ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

ITTA – IFAT - Instituto Teológico São Tomás de Aquino

Assembléia Legislativa de São Paulo homenageia os Arautos do Evangelho

Para surpresa dos alunos do ITTA, na manhã da última sexta-feira as aulas foram canceladas. Incomum acontecimento… mas o motivo foi extraordinário, pois todos os alunos deveriam se dirigir à Assembléia Legislativa de São Paulo.

São Paulo (Segunda-feira, 31-05-2010, Gaudium Press)

AssembleiaO deputado Paulo Alexandre Barbosa promoveu uma solene homenagem na Assembéia Legislativa do Estado de São Paulo por ocasião dos 10 anos de aprovação pontifícia dos Arautos do Evangelho.

Dez anos de existência como associação de direito pontifício é um marco que pede uma especial comemoração. Foi o que levou o deputado Paulo Alexandre Barbosa a promover uma solene homenagem na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, para celebrar os dez anos de aprovação pontifícia dos Arautos do Evangelho.

Esta instituição, formada principalmente por leigos, atua na Nova Evangelização em cerca de 70 países, procurando ser um instrumento de santidade na Igreja e favorecendo a mais íntima unidade entre a vida prática e a fé. Recentemente surgiu em seu seio um ramo sacerdotal e uma sociedade de vida apostólica feminina.

A sessão solene de homenagem foi realizada na última sexta, 28, no plenário Juscelino Kubitschek.

Também o vereador Gabriel Chalita, presente ao ato, exaltou o trabalho que a entidade desenvolve junto aos jovens “que precisam ter um objetivo por que viver para não caírem na violência”.

Impossibilitado de estar presente, o ex-governador de São Paulo, Dr. Geraldo Alckmin enviou uma amável mensagem de saudação a todos os participantes do solene ato. Nela se associou aos representantes do povo paulista para homenagear os Arautos do Evangelho e enaltecer o trabalho realizado, “não em busca de benefícios pessoais, mas, sim, numa obra comunitária inspirada pelo mais autêntico sentimento cristão, e que leva a marca da responsabilidade pessoal.” Louvou, por fim, o fato de os Arautos “consagrarem suas vidas ao ideal de bem servir, com muito amor, desprendimento e espírito fraterno.”

Por sua vez, Mons. João S. Clá Dias, E.P. fez notar como esta homenagem refletia o relacionamento que deve existir entre a Igreja e o Estado. Atuam em esferas separadas, mas ambos concorrem harmonicamente para o bem comum.

Para selar a homenagem com um sinal de perenidade e distinção a Assembléia Legislativa ofereceu ao fundador dos Arautos do Evangelho uma artística placa comemorativa.

placa

Deus Governador da História

CruzeiroAnderson Fernandes Ferreira – 2º Ano de Teologia

Em meio a tantos afazeres que transformam a vida dos homens de hoje numa corrida exaustiva, passa-se um fato que vem interromper a rotina, apesar de ser  tão comum em toda a história humana o nascimento ou a morte de um homem.

No primeiro caso, quando alguém nasce, todos se encantam, querem pegá-lo  nos braços, dar sua sugestão para a escolha do nome, oferecer  presentes, e reina em toda família uma grande alegria. No caso da morte , a dor da separação se instala, e a memória daquele que partiu desta terra, perdurará durante longo tempo no coração daqueles que lhe eram próximos.

Alguém que parasse para observar estas duas cenas tão diferentes e ao mesmo tempo tão comuns, poderia se colocar o seguinte problema: Este que agora deixa a vida, para que veio a esta Terra? E este que acaba de nela entrar, o que faz aqui? Ao ser expulso do paraíso, o homem levou consigo o castigo de a partir de então , ter que comer o pão com o suor de seu rosto, até que voltasse à terra de onde houvera sido tirado (Gn 3, 19).

Será somente isso a vida na Terra? Será a História apenas uma luta pela sobrevivência e uma sucessão de nascimentos e mortes, onde alguns fatos mais relevantes acontecem na medida em que os interesses políticos de uns são atrapalhados por outros, e que todos os fatos se avolumem  caoticamente sem um sentido nem unidade?

O governo do plano divino

 Em meio  a tantos problemas que afligem a sociedade atual, o homem é levado muitas vezes, sem negar formalmente a existência de Deus, a achar que está abandonado à sua própria sorte e que os tempos vão se desenrolando naturalmente, esquecendo-se que ele foi criado por Deus, que por  Ele deve orientar sua vida, olvidando-se de que tudo que existe é sustentado e dirigido pelo Criador.

