus de morte (pecadores) a fim de lhes abrir as portas do céu, mas também quis vir ao encontro do ser humano por meio da Revelação Divina.

De alguma forma o Criador está acessível a todos. Para alguns, é possível encontrá-Lo através da luz natural da razão pelas obras criadas, como ensina São Paulo: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras” (Rm 1,20). Para outros, foi-lhes dada a Revelação Divina, inacessível à pura razão: “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas” (Hb 1,1). Isto sempre se realizou dentro dos desígnios benevolentes de Deus.

O importante é saber que a revelação d’Ele nos chegou por meio de palavras e obras, desta forma entramos em contato com o mistério de Deus, que conduz a história da nossa salvação. Mas Deus quis nos dar absolutamente tudo, e isso se realizou quando enviou seu próprio Filho ao mundo: “Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra” (Hb 1,2-3).

Jesus Cristo é o ápice da Revelação Divina, Deus disse tudo através de seu Verbo Encarnado: “Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não se há-de esperar nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. 1 Tim 6,14; Tit 2,13)”.[2] Não se espera outra revelação antes da manifestação gloriosa do Senhor, mas os cristãos revivem os acontecimentos de Sua vida.

Através da liturgia se celebra os acontecimentos que trouxeram a nossa salvação. Deus Pai enviou seu Filho que morreu por nós e é o Espírito Santo que atualiza esta memória na liturgia: “A liturgia cristã não somente recorda os acontecimentos que nos salvaram, como também os atualiza, torna-os presentes. O mistério pascal de Cristo é celebrado, não é repetido; o que se repete são as celebrações; em cada uma delas sobrevém a efusão do Espírito Santo que atualiza o único mistério”.[3]

Entre os acontecimentos que a liturgia comemora está o advento, próximo a iniciar-se.

O ano litúrgico dos cristãos está separado por períodos, aos quais cabe contemplar misticamente a vida do Divino Redentor. Entre eles está o período do Natal, onde se espera a chegada do Salvador em meio aos homens, comemorado no dia 25 de dezembro. Como preparação para esta chegada, a Igreja instituiu a celebração de quatro domingos, conhecidos como “advento” (do latim significa “chegada”, “vinda”). Espera-se a vinda de Jesus, seu nascimento. Também se refere à segunda vinda de Jesus Cristo.

Desde o século XI o advento abre o ano litúrgico (eclesial), que se encerrou com a solenidade de “Cristo Rei”.

São quatro semanas de preparação para o Natal, nas quais a liturgia vai progressivamente pedindo a vinda do Salvador. Nem sempre e em todos os lugares foram quatro semanas de advento, ocorriam variações entre três a seis semanas; no entanto, em Roma, as quatro semanas são celebradas desde o século V.

Como símbolos desse tempo, podem-se encontrar manifestações de penitência e alegria, ambas com moderação. A penitência se verifica, por exemplo, na ausência do cântico do Glória, bem como nos paramentos roxos, e etc. A alegria se manifesta com cântico do Aleluia e com o domingo Gaudete (“Alegrai-vos”), cujos paramentos são róseos; mas, sobretudo, entre os símbolos de alegria no advento se encontram duas festas votadas à Mãe de Deus. Em oito de dezembro se celebra a solenidade da Imaculada Conceição, em honra da Virgem Maria concebida sem pecado original; dogma proclamado por Pio IX, em 1854. E a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, Padroeira da América Latina, em 12 de dezembro.

Neste sentido, “o Advento é por excelência o tempo da esperança, no qual os crentes em Cristo são convidados a permanecer em expectativa vigilante e laboriosa, alimentada pela oração e pelo compromisso efetivo do amor”.[4] Na liturgia espera-se este Deus que vem, porque “Deus vem para nos salvar”.[5]

Deus é o nosso verdadeiro Amigo. Além de enviar seu Filho para morrer por nós na cruz e de se ter revelado definitivamente, ainda confia à Igreja a missão de transmitir estes acontecimentos todos os anos, sob os auspícios do Espírito Santo. É a nossa vez de provar que também somos fiéis a esta amizade, nos preparando para este tempo que se inicia.

Thiago de Oliveira Geraldo

[1] MONFORTE, Josemaría. Conhecer a Bíblia. Trad. de Luis Margarido Correia. Lisboa: DIEL-L, 1998, p. 18.
[2] Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina, n. 4.
[3] Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edições Loyola, 1999, n. 1104.
[4] BENTO XVI. Angelus, 3 de Dezembro de 2006.
[5] BENTO XVI. Homilia, 2 de Dezembro de 2006.

Um reto caminho em busca da verdade

Marcos Inácio Melo – 2º Ano TeologiaMons diploma_13

Em nome e por autoridade de Bento XVI e pela potestade apostólica concedida à Universidade Pontifícia Bolivariana (UPB), Mons. João Scognamiglio Clá Dias recebeu o título de Doutor canônico em Teologia com a nota Summa cum laude, na Igreja do Seminário São Tomás de Aquino (Brasil), no dia 3 de novembro de 2010.

