Instituto filosófico e Teológico dos Arautos do Evangelho ITTA – IFAT

Instituto Teológico São Tomás de Aquino

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Arcebispo de Sydney premeia estudantes católicos

O Arcebispo de Sydney, Cardeal Dom George Pell, prestou homenagem a quarenta e oito estudantes do último ano de ginásio dos colégios católicos de Sidney.

Este prelado outorgou o o Prêmio Arcebispo de Sydney para o melhor Estudante,  que anualmente é concedido aos discentes pelas suas excepcionais contribuições nas respectivas escolas e comunidades.

A prestigiosa cerimônia, que está na sua 14a edição, premeia não apenas a liderança estudantil e o rendimento acadêmico, mas o compromisso com a fé, e serviço na paróquia e na comunidade demostrado durante os seis anos que dura o ensino secundário na ilha continente.

A cerimônia de entrega de prêmios aconteceu na abarrotada catedral de Sydney, dedicada a Santa Maria, na presença de familiares, amigos e professores.

Fonte: Revista Arautos, n. 142


Santo pelas suas virtudes; por ofício, Samurai


Senhor do castelo do Takatsuki, no Japão, Takayama Ukon ou Hikogoro Shigetomo, como também é conhecido, preferiu perder bens e honrarias a renunciar à fé católica. Por isso é conhecido como “O Samurai de Cristo”.

Em agosto, a Conferência de Bispos Católicos do Japão encaminhou à Congregação para as Causas dos Santos, na Santa Sé, todos os documentos e relatórios referentes à vida deste kirishitan daimyo (Grande Senhor Cristão).Ele  nasceu em 1552 em Haibara-cho, Nara, e morreu em Manila, nas Filipinas no dia 4 de fevereiro de 1615.

Takayama foi batizado aos doze anos com o nome de Iustus, quando seu pai se converteu ao catolicismo, e muitos conhecidos e amigos seguiram seu exemplo. No ano 1587 os missionários foram expulsos do Japão e uma grande perseguição teve início naquele ano.

Não foram poucos os senhores convertidos  que renegaram a fé para não perder seus títulos e terras. Não porém Takayama e seu pai, os quais, com a proibição definitiva contra a fé católica em 1614, exilaram-se nas Filipinas, junto com outros 300 batizados.

Aí viveu apenas 40 dias, morrendo aos 63 anos de idade e recebendo as honras militares devidas à sua dignidade. Este poderá ser  o primeiro santo japonês canonizado individualmente: os outros 42 santos e 393 beatos japoneses têm suas memórias celebradas em conjunto.

O árduo caminho de Takayama rumo aos altares começou com uma solicitação do clero das Filipinas pedindo sua beatificação no século XVII. “Takayama nunca foi desorientado pelos que o rodeavam. De maneira persistente viveu uma vida na qual seguiu sua consciência…

Levou sua vida de forma apropriada para um santo e continua inspirando valor a muitas pessoas ainda hoje”, declarou o Padre Hiroaki Kawamura, diretor da comissão diocesana para o processo, o qual, na esperança dos Bispos, poderia ser concluído em 2015, no quarto centenário do falecimento do Samurai de Cristo.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho n. 142.


Ucrânia renova seus “votos batismais”

Faz 1.025 anos, o Grão Príncipe de Kiev, São Vladimir batizou-se junto com tal quantidade de súditos, que a cerimônia é considerada como o batismo de toda uma nação.

O Principado de Kiev deu posteriormente origem à atual Ucrânia e Rússia.

A hierarquia católica ucraniana renovou no domingo 28 de julho, os votos batismais, em comemoração a grande data. Sua Beatitude, o Arcebispo Maior de Kiev-Galitzia e toda Rússia, da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk explicou o simbolismo do fato: “Precisamos lembrar e renovar nossos votos do batismo… Seu significado permanece o mesmo – libertar-nos de qualquer vínculo de escravidão, que tenha sido imposto à raça humana pelo demônio desde nosso ancestral Adão, e portar as vestes batismais da liberdade e do amor, que são as brilhantes vestes do Cristo ressuscitado”.

Dom Sviatoslav, é o hierarca do maior rito oriental católico, e espera que a renovação dos votos “restaure nossa fidelidade a Cristo, como única fonte de vida para o povo ucraniano” e “solidifique nossa união religiosa e nacional”.

No dia 28, Dom Sviatoslav também concedeu entrevista à televisão afirmando que “Muita gente na Ucrânia segue procurando a Deus, como aconteceu nos dias do Príncipe Vladimir, porém, não o encontraram. Estão esperando as palavras do Evangelho de Cristo”.

Também no dia 4 de Agosto, com a presença do Núncio Apostólico, Dom Thomas Edward Gullickson, foi realizada uma procissão e uma eucaristia no monte de São Vladimir.

Fontes:

http://es.wikipedia.org/wiki/Sviatoslav_Shevchuk

http://en.for-ua.com/analytics/2013/07/29/143524.html

http://www.catholicculture.org/news/headlines/index.cfm?storyid=18581

http://www.zenit.org/en/articles/ukraine-marks-1-025-years-of-christianity

http://risu.org.ua/ru/index/all_news/state/national_religious_question/53166/

Últimos momentos de vida de São Tomás de Aquino

Diác. Inácio de Araújo Almeida

Em 1274, São Tomás, aos 49 anos, foi convocado a participar do II Concílio de Lyon, onde seria debatido o retorno da Igreja Oriental ao seio do Catolicismo. Durante o percurso, o Aquinate viu-se acometido por uma misteriosa doença, pelo que foi logo levado ao Castelo de Maenza, pertencente à sua sobrinha Francisca.

No entanto, mesmo recebendo todos os devidos cuidados, seu estado de saúde não melhorou. Ao perceber que se aproximava o término de sua peregrinação nessa Terra, o Angélico pediu para ser levado à Abadia de Fossanova, da ordem cisterciense. Em seguida, explicou a razão: “Se o Senhor quer visitar-me, é melhor que me encontre num convento de religiosos do que numa casa de seculares”.[1]

São Tomás, mesmo moribundo, procurava consolar de todos os modos  seu discípulo, Frei Reginaldo. Ao vê-lo tão abatido, perguntou-lhe qual seria a razão de tamanha tristeza. Ele então revelou a São Tomás o seu desejo de vê-lo honrado pelo Concílio de Lyon com alguma distinção importante como o cardinalato, pois isso daria maior glória à ordem dominicana, bem como alegria aos seus familiares. Ao ouvir estas palavras, São Tomás esclareceu-o de que pouco lhe importavam as honrarias deste mundo, pois o que realmente vale nessa terra é estar unido a Deus pela virtude da humildade.

 Meu filho, não vos inquieteis com isso. Entre outros desejos, pedi a Deus e fui atendido, pelo que dou-Lhe muitas graças de me tirar desta vida no estado de humildade em que me encontro, sem que qualquer autoridade me confira alguma distinção que mude este estado. Eu poderia progredir ainda em ciência e ser útil aos outros pela doutrina, mas aprouve a Deus, segundo uma revelação que me fez, de me impor silêncio, pondo fim ao meu ensino. Porque Ele quis, como sabeis, revelar-me o segredo de um conhecimento superior. É por isso que, a mim, indigno, Deus concedeu mais que aos outros doutores, que permaneceram mais tempo nesta vida, para que eu saísse mais depressa que os outros dessa vida mortal, e entrasse, sereno, na vida eterna. Por isso, consolai-vos, meu filho, que morro seguro de todas essas coisas.[2]

 Devido ao intenso frio daquele inverno, alguns frades foram até a floresta colher lenha para aquecer a sua cela. São Tomás, vendo-os chegar com aquelas toras de madeira sobre os ombros, replicou humildemente: “Donde me vem esta honra de ver os servidores de Deus a servir um homem como eu e a trazer de tão longe, tão pesados fardos?”[3]

Atendendo à solicitação dos monges ali presentes, o Angélico Doutor comentou parte do Cântico dos Cânticos, deixando todos maravilhados por sua sabedoria e ciência. Dias depois, São Tomás pediu os Sacramentos, os quais recebeu com grande fervor. Em seguida reiterou sua fé absoluta na presença de Jesus Eucarístico:

 Recebo-te, preço da redenção de minha alma, recebo-te, viático de minha peregrinação, por cujo amor estudei, realizei vigílias, sofri; preguei-te, ensinei; jamais disse algo contra ti, e, se o fiz, foi por ignorância e não insisto em meu erro; se ensinei mal a respeito deste sacramento ou de outros, submeto-o ao julgamento da Santa Igreja Romana, em obediência à qual deixo agora esta vida.[4]

Frei Reginaldo de Piperno, que o acompanhou em seus últimos momentos, declara que a confissão de São Tomás foi como a de uma criança de cinco anos. No dia 7 de março de 1274, pela madrugada, São Tomás é ungido com os santos óleos, cerimonial em que respondeu diligentemente a cada uma das santas unções, expirando pouco tempo depois. Ameal afirma que a “sua alma vai tão pura como veio”.[5] Tomás “não parte, regressa. Espera-o Aquele de quem nunca, afinal, se separou”.[6]

Podemos assim concluir que o Angélico dedicou o melhor de seus esforços em santificar-se, pois segundo Touron, ser santo “foi o anseio mais veemente do seu coração”.[7] Para Grabmann, “a figura científica de São Tomás não se pode separar da grandeza ético-religiosa de sua alma; em Tomás, não se pode compreender o investigador da verdade sem o Santo”.[8] Dessa forma, a primeira e mais importante característica de sua vida foi a santidade, pois foi tão grande intelectual quanto foi grande santo.


[1] Ameal, João. Op. Cit., p.153.

[2] Guilelmus de Tocco. Op. cit., cap. 25., p. 204.

[3] Ameal, João. Op. cit., p. 154.

[4]Ibid, p. 155.

[5] Loc. cit.