A filosofia e a própria experiência demonstram que os seres racionais não podem realizar algo sem buscar um determinado fim.  Assim, é evidente que “Deus, que é a Inteligência infinita e o Agente intelectual por excelência, teve que determinar  um fim ao trazer à existência suas criaturas(…)”.[1]

Visto então que Deus tem um fim ao tirar do nada as criaturas, decorre necessariamente que tenha um plano de governo pois como explica o Pe. Ramière, “o plano é na verdade, a determinação da ordem no espírito do ordenador, e ordem, é a execução do plano nas coisas ordenadas. (…) Assim , se ao criar o mundo, Deus não tivesse um plano, a obra Divina em vez de ser uma obra admirável (por exemplo, no cosmos), seria um horrível caos, cuja desordem deveria ser atribuída ao próprio Deus. Esta hipótese é inadmissível por ir contra a razão e a experiência”.[2] Entretanto, como demonstrar pela história este governo Divino?  

O problema do mal

A conhecida frase tão utilizada no final dos romances de que  “viveram felizes para sempre”, nem sempre está muito de acordo com os fatos da vida real. O homem nesta terra vê-se continuamente afligido por dramas, dores e dificuldades e por isso, “a existência do mal no mundo é frequentemente invocada para negar a existência de Deus ou a realidade da Providência Divina”.[3]

Muitos são os erros de inúmeras correntes que ao longo da história tentaram dar a volta no problema do mal. É através da tradição judaica, no Antigo Testamento, e posteriormente com a tradição cristã, que se encontra o Bem sempre identificado com Deus, e o mal sendo uma privação de sua presença: “as trevas não são o contrário da luz, mas a sua privação”.[4] E como ensina Santo Agostinho: “o mal não é propriamente uma natureza, mas a corrupção dela. Uma natureza má seria uma natureza corrompida, mas não seria má enquanto natureza, e sim naquilo em que se degenerou”.[5]

Visto que o mal não existe enquanto uma natureza, mas enquanto ausência de bem, caberia ainda uma pergunta: Por que terá Deus permitido o mal em sua criação? Não sabia Ele, já antecipadamente da queda dos anjos e de nossos primeiros pais? “A quem pergunta – diz Journet – por que o poder de Deus não impediu, por algum milagre, o pecado do primeiro homem, o catolicismo responde que Ele preparava para compensá-lo sobejamente  um milagre mais estupendo. Enfim, Deus jamais teria permitido a queda do homem – diz D. Estevão Bettencourt – se, no mesmo instante divino e eterno, não tivesse previsto a Redenção”.[6]

A maior prova do governo divino

A ousada e conhecida proposição de que Deus tira o bem do mal, encontra todo seu apoio no fato mais admirável de todos os tempos: a encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem Maria. Se grande foi o desastre decorrente do pecado, sublime foi a solução encontrada pela Misericórdia infinita do Criador, pois Ele enviou ao mundo o seu Filho Unigênito, a fim de redimir todo o gênero humano, e é por isso que a Igreja não hesita em cantar “O Felix Culpa, que há merecido a graça de um tão grande Redentor”.

 Com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, “a revelação de Deus entrou no tempo e na história,  tornando-se assim esta, o lugar onde podemos constatar a ação de Deus em favor da humanidade”[7].

A vida e os ensinamentos de Cristo deitam uma luz sobre a existência do homem, apontando-lhe uma meta que pareceria inatingível se não fosse proposta pelo próprio Filho de Deus: “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). E é na medida em que a humanidade corresponda a este chamado, que a história terá o brilho e o esplendor que faça desta terra, um reflexo da vida celeste como Ele mesmo nos ensinou a rezar: “Venha a nós o Vosso Reino, seja feita sua vontade assim na Terra como no céu”(Mt 6,10), pois “há nos desígnios da Providência uma relação íntima entre a vida terrena e a vida eterna. A vida terrena é o caminho, a vida eterna é o fim. Assim como a escola militar é o caminho para as armas, ou o noviciado é o caminho para o  ingresso numa ordem religiosa, assim a terra é o caminho para o Céu”.[8]