O Reitor da Universidade Pontifícia Bolivariana, Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez, presidiu a cerimônia na qual estava presente o Decano da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades da UPB, Pe. Diego Alonso Marulanda Díaz.

Após a entonação dos hinos nacionais da Colômbia e do Brasil, e a imposição do escudo da UPB no escapulário do ilustre graduando, foi-lhe concedido o título de Doutor em Teologia pela defesa da tese: “O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira”.

Ao receber este título, Mons. João Clá prestou o solene juramento institucional que exige as virtudes morais do espírito bolivariano, assim como a plena fidelidade à moral cristã.

Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez dirigiu as seguintes palavras ao novo doutor canônico em teologia, em presença do público que deixou repleta a igreja de Nossa Senhora do Rosário.

“Mons. João Clá, Doutor em Teologia pela Universidade Pontifícia Bolivariana, queridíssimos membros dos Arautos do Evangelho, amigos todos; é para mim motivo de grande alegria vir ao Brasil, São Paulo, para entregar pessoalmente a Mons. João Clá o título de Doutor em Teologia.

“Todos somos testemunhas de como Monsenhor cumpriu ao longo de sua existência um reto caminho em busca da verdade, dando espaço à ação do Espírito em sua vida, reservando um lugar em seu coração ao amor de Deus. Isto faz com que ele possua esta capacidade de convocatória que atrai a ação do Espírito, a fim de que o amor de Deus suscite uma comunidade como os Arautos do Evangelho. Para isso, o Senhor se aproveita como instrumento valiosíssimo da pessoa, do ser e da vida de Mons. João Clá.

“Neste exercício em busca da verdade Mons. Clá se esforçou em esquadrinhar os princípios do Evangelho, da Sagrada Escritura, do Magistério da Igreja, e ao que nossos teólogos e filósofos produziram ao longo de 2000 anos. Ele entendeu muito bem que primeiro é necessário conhecer o Senhor para poder amá-lo e anunciá-lo. Esta foi a vida de Mons. Clá: conhecer a doutrina, através do estudo e da disciplina, amar com coração ardente e converter-se em peregrino e testemunha de Jesus.

“Seu título de teólogo não é mais que uma ratificação do que foi a sua vida. Por esta razão, quando na UPB – criada em 1936 e reconhecida como pontifícia em 1945 – tomamos conhecimento do desejo, do anelo e do sonho de Monsenhor João Clá de obter o título de doutor, imediatamente a diretoria da faculdade, Pe. Jorge Iván e Pe. Diego Marulanda, confrontaram toda a experiência acadêmica de Monsenhor somadas à sua experiência de vida.

“Como determinam nossos estatutos bem se poderia homologar suas experiências acadêmicas, pastorais e laborais, porque sem dúvida, quando se trata de doutorado o que se busca é experiência de vida, e no caso de Monsenhor poderíamos ainda acrescentar experiência de espiritualidade. Assim, pôde perfeitamente concluir seu trabalho de tese. Obra, aliás, feita com amor, fé, esperança e qualidade. Assim, pois, deve ser sempre nosso exercício acadêmico: qualidade, fé, esperança e amor.

“Seu trabalho foi extensíssimo. Centenas de páginas foi o resultado final de uma obra que sem dúvida alguma irá marcar a História dos Arautos do Evangelho. Com a publicação da tese todos poderão gozar e deleitar-se com esta obra, que repito, foi feita com muito amor, e espero não me equivocar, preparada em vista de cada um de vós.

“Felicito de todo coração a Mons. Clá. Agradeço seu testemunho valente de entrega ao realizar a tese doutoral em meio às múltiplas ocupações próprias à sua função. Gostaria publicamente de agradecer a Monsenhor a confiança que ele depositou em nossa Universidade Pontifícia Bolivariana, pois bem conheço as referências que tem dado de nossa instituição. Nosso compromisso não é defraudá-los, mas seguir acompanhando esta formação íntegra e integral.

“Agradeço por acreditar na UPB, pela possibilidade de convidar-nos ao Brasil dando-nos oportunidade de conhecer esta obra. Sem dúvida alguma, quando retornarmos a Medellín, possuiremos gratas recordações.

“Que seu trabalho – não me refiro apenas ao acadêmico, mas também ao pastoral relacionado com todos os seus filhos – produza frutos em abundância para maior glória de Deus. Muito obrigado”.

Após a leitura e assinatura da ata, foi entoado em ação de graças o cântico do Magnificat.

As moedas que compram o Céu

Lucas Antonio Pinatti – 2º ano Teologia

“Maria conservava todas essas coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2, 19). Eis o exemplo que nos dá NossaTeatro Sta Inês2 Senhora, quanto a todos os ensinamentos e fatos da vida, paixão e morte de Jesus. Com esse intuito, os seminaristas do Seminário São Tomás de Aquino, encenaram a peça teatral “O rei e o terço”, desta vez na Capela Santa Inês.