[6] Loc. cit.

[7] Touron, Antonio. Vida histórica de Santo Tomás de Aquino, de la orden de predicadores, Doctor de la Iglesia, con exposición de su doctrina y de sus obras. Madrid: Imprenta Real, 1792, p. 100.

[8] Grabmann, Thomas von Aquin, p. 28, apud Ameal, João. São Tomás de Aquino: Iniciação ao estudo da sua figura e da sua obra. 3a ed. Porto: Tavares Martins, 1961, p. 129.

Um bom amigo vale mais que a honra…

 

Muitos dos testemunhos de sua época ressaltam como o Angélico praticou eximiamente a virtude da amizade. Na Suma Teológica ele não hesitou em afirmar que um bom amigo “vale mais que a honra, e ser amado é melhor que ser honrado”.[1] Nesse sentido, é digno de nota lembrar o grande afeto que ele manifestava a Frei Reginaldo de Piperno, seu secretário particular.

Ao escrever o Compêndio de Teologia, num gesto de profunda amizade, São Tomás dedicou essa obra a seu devotado companheiro de trabalho: o “filho caríssimo Reginaldo”.[2]

 Outro exemplo de amizade que perdurou ao longo de toda a vida foi aquela entre São Tomás e São Boaventura. Tinham praticamente a mesma idade e receberam juntos o título de Magister, na Universidade de Paris. Chesterton os caracterizava como “discordantes amigos”,[3] pois, embora lutassem a favor da mesma Verdade, muitas vezes apresentaram pontos de vista diferentes, sem, contudo, esquecerem as regras da caridade.

Deus os quis juntos tanto na terra como no Céu, pois ambos partiram para a eternidade no ano de 1274. Dante, em sua obra A divina comédia, ao descrever o Paraíso, apresenta São Tomás louvando as glórias de São Francisco, e São Boaventura, por sua vez, num gesto de santa retribuição, exaltando as virtudes de São Domingos.

Um fato que atesta a mútua estima entre esses dois santos deu-se quando o Angélico foi ao convento dos franciscanos, a fim de fazer uma visita a seu amigo São Boaventura. Como de costume, São Tomás entrou diretamente na cela do frade e o encontrou sentado, absorto na tarefa de escrever uma biografia de seu fundador, São Francisco de Assis.

São Tomás contemplou por algum tempo a edificante cena e, numa manifestação de profunda delicadeza, retirou-se silenciosamente a fim de não interrompê-lo. Um dos frades quis alertar São Boaventura sobre a presença de seu amigo Tomás, mas este não permitiu. E, enquanto se retirava, o Angélico comentou: “Deixemos que um santo escreva a vida de outro santo…”[4]

Diác. Inácio de Araújo Almeida


[1] Summa Theologiae, II-II, q. 74, a. 2.

[2] Compendium Theologiae, I, cap. I.

[3] Chesterton, G.K.  Op. Cit., p. 109.

[4] Spiazzi, Raimondo. San Tommaso D’Aquino. Biografia Documentata di un uomo buono, inteligente, veramente grande. Bologna: ESD, 1995, p. 96.

Pitoresco fato…

Diác. Inácio de Araújo Almeida

Um dos hábitos pessoais de São Tomás era o de caminhar em torno do claustro. Andava depressa, com ímpeto e de cabeça erguida.

Chesterton dizia que este modo de proceder do Angélico era uma “ação muito própria dos homens que travam as suas batalhas na inteligência”.[1]

Provavelmente foi numa dessas suas caminhadas que ocorreu o seguinte fato: um jovem frade do convento de Bolonha, necessitando fazer algumas compras, solicitou ao superior que lhe designasse alguém para acompanhá-lo até a cidade. Foi-lhe respondido que o primeiro frade que encontrasse pelo caminho deveria ser o seu acompanhante.

Naquela ocasião, Tomás ali se encontrava apenas de passagem e, como de costume, passeava a passos largos em torno do claustro, certamente em altas meditações. Os dois acabaram se encontrando, ocasião em que o jovem frade se dirigiu ao Aquinate com as seguintes palavras: “Meu bom irmão, o superior lhe ordena que venha comigo”.[2]

Então Frei Tomás, com um gesto de cabeça, assentiu ao chamado e seguiu-o sem nada dizer. Como o outro religioso era mais jovem e caminhava ainda mais depressa, o Mestre Tomás ia ficando para trás, sendo constantemente repreendido pelo companheiro por isso.

O santo desculpava-se humildemente e esforçava-se em segui-lo. Por outro lado, alguns cidadãos de Bolonha, que conheciam Frei Tomás, ficaram admirados por vê-lo seguir com tanta dificuldade um frade de pouca idade. Intuíram então que se tratava de algum engano, aproximaram-se do noviço e informaram-lhe quem era o ilustre acompanhante. Assustado, o bom frade se voltou para São Tomás pedindo perdão, o qual foi imediatamente concedido.

O povo, por sua vez, dirigindo-se ao mestre, perguntou o motivo daquele modo de agir, ao que o Angélico respondeu: “A obediência é a perfeição da vida religiosa, pela qual o homem se submete ao homem por Deus, como Deus obedeceu ao homem em favor do homem”.[3]


[1] Chesterton, G.K. Santo Tomás de Aquino. Op. Cit., p. 109.

[2] Guilelmus de Tocco. Op. cit. cap. 25,  p. 148: “Bone Frater, prior mandat quod veniatis mecum”.

[3] Loc. cit.: “Quod in obedientia perficitur omnis religio, qua homo homini propter Deum subicit, sicut Deus homini propter hominem obediuit”.

O estudo como via de santificação em São Tomás

 

Há uma célebre frase de por Paul Bourget que diz: “Cumpre viver como se pensa, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, acabar por pensar como se viveu”.[1]

São Tomás não só vivia o que pensava, mas escrevia o que vivia. Por esta razão, ele é considerado como o arquétipo do intelectual católico, pois para ele a ciência não era um fim em si mesmo, mas sim, um excelente meio de santificação.

Guilherme de Tocco reitera que: “Todas as vezes que ele queria estudar, iniciar uma disputa, ensinar, escrever ou ditar, retirava-se primeiramente no segredo da oração e rezava vertendo lágrimas, a fim de obter a compreensão dos mistérios divinos”.[2] E, efetivamente, ele “entregou-se totalmente às coisas do alto, e foi contemplativo de um modo inteiramente admirável.”[3]  Vivia “totalmente entregue às coisas celestes.

Na maior parte do tempo estava ausente dos sentidos, de tal modo que mais se supunha estar ele onde o seu espírito contemplava do que onde permanecia sua carne”.[4]

Era na vida de piedade que Santo Tomás adquiria os mais altos conhecimentos, compreendia os textos sagrados e encontrava a solução para os mais complicados problemas teológicos.

Diác. Inácio de Araújo Almeida


[1] Borget, Paul. Le Démon du Midi, Plon, Paris, 1914, vol. II, p. 375.

[2] Guilelmus de Tocco. Ystoria sancti Thome de Aquino, cap. XXV. Op. cit., p. 157.

[3] Ibid., cap. XLIII, pp.173-174.

[4] Ibid.

São Tomás de Aquino visto pelos seus contemporâneos

Diác. Inácio de Araújo Almeida

Vejamos como o Angélico era visto por seus contemporâneos.

De acordo com Guilherme de Tocco, Tomás era “grande de corpo, de estatura alta e ereta a corresponder à retidão de sua alma. Era louro como o trigo. [...] Possuía uma grande cabeça — como exigem os órgãos perfeitos que requerem as faculdades sensíveis a serviço da razão — e o cabelo um pouco ralo”.[1] Sua face era assinalada por uma extraordinária força pacífica e pura. Os seus olhos eram tranquilos como os de uma criança. Frei Eufranon de Salerno afirmou que aqueles que tiveram a oportunidade de contemplar o seu rosto sentiam ao mesmo tempo uma renovação do fervor e um maior desejo de trabalhar pela própria santificação.[2]

É interessante também recordar o episódio narrado pela mãe de Frei Reginaldo, seu secretário: “Quando Tomás passava pelo campo, as pessoas que se achavam ocupadas abandonavam seus trabalhos e corriam ao seu encontro, admirando a estatura imponente de seu corpo e a beleza de seus traços humanos”.[3] E aqueles que o conheceram pessoalmente acreditavam que “o Espírito Santo estava realmente com ele, pois estava sempre com rosto alegre, doce e afável”.[4] Tocco testemunha sua capacidade de criar em torno de si um ambiente cheio de contentamento e benquerença, pois “ele inspirava alegria aos que o olhavam”.[5]

Os contemporâneos afirmavam que nunca lhe tinham ouvido palavra ociosa e suas conversas sempre se voltavam para as coisas do céu. Tocco também assegura que o Angélico era puríssimo de mente e de corpo, devoto na oração, abundante em conselhos, afável na conversa, de inteligência lúcida, alegre e benigno no comportamento, generoso com os outros, infinitamente paciente e prudente, radiante de caridade e maravilhosamente piedoso.[6]

Seu caráter afetuoso e cordial é comprovado por muitos dos que o conheceram pessoalmente. Digno de nota é o episódio ocorrido enquanto São Tomás passeava com um grupo de estudantes pela encantadora Paris do século XIII. Em determinado momento, um de seus alunos lhe dirigiu a palavra, indagando: “Mestre, veja como é bela a cidade de Paris! Não gostarias de ser o senhor desta cidade?”[7] Ao que São Tomás respondeu: “Preferiria muito mais ter a homilia de São João Crisóstomo sobre o Evangelho de São Mateus. Pois se, de fato, esta cidade fosse minha, o cuidado com o seu governo me impediria a contemplação das coisas divinas e tirar-me-ia a consolação do espírito”.  [8]


[1] Guilelmus de Tocco, Ystoria sancti Thome de Aquino. Ed. intr. e notas: Claire Le Brun-Gouanvic. Toronto: PIMS, 1996, cap. 38., p. 166-167.