Venha a nós o Vosso Reino

A consideração dos fatos que preenchem a história atual não pode causar outros sentimentos senão o de aflição e angústia. Por que uma sociedade tão caótica e injusta? Não será pelo fato de que os homens, cada vez mais, fazem menos caso dos ensinamentos deixados por Nosso Senhor Jesus Cristo, e procuram buscar os “valores” sobre os quais querem constituir a sociedade atual fora dos Seus preceitos? Onde encontrar o modelo de todo agir humano senão em Jesus Cristo? Somente Ele “revelou verdadeira grandeza, abaixando-se voluntariamente e colocando a sua glória a serviço de seus súditos. Apenas Ele elevou a dignidade da obediência ao nível da dignidade do comando. Apenas Ele provou aos ricos que o seu interesse verdadeiro deve levá-los a despojarem-se de seus bens em favor dos pobres. Apenas Ele provou aos pobres que podiam encontrar, na sua miséria, o princípio dos bens mais preciosos. Nas virtudes de que deu verdadeiro exemplo, o Homem-Deus apresentou aos povos a única defesa eficaz contra os vícios que os arruínam e corrompem”.[9]

Não é difícil compreender que na, medida em que os homens se afastam de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Santa Igreja, os desastres sejam inevitáveis. Santo Agostinho, em poucas linhas, traça a imagem de uma sociedade verdadeiramente católica: “imaginemos um exército constituído de soldados como os forma a doutrina de Jesus Cristo, governadores, maridos, esposas, pais, filhos, mestres, servos, reis, juízes, contribuintes, cobradores de impostos como os quer a doutrina cristã! E ousem [os pagãos] ainda dizer que essa doutrina é oposta aos interesses do Estado! Pelo contrário, cumpre-lhes reconhecer sem hesitação que ela é uma grande salvaguarda para o Estado, quando fielmente observada”.[10]

Seria impossível conceber uma sociedade mais perfeita. Se hoje em dia, os homens observassem os Mandamentos da Lei de Deus, não cairiam por terra tantos problemas que nos afligem e atormentam? Por outro lado, como conseguir uma solução para os dramas da atualidade, se os homens insistem em desprezar os preceitos Divinos? Entretanto, é justamente pelo fato do mundo de hoje se encontrar tão afastado dos ensinamentos de Cristo, que a intervenção Divina se faz mais necessária, e a confiança de que chegará o momento que Jesus Cristo e sua Igreja triunfarão, deve estar inteiramente posta nas mãos da “Providência Divina que obrigará novamente os mares a se abrirem de par em par, moverá montanhas e fará estremecer a Terra inteira, se tal for necessário para o cumprimento da Divina promessa: as portas do inferno não prevalecerão contra ela”[11] por isso, a oração daqueles que creem em Jesus Cristo e em sua Santa Igreja deve redobrar o fervor e com os joelhos por terra dizerem cheios de confiança: “Venha a nós o Vosso Reino”.

 

 


[1] MARIN, Antonio Royo. Teologia Moral para Seglares. Moral fundamental e especial. Bac. Madrid. 1957. Tradução nossa. p.22.

[2] RAMIÈRE, Henri. O Reino de Jesus Cristo na História. Porto: Civilização, 2001. p.36.

[3] JOLIVET, Régis. Manual de Filosofia, Metafísica. Rio de Janeiro: Agir, 1972. p. 427.

[4] AQUINO, Tomás de. De Malo, I, a. 1, ad. 5.

[5] FAITANIN, Paulo. O mal, perda do Bem. Apresentação do livro ‘Sobre o mal’, de São Tomás. Rio de Janeiro: Sétimo selo. 2005. p.XVI.

[6] FAITANIN, Paulo. Op. cit. p.XVIII.

[7] JOÃO PAULO II. Fides et Ratio: carta encíclica. Disponível em:<www.vatican.va>. Acesso em 18 mar. 2009.(11)

[8] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O Reino de Cristo. Catolicismo, São Paulo, jan. 1951.

[9] RAMIÈRE, Henri. O Reino de Jesus Cristo na História. Porto: Civilização, 2001. p. 190.

[10] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Op. cit.  

[11] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O legionário, São Paulo, 25 de abril de 1943.

Ide e batizai todos os povos!