O terço é para nós, Católicos, um dos meios mais eficazes de meditar nas cenas evangélicas, pedir a intercessão de Maria, suportar os sofrimentos de nossa peregrinação terrena e alcançar a misericórdia divina. Conta-nos São Luís Maria Grignion de Montfort que Nosso Senhor apareceu um dia a Santa Gertrudes contando moedas de ouro; ela teve a curiosidade de perguntar-lhe o que fazia: Conto – respondeu Jesus – tuas Ave-Marias: é a moeda com que se compra meu paraíso.

Digno de nota é também o que nos narra o Beato Alain de la Roche: Certa vez, uma religiosa muito devota do Rosário apareceu depois da morte a uma de suas irmãs e lhe disse: “Se eu pudesse voltar a meu corpo para dizer somente uma Ave-Maria, ainda que fosse sem muito fervor, para obter o mérito desta oração, sofreria com gosto todas as dores que padeci antes de morrer”. É preciso advertir que havia sofrido durante vários anos sofrimentos atrozes.

Lembremo-nos, ainda, que o rosário consta de duas categorias de orações: mentais e vocais. Estas últimas fazemo-las através da recitação da Ave-Maria, do Pai-Nosso, etc. As mentais, nós a fazemos ao longo do terço meditando nos mistérios da vida de Jesus.

A Santíssima Virgem é para nós um grande modelo de meditação; disse Ela um dia a Santa Brígida: “Quando contemplava a beleza, a modéstia, a sabedoria de meu Filho, sentia minha alma transportada de alegria, e quando considerava que suas mãos e seus pés haveriam de ser atravessados com cravos, vertia uma torrente de lágrimas, partindo-se-me o coração de dor”.

Foi para incentivar esta devoção que o seminaristas maiores e menores da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli encenaram a peça teatral o “O rei e o terço”, baseado em uma história narrada por São Luís Grignion de Montfort. O enredo da peça trata de um soberano a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário. Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e a fim de animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse. E isto bastou para incentivar todos a rezá-lo devotamente, trazendo inúmeras graças para o reino, e para a conversão do próprio monarca.

Teatro Sta Inês

Mons. Formenti visita o Seminário

Davi Werner Ventura – 2º Ano TeologiaMons Formenti

Mons. Vittorio Formenti, responsável pelo Serviço de Estatística da Igreja, visita o Seminário. Além de concelebrar no Seminário, a Missa dominical. Com o Pe. Alex Barbosa de Brito, EP, no dia 14 de novembro, conheceu diversas sedes dos Arautos do Evangelho em São Paulo e no Paraná.

Monsenhor Formenti nasceu em Castrezzato, diocese de Brescia, em 1944, e ordenando sacerdote 1968. Doutor em Teologia, pela Pontifícia Universidade Lateranense (1984). Atualmente é oficial da Secretaria de Estado, Prelado de Honra de Sua Santidade e Cônego Coadjutor da Basílica Liberiana, conhecida como Santa Maria Maior.

É conhecido como “il monsignore dei numeri”,  porque com uma prestigiosa equipe de colaboradores coordena os trabalhos para a publicação do Anuário Pontifício.

Em entrevista para L’Osservatore Romano, em 30 março de 2008, afirmou que “o grande reservatório de católicos no mundo é a América Latina (49,8%) [...] . Entretanto, o continente de maior crescimento é a Ásia, onde os católicos são minoria, mas  animados de uma grande espírito, motivo de esperança de crescimento para a Igreja sobretudo nas Filipinas, mas também na Índia, Coreia, Vietnã e Japão. Após a Ásia, segue a África, uma grande fonte para a Igreja”. Em matéria de crescimento, “L’America Latina va un pó a macchia di leopardo”.

Concerto em homenagem a Dom Jean-Louis Bruguès, Secretário da Congregação para a Educação Católica

José Luís de Melo Aquino – 3º Ano Teologia

Acordes de Händel, Palestrina e Corelli foram executados pelo Coro e orquestra do Seminário São Tomás dePadre Pedro Aquino em homenagem ao Arcebispo Dom Jean-Louis Bruguès, Secretário da Congregação para a Educação Católica. O concerto se deu nesta segunda-feira, dia 8 de novembro, na igreja do Seminário.

Após a entrada do cortejo e a execução da Ave Maria de Franz Schubert (1797-1828), o Revmo. Pe. Pedro Morazzani Arraiz, EP, Vigário Geral de Virgo Flos Carmeli, Reitor do Seminário São Tomás de Aquino e maestro do coro e orquestra saudou o ilustre Arcebispo da Cúria Romana manifestando a intenção “agradecer as magníficas conferências sobre ‘a Veritatis Splendor e a Teologia moral hoje’, onde se comprovou a clareza, o espírito de síntese e a profundidade características do conferencista”.