[2] Cf. Ibid., cap. 36, p. 164.

[3] Torrell, Jean-Pierre. Iniciação a Santo Tomás de Aquino. Sua Pessoa e sua obra. Trad. Luiz Paulo Rouanet. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004, p. 52.

[4]  Ibid., p. 329.

[5] Guilelmus de Tocco. Op. cit., cap. 25, p. 164.

[6] Ibid., cap. 24, p.147.

[7] Ibid. cap. 42, p. 172: “Magister, videte quam pulchra est ciuitas Parisius: Velletis esse Dominus huius ciuitatis?”.

[8] Ibid.: “Libentius vellem habere Homilias Chrisostomi super Euangelium beati Mathei. Ciuitas enim hæc si esset mea, propter curam regiminis contemplationem michi diuinorum eriperet, et consolationem animi impediret”. No século XIII, nem todas as obras de São João Crisóstomo haviam ainda sido traduzidas do grego para o latim, o que atesta o desejo que São Tomás tinha de possuí-las.

São Tomás diante da tentação (Continuação)

É lastimável notar que aqueles que deveriam ser os guardiões de sua inocência e castidade, chegaram ao absurdo de introduzir uma mulher de maus costumes na torre onde o mantinham preso, a fim de demovê-lo de seus planos.

Porém, se situação semelhante ocasionou a fraqueza de Sansão, o mais forte dos homens, a ignorância de Salomão, o mais sábio dos viventes, e a queda de Davi, o rei-profeta, para Tomás, ao contrário, foi a ocasião que o fez elevar-se ainda mais em virtude.

Naquele momento, estava ele sentado junto à mesa, aprofundando-se no conhecimento e no amor das coisas celestiais. Quando percebeu a entrada da intrusa, dirigiu-se à lareira, apanhou uma brasa incandescente e começou a brandi-la contra aquela mulher mal intencionada. Não é necessário dizer que ela fugiu tomada de terror, através da mesma escada pela qual havia subido.[1]

Esse fato oferece a oportunidade de tecermos uma consideração. Muito se tem falado do temperamento plácido e calmo de São Tomás. Todavia, apresentá-lo como um homem impassível ou desprovido de fibra é deturpar a sua verdadeira imagem. Diante desse acontecimento, podemos compará-lo a um grande vulcão adormecido e imóvel, que se deixa envolver pela gélida e alva neve. Mas, quando está em jogo a sua integridade moral, bem como o nome de Cristo e de sua Igreja, a inércia se transforma em ação, a tranquilidade dá lugar ao movimento, fazendo estremecer tudo o que se encontra ao seu redor.

Do interior de sua alma vemos brotar um rio de fogo da mais pura doutrina, que lenta e paulatinamente destrói e sepulta o erro, dando assim origem ao terreno fértil da verdade. É bem certo que poucas foram as ocasiões em que vimos esse “boi mudo” — como era chamado pelos contemporâneos devido ao caráter taciturno — converter-se num leão. Mas, pode-se certificar também que, dentro de sua alma, havia atitudes aparentemente contrastantes, manifestações admiráveis de sua vigorosa personalidade.

São Tomás, entretanto, não brandiu aquela lenha incandescente apenas na luta pela pureza. Além disso, por meio de seus escritos, manifestou portar uma verdadeira brasa ardente intelectual contra aqueles que pretendiam, por meio de falsas doutrinas, semear o joio no meio do trigo. Um dos trechos mais significativos dessas suas reações pode ser encontrado no polêmico opúsculo De unitate intellectus, escrito contra os averroístas parisienses.

 Se alguém, gloriando-se de uma falsa ciência, pretende argumentar contra o que acabo de escrever, que não vá tagarelar pelos cantos ou diante de crianças incapazes de julgar assunto tão árduo, mas que escreva, se ousar, contra esse livro. Terá que enfrentar não só a mim, que sou o menor deles, mas a muitos outros defensores da verdade, que saberão resistir a seu erro e vir em auxílio da ignorância.[2]

Diác. Inácio de A. Almeida


[1] Cf. Chesterton, G.K. Santo Tomás de Aquino: Biografia. Trad. Carlos Ancêde Nougué. São Paulo: LTr, 2003, p. 62.

[2] S. Thomas de Aquino. De unitate intellectus contra averroistas, cap. 5, n. 120: “Si quis autem gloriabundus de falsi nominis scientia, velit contra haec quae scripsimus aliquid dicere, non loquatur in angulis nec coram pueris qui nesciunt de tam arduis iudicare; sed contra hoc scriptum rescribat, si audet; et inveniet non solum me, qui aliorum sum minimus, sed multos alios veritatis zelatores, per quos eius errori resistetur, vel ignorantiae consuletur”.

O primeiro contato de São Tomás com os dominicanos

O Mosteiro de Monte Cassino estava localizado próximo à fronteira dos territórios pontifícios, sendo disputado nas guerras suscitadas por Frederico II. Em 1236, a hostilidade atingiu um nível crítico e o próprio abade aconselhou aos pais do jovem Tomás que o retirassem da abadia. Mais tarde, em 1239, sua família enviou-o a Nápoles, a fim de continuar os estudos e esperar tempos mais calmos.

Aos quinze anos, São Tomás dá início à sua vida acadêmica, através do estudo de Artes na Universidade de Nápoles. Nesse período, conheceu algumas das obras de Aristóteles. No entanto, não foi o velho Estagirita quem deu novo rumo à sua vida, mas, sim, a figura de dois humildes dominicanos.

Naquela ilustre cidade, seus olhos contemplaram por primeira vez os filhos de São Domingos. Esses frades ainda sentiam ressoar em seus ouvidos o eco da voz de seu fundador, que há pouco partira para a eternidade. Tal contato acendeu na alma do jovem Tomás a chama da vocação, que jamais se extinguiria.

Devido à influência da família, fácil seria para São Tomás tornar-se abade de Monte Cassino ou mesmo bispo de Nápoles. Mas a sua vocação era ser dominicano, e a ela entregou-se inteiramente — apesar das inúmeras dificuldades — desde a juventude. Naquele tempo, as ordens mendicantes, por sua vez, representavam o novo sopro do Espírito Santo.

Devido a seu ideal de pobreza e renúncia ao mundo, essas novas congregações vinham ao encontro dos bons anseios de fé dos homens do século XIII.

Entretanto, para a família de São Tomás era inconcebível que um membro de nobre estirpe se tornasse frade pregador. Procuraram eles, por esta razão, dissuadi-lo a todo custo de seu intento pouco promissor aos olhos do mundo, mas Tomás enfrentou a oposição de seus parentes, recebeu decididamente o hábito dominicano por volta do ano de 1244 e pôs-se logo a caminho de Roma.

Sua mãe, Teodora, partiu inconformada à sua procura naquela cidade, mas seu esforço foi vão, pois Tomás já havia fugido para Bolonha, juntamente com o séquito do Mestre da ordem, para o Capítulo Geral. Agora, são os irmãos militares do santo que, acompanhados de uma pequena tropa, partem ao seu encalço, conseguindo por fim alcançá-lo. Em seguida, tentam em vão arrancar-lhe o hábito, decidindo, depois disso, aprisioná-lo na torre do castelo familiar.

Diác. Inácio de A. Almeida

(Continua no próximo post)

Tomás de Aquino: mais sábio ou mais santo?

Diác. Inácio de A. Almeida, EP

Introdução

Desde o alvorecer do Cristianismo, a Bíblia tem sido considerada a principal fonte de inspiração de insignes artistas e literatos. Segundo Donoso Cortés, é por meio dos textos bíblicos que os gênios da arte aprendem “o segredo de elevar os corações e arrebatar as almas”.[1]

Assim, os artistas “maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas”,[2] deram origem ao que veio a ser denominado de arte sacra. Muitos séculos se passaram e ainda hoje considera-se a Bíblia uma fonte inesgotável de inspiração artística, pois ela é este “livro prodigioso em que o gênero humano há trinta e três séculos começou a ler, e após lê-lo todos os dias, todas as noites e todas as horas, ainda não acabou sua leitura”.[3]

Numerosas são as representações bíblicas no âmbito da pintura, da escultura e da arquitetura. Na arte musical, por exemplo, percebe-se o poder arrebatador da música quando os textos bíblicos se unem a melodiosas harmonias como na obra O Messias, de Händel, ou no Oratório de Natal, de Schütz.

Entretanto, esta feliz união de “belos acordes” com a “Palavra de Deus revelada” não se encontra somente representada nas grandes composições da música sacra, pois, segundo São Francisco de Sales, “o Evangelho é como uma música escrita, enquanto a vida dos santos é esta música cantada”.[4]

Por tal razão, bem podemos afirmar que a existência de São Tomás de Aquino foi um contínuo cântico de amor e de louvor a Deus. Ao término dos seus 49 anos de vida, deixou-nos como herança a bela sinfonia de seus escritos, embora o mais importante legado do Angélico ao mundo tenha sido, sobretudo, o seu harmonioso exemplo de santidade.

A partir disso, visamos no presente artigo não tratar apenas a respeito da doutrina de São Tomás de Aquino, mas especialmente apresentar algumas características de sua vida e santidade, pois, quando se conhece o autor, melhor se compreende sua obra. “Os exemplos movem mais do que as palavras” — assegurava o Aquinate,[5] e, no intuito de ressaltar essa magnífica tese,  voltar-nos-emos mais ao seu exemplo pessoal que à sua obra escrita.