Alessandro Schurig – 3º ano de Teologia

Há na Igreja Católica um mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitido no fim do evangelho de São Mateus, que é o de batizar a todos os povos, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

Batismo Sta InêsE podemos admirar na bimilenar história da Igreja o fato de, apesar das perseguições e adversidades, sucederem conversões como a de Clóvis, rei dos poderosos e ainda pouco civilizados Francos, que pede para ser batizado, crendo firmemente ser este o sinal infalível de sua salvação, e convertendo assim todo o seu reino.

Ainda hoje, vemos essa moção posta pelo Espírito Santo fulgurar nas almas dos que carecem do Santo Batismo. Nos dias 23 e 30 de Maio, a Capela Santa Inês teve a alegria de acolher no seio da Santa Madre Igreja dez novos membros, filhos de Deus e templos da Santíssima Trindade.

Assim, Gabriel Tacitano e Gabriel Amandio no dia 23, e as irmãs Alessandra, Ariane e Camila, os irmãos Leonardo, Letícia e Gabriele, Mikaio Mateus e Lidiane no dia 30, tendo sido batizados pelo Pe. Mário Sérgio Sperche, EP, iniciaram uma nova vida, a de católicos apostólicos romanos, e destes, oito continuarão seu curso preparatório para receber o augusto sacramento da Sagrada Eucaristia.

Batismo Sta Inês2Aos olhos humanos, essa notícia pode parecer um fato corriqueiro, entre tantos outros, mas para as almas que têm fé, isso prenuncia a realização daquele divino anseio de Nosso Senhor: todos os povos “ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).

Unamos nossas orações às divinas Dele, rogando a Maria Santíssima que mantenha suas almas alvíssimas, à semelhança da roupa que revestiram neste dia tão especial…

E se o mundo voltasse seus olhos e seu coração para o belo?

Alessandro Schurig – 3º Ano de Teologia

Fotos: Iván Tefel

Neste mundo em que vivemos, quantas coisas tornam a vida angustiosa, tenebrosa e pesada. Por quê? Porque as pessoas retiraram seus olhos daquilo que mais lhes pode dar alegria e esperança de viver, por exemplo, o maravilhoso, o pulchrum (belo), que tanto eleva as almas e as faz sentirem-se no paraíso celeste. E a instituição que foi a mais excelente e profícua propagadora do maravilhoso em toda a história foi a Igreja Católica, detentora do elemento mais belo e encantador: a Fé.Teatro mães2

Assim, a Sociedade Virgo Flos Carmeli, e seus seminaristas, busca, com todo o afinco, mostrar o esplendor da bondade e da verdade que é o belo: seja em seus hábitos, na liturgia, em seu modo de ser, e… nas capelinhas da Serra da Cantareira a eles confiadas.

Teatro mãesVemos nestas fotos uma peça teatral realizada na Capela de Santa Inês, por ocasião da comemoração do dia das mães, festa tão arraigada no povo brasileiro. Trata-se da representação da história de um jovem príncipe que é levado a um poderoso governante do oriente, que tinha seu reino em decadência, e não conhecia sua própria mãe. O menino, católico, apresenta-se como um arauto da beleza cristã pelos seus trajes, e lhe fala a respeito daquilo que aprendeu com sua mãe: rezar o Rosário, ter confiança n’Aquela que é a Mãe das mães, Nossa Senhora, tocando-lhe, desta forma, o fundo do coração, e convertendo-o. Não só isso,como reergue seu reino decadente pelo poder da fé e da oração.

As roupas, o cenário e objetos nos lembram o ambiente oriental, onde tudo evoca, de certa maneira, o maravilhoso.

O que aconteceria no mundo de hoje se as pessoas voltassem seus olhos e seu coração para o belo e, consequentemente, para a Igreja?

A resposta, confiamos ao leitor…

Quando o celebrante precisa de pilhas

Lucas Alves Gramiscelli – 2º Ano de Teologia

Casamento Um Robô-“padre”, chamado I-Fairy pelo seu fabricante Kokoro, “celebra” casamento no Japão. Essa notícia publicada no site Terra, narra os detalhes da cerimônia, que contava com 50 convidados, sendo que quase ninguém prestava atenção aos noivos, pois estavam todos com os olhos fixos no… robô.

