Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel

Felipe Rodrigues – 3º Ano Teologia

Moto
“Foto in: elmundo. es”

O leitor desprevenido que viu esta foto, deve estar se perguntando acerca de seu significado, e o que fará esta imagem em um site geralmente dedicado a outras temáticas, ou que relação terá com a conhecida passagem de São Paulo presente no título (ver 2tm 4, 7).

Será isso uma exposição automobilística? Ou a foto do campeão da última corrida de motocicletas? Não!!! Trata-se de um velório. Um jovem porto-riquenho de 22 anos, assassinado a tiros por um grupo de traficantes em ajustes de contas, sendo velado sobre o objeto que mais estimava. Exigência feita por seus próprios parentes à companhia funerária. Evidentemente, não foi sepultado com a motocicleta…

A partir dessa foto, quase podemos pensar em dois mundos. Num, Deus é o Soberano que governa com infinita sabedoria o rumo da história e o destino dos homens. Noutro, a matéria exerce um domínio cruel sobre as almas. No primeiro surge-nos o homem, criado para dar glória a seu Criador, restituindo a Ele tudo o que lhe era possível pelo demasiado que d’Ele recebeu. Fechados os olhos para este mundo, abrem-se na Jerusalém celeste para contemplar Deus face a face por toda eternidade. Noutro, Deus parece não estar presente, parece não haver esperança numa vida futura, incomparavelmente melhor do que esta,  eterna.

Hodie mihi, cras tibi. Hoje sou eu, amanhã serás tu, poderia ser a inscrição posta no comum dos túmulos. Não há nada mais certo nesta terra que a morte, cedo ou tarde, para todos os homens. Os franceses, mestres em definir com precisão, clareza e síntese todas as coisas, dizem que a saúde é um estado precário que sempre termina mal. Não conhecemos exceção.

Segundo aquilo que nos ensina a doutrina católica, a natureza humana está, em si mesma, sujeita à corrupção do corpo, mesmo sem levar em conta o pecado original. Só por um dom especial da divina misericórdia é que Adão era imortal. Com o pecado a humanidade, na pessoa de Adão, perdeu este dom e passou a estar sob a lei irrevogável da morte.[1] Estamos em estado de prova, portanto em peregrinação terrena, rumo a um fim. Não devemos, e nem podemos, mesmo racionalmente, considerar esta vida como nosso fim último.

Para o católico a morte terrena não é o fim, mas o começo da verdadeira vida. Não é motivo de desespero, mas, ao contrário, da esperada recompensa. “Para mim viver é Cristo e morrer um lucro” (Fl 1, 21), diz São Paulo.

A morte, para o católico, não é uma inimiga da qual ele deva fugir espavorido, mas para a qual deve caminhar confiante e serenamente. Se a morte é, por desígnio da Providência, o final da vida terrena e a abertura das portas do Céu a todos aqueles que vivem segundo Seus preceitos, devemos saber enfrentá-la com amor a Deus, sujeitando-nos sempre  a Seus insondáveis desígnios. Iluminados por uma vida coerente com a Lei, poderíamos receber a morte afirmando à semelhança de São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel”. E sem perder o equilíbrio, quase ousaríamos por ela suspirar, exclamando: Ó morte, neste encontro eu te venço, por que ainda que tu me arranques a vida terrena, eu te arranco a vida eterna.

                                                                                                             Cfr.notícia em:http://www.elmundo.es/america/2010/04/29/noticias/1272498158.html


[1] Cf. Royo Marin. Teologia de la Salvación. B.A.C. 1956. pp. 216-226.

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