Descrever os fatos de tão fascinante existência, no entanto, não é tarefa fácil, pois devido à profunda humildade que o animava, São Tomás quase não falou sobre si mesmo. Tampouco hesitou em afirmar que “a humildade é o que mais agrada a Deus”[6] e que “a santidade consiste em duas coisas: viver humildemente e prestar culto a Deus”.[7]

Na Summa contra Gentiles pode-se encontrar um dos raros momentos em que ele manifestou algo da “sonoridade” de sua vida interior. E, mesmo assim, ocultando-se sob as palavras de Santo Hilário: “O mistério de minha vida, ao qual em consciência me sinto obrigado diante de Deus, é que todas as minhas palavras e todos os meus sentimentos falem d’Ele”.[8]

Mesmo não tendo explicitado quase nada a seu respeito, devemos considerar que, de certo modo, em todos os seus escritos reflete-se sua personalidade, pois o que dele saía era o que superabundava no coração (cf. Mt 12, 34). Assim, apresentam-se neste artigo algumas citações de suas obras e, através delas, procura-se traçar um pequeno esboço de seu perfil moral. Recorre-se também aos comentários de seus principais biógrafos, especialmente do dominicano Guilherme de Tocco, que foi encarregado de preparar, a partir do relato de testemunhas oculares, a primeira biografia do Aquinate com vistas à canonização. Essa obra, considerada a mais importante fonte sobre a vida de São Tomás, será a referência principal do presente artigo.

O pequeno monge de Monte Cassino

O mundo viu nascer Tomás por volta do ano de 1225, no castelo de Roccasecca, Itália. Dos sete filhos do conde Landolfo de Aquino, era ele o mais novo. Aos cinco anos fora enviado ao insigne Mosteiro de Monte Cassino, a fim de ser educado pelos monges beneditinos. Naqueles tempos, seu tio Sunibaldo era abade e se encarregou de ministrar-lhe a formação. Tudo indica que a família ansiava que também ele se tornasse um superior da Ordem de São Bento.

Pouco se sabe desse período de sua vida, a não ser que aquele “pequeno monge”, ao percorrer o majestoso claustro da abadia, inquiria os religiosos sobre um tema que não saía da sua mente: “Quem é Deus?” Não passaram para a história as respostas proferidas. Contudo, pode-se afirmar que ninguém lhe respondeu satisfatoriamente, pois desde criança fizera desta primeira indagação a força motriz para produzir a maior obra teológica de todos os tempos.

( Continua no próximo post)


[1] Donoso Cortés, Juan. Discurso acadêmico sobre a Bíblia. Trad. José Manuel Victorino de Andrade. Lumen Veritatis, ano 4, n. 15. abr./jun. 2011, p. 111.

[2] João Paulo II. Carta aos artistas. 04/4/1999, n.1.

[3] Donoso Cortés, Juan. Discurso acadêmico sobre a Bíblia. Op. Cit., p. 113.

[4] Francisco de Sales, Santo, apud Dabin, François. Chrétien, donc heureux? Rivista internazionale di catechesi e pastorale Lumen vitae, v. 57, dic. 2002, n. 4. p. 401-416, trad. pessoal: “Il vangelo è come una musica scritta, mentre la vita dei santi è questa musica cantata” (XII 306).

[5] Summa Theologiae, I-II q. 34 a. 1 co.: “Magis movent exempla quam verba”.

[6] Summa Theologiae, II-II, q. 188, a. 8, ob. 3: “Humilitas est maxime Deo accepta”.

[7] In  Coloss., cap. 2, lect. 4, n. 124: “Sanctitas autem in duobus consistit, scilicet in humili conversatione, et cultura Dei”.

[8] Contra Gentiles, lib. 1, cap. 2, n. 2: “Ego hoc vel praecipuum vitae meae officium debere me Deo conscius sum, ut eum omnis sermo meus et sensus loquatur”.

A Bíblia: Uma Lei de Vida que deve ser amada pelos homens e conduzir o mundo moderno no caminho da salvação

Otávio Mantia

O corpo e a alma da Bíblia

Para definirmos a Bíblia necessitamos ter em consideração dois elementos que a constituem: o texto (sua parte escrita) e seu ensinamento (a parte espiritual), transcendente a meras palavras ou símbolos textuais.

Se tomarmos a parte escrita, a Bíblia é um a coleção de livros inspirados pelo Espírito Santo, de caráter sagrado, origem divina e de conteúdo e eficácia sobrenatural. Mas, ampliando um pouco seu significado, obteremos um horizonte mais largo e formoso do que verdadeiramente pode significar a Bíblia.

Os livrinhos sagrados…

O nome Bíblia vem de grego βιβλος “livro”, que no plural diminutivo fica βιβλια, que significa mais especificamente “livrinhos”. Sendo uma coleção de livros sagrados, devemos nos perguntar, sagrados por quê? Porque o próprio Deus inspirou que fossem escritos e entregou-os aos homens. Assim, estes homens escolhidos, eleitos por Deus a receber a Revelação tornaram-se os portadores de textos sagrados, que constituíam a bíblia.

…que constituíram a Sagrada Bíblia

A primeira versão da bíblia foi conhecida como versão hebréia, que se dividiu em três partes: nas leis ou Pentateuco (תרה), nos profetas (תבים), e nos outros escritos históricos (כתבים). Posteriormente, com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, efetuou-se a plenitude da Revelação: acrescentou-se aos antigos escritos sagrados as revelações que o próprio Filho de Deus veio trazer aos homens. Assim, os Evangelhos, Cartas Católicas e Apocalipse completaram a Bíblia do Novo Testamento.

O trecho mais antigo do Evangelho de São João

O Cânon bíblico foi se formando por um longo processo em que a Santa Mãe Igreja, com o passar dos séculos, trabalhou em distinguir os diversos textos verdadeiramente inspirados dos apócrifos, e outros escritos sem apostolicidade, até se definir a Bíblia que lemos hoje.

A parte espiritual

Agora tomando em consideração mais os ensinamentos que a Bíblia nos traz, sua parte “espiritual”, podemos reconhecer que ela se trata de uma verdadeira guia até Deus que o homem deve encetar pela obediência a sua Palavra e sua Lei. Obediência a sua Lei e a sua Palavra? Sim, pois a palavra e a Lei de Deus se confundem e se entrelaçam num mesmo conceito.

E a Palavra se fez Lei…

Ao lermos Dt 30, 11-14 nos deparamos com uma singular aproximação da Lei de Deus e de sua Palavra. Os mandamentos e leis de Deus não estão acima de nossas forças, nem fora do nosso alcance. Não estão no céu nem no mar, para que possamos escusar-nos de não poder possuí-los. Mas “esta palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração: e tu a podes cumprir”. Assim, a Bíblia não é um tratado filosófico ou um compêndio de ciências, nem uma enciclopédia ou uma bela obra de literatura. É muito mais: é palavra de Deus. É עהוה דבר (Dabar Yahveh), e neste sentido, a palavra דבר (Dabar) tem a mesma raiz da palavra תרה (Torá), ou seja lei. A Palavra de Deus é a Sua própria Lei dada aos homens. É por meio de sua palavra que Deus ensina os homens, como devem agir para cumprir Sua vontade.

Pode-se concluir daí que a Bíblia, mais que dados históricos da criação do mundo, fatos da vida do povo eleito, elementos dos costumes judaicos e trechos de profecias muito bonitas, nos proporciona uma norma de vida, uma lei para se “meditar dia e noite” (Sl 1, 2).

Lei que se deve amar

Uma lei que Deus coloca em nossos corações como nos dia Jeremias 31, 33: “Incutir-lhe-ei a minha lei; gravá-la-ei em seu coração”. Pois o lugar da lei é o coração (לב), de onde partem todas as intenções e decisões do homem, sejam elas boas ou más. Mas, por que o coração é o lugar da lei de Deus e de sua Palavra? Porque o coração também é o receptáculo dos amores do homem e o homem deve amar a palavra de Deus com todo seu ser, com total desapego e sem exigir recompensa.

Mas… amar como?

A este respeito cumpre lembrar os quatro amores que o vocabulário grego proporciona, a saber: o amor entre varão e mulher no matrimônio (ερον); o amor familiar (ζεργον); o amor de amizade meramente humano (φιλειν); e o amor de holocausto, de entrega total, o amor que se tem apenas a Deus (αγαπε).

Ao lermos Lucas 21, 15-17 vemos claramente esta diferença dos amores no sublime diálogo entre Jesus Nosso Senhor e São Pedro. O que as traduções geralmente deixam passar despercebido, o grego revela com uma peculiar riqueza de termos, preciosa grandeza e pungente profundidade o que houve entre os dois olhares que se cruzavam durante esta conversa. Mas o que conversavam o Filho do Homem e Simão, filho de João?

O exemplo princeps

Nosso Senhor pergunta se São Pedro o amava com amor divino: “Αγαπας με?”. E Simão responde que o amava com amor humano: “Φιλο σε”. E Jesus prossegue com o mandato de apascentar com cuidado os cordeiros frágeis de seu rebanho: “Βοσκε αρνια”. Uma segunda vez pergunta se São Pedro o amava com amor total e desinteressado: “Αγαπας με?”. Mas São Pedro, responde que o amor divino ainda não o abrasa: “Κυριε, Φιλο σε”. E Jesus prossegue, recomendando que Simão apascente as ovelhas mais velhas e fortes: “Ποιμανε προβατα”. A terceira vez, Deus se abaixa até Simão e lhe pergunta: “Simão, filho de João, Φιλεις με?”. E São Pedro, profundamente entristecido, pois percebera que ainda não galgara o perfeito amor de Deus responde: “Senhor tu sabes tudo, tu sabes que “Φιλο σε”. E o Senhor prossegue recomendando: “Βοσκε προβατα”. Ou seja: “Pois bem Simão, tu, que sois velho e forte e prometeste dar a vida por mim, me negaste três vezes. Professa seu amor por mim três vezes em reparação e reconhece que ainda és imperfeito. Saibas que como tu, muitos são frágeis. Assim, apascenta com cuidado (βοσκε) inclusive as ovelhas fortes do rebanho (προβατα), pois estas, como tu, também podem ceder.