Já há alguns anos que notamos certas vantagens no rápido avanço tecnológico mundial. Entretanto, os efeitos produzidos nas pessoas são diversos; em geral têm sido dois: alegria e tristeza. Porém, o mais comum, é encontrar esses dois sentimentos numa mesma pessoa. Não é preciso falar muito sobre o motivo da alegria, pois esse progresso pode trazer benefícios para o bem particular ou comum, seja saúde, facilidade de comunicação, de transporte, etc. E a tristeza? Ouvem-se tantos lamentos pronunciativos de uma forte contrariedade em relação a vários aspectos desse crescimento, como máquinas que tomam o lugar dos homens em suas profissões, ou até mesmo catástrofes que podem ocorrer devido à criação de sofisticado armamento, etc.

Entretanto, existe outro fator a considerar: é o teológico. Naqueles em que a profunda religiosidade se faz notar – incluo também, é claro, os teólogos – observamos a mesma reação que é produzida no comum das pessoas. Porém, sob um prisma diferente. Qual?

No século passado, o Magistério da Igreja alarmou acontecimentos negativos que podiam vir acompanhados desse desenvolvimento. Assim declarou a Constituição Pastoral Gaudium et Spes: “Como acontece em qualquer crise de crescimento, esta transformação traz consigo não pequenas dificuldades” (GS 4). A primeira dessas dificuldades não será, talvez, o esquecimento de Deus? O minguamento da Fé? E, por conseguinte, a perda do senso, e, por assim dizer, do gosto por tudo aquilo que é sobrenatural? Mais adiante a mesma Constituição continua: “ao contrário do que sucedia em tempos passados, negar Deus ou a religião, ou prescindir deles já não é um fato individual e insólito: hoje, com efeito, isso é muitas vezes apresentado como exigência do progresso científico” (GS 7). É nesta perspectiva que o Teólogo deve avaliar os prós e os contras do tema em questão.

Mas, para não desviar do assunto inicialmente tratado; o que dizer do I-Fairy? Poderá esse andróide ou seus “descendentes” tomar o lugar dos sacerdotes? É claro que não. Ainda que tenham os olhos piscantes ou uma capacidade maior do que I-Fairy, por exemplo, a de executar 18 tipos de movimento com os braços e repetir sons pré-programados, nunca terão aptidão suficiente para exercer ministério tão sagrado.

É bem provável que a intenção dos empreendedores dessa cerimônia realizada no Japão, não fosse senão a de fazer um teatro ou uma propaganda do novo produto. Porém, ela nos dá um bom pretexto para analisar brevemente o papel do sacerdote, ministério esse que participa do Sacerdócio de Cristo que é único e tem por missão principal a mediação entre Deus e os homens, oferecendo-Lhe as orações do povo (Cf. III, q. 22, a. 1 resp.). Além disso, a Igreja ensina que: “no serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto Cabeça de seu Corpo, Pastor de seu rebanho, Sumo Sacerdote do sacrifício redentor e Mestre da Verdade. A Igreja o expressa dizendo que o sacerdote, em virtude do sacramento da Ordem, age “in persona Christi Capitis” (CIC 1548). Assim, para que se faça algo na pessoa de Cristo Cabeça, é necessário ser membro desse Corpo.

Portanto, se alguém tiver a oportunidade de encontrar-se com nosso caro I-Fairy, ainda que não entenda, dê-lhe o seguinte conselho, carinhoso e de coração, na medida em que se pode sê-lo para uma máquina: respeite seus limites, suas pilhas não duram para sempre…

E este matrimônio, durará?

Notícia e foto em: http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI4434220-EI12886,00-Robopadre+celebra+casamento+no+Japao.html

Professores da Universidade Pontifícia Bolivariana (UPB) visitam o Seminário

Redação: Marcos Eduardo Melo dos Santos – 2º ano Teologia

Padre UPBFotos: César Díez

Neste domingo de Pentecostes, 23 de maio, dois ilustres professores da Universidade Pontifícia Bolivariana (UPB, Medellín, Colômbia) concelebraram a Solenidade na Igreja do Seminário, em presença da comunidade acadêmica do ITTA e do IFAT.

Pe. Diego Uribe, Vice-presidente da Academia Colombiana de Historia Eclesiástica, Pe. José Luis Paniagua, docente de Teologia e Ciência Patrística, e Pe. Santiago Morazzani Arraiz EP, Reitor do Seminário Menor, concelebraram a solene Eucaristia na igreja do Seminário, repleta de Arautos do Evangelho.