Ressaltou também que a divisa episcopal escolhida por Dom Bruguès exprime as qualidades de oratória típicas de um Arcebispo, dominicano e francês: “Vossa glória é a minha sabedoria”.

O Reitor do seminário recordou ainda que o Fundador dos Arautos do Evangelho afirmava que “o espírito católico havia penetrado no povo francês até as últimas capilaridades, a tal ponto que a França, foi e sempre será chamada ‘a filha primogênita da Igreja’. Por esta razão, realizou em plenitude o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ide e evangelizai (Mc 15, 16). Em consequência, a graça, o charme, até mesmo a natureza, enfim, tudo na França é revestido do espírito católico”.

“Através deste concerto” – salientou – “queremos agradecer as magníficas conferências, e sobretudo a mútua consonância entre Mons. Bruguès e os Arautos do Evangelho. Este concerto visa manifestar a glória de Deus que é a nossa sabedoria. Muito obrigado Monsenhor pela sua sabedoria que é um reflexo da glória de Deus”.

Após estas palavras foram executadas obras instrumentais e corais de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1524), Arcangelo Corelli (1653-1713) e Georg Friedrich Händel (1685-1759).

Concerto Mons BruguèsApós o concerto, Dom Jean-Louis Bruguès concluiu o evento com um elegante e profundo pensamento:

“Quero pedir aos Querubins e Serafins evocados, na última música da obra “Dettingen Te Deum” de Händel, que não se retirem e permaneçam mais um tempo entre nós.

“Conta-se que o Cardeal Ratzinger tinha o hábito diário de tocar piano forte durante cerca de duas horas. Não sei se é verdade, mas si non è vero, è bene trovatto. Todavia, posso assegurar o fato de que, certa vez, durante alguns trabalhos especialmente intensos da Comissão Teológica Internacional, o mesmo Cardeal Ratzinger narrou-me um pensamento da autoria de um protestante alemão, Karl Barth:

“Quando o céu quer comemorar uma festa a Deus pai, os Anjos cantam as músicas compostas por Johann Sebastian Bach (1685-1750), pois é o mais profundo e religioso dos compositores. Quando os anjos querem festejar entre si, tocam composições de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), enquanto Deus filho os escuta com a porta entreaberta”.

“Prolongando esta História, poderíamos acrescentar que a Igreja militante é confiada especialmente à terceira Pessoa da Santíssima Trindade; e segundo foi afirmado em uma das conferências, há uma necessidade de desenvolver a teologia Ocidental do Espírito Santo na mesma linha da teologia Oriental, associando-O especialmente à beleza”.

“Além disso, a Nova Evangelização, conclamada por João Paulo II e sempre estimulada por Bento XVI, não é senão o anúncio do Evangelho nas sociedades secularizadas. Cabe à Igreja Universal ditar os princípios da Nova Evangelização, enquanto à Igreja particular, e em consequência aos senhores, aplicar os meios.

“Pelo que pude ver nestes dias, tudo que sois e fazeis está plenamente consonante com a Nova Evangelização. A beleza que se encontra em todas as artes, na arquitetura, na pintura e na decoração, está de modo particular na música. Arte imponderável e misteriosa que nos toca no mais íntimo do coração. Esta é certamente a arte humana mais sublime e adequada para manifestar o Espírito Santo enquanto associado à beleza.

“Creio que a divisa (a vossa glória é a minha sabedoria) evocada há pouco, bem poderia ser a vossa divisa, como a divisa de Händel, o compositor do retorno do exílio, o músico da glória. Por isso, imagino que o Espírito Santo o escuta com ouvidos especialmente atentos.

“Agradeço o convite de vir ao Brasil. Além disso, encorajo-os a prosseguirem com o que fazem e com o que são. Espero encontrar-vos outras vezes aqui, ou em Roma, a capital da Igreja Universal”.

A semente da fé

Thiago de Oliveira Geraldo – Professor de Introdução à Sagrada Escritura (ITTA)
In: Gaudium Press

JesusNas escolas as crianças comumente fazem experiências científicas auxiliadas pelos professores. Desta forma, vão se introduzindo nas diversas áreas do conhecimento e complementando seu currículo. Essas experiências além de servirem como avaliação para a aprendizagem, também são momentos de expectativa para os jovens que ainda estão iniciando seu contato com o mundo.