Conclusão

Esta é uma lição para nós. Pois o amor que faltou a São Pedro quando Nosso Senhor lhe pergunta três vezes se o amava também falta ao mundo hodierno. Os homens devem amar a Deus e a sua Palavra, a sua Lei, que está na Bíblia com este amor Αγαπε, ou seja, sem querer nada em troca, reciprocidade ou retribuição. O Αγαπε deve reger o mundo de hoje a obedecer a Lei de Deus e a sua Palavra pelos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo nas sagradas escrituras.

El fundamento de la nueva alianza: la caridad cristiana y la unidad de las Sagradas Escrituras

Daniel Letelier

¿Cómo debemos entender el mensaje del Divino Salvador en los Evangelio, o cuál fue la novedad traída por el Hombre-Dios a la humanidad? Ésta, entre varias otras preguntas muchas veces nos pueden venir al leer las Sagradas Escrituras. Ahora, el fundamento para encontrar la respuesta está en los propios evangelios: la caridad cristiana. Y cómo entender esta nueva alianza basada en la caridad? Para esto, hay que ver los diferentes testimonios del Salvador bajo una misma perspectiva: la unidad que existen entre las Sagradas Escrituras para comprender este nuevo mensaje.

La Biblia y la nueva alianza

Un punto importante de resaltar es la definición de la Biblia, no tanto por su lado etimológico, pero, por sobretodo, en el sentido de una “captación de Dios por experiencia”: así, como San Juan escribe en su Evangelio (Jn 20, 30-31), este fue escrito para “que creáis que Jesús es el Cristo el Hijo de Dios”. Por lo que la Biblia va mucho más allá que una simple compilación de libros como los judíos entienden la Torah. Ya que, como sabemos, los fariseos consideran sus escritos en el sentido de una ley, y como un manual de vida. Así, el mensaje de Salvación que Jesús transmite en las Escrituras llama sobretodo a una imitación por experiencia, imitación que realiza por medio de una nueva alianza con los hombres en un sentido mucho más amplio y universal ¿Y cómo Dios quiere transmitir esta nueva alianza con los hombres? “Esta será la nueva alianza que yo haré […] imprimiré mi Ley en sus entrañas, y la grabaré en sus corazones” (Jr 31,33). Así, de este modo, Dios Padre cambia el modo por el cual se relaciona con el pueblo elegido: ya no es la ley antigua, mas es la ley nueva donde, como escribe el Apóstol “No soy yo el que vivo, sino Cristo que vive en mi” (Gal 2,19-21), por lo tanto, es el propio Jesús que, tanto por medio de la liturgia como de los sacramentos, está presente en la vida de los hombres.

Fundación de la nueva alianza: la caridad cristiana

Ahora, ¿Cómo se funda esta nueva alianza? Esta alianza está fundada en una novedad para la época de Cristo: la caridad cristiana. Caridad que ya no toma como base la ley de la venganza que regía a los pueblos de la época, e inclusive a los propios judíos. Pero, por otro lado, Jesús trae la ley del perdón (Mt 18, 22): ya no son sólo 3 veces, mas 70 veces 7, por lo tanto, no tiene límite. Así, el fundamento de la nueva alianza es el amor.

A Lei da Caridade viva

Así, tenemos que Jesús es la plenitud de la Revelación donde Él no se ocupa solamente en el cumplimiento de una promesa, sino que al desbordamiento de afecto y de amor que no tiene comparación con la promesa que nos hizo.

Ejemplos en los Santos Evangelios

Un ejemplo de este desdoblamiento de amor lo podemos leer en San Lucas, (Cf. Lc 6, 27-29), cuando Él propio nos enseña a amar a nuestros enemigos, de cuando nos hieren una mejilla, de ofrecer la otra por amor, un amor en el sentido efectivo, no necesitando de la afectividad de quien lo recibe. Otro ejemplo nos lo da San Marcos (Cf. Mc 2, 1-12) cuando Jesús cura el paralítico que baja del techo no tanto por su propia Fe, pero, por el contrario, fue por la Fe de aquellos que lo cargaban que Jesús operó el gran milagro de, por una parte, curar su enfermedad, y por otra, de perdonar los pecados de este hombre.

Unidad de las Sagradas Escrituras

De este modo, tenemos ejemplificado por medio de los Evangelios la fundación de esta nueva alianza. Ahora, es necesario que esta nueva relación entre Dios y los hombres se manifieste por medio de los enseñamientos de Cristo, y para esto, es sumamente importante comprender las Escrituras en orden a la Salvación de los hombres, y así, ver la unidad existente en las Sagradas Escrituras.

Como dice DV 11, “las verdades de las sagradas Escrituras son en el orden de la salvación. Como comunión con Dios”. Precisamente, aquí podemos ver cómo la Sagrada Escritura se ordena a la salvación de los hombres, y por lo tanto, en comunión con Dios. Por lo tanto, para leer correctamente la Biblia es necesario que se haga en función de Jesús, y a partir del mensaje dejado por Él, leer el resto. Así, el Antiguo Testamento tiene que ser considerado en relación al Nuevo, o por el contrario, haríamos como cuando un judío lee la Biblia hebrea. Y de esto se desprende que, del mismo modo que debemos leer el Nuevo y Antiguo Testamento, hay que hacer una lectura basada en el contexto histórico en que el Salvador vivió entre los hombres. Y así, estar continuamente considerando los diferentes acontecimientos dentro de un conjunto, para no caer en el error de no entender el mensaje evangélico de Jesús

Nueva alianza y unidad de las Sagradas Escrituras

Así, para entender esta nueva alianza y este nuevo mensaje traído por el Salvador, hay que hacerlo considerando a las Sagradas Escrituras como una unidad en orden a la salvación de los hombres, como escritos inspirados por el divino Espíritu Santo, y de este modo, como el vehículo utilizado por Dios para poder transmitir a los siglos futuros este mensaje de ágape, de caridad cristiana que gobierna y que gobernará hasta el fin de los tiempos el trato entre los hombres. Y no solamente el convivio entre los hombres, pero por sobretodo, el desarrollo de la Santa Iglesia, como institución divina fundada por Él mismo.

Bombonieres para portar homens

O pecado é a conversão às criaturas, diz São Tomás (Cf. ST I-II, q. 72, a. 6, ad 3). Sendo o homem criado para servir, amar e glorificar a Deus, tudo aquilo que o afasta deste fim deve se rejeitado, assim como aceito aquilo que o aproxima.

Ora, o homem não é constituído, como os anjos, apenas de espírito, mas de corpo e alma. Portanto, é mister o emprego de elementos materiais para viver segundo sua natureza própria.

Pareceria haver nisto uma contradição. Se o pecado é a conversão às criaturas, como pode ser que esteja em sua natureza utilizar-se destas sem pecar?

Deus é a Sabedoria em substância e não poderia criar uma aberração, por isso havendo alguma falha, devo procurá-la em meu conceito, não em Deus.

O homem não só pode, mas deve utilizar-se das criaturas materiais que estão ao seu alcance, como determinou o próprio Deus no Gênesis “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Eis que eu vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas a sua semente, para que vos sirvam de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus, a tudo o que se arrasta sobre a terra, e em que haja sopro de vida, eu dou toda erva verde por alimento”. (Gn 1, 28-30)

Qual é o erro então? A resposta é simples: Deus é o fim último do homem, e todas as outras criaturas apenas meios que devemos utilizar para mais facilmente atingir o nosso fim. Por isso, se segue, segundo Santo Inácio “que o homem tanto delas deve usar quanto o ajudam para seu fim, e tanto deve delas se afastar, quanto se lho impeçam.” (Exercícios Espirituais, 23)

Por que Deus quer que subamos até Ele deste modo? Sendo Ele a Humildade, prefere agir através de causas segundas, dando ao homem capacidade de tomar as criaturas no seu estado originário e, trabalhando-as, “criar” verdadeiras maravilhas. Estas obras saídas das mãos humanas bem podem ser chamadas, segundo a eloqüente expressão de Dante, as netas de Deus.

Uma das vias para se chegar ao conhecimento de Deus, segundo o Doutor Angélico, é a que nos dá os diferentes graus de perfeição, por exemplo de nobreza, das criaturas (Cf. S.T., I, q.2, a.3, s.). Ora, se a nobreza nos dá provas da existência de Deus, quanto mais ela aproximará d’Ele os que já O conhecem.

A nobreza é um elemento muito eficaz para elevar o homem até seu Criador e deve ter um lugar especial na mente humana para que suas obras mais perfeitamente o levem ao seu fim.

Um eloqüente exemplo disto são as carruagens do Ancien Regime, verdadeiras bombonieres para portar homens. Como é nobre que o homem ao invés de se deslocar daqui para lá caminhando, use meios como esta magnífica carruagem. É verdade que ela não tem nem de longe a capacidade de velocidade que existe nos automóveis de nossos dias, mas talvez isso seja mais uma de suas vantagens.

Bomboniere para portar homens

A velocidade automobilística foi criada para solucionar problemas, por ela criados, e que antes dela não existiam. Enquanto que a carruagem, pelo contrário, é lenta, mas esparge um ar de leveza e de serenidade para quantos a olham. É nobre, distinta e elegante.

Qual era o estado de espírito do homem que andasse nessa carruagem? Placidez, elevação de espírito, delicadeza de alma, fortaleza de pensamento. Provavelmente diferente do homem moderno, não viveria com as preocupações de que nós estamos encharcados, até quase diríamos ser ele feito de porcelana.

Mesmo a posição em que ficava o cocheiro elevava sua pessoa e sua profissão, dando aos transeuntes um belo espetáculo de dignidade e respeitabilidade.