Na Homilia, o Pe. Diego Uribe, com voz harmoniosa, vocabulário rico e conhecimentoPentecostes profundo, ressaltou as obras do Espírito Santo na vida de Maria, Mãe de Jesus, e na expansão da Igreja no primeiro século do cristianismo. Observou que é “a descida do Espírito Santo que hoje a Igreja necessita para proclamar ao mundo a Palavra de paz, a alegria e o amor”. Ao final, dirigiu uma oração ao Espírito Santo pedindo a sua vinda sobre os fiéis e que transmitisse, o quanto antes, na sociedade atual e na Igreja de Deus, “a paz, a justiça, a beleza e a alegria”.

Pe. Uribe e Pe. Paniagua, visitam o Brasil para ministrar aulas a um curso em Teologia, 15 alunos, em sua maioria clérigos, pertencentes à Sociedade Virgo Flos Carmeli.

Padre UPB2O Pe. Diego Alberto Uribe Castrillón nasceu em Medellín (1961), é Mestre em Sagrada Teologia, pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, 1986). Foi ordenado Presbítero pelo Servo de Deus João Paulo II (Medellín, 1986). Entre diversas atividades e substancioso currículo, destaca-se que foi formador do Seminário Conciliar de Medellín, Delegado Arquiepiscopal para a Liturgia e cerimoniário oficial da Catedral de Medellín, Prelado Comendador da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, Professor de Teologia Dogmática da Universidade Pontifícia Bolivariana, Professor Titular da Universidade Pontifícia Bolivariana e Vicepresidente da Academia Colombiana de Historia Eclesiástica.

Pe. José Luis Paniagua é sacerdote, foi ordenado em 2000 por Mons. Alberto Giraldo Jaramillo, que era o entãoPaniagua Arcebispo de Medellín. Docente de Teologia na Bolivariana, formado em Filosofia e Teologia na UPB de Medellín e mestre em Teologia e Ciência Patrística pelo Instituto Patrístico Agustiniano de Roma (2008). Atualmente é pároco na paróquia Madre Teresa de Calcutá, na cidade de Itagüí, na Área Metropolitana da Arquidiocese de Medellín.

A Fé e a razão no mistério da Santíssima Trindade

TrindadeLucas Alves Gramiscelli / 2° ano de Teologia.

A Revelação feita por Deus contém verdades que os homens, com sua razão limitada apenas, jamais alcançarão. Uma delas é o mistério da Santíssima Trindade.

Sabemos que “a Fé e a razão constituem como que as duas asas pelos quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” [1]. Entretanto, qual é o papel da razão sobre os mistérios? Não é somente através da Fé que devemos acreditar neles, visto que são verdades que estão além de nossa inteligência? Apesar dos mistérios serem tão grandiosos às vistas humanas, estas verdades não são contrárias à nossa razão, visto que nada é mais razoável do que crer nos mistérios Revelados por meio daquele que é a Verdade. Por isso explicitou São Justino: “a fé e a razão não podem se contradizer, pois a verdade é uma, tendo sua fonte única em Deus e em seu Logos, seu Verbo, que ele comunica aos homens desde a origem”. [2]

Antes do bispo de Hipona começar a tecer suas considerações sobre a Trindade, ele nos dá uma advertência importantíssima acerca dos que não possuem um equilíbrio entre Fé e a razão; vejamos o que nos diz o santo:

Quem se entregar à leitura do que escrevemos sobre a Trindade, deve ter em conta, primeiramente, que nossa pena está atenta para repelir as falsas afirmações daqueles que, desprezando os princípios da fé, deixam-se enganar por um imaturo e desordenado amor pela razão. [3]

Depois de enunciar tais pensamentos, o santo prossegue de uma maneira categórica afirmando que há pessoas que pensam – pelo menos, aparentemente – apoiados na natureza da alma humana ou em seus sentimentos, e em consequência são levados a fixar regras falsas e falazes em suas doutrinas, ao discorrerem sobre Deus.[4]

Vestígios da Trindade, pequeno auxílio para a razão

Santo Agostinho utiliza uma passagem do Livro da Sabedoria para mostrar que através das coisas criadas podemos chegar até Deus:

São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando suas obras. [...] pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor (Sb 13, 1.5).