Uma dessas experiências fascinantes é a de plantar uma semente para observá-la germinar. Este pequeno grão, aparentemente morto na mão de uma pessoa, quando é plantado e devidamente regado, produz o “milagre da vida”. A criança esperançosa de que sua sementinha brote, enche-se de contentamento quando vê aquele brotinho que desponta à superfície. E de alguma forma se sente partícipe do poder criador de Deus.
Para as pessoas conhecedoras da arte do plantio, basta ter em mãos um desses grãos para saber a que espécie pertence, qual árvore brotará de seu cultivo e quais frutos produzirão. No entanto, nem todos são especialistas na matéria, portanto, não conseguem diferenciá-los. Para estes últimos, somente o cultivo da semente é que mostrará sua espécie.
Quando se vê uma árvore frondosa, nos espantamos com o tamanho e a firmeza que transparecem de seu aspecto, mas podemos nos esquecer que tudo isso veio de uma sementinha que é propulsora desta obra. Porém, isto não é nenhuma novidade para quem tem uma cultura agrícola. Aqueles que lidam com a plantação, conhecem bem o lucro que se pode tirar de uma colheita e quanto pode produzir uma única semente.
E como não poderia ser diferente, a cultura de um povo está ligada com seus afazeres. Aqueles que vivem em meio à produção agrícola costumam comunicar-se com o linguajar próprio à sua função. Foi em um ambiente orgânico como este que há dois mil anos Jesus Cristo, o Filho de Deus, revelou-se aos homens. Para se fazer entender pelos seus ouvintes, utilizou-se de uma forma de expressão conhecida como parábola (do grego parabolé, literalmente “comparação”, “jogar ao lado de”). Essas narrações de Jesus continham, através de exemplos corriqueiros, ensinamentos admiráveis.
Esta maneira de ensinar era comum na época, mas Jesus se diferenciava dos rabinos, porque Ele queria transformar seus ouvintes, enquanto estes últimos utilizavam a parábola apenas para a interpretação da lei. Falava-se alegoricamente de uma situação semelhante à vida real para que os interlocutores interpretassem a mensagem. Muitas vezes podia se tornar um teste de sabedoria.
Entre os exemplos utilizados pelo Divino Mestre, encontra-se a comparação da pequena semente de mostarda com a fé que os discípulos deveriam possuir: “Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé! Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá” (Lc 17,5-6).
Os apóstolos viam a necessidade de aumentar sua fé, pois à medida que Jesus ia lhes revelando o que deveriam fazer, percebiam sua incapacidade de realizá-lo. Por isso, o Mestre “faz menção da mostarda, porque sua semente, ainda quando é pequena, é a mais fecunda de todas. Dá a conhecer, portanto, que um pouco de sua fé pode muito”.1
Em outra ocasião, para mostrar a expansão do Reino que Ele veio trazer, Jesus utiliza-se novamente desta sementinha: “Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo. É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos” (Mt 13,31.32).
Nosso Senhor se refere aqui ao trabalho que os apóstolos iriam realizar a fim de anunciar o Reino de Cristo: “Quis o Senhor com isto dar uma prova de sua grandeza, pois assim exatamente – disse – sucederá com o anúncio do reino de Deus. Em verdade, os discípulos do Senhor eram os mais débeis, os menores entre os homens; mas como havia neles uma grande força, esta se soltou e se difundiu”.2 E em sua sombra – a Igreja – muitos pássaros virão abrigar-se. Nesta parábola, os pássaros representam os povos que aceitarão a pregação dos apóstolos e entrarão no Reino de Deus.
Mesmo empregando esta linguagem conhecida na época, muitas vezes, os discípulos Lhe pediam que explicasse a parábola pronunciada, e isto era feito, pois no futuro eles seriam os grandes propagadores deste Reino e fiéis depositários destes dons recebidos do próprio Deus.
Que pelo menos tenhamos a fé do tamanho de uma semente de mostarda, para que a Igreja, através de seus sacramentos, possa regá-la e protegê-la, fazendo-a crescer e frutificar na caridade tanto nesta vida quanto na eternidade.

1 – SAN JUAN CRISÓSTOMO. Apud SANTO TOMÁS DE AQUINO. Catena Aurea.Vol. IV – San Lucas. Buenos Aires: Cultura Católica, 1946. p. 402.

2 – SAN JUAN CRISÓSTOMO. Homilías sobre el Ev. De Mateo, 46, 2. Apud SIMONETTI, Manlio. La Biblia Comentada por los Padres de la Iglesia: Evangelio según San Mateo (1-13). Madrid: Ciudad Nueva, 2004. p. 367.

Mons. Jean-Louis Bruguès: Ciclo de Conferências sobre “A Veritatis Splendor e a Teologia Moral hoje”

Brugues (1)Caio Pereira da Silva – 3º Ano Teologia

Mons. Jean-Louis Bruguès, Secretário da Congregação para a Educação Católica, realizou em São Paulo um ciclo de quatro conferências como o tema “A Veritatis Splendor e a Teologia Moral hoje”. O evento se deu entre os dias 1 e 4 de novembro, no auditório “Quis ut Virgo” do Seminário São Tomás de Aquino.

Estas conferências foram dirigidas especialmente aos seminaristas maiores de Teologia e aos mestrandos em Teologia Moral, pertencente à Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli.

Brugues (2)Mons. Jean-Louis Bruguès nasceu em 1943, na cidade de Bagnères de Bigorre. Obteve o título de mestre em Ciências Econômicas e Ciências Políticas. Entrou na ordem dos dominicanos em 1968 onde se formou como doutor em Teologia.