 

O homem que a idealizou tem a alma rica em amor de Deus

E como seria o homem que a idealizou? Alma rica em amor a Deus, cheia de sabedoria no mais alto sentido da palavra, isto é, um conhecimento saboroso das coisas divinas (S. T. I q.43 a.5 ad 2). Não imperava nele o desejo do lucro ou da fama, mas sim a intenção de fazer refletir um aspecto de Deus e elevar as almas de quantos utilizassem ou vissem aquela carruagem.

Talvez isso não fosse explícito em seu espírito, mas de tal maneira a sociedade de então vivia tendo Deus no centro de todas as coisas que tudo quanto se produzia saia quase espontaneamente maravilhoso. Que época diferente da que vivemos…

Qual é a vantagem de fabricar um meio de locomoção lindo, mas de pouca utilidade prática, e que além disso poderia até custar mais caro? Imaginemos que alguma casa de chocolates famosa no mundo tomasse uma dessas carruagens e estilizasse caixas de chocolate com essas formas e colocando nelas os seus bombons mais requintados. Não seria considerada uma idéia originalíssima? Sem dúvida… e teria uma grande saída. Por quê? Porque a alma humana tem sede das coisas belas, pois tem sede de Deus, Beleza absoluta.

Pois bem, muito mais do que extraordinários bombons, digna é a natureza humana na qual Deus concentrou, como num microcosmos (ROYO MARÍN, Teología de la Perfección Cristiana, 82), os diferentes graus da Criação, e que Ele tanto amou que Se dignou encarnar para por ela sofrer e assim resgatá-la de sua terrível queda em nosso pai Adão.

Bem poderíamos nos perguntar qual dos meios de locomoção nos conduz mais ao nosso fim que é Deus. Quem ousaria dizer que é o último modelo de carro moderno? As criaturas devem ajudar o homem a encontrar a felicidade relativa aqui na terra a espera daquela sem fim que o aguarda no Céu. Para isso nada melhor que habituar-se, através de belezas efêmeras, à Beleza eterna que nos espera de braços abertos na eternidade.

Proclamação do dogma da Assunção de Nossa Senhora

    

   Oportunidade da definição

   41. Considerando que a Igreja universal – que é assistida pelo Espírito de verdade, que a dirige infalivelmente para o conhecimento das verdades reveladas – no decurso dos séculos manifestou de tantas formas a sua fé; considerando que os bispos de todo o mundo quase unanimemente pedem que seja definida como dogma de fé divina e católica a verdade da assunção corpórea da santíssima Virgem ao céu; considerando que esta verdade se funda na Sagrada Escritura, está profundamente gravada na alma dos fiéis, e desde tempos antiquíssimos é comprovada pelo culto litúrgico, e concorda, inteiramente, com as outras verdades reveladas, e tem sido esplendidamente explicada e declarada pelos estudos, sabedoria e prudência dos teólogos – julgamos chegado o momento estabelecido pela providência de Deus, para proclamarmos solenemente este privilégio insigne da virgem Maria. (42). Nós, que colocamos o nosso pontificado sob o especial patrocínio da santíssima Virgem, à qual recorremos em tantas circunstâncias tristes, nós, que consagramos publicamente todo o gênero humano ao seu imaculado Coração, e que experimentamos muitas vezes o seu poderoso patrocínio, confiamos firmemente que esta solene proclamação e definição será de grande proveito para a humanidade inteira, porque reverte em glória da Santíssima Trindade, a qual a virgem Mãe de Deus está ligada com laços muito especiais. É de esperar também que todos os fiéis cresçam em amor para com a Mãe celeste, e que os corações de todos os que se gloriam do nome de cristãos se movam a desejar a união com o corpo místico de Jesus Cristo, e que aumentem no amor para com aquela que tem amor de Mãe para com os membros do mesmo augusto corpo. E também é lícito esperar que, ao meditarem nos exemplos gloriosos de Maria, mais e mais se persuadam todos do valor da vida humana, se for consagrada ao cumprimento integral da vontade do Pai celeste e a procurar o bem do próximo. Enquanto o materialismo e a corrupção de costumes que dele se origina ameaçam subverter a luz da virtude, e destruir vidas humanas, suscitando guerras, é de esperar ainda que este luminoso e incomparável exemplo, posto diante dos olhos de todos, mostre com plena luz qual o fim a que se destinam a nossa alma e o nosso corpo. E, finalmente, esperamos que a fé na assunção corpórea de Maria ao céu torne mais firme e operativa a fé na nossa própria ressurreição.

   43. E é para nós motivo de imenso regozijo que este fato, por providência de Deus, se realize neste Ano santo que está a decorrer, e que assim possamos, enquanto se celebra este jubileu maior, adornar com esta pedra preciosa a fronte da Virgem santíssima, e deixar um monumento, mais perene que o bronze, da nossa ardente devoção para com a Mãe de Deus.

   Definição solene do dogma

   44. “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

   45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.

   46. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada.

   47. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.

   Dado em Roma, junto de São Pedro, no ano do jubileu maior, de 1950, no dia 1º  de novembro, festa de todos os santos, no ano XII do nosso pontificado.

   Eu PIO, Bispo da Igreja Católica assim definindo, subscrevi.

Foto retirada do site: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/index_po.htm

Se desejar conhecer o documento completo basta acessar o link: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html

A Castidade Consagrada

   A invenção do balão, no ano de 1793, foi um acontecimento mundial. Era quase impossível acreditar que um objeto de tal tamanho pudesse vencer a implacável lei da gravidade, voando sem amarras, peregrinando pelos ares, permitindo contemplar panoramas desde alturas inimagináveis… Sim, até lá conseguiu chegar o engenho humano! Ora, tudo na Criação tem uma finalidade, não somente material, mas também no plano espiritual e simbólico, pois o Universo saiu das mãos de um único Ser, infinitamente inteligente e perfeito. Não era possível existirem essas leis sem que contivessem sábias analogias em relação a criaturas superiores.

   Com efeito, a tendência de os objetos caírem talvez seja uma imagem desejada por Deus, para dar a entender ao homem o quanto a sua natureza, depois do Pecado Original, tornou-se propensa à queda: “à semelhança de nosso corpo, padecem as almas de uma espécie de lei da gravidade espiritual por onde nos sentimos atraídos para o mais baixo, o mais trivial, o que nos exige menos esforço”.[1] Por outro lado, a mencionada lei física capaz de vencer a gravidade, também é imagem de uma realidade superior, a qual foi dada a conhecer aos homens muito antes do descobrimento do balão. Nosso Senhor Jesus Cristo foi o grande “descobridor”, ou melhor, o portador de uma nova lei, capaz de retirar-nos do abismo ao qual o pecado nos atirara: a Lei da Graça.[2] Ela é capaz de elevar as almas a altitudes inatingíveis pelo esforço natural, fazendo-as ganhar a batalha contra as inclinações que continuamente as arrastam para o mal.

   A Graça é o remédio apropriado para corrigir em nós o desregramento das paixões, sobretudo a “concupiscência da carne” (1 Jo 2, 16), a qual leva a humanidade a ofender a Deus com maior frequência. Cristo veio consagrando dois caminhos que regulam a veemência desse instinto: o Sacramento do Matrimônio e a castidade consagrada. Em relação à segunda, o Divino Mestre afirmou ser um estado de vida reservado para poucos e, assim, nem todos conseguem compreendê-lo, “mas somente aqueles a quem é concedido” (Mt 19, 11). Os que o abraçam “por amor do Reino dos Céus” (Mt 19, 12), prenunciam nesta Terra a Bem-aventurança celeste, por isso, esse estado recebe o nome de celibato, termo que visa expressar certa participação na felicidade do Céu, segundo a etimologia dada pelo historiador romano Julius Valerianus: caeli beatus.[3]

   A virtude da castidade visa reprimir “tudo quanto há de desordenado nos prazeres voluptuosos”,[4] os quais são moralmente ilícitos quando buscados por si mesmos,[5] porque eles só existem com vistas a um fim principal: “perpetuar a raça humana, transmitindo a vida pelo uso legítimo do matrimônio. Fora dele, toda luxúria é estritamente proibida”.[6] Ora, a vocação para a castidade consagrada pede uma doação completa, através desse “vínculo sagrado”,[7] o religioso entrega a Deus o corpo com todas as suas faculdades, oferece-se em holocausto,[8] renuncia por amor às leis da carne e vencendo-as com o auxílio da divina Graça.

    Essa sublimação da natureza humana é incomparavelmente superior ao voo de um balão que percorre as alturas do firmamento e derrota a lei da gravidade, pois é “angelizar” o homem (Cf. Mc 12, 25), desafiar as forças do mal, com Cristo, vencer o mundo (Cf. Jo 16, 33)! A castidade perfeita faz voar pelos horizontes da vida sobrenatural, causando incompreensão em muitas pessoas não chamadas a vivê-la, as quais podem se perguntar: “como é possível a uma natureza tão material e débil elevar-se a essas altitudes da espiritualidade, livrar-se das amarras da carne e preocupar-se apenas com a contemplação dos sagrados panoramas da Religião?”. O Divino Mestre é quem lhes dá a resposta: “Quem puder compreender, compreenda” (Mt 19, 12).

   O Apóstolo São Paulo também defendeu claramente o “dom divino”[9] da castidade, pois – conforme disse – “os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5, 24). Escrevendo aos de Corinto, afirmava: “A respeito das pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor; porém, dou o meu conselho, como homem que recebeu da misericórdia do Senhor a graça de ser digno de confiança. [...] Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. [...] Digo isto para vosso proveito, [...] para vos ensinar o que melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha. [...] E creio que também eu tenho o Espírito de Deus” (1 Cor 7, 25. 32-34. 35. 40).

   Como conservar a castidade?