Portanto, podemos dizer que nas coisas criadas por Deus existe uma espécie de auxílios dados por Ele, que por assim dizer, facilitam a nossa Fé. Para exemplificar isto, ele indicará uma analogia que pode ser feita para chegarmos a certo conhecimento da Trindade, é o que ele chama de vestígios. Desde modo, o Bispo de Hipona afirma que existe certa trindade inclusive na visão:

São três as realidades a serem consideradas e distinguidas, e isso com muita facilidade, na visão de qualquer corpo que seja. Primeiramente, o objeto que vemos. [...] Em segundo lugar, deve ser considerada a visão, a qual não existia antes de o sentido ter percebido o objeto. Em terceiro lugar, a atenção da alma que mantém o sentido da vista alerta, enquanto a visão se ocupa daquele objeto. Ora, não se dá apenas clara diferença exterior entre as três realidades, mas também diversidade de natureza entre elas.[5]

Esta diferença, segundo ele, se dá primeiramente porque o objeto visível é de natureza bem diversa do sentido da vista, a qual, encontrando-se com ele, produz a visão. O objeto visto pode subsistir à parte, em sua natureza própria. Quanto ao sentido, porém, já existia no vidente mesmo antes de ele ver o que podia ver. O sentido, pois, ou a visão, isto é, o sentido informado pelo objeto exterior pertence à natureza do ser vivo dotado de alma, natureza essa totalmente diversa do objeto percebido pela visão. Pois informando o sentido, esse objeto produz não o sentido, mas a visão.[6] E continua: “a atenção também é diversa do próprio sentido e da visão. Pois a atenção é função apenas da alma”.[7]

Temos aí, pois, um exemplo de três termos ao mesmo tempo distintos e extremamente unidos. O objeto visível, a vista e a atenção, formam assim um vestígio da Santíssima Trindade.


[1] JOÃO PAULO II. Fides et ratio: Carta encíclica. Disponível em: <www.vatican.va>. Acesso em 18 abr. 2010. Introdução.

[2] Apud. LIÉBAERT, Jacques. Os Padres da Igreja. São Paulo: Loyola, 2000. p. 48.

[3] AGOSTINHO. A Trindade. Tradução de Agustino BELMONTE. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 23-27.

[4] Cf Idem. p. 23.

[5] AGOSTINHO. A Trindade. Tradução de Agustino BELMONTE. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 337.

[6] Cf. Idem.

[7] AGOSTINHO. A Trindade. Tradução de Agustino BELMONTE. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 337-338.

A Torre da Giralda

Em meio ao típico colorido sevilhano, ergue-se a secular torre cuja arrebatadora beleza sintetiza a história daGiralda Andaluzia.

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 2º ano de Teologia 

Todos os anos, milhões de visitantes acorrem do mundo inteiro, ávidos de admirar as ­cores, os sabores e os ritmos deste país ímpar que é a Espanha.

O destino de boa parte desses viajantes é Sevilha, a alegre e colorida cidade banhada pelo rio Guadalquivir, famosa por suas feiras populares e pelas pitorescas e tortuosas vielas cheias de charme, pontilhadas de fachadas batidas pelo Sol, em meio às quais passeiam as vivas tonalidades das mantillas e dos trajes andaluzes.

Mas toda a profusão de aspectos desta cidade multissecular poderia ser sintetizada em seu mais famoso marco: a Giralda.

A história desta torre é a história de Sevilha. Ela se ergue triunfante, como que premiada pelas vitórias, mas também com as marcas dos desastres superados com galhardia, como o terremoto de 1365.

Construída por ordem de Abu Yaqub Yusuf, como minarete da antiga mesquita, tinha originalmente 51 metros de altura. Segundo alguns historiadores, pretendia o rei almôade celebrar a vitória de suas tropas na Batalha de Alarcos (1195) com uma soberba torre que se destacasse na então capital de Al-Andalus. Séculos depois, foram encontradas na base da torre epígrafes em latim, revelando a reutilização de pedras das ruínas do antigo fórum romano.

São Fernando de Castela, após a reconquista da cidade em 1248, subiu a cavalo as 35 rampas que levam até o topo, para dali contemplar a ­bela capital muçulmana onde haveria de instalar sua corte. Em 1412, a torre foi incorporada ao maior templo gótico até hoje existente: a Catedral de Santa Maria de Sevilha. Lá descansam em paz os restos deste santo e valente rei.