Pronunciou os votos perpétuos em 1972 e recebeu a ordenação sacerdotal em 1975. Foi Prior dos conventos de Toulouse e Bordeaux antes de se tornar Provincial em Toulouse. Foi professor de Teologia Moral Fundamental na Universidade de Fribourg (Suiça) e membro da Comissão Teológica Internacional em Roma de 1986 a 2002.  Em 1997, foi eleito professor ordinário da universidade de Fribourg.

Nomeado bispo de Angers em 2000, presidiu a comissão doutrinária da Conferência Episcopal Francesa até 2007, quando foi elevado à dignidade de Arcebispo na Cúria Romana como Secretário da Congregação para a Educação Católica.

Wolfgang Amadeus Mozart: imortal gênio musical, amigo de Deus

Pauta Marcos Eduardo Melo dos Santos

Dir-se-ia que Deus tem seus “caprichos”. Por vezes, concentra quantos talentos, graças, e dons em um só homem. Os gênios marcam a História com sua glória que, em última análise, procede da gloriosa bondade divina. Assim aconteceu na História da Música com Wolfgang Amadeus Mozart.

O “menino-prodígio” – como dizem os alemães, der Wunderknabe –  irrompeu desde cedo com seu incrível talento musical no mundo barroco de Salzburgo. Com seis anos, coroado com “sua peruca e sua espadinha apertada à cintura” — como recordava Goethe — deslumbrou toda a Europa.

Conta-se que, com apenas seis anos já tocava violino, cravo e órgão. Entre um concerto em outro, Mozart deixava-se infantilmente deslizar no piso encerado do Palácio Imperial de Hofburg, em Viena. Em um dos divertidos percursos, esbarrou com uma das princesas da Casa de Habsburg. A menina de apenas 11 anos ajudou-o a levantar-se. A gentil princesa chamava-se Maria Antonieta, mais tarde, Rainha da França[1].

Viena, Paris, Londres, Roma, em todas as partes, platéias entusiasmadas o aclamariam. Cada cidade era presenteada com a improvisação de uma melodia.

Inúmeras são as narrações de fatos que atestam seu portentoso gênio musical. Ainda menino, Woferl – como era apelidado – ditava para seu pai minuetos espirituosos. Assistia a concertos que duravam horas, e de volta ao lar, os reconstituía de cor ao piano.

Aos 13 anos, Mozart compôs sua primeira ópera, intitulada Bastião e Bastiana. Seguiram-na mais de 50 sinfonias, 20 óperas, 20 missas para orquestra, coro e solistas, inúmeros concertos. Ainda não se definiu o inventário geral de suas composições, muitas delas escritas em brevíssimo tempo. Sem revisão, as entregava a um copista para serem impressas e executadas. Escreveu, por exemplo, de improviso, a abertura de sua ópera Don Giovanni, disponibilizando-a aos instrumentistas vinte minutos antes da estréia, quando já “aqueciam” e afinavam os instrumentos.

Dotado de uma inteligência vivíssima, falava e escrevia corretamente o latim, alemão, francês, italiano e inglês. Enobrecido pelo ambiente aristocrático, vestia-se sempre com pulcritude e elegância, costume conservado desde a infância, sabendo admirar obras que não eram de sua autoria. Católico, ao ouvir o cântico Gregoriano, Mozart afirmou: “Daria toda a minha obra para ter escrito o ‘Prefácio’ da Missa Gregoriana”.[2]

Suas duas mais famosas óperas povoam os cenários dos grandes teatros: A flauta mágica e Dom Giovanni, cujas partituras melodiosas entusiasmam os ouvintes, mas constituem o terror dos regentes e solistas que têm de haver-se com elas…

Uma de suas últimas obras, ouvida e comentada recentemente pelo Papa, merece especial atenção. Caindo doente em Praga, não mais recobrou perfeita saúde. Todavia, relatos posteriores o mostram de volta a Viena engajado em ritmo intenso de trabalho, envolvido com a finalização do Réquiem e assombrado com premonições da morte. Não se sabe ao certo o limite entre a lenda e a realidade nas descrições dos últimos dias de Mozart. Embora, doente, continuava a escrever várias cartas onde demonstra um humor jovial[3].

Em novembro de 1791, novamente doente, recolheu-se ao leito. No início de dezembro sua saúde parecia melhorar, e pôde cantar partes do Réquiem inacabado com alguns amigos. Agravando-se seu estado, em torno da uma da manhã de 5 de dezembro, expirou.

Sobre o “máximo músico”, comenta o Papa, “todas as vezes que ouço a sua música não posso deixar de me recordar da minha igreja paroquial, onde, quando eu era jovem, nos dias de festa, era executada uma sua ‘Missa’: no coração eu sentia que um raio da beleza do Céu me tinha alcançado”.

“Em Mozart tudo é harmonia perfeita, cada nota, cada frase musical é assim e não poderia ser de outra forma; também os opostos estão reconciliados e a Mozart’sche Heiterkeit, a ‘serenidade mozartiana’ tudo envolve, em cada momento. Trata-se de um dom da Graça de Deus, mas é também o fruto da fé viva de Mozart, que — sobretudo com a sua música sacra — consegue fazer transparecer a resposta luminosa do Amor divino, que dá esperança, também quando a vida humana é dilacerada pelo sofrimento e pela morte”[4].

Mozart morreu jovem, com 35 anos. Se é verdade que o amor de Deus cria e infunde a bondade na criatura e tudo em última análise tem origem no Autor do Universo, foi por causa deste amor infinito que Mozart morto é “imortal”[5].

Amor que se reflete inclusive no nome. Batizado com o nome Theophilus, preferia ser chamado em suas versões francesa ou germânica, Amadé ou Gottlieb, ou ainda na forma latina, Amadeus, mais próximo da tradução portuguesa.


[1] Cf. PAHLEN, Kurt. História Universal da Música. São Paulo: Melhoramentos, 1965.

[2] Cf. DANIEL-ROPS, Henri. A igreja das Catedrais e das Cruzadas. V. III. São Paulo: Editora Quadrante, 1993, p. 429.

[3] Cf. DANIEL-ROPS, Henri. A igreja das Catedrais e das Cruzadas. V. III. São Paulo: Editora Quadrante, 1993, p. 429.

[4] BENTO XVI. Discurso no final do Concerto oferecido pela Pontifícia Academia de Ciências. Castel Gandolfo. 7 set. 2010. Disponível em: www.vatican.va

[5] Cf. Suma Theologiae. 1,20,2 in THOMAE AQUININATIS. Summa Theologiae. Opera Omnia. Coord. Roberto BUSA. t. 3. Torino: Aloisianum: 1980.

Entre a vida e a morte

RetabuloThiago de Oliveira Geraldo – Professor de Introdução à Sagrada Escritura (ITTA)

In: Gaudium Press

Quem não se enternece ao ver um bebezinho cheio de vida que acaba de nascer? Quantas promessas! Ainda é apenas uma semente que deverá germinar e dar seus frutos. Que tipo de semente será? Ninguém o sabe, somente o tempo testemunhará.

Essas dúvidas no início da vida não se passam na hora morte. Quando se completa o final da trajetória de uma pessoa tudo já está visto e analisado, as decisões que ela tomou, o modo como se portou diante das dificuldades, o caráter que formou entorno de si. Não há mais máscaras, a pessoa é contemplada por inteira.

A morte que tanto assusta o ser humano, que muitas vezes a prorroga até o último extremo, torna-se inevitável. Segundo o curso normal dos acontecimentos todos passaremos por ela. Talvez o que mais espante o homem não seja a própria morte, mas o que está por detrás dela. Haverá uma vida eterna? Terei que justificar minhas atitudes? Serei premiado ou castigado?

Mesmo aqueles que se dizem incrédulos passarão pela morte e é diante de sua grandeza que muitos homens adquirem forças para agir bem, pois “todas as tentativas da técnica, por muito úteis que sejam, não conseguem acalmar a ansiedade do homem: o prolongamento da longevidade biológica não pode satisfazer aquele desejo de uma vida ulterior, invencivelmente radicado no seu coração”.¹

Há algo admirável neste trânsito da vida para a morte que fez com que diversos povos da antiguidade respeitassem e até cultuassem os membros de sua família já falecidos. Enterrados ou cremados, os mortos eram postos em lugares próximos à sua gente a fim de receber um culto.

A cultura cristã também adotou o costume de enterrar os corpos dos falecidos. De acordo com a época eles eram sepultados na própria igreja ou no lugar específico para isto, o cemitério. De origem grega (koimetérion) este lugar significa “dormitório”, e realmente é onde os mortos descansam. Ali permanecerão até o dia do Juízo Final, quando a alma se unirá novamente ao corpo.

Esse sentimento trágico acerca da morte – como pensam alguns – se dá pela falta de esperança de que o ser humano existe não somente para esta vida, mas principalmente para Deus: “A morte não é a última palavra acerca do destino humano, porque ao homem foi reservada uma vida sem limites, que tem o seu cumprimento em Deus”.²

Para essas pessoas que entregaram sua alma a Deus, os cristãos desde os primeiros tempos ofereceram orações. A Igreja instituiu no século XI um dia reservado para se rezar aos fiéis defuntos, que no século XIII ficou consignado como 2 de novembro, um dia depois da solenidade de Todos os Santos, pois “com o ânimo ainda dirigido para estas realidades últimas, comemoramos todos os fiéis defuntos, que ‘nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz’ (Oração eucarística, 1)”.³

Eles nos precederam com o sinal da fé, a mesma fé professada pelos católicos em todos os tempos. O cristão não espera apenas uma salvação individual, mas quer que todos alcancem a bem-aventurança. Os atos praticados em vida se fazem sentir – de alguma maneira – depois da morte. Portanto, há uma relação entre vivos e mortos, e é por isso que se deve rezar aos que já partiram e necessitam de purificação.

Eles estão na esperança de atingir o quanto antes o fim para o qual foram chamados, a união com Deus: “Deus chamou e chama o homem a unir-se a ele, com todo o seu ser, na perpétua comunhão da incorruptível vida divina. Esta vitória, alcançou-a o Cristo ressuscitado, libertando com a própria morte o homem da morte”.4

A fé cristã responde ao anseio do ser humano em encontrar uma razão para a morte e a continuação da existência depois dela. A verdadeira vida se alcança no encontro com Deus, que se fez homem e nos amou ao ponto de morrer por nós, para que nós tivéssemos vida. Nesta esperança deve-se rezar pelos fiéis defuntos, sobretudo, no dia que a Igreja reserva de forma especial a eles.

[1] Gaudium et Spes, n. 18.

[2] JOÃO PAULO II. Angelus, 2 de Novembro de 1997.

[3] BENTO XVI. Angelus, 2 de Novembro de 2008.

[4] Gaudium et Spes, n. 18.

Pe. Luíz Fernandes Velasquez, Reitor da Universidade Pontifícia Bolivariana celebra solene Eucaristia no Seminário São Tomás de Aquino

Ferndorodriguez Victor Baltazar Castillo López – 2º Ano Teologia

Domingo, dia 31 de outubro, Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez, Reitor Geral da Universidade Bolivariana (UPB, Medellín, Colômbia), concelebrou a Eucaristia com Pe. Jorge Iván Ramírez Aguirre, Vice-reitor Acadêmico da UPB, e Pe. Diego Alonso Marulanda Díaz, Decano da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades da UPB. O Evento se deu na Igreja do Seminário São Tomás de Aquino, Brasil.

Além de conhecer pessoalmente os estudantes e as instalações do Seminário, estes três sacerdotes da diocese de Medellín (Colômbia) visitaram o Brasil para participar de um ciclo de Conferências de Mons. Jean-Louis Bruguès, Secretário da Congregação para a Educação Católica, sobre a “A Veritatis Splendor e a Teología Moral hoje”.

No início da Missa, Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez, explicou que sua visita ao seminário servirá para “estreitar os vínculos de amizade e mútua colaboração entre a Universidade Bolivariana e os Arautos do Evangelho”.

No sermão, Monsenhor sintetizou a liturgia em duas palavras: “Misericórdia e acolhimento”.

“Deus tudo faz com perfeição, como narra o relato da criação; criou por ter previamente amado o mundo e o homem. Ainda que, pelo pecado, o homem volte as costas ao Criador, Deus permanece amando com sua imensa misericórdia. Portanto, cabe ao homem ter a atitude de acolhimento refletida no episódio de Zaqueu diante do mestre”.

O publicano abriu as portas de sua casa, ou seja, abriu o coração ao Senhor que segundo o Apocalipse, “passa e não volta”. Abrir o coração significa que “Jesus pede uma radical mudança de mentalidade e de vida”, assinalava o Reitor.

Concluiu suas substanciosas palavras com uma oração rogando a incondicional disposição de acolhimento à misericórdia de Deus, conforme o exemplo da Bem-aventurada Virgem Maria: “Fiat mihi secundum verbum tuum”.

Mons. Luis Fernando Rodríguez Velásquez fez os estudos primários no colégio da UPB. Ingressando no Seminário Conciliar de Medellín, realizou filosofia e teologia na própria UPB, onde obteve o grau de Teólogo.

Obteve a Licenciatura em Direito Canônico na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Atualmente é doutorando pela Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá. É Licenciado em Educação Religiosa, nas faculdades de Teologia e Educação da UPB. Recebeu a ordenação sacerdotal em 1984. Em 1995 foi laureado com o título Pontifício de Capelão de Sua Santidade.

Além de diversas atividades pastorais e administrativas na Arquidiocese de Medellín, trabalhou durante sete anos como oficial e assessor no Pontifício Conselho para a Família. É especialista em temas referentes à família eJorgeivan à vida, tendo escrito várias obras e artigos pastorais.

Pe. Jorge Iván Ramírez Aguirre, Vice-reitor Acadêmico da UPB, é professor titular da faculdade de Filosofia e especialista em estudos clássicos e línguas antigas da Sagrada Escritura. É Mestre em Teologia pela Universidade Pontifícia Bolivariana e Licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

Além de varias atividades como professor em prestigiosos estabelecimentos Diegomarulandacolombianos, escreveu livros e seções de livros na Colômbia, Chile, México e Itália, somando cerca de 30 artigos em revistas científicas especializadas.

Pe. Diego Alonso Marulanda Díaz é sacerdote da Arquidiocese de Medellín e Decano da Escola de Teologia, Filosofia e Humanidades. Após ser laureado com o título de Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma exerce funções acadêmicas na UPB e pastorais na Arquidiocese de Medellín.