  Conseguir o domínio de si requer uma existência inteira e “nunca poderá considerar-se total e definitivamente adquirido. Implica um esforço constantemente retomado, em todas as idades da vida (Cf. Tt 2, 1-6). O esforço requerido pode ser mais intenso em certas épocas, como quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência”,[10] sendo que a vitória se encontra na conquista do coração, pois é nele onde pode nascer a impureza (Cf. Mt 5, 28; 15, 19). Em realidade, a luta para conservar a castidade é travada principalmente no interior. O Evangelho proclama bem-aventurados “os puros de coração” (Mt 5, 8), ou seja, aqueles que transformaram a sua mentalidade e o seu querer, a fim de se adaptarem às exigências da própria vocação,[11] abandonando os hábitos censuráveis daquele que “têm o entendimento obscurecido, e cuja ignorância e endurecimento de coração mantêm-nos afastados da vida de Deus; indolentes, entregam-se à devassidão, à prática apaixonada de toda espécie de impureza” (Ef 4, 18-19).

   A pureza é como um valioso objeto de cristal, muito delicado, o qual deve ser carregado com extremo cuidado, para poder conservá-lo intacto. Inúmeros recursos naturais e sobrenaturais existem ao nosso alcance, com vistas a resguardar a virtude angélica.


[1] Clá Dias, João Scognamiglio. “Voar sem amarras!”. In: Arautos do Evangelho. São Paulo: Abril, n. 105, set. 2010, p. 10.

[2] Cf. São Tomás de Aquino. Suma Teológica. I-II, q. 106, a. 1 e 2.

[3] Cf. Bautista Torelló, Joan. Scripta Theologica 27. Navarra: Universidade de Navarra, 1995, p. 282.

[4] Tanquerey, Adolphe. Compendio de Teología Ascética y Mística. Tradução de Daniel García Huches. Bélgica: Desclée, 1960, p. 707.

[5] Cf. Catecismo da Igreja Católica. n. 2351.

[6] Tanquerey. Op. Cit., p. 707.

[7] João Paulo ii. Vita consecrata. n. 14.

[8] Cf. São Tomás de Aquino. Suma Teológica. II-II, q. 186, a. 1.

[9] Catecismo da Igreja Católica. n. 2260.

[10] Catecismo da Igreja Católica. n. 2342.

[11] Cf. Catecismo da Igreja Católica. n. 2517.

 

Sebastián Correa Velásquez/ 3º Teologia

O Carisma dos Fundadores (Continuação)

   O Papa Bento XVI segue, desde há muitos anos, com paixão de teólogo e de pastor, o fenómeno dos movimentos e das novas comunidades que nasceram na Igreja depois do Concílio Vaticano II. Os seus primeiríssimos contatos com estas realidades eclesiais remontam a meados dos anos 60, quando ainda era professor em Tubinga. Depois, com o passar do tempo, essas relações intensificaram-se e aprofundaram-se, transformando-se numa verdadeira amizade (2007, pp. 25-26).

   Porém não foi apenas por uma experiência pessoal que Bento XVI se converteu em um ponto de referência para os novos movimentos. Dado o importante papel que exerceu ao lado de João Paulo II como prefeito da Congregação para a a Doutrina da Fé, podemos considerá-lo um fiel intérprete do magistério dos movimentos eclesiais.

   Passemos então a abordar a inspiração dos Fundadores. Na abertura do Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais em 1998 (quando ainda era o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé), ao comparar o nascimento da ordem franciscana com o nascer de um novo “movimento” o Cardeal Ratzinger assinalou a presença de uma inspiração personalizada na base dos movimentos religiosos:

   Talvez possamos identificar com a máxima clareza um movimento no sentido próprio no desabrochar franciscano do século XIII. Na sua maioria, os movimentos nascem de uma carismática personalidade-guia, configurando-se em comunidades concretas que, em virtude da sua origem, revivem o Evangelho na sua inteireza e, sem hesitações, reconhecem na Igreja a sua razão de vida, sem a qual não poderiam subsistir (ibid, pp. 55-56).

   Vejamos os desdobramentos da realidade teológica chamada pelo Papa de “carismática personalidade-guia”, que está na origem dos movimentos religiosos. Inicialmente devemos considerar o carisma dos Fundadores como algo que a Igreja assume como próprio quando aprova uma nova forma de vida religiosa. De acordo com Romano, o carisma dos fundadores tem uma dupla dimensão. Por um lado o Fundador, consciente de sua dependência total à Igreja, espera que ela reconheça e acolha seu carisma. Por outro lado, a Igreja vê um novo fruto do Espírito Santo, e o quer preservar de qualquer modo. Essa identidade com a Igreja é fundamental para o Fundador, pois dá a ele a certeza de que o espírito o qual o move, que o impulsiona no sentido de criar novos estilos de vida, e que o inflama com um “fogo profético”, é o mesmo Espírito Santo da Igreja. Ademais, por outro lado, isso fortalece as relações com seus discípulos, pois com frequência na vida dos Fundadores “não há ninguém capaz de compreender totalmente a novidade e a profundidade do que ele é e do que ele contém em si” (Cf. ROMANO, 1991, pp. 72-73).

   Este assunto é tão fundamental que uma das preocupações de Bento XVI sempre foi acolher e preservar com carinho as novas famílias religiosas, deixando claro que, junto com as igrejas locais, elas fazem parte da própria estrutura viva da Igreja. E, portanto, é necessário preservar esses novos dons para edificação de toda a mesma Igreja.

   Depois de ter sido eleito Papa, Bento XVI não cessou de manifestar o seu afeto e a sua atenção pastoral a estas novas realidades. Bastará recordar as suas palavras dirigidas aos jovens reunidos em Colónia em Agosto de 2005 para celebrar o vigésimo Dia Mundial da Juventude:

  “Formais comunidades na base da fé! Nos últimos decénios, nasceram movimentos e comunidades em que a força do Evangelho se faz sentir com vivacidade”. E as que sempre disse aos bispos alemães sobre o tema dos movimentos – “A Igreja deve valorizar estas realidades e, oportunamente, guiá-las com sabedoria e prudência pastorais, para que, com os seus diversos dons, contribuam da melhor maneira para a edificação da comunidade” –, acrescentando um pormenor importante: “As igrejas locais e os movimentos não se opõem mutuamente, mas constituem a estrutura viva da Igreja” (BENTO XVI, 2007, p. 29).

   O tema da inserção eclesial dos novos carismas é muito complexo e não se relaciona diretamente com nosso assunto. Contudo desperta a atenção o aviso que o Papa faz aos bispos sobre a necessidade de valorizar tais realidades e saber guiá-las com sabedoria. De fato, com frequência nos deparamos na História com fatos em sentido contrário que tantas incompreensões e mal-entendidos produziram. É o que nos explica ROMANO:

   A fim de que a inserção de uma comunidade religiosa no tecido da Igreja local seja autêntica e conforme a inspiração do Espírito, existe o direito, por parte da autoridade eclesiástica, de discernir os carismas e, portanto, aprová-los. (…) Esta é uma enorme responsabilidade, que leva Girardi a afirmar que as pessoas aptas para verificar a iniciativa do Espírito deveriam tomar maior consciência disso para pôr mais atenção e munir-se de uma doutrina apropriada que permita interpretar verdadeiramente o impulso do Espírito. Se, por exemplo, um bispo nada soubesse a respeito da teologia dos carismas, como seria capaz de interpretar esses dons do Espírito? Essa é a razão da existência de tantos entraves na Igreja. Contudo, isso também forma parte do desígnio de Deus, desígnio misterioso… que permite que seus dons passem sempre através de um caminho Pascal de sofrimento e purificação. Assim como outros autores, Girardi situa a autenticidade de um carisma dentro da constante histórica da Cruz como verdadeiro critério e garantia de fecundidade (op. cit. pp. 27-28, 132, tradução minha).

   Essa inserção não deve ser entendida como uma perda da própria identidade, mas, pelo contrário, a Igreja sempre insistiu na necessidade de salvaguardar cada carisma. Isto é feito com normas concretas dadas tanto às autoridades eclesiásticas como aos membros de cada família religiosa.

   Igualmente, “corresponde à dita autoridade a obrigação de respeitá-los [os novos carismas], e, conseqüentemente, acolhê-los e conservá-los tal como foram dados pelo Espírito Santo. Cada um dos institutos tem direito à sua própria autonomia a fim de manter íntegro seu patrimônio espiritual e institucional; mais ainda, há o dever fundamental – tanto dos institutos em si como de cada um de seus membros – de conservar o carisma original, mesmo que seja preciso adaptá-los às mutantes exigências históricas da Igreja e do mundo.” (cc. 574, § 2; 576; 578; 586; 677 § 1)

   Mantendo-se um instituto fiel a seu carisma e sendo respeitado por todos – inclusive pela autoridade hierárquica – por essa fidelidade, mais autêntica e eficaz será sua inserção na vida da Igreja, pois esta se realizará conforme a inspiração do Espírito”. Ghirlanda G., La vita consagrata nella vita della Chiesa, en Informationes SCRIS (2/1984)88.4 Podemos então chegar a uma conclusão: o Fundador pede o reconhecimento eclesial de seu carisma porque é consciente de ser o portador de um novo dom dentro do Corpo Místico. E a Igreja, ao concedê-lo, confirma a existência de um novo carisma, de uma nova inspiração do Espírito Santo, a ser desenvolvida para o bem do Povo de Deus.

 

   BIBLIOGRAFIA

   BENTO XVI. Os Movimentos na Igreja – presença do Espírito e esperança para os homens. S. João de Estoril: Lucerna, 2007.

   ROMANO, Antonio. Los fundadores profetas de la Historia – la figura y el carisma de los fundadores dentro de la reflexión teológica actual. Madrid: Claretianas, 1991.

   CIARDI OMI, Fabio. Los fundadores, hombres del espíritu. Para una teología del carisma del fundador. Madrid: Ediciones Paulinas, 1983.