Sob o governo de Felipe II, herdeiro do Imperador Carlos V, a Espanha alcançou glórias e triunfos extraordinários. Tais sucessos também se refletiram na vetusta edificação. Em 1558, o arquiteto Hernán Ruiz recebeu do cabido da catedral a incumbência de substituir a parte superior da torre por um corpo de sinos e uma cúpula. Concluídos os trabalhos em 1568, ­esta atingiu 97,5 metros, tornando-se a mais alta do mundo, na época.

A obra de Hernán Ruiz foi coroada pela estátua de uma dama, simbolizando a Fé Vitoriosa. Apoiada sobre um eixo móvel, a grande peça escultural de mais de uma tonelada gira segundo a direção dos ventos. O vivaz povo sevilhano logo batizou de Giraldillo a estátua, e de Giralda a torre.

A Giralda — como referiu o Servo de Deus João Paulo II, ao visitar essa cidade em 1993, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional — é o símbolo de Sevilha. Na verdade, em suas rudes pedras encontra-se gravada a história da Andaluzia, desde os tempos dos romanos e fenícios, e sabendo harmonizar as artes mourisca, gótica e renascentista.

Quem disse que as crianças não gostam de catecismo?

Alessandro Schurig – 3º Ano de Teologia

Santa Inês Catec“Éramos apenas 8 no começo”, conta um dos alunos, “e agora já somos mais de 20, porque uns comentam com outros e todos querem vir ao catecismo”. Foi a alegre exclamação do jovem que frequenta a catequese, na Capela de Santa Inês, pertencente à paróquia Nossa Senhora das graças, e confiada recentemente pela diocese de Bragança Paulista a esta sociedade clerical, sob os cuidados dos seminaristas do ITTA e dos sacerdotes de Virgo Flos Carmeli. Esta exclamação, demonstra quanto a Igreja Católica tem poder de atração, até mesmo entre os mais jovens, contra a opinião de alguns que crêem estar a juventude perdida e presa nos grilhões de aventuras malsãs, ou de literaturas fátuas que nada têm a ver com a religião.

Vemos na foto o Professor da catequese, o seminarista Diego Barbosa do 3º ano de filosofia, com seus alunos, irradiando a mais esplendorosa alegria. Quem foi que disse que as crianças não gostam de catecismo?

A alegria de se dar por inteiro ao serviço da Igreja

Marcos Eduardo Melo dos Santos – 2º ano teologia

Fotos: César Díez

VotosOs perfumes do incenso e os acordes grandiosos de Händel, harmonizados com o gótico policromado da igreja Nossa Senhora do Rosário em Caierias – São Paulo – formou o cadre perfeito para uma cerimônia que certamente marcará a história do Seminário São Tomás de Aquino.

Terça-feira, dia 18 de maio, foi realizada uma solene celebração Eucarística em ação de graças pela primeira cerimônia de Emissão de votos Perpétuos e de Incorporação Definitiva na Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli. Os 27 sacerdotes ajoelharam-se, um após o outro, com as mãos postas, diante do superior geral, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias EP, para pronunciar a fórmula do voto.

Cada candidato colocou suas mãos entre as mãos do Superior Geral, um costume ainda hoje seguido na Igreja Católica como, por exemplo, quando os sacerdotes prometem obediência ao bispo ordenante.

Votos2Assim, os sacerdotes pronunciaram os votos de castidade, pobreza e obediência, segundo os estatutos da Sociedade Virgo Flos Carmeli. Em seguida, cada um colocava e assinava, sobre o altar, um documento que manifesta este sublime propósito. Após este ato, Monsenhor, de braços abertos, rogava em uma bela oração: “Possam cumprir com fidelidade o que com alegria prometeram. Tenham ante os olhos o exemplo do Mestre e o imitem com perseverança. Sejam íntegros na castidade, felizes na pobreza, generosos na obediência”.

Votos3O rito finalizava-se com o abraço fraterno, onde se manifestava o afeto filial de Monsenhor a seus filhos e discípulos. Esta cerimônia de emissão de votos, símbolo da entrega voluntária e real, faz recordar uma frase paulina, hilarem datorem diligit Deus, “Deus ama quem dá com alegria” (2 Cor 9,7).

No final da cerimônia, o princípio de que há maior alegria em dar do que em receber, estava bem expressa na fisionomia destes clérigos que se entregaram a uma vida de perfeição, na Sociedade Virgo Flos Carmeli, a serviço da Igreja.