   _____. Experiencia comunitaria de los fundadores. Vida Religiosa. Madrid, vol. 74, n. 1, enero, 1993.

   _____. Riscoperta dei carismi dei fondatori. Vita Consacrata. Milano, n. 29, junio, 1993.

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Pe. Santiago Canals, E.P., Doutor. em Teologia

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O Carisma dos Fundadores

   Houve um Fundador que, pertencente à melhor estirpe real, veio a este mundo na mais humilde das condições. Passou a maior parte da existência terrena na obscuridade, preparando Sua curta vida pública. Ao empreender a atividade apostólica, abalou Ele com a doutrina que ensinava inúmeros conceitos de Sua época, sem temer a reis, a imperadores ou a pontífices. Defendeu Sua religião e filosofia em praças públicas, diante de multidões, conferindo, por meio de milagres inimagináveis, aval às Suas palavras. Por onde passou deixou as indeléveis marcas de Sua bondade, reconciliando com Deus cada um dos que lhe pediam a mediação. Por Sua ilimitada misericórdia pertransivit benefaciendo (At 10, 38): passou por este mundo fazendo o bem, mas apesar disso foi condenado ao mais infamante tipo de morte daquele tempo, ao ser levado ao patíbulo. Do alto da cruz, atraiu o mundo inteiro a Si (Jo 12,32).

   Os Fundadores de famílias religiosas são reflexos dos múltiplos aspectos de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua missão. Porém estudá-los não é fácil e simples. Vários autores que tratam do assunto deixam claro que esse tema não foi satisfatoriamente estudado ao longo da História face à sua enorme complexidade, pois estudar os Fundadores pode ser comparado a adentrar os mistérios do próprio Deus (Cf. ROMANO, 1991, pp. 63-64).

   É muito significativa a dificuldade encontrada pelo Pe. Antonio Romano. Na elaboração de seu aprofundado estudo sobre o tema afirma ele não ter achado em nenhum dicionário anterior à primeira metade do século XX – eclesiástico ou não – referências ao termo “fundador”. De modo análogo, quase não encontrou ele documentos da Igreja com informações claras para a compreensão jurídica desse vocábulo (Cf. ROMANO, 1991, pp. 34-35). Outra evidência de ser o tema “fundadores” de estudo recente na Igreja é a constatação de que apenas em 1947 foram estabelecidos os requisitos necessários para que alguém possa ser considerado Fundador de uma família religiosa. Assim, conforme documento emanado da Sagrada Congregação dos Ritos.

   Para se designar alguém Fundador ou Fundadora de uma família religiosa exige-se, antes de tudo, que tal pessoa tenha reunido em torno de si um núcleo, ainda que pequeno, de seguidores, de lhes ter fixado uma meta específica; em segundo lugar, ter deixado leis ou regras – por escrito ou oralmente – especificando a meta e os meios para a alcançar. Há ainda outra observação que se pode fazer: quando um fundador toma como base uma regra anterior já aprovada, então o autor desta se torna o Patriarca ou pater desse instituto religioso. Assim, por exemplo, São Bento é o Patriarca de todas as famílias monásticas que têm como fundamento a regra beneditina; São Francisco de Sales é o Pai dos salesianos, porque São João Bosco se inspirou na legislação e nos escritos do Santo Doutor. Outros exemplos poderiam amplamente se multiplicar. SCR.SH.66, Nova Inquisitio, XVII .

   É certo, porém, que sob o ponto de vista carismático-teológico os Papas sempre consideravam os Fundadores como homens inspirados pelo Espírito Santo, apesar de tal tema não ter sido estudado em profundidade sob o aspecto jurídico (Cf. ROMANO, 1991, p. 65-67, 71). Foi Paulo VI quem pela primeira vez, em um documento do Magistério oficial (Evangelica Testificatio), confirmou essa doutrina ao utilizar a expressão carisma dos fundadores: “Só assim podereis despertar de novo os corações para a Verdade e para o Amor divino, segundo o carisma dos vossos Fundadores, suscitados por Deus na sua Igreja” (PAULO VI, 1971, n.p.). Do mesmo modo, o Papa João Paulo II lançou mão dessa expressão em diversos documentos, como, por exemplo, na Mensagem à XIV Assembleia Geral da Conferência dos Religiosos do Brasil: “Anima-vos aquilo que é o sentido ínsito à vida consagrada: crescer no conhecimento e no amor, para serdes testemunhas e profetas de Cristo no mundo de hoje, em fidelidade dinâmica à vocação religiosa e ao carisma dos vossos Fundadores” (JOAO PAULO II, 1986).

   Entre os papas, um se destaca por ser conhecedor das profundas realidades eclesiais produzidas pelo Espírito Santo: Bento XVI. Desde muito antes de sua ascensão ao trono pontifício o Cardeal Ratzinger já observava e acompanhava o surgimento de novos movimentos no seio da Igreja. É esse o testemunho do Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko, dado na introdução de uma obra de Bento XVI:

(Se almeja conhecer a continuação do artigo, não perca a próxima publicação)

Pe. Santiago Canals, E.P., Doutor em Teologia

Id por todo el mundo y predicad el Evangelio a toda criatura. El que creyere y fuere bautizado, será salvo (Cf. Mc. 16, 15-17)

El Señor nos dice: Id, y enseñad a todas las naciones, bautizándoles en el nombre del Padre, y del Hijo, y del Espíritu Santo; enseñándoles que guarden todas las cosas que os he mandado; y Yo estaré con vosotros, todos los días, hasta el fin del mundo. Amén. (Cf. Mt 28, 19-20).

Los seminaristas de los Heraldos del Evangelio desean que se haga realidad esta divina presencia en las almas, por este motivo, imparten clases de catecismo, todos los sábados, a decenas de niños y jóvenes que pertenecen a la Parróquia de Nuestra Señora de las Gracias.

Con esto, muchos jóvenes tienen la oportunidad de prepararse para recibir los sacramentos y, posteriormente, de poder continuar participando en las diversas actividades pastorales de su parroquia. De esta manera los Heraldos quieren “ser una casa de familia, fraterna y acogedora, donde los bautizados y los confirmados toman conciencia de ser pueblo de Dios”(cf. Catechesi tradendae, 67).

Catequesis

Las clases de catecismo son impartidas todos los sábados. Para ello, los seminaristas se esmeran en sus estudios durante toda la semana para, así, poder transmitir de forma fácil y accesible las verdades de la fe.

 Continuidad

Terminado este período, los jóvenes pasan para un curso más avanzado donde sábado a sábado son instruidos en materias como la Historia Eclesiástica, la Bíblica, la Evangelización, entre otras.

El trabajo de catequesis es complementado con excursiones y visitas a lugares históricos, culturales y religiosos, con la finalidad de ampliar los conocimientos y despertar el interés por las diversas artes y ciencias, favoreciendo además el descubrimiento de dones y facilidades en los jóvenes para que, bien cultivados desabrochen y den frutos en el futuro.

“Mens Sana in Corpore Sano”

“Mente sana en cuerpo sano” es lo que dice la máxima latina. Bien sabemos que la salud de la mente depende bastante del vigor del cuerpo. Por eso, los catequistas nunca dejan de lado una buena y saludable actividad “reponedora” que, según recientes pesquisas, ayudan en el desenvolvimiento en los estudios.

Instrumentos del Espíritu Santo

Es así que todos los sábados los seminaristas de los Heraldos del Evangelio cambian las clases por los ambientes más diversos de la parroquia, para poder servir como instrumentos al Espíritu Santo, y de esta forma cumplir el mandato de “conducir al mayor número posible de fieles, en su vida cotidiana, a un esfuerzo humilde, paciente, y perseverante para conocer siempre mejor el misterio de Cristo y dar testimonio de Él” (Catechesi tradendae, 72).

 Alcides Gutiérrez/ 2º Teologia

Para que todos sean uno. Jn 20,27

“Para que todos sean uno” (Jn 17:21)

 

Este martes, 23 de julio, tuvimos la oportunidad de recibir en  la Basílica de Nuestra Señora del Rosario 120 peregrinos de Panamá, con ellos compartimos durante toda la tarde culminando con una Eucaristía solemnizada por el coro del seminario con cantos gregorianos y polifónicos.

Entre ellos conocimos al joven Rodolfo Franceschi con el cual tuvimos la oportunidad de conversar al respecto de la JMJ durante largo tiempo, escribimos a continuación algunas partes de la animada conversa.

¿De dónde viene y con quién?

Me llamo Rodolfo Franceschi, soy de Panamá y pertenezco al Camino Neocatecumenal desde hace diez años. Es con ellos que me encuentro aquí en Brasil para ver al Papa.

-¿Qué fue lo que lo animó a viajar desde Panamá a Brasil para conocer al Papa?:

Anteriormente tuve la oportunidad de ir a Madrid a la Jornada Mundial. Entonces, al saber que en ésta vendría el Papa francisco, tan carismático, lleno del espíritu del Señor, quise venir, pues, quiero que el Señor obre en mí para poder llevar la Buena Noticia y el buen espíritu a Panamá.

Estoy en busca de la conversión, pues, es lo más importante para mí, que la voluntad de Dios se cumpla en mi vida y es por esto que decidí estar acá.

-¿Qué espera de la JMJ, no solo para usted, mas, para todos los jóvenes?

Una renovación, un nuevo espíritu, pues la juventud hoy en día está un poco perdida. Quiero para ellos que encuentren en la JMJ alegría, paz, amor, pero sobre todo el perdón.

¿Qué mensaje daría para los jóvenes en la JMJ?

Tenemos uno muy peculiar que es:

¿Dónde está el papa?: ¡Aquí está con panamá!

Y algo más espiritual sería:

Jóvenes: Abran el corazón pues Dios los ama y realmente resucitó y está con nosotros y la Santísima Virgen también nos acompaña pues es nuestra Madre.

 

Esperamos que como nuestro amigo Rodolfo todos abramos el corazón al amor de Dios y creamos en Él  “Para que todos sean uno” (Jn 17